Comunidade salva escola

O professor Ary de Resende não esconde o orgulho quando aponta para o ar, como se pudesse mostrar aos visitantes os sons produzidos nas salas de aula da Escola Estadual Antônio Alves Cruz. Resende é um ex-diretor da instituição e um dos fundadores da ONG que mudou o perfil do colégio, que já esteve ameaçado de fechamento. Hoje, a lista de cursos extracurriculares oferecidos no espaço transformou a área em referência na região.

Em 2000, a Alves Cruz esteve ameaçada de fechamento, depois de mudanças no sistema de ensino. Faltavam alunos para preencher as vagas. “Houve uma reformulação nas políticas educacionais do Estado e muitas salas ficaram ociosas”, comenta o ex-diretor. Com menos alunos e depredada, em nada lembrava os tempos em que Resende era o diretor. Em 1976, quando deixou o espaço, o colégio tinha 1.430 alunos. Hoje, o total não chega a 700, divididos no ensino médio regular, no turno da manhã, e à noite, no supletivo. “Iam fechar a escola, mas a movimentação da ONG conseguiu segurar”, comenta o ex-diretor.

A saída para dar nova vida ao colégio passou por conquistar o envolvimento de ex-alunos, professores, funcionários e empresas. Hoje, o espaço oferece 18 oficinas artísticas e culturais em parcerias com a Secretaria de Estado da Cultura, Secretaria de Estado da Educação, Petrobrás, Cidade Escola Aprendiz, entre outros.

O reconhecimento do trabalho desenvolvido ocorreu em 2003. A ONG foi premiada com o Prêmio Itaú-Unicef, como uma uma das dez melhores iniciativas da sociedade civil em atividades complementares ao ensino regular. Nesta quinta edição do prêmio estavam inscritas 1.834 entidades de todo o País.

HISTÓRIA

A EE Professor Antônio Alves Cruz nasceu em 1958, como Grupo Escolar Godofredo Furtado. Na época, a escola era um apêndice da Escola Estadual Fernão Dias Paes. Desde os anos 50, a instituição já mudou de endereço três vezes. O primeiro foi a Rua João Moura, onde até hoje continua o grupo escolar. Depois disso, esteve na Rua Capote Valente, de onde mudou para dar espaço para a construção da Avenida Sumaré. O endereço atual é a Rua Alves Guimarães esquina com Heitor Penteado, também em Pinheiros.

 

Estudante se apaixona por oficinas e ação social

Os programas da Associação Fênix despertam novos talentos e voluntariado

JARDIM DAS BANDEIRAS

Ardilhes Moreira

As oficinas oferecidas pela Associação Fênix são o grande trunfo no processo de revitalização da Escola Estadual Professor Antônio Alves Cruz. ‘Adorei a idéia de trazer os alunos para a escola à tarde. A gente aprende o que precisa e muito mais’, comenta o ex-aluno Vinícius Cardoso, de 19 anos.

A relação dele com a escola serve de exemplo e mostra como os estudantes se envolvem com as atividades organizadas pela organização não-governamental. Cardoso freqüentou a instituição por um ano, para fazer o supletivo, mas o tempo foi suficiente para que percorresse todas as atividades em que conseguiu encontrar vaga. Fotografia, grafite, rádio e teatro foram algumas. ‘Fui aproveitando tudo que pude. Chegava às 13 horas e saía só às 23 horas, quando acabava a aula’, lembra.

Hoje, divide a responsabilidade de colaborar na organização das atividades. ‘Enquanto tiver condição de lutar pelo colégio, vou estar aqui.’ Atualmente, o grupo estima que cerca de 50 pessoas ajudem na organização das atividades da ONG.

O jovem Lucas Piauilino, de 18 anos, por exemplo, estudou durante três anos na escola e se apaixonou incondicionalmente pelo grupo. Atualmente, aparece como uma das promessas da entidade, tanto que foi escolhido para participar de um curso sobre economia e projetos sociais.

Além do interesse pelas questões sociais, Piauilino e Cardoso se mostraram grandes fotógrafos. Desde 2002, a ONG oferece oficinas de fotografia, com câmara escura, e neste ano lançou um calendário com os resultados das oficinas. Quadras, salas e auto-retratos foram capturados em imagens em preto-e-branco. ‘Muitas vezes, não enxergamos a realidade das coisas. Nunca imaginaria que fosse possível tirar fotos por meio de uma lata. É impressionante!’, definiu Cardoso.

Leave a comment