Escola pública: olimpíadas

RIO – Cerca de 3 milhões de estudantes dos ensinos fundamental e médio de todo o País deverão participar da 1.ª Olimpíada Brasileira de Matemática para Escolas Públicas (OBMEP), que acontecerá em agosto. São meninos e meninas que, em busca das primeiras colocações, enfrentam com determinação a falta de professores e as precárias condições de ensino.

Um dos candidatos à medalha é Danilo Gomes, de 15 anos, que cursa o primeiro ano do ensino médio na Fundação de Apoio à Escola Técnica do Rio (Faetec). Em 2004, ele foi medalhista na olimpíada do Estado. Agora, se dedica a melhorar seus resultados para obter uma boa classificação na edição nacional.

Gomes acredita que seu bom desempenho se deve à ajuda de uma antiga professora, que, sem cobrar, passava as tardes estudando com ele, depois do horário escolar. “A professora dizia que eu precisava de estímulo, senão me perderia. Devo muito a ela”, conta. O estudante, cuja mãe é dona de casa e o padrasto, policial, sabe que está tendo uma boa oportunidade e não quer deixá-la passar. “Quem estuda em escola particular tem mais estrutura, nunca falta professor”, diz.

Organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a olimpíada é composta por provas com questões de geometria, lógica, aritmética, teoria dos números e equações. As questões são tão difíceis quanto as propostas aos alunos da rede particular, explica o professor Carlos Frederico Borges Palmeira, um dos coordenadores da competição. “O que queremos é que os candidatos tenham criatividade para chegar às soluções dos problemas.”

Ele conta que alguns candidatos do Rio, premiados na olimpíada regional do ano passado, têm aulas de reforço aos sábados. E não reclamam. “Eles vêm contentes passar uma tarde de sábado estudando matemática”, diz o professor. Todos os garotos recebem uma ajuda de custo de R$ 50, paga com verba do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Palmeira revela que os jovens, de famílias carentes, são muito aplicados. “O que os diferencia é o talento e a dedicação ao estudo.” Kamilla Fernandez, de 15 anos, é um bom exemplo. A menina conseguiu um bronze na regional de 2004 e agora não quer mais parar. “Fiz porque gosto de matemática. Fiquei surpresa com o resultado.”

A primeira olimpíada de matemática do Brasil foi realizada em 1979. Desde então, reúne anualmente, junto com as edições regionais, 200 mil participantes. A idéia de realizar um concurso exclusivamente para a rede pública surgiu a partir do projeto Numeratizar, do Ceará. O objetivo é estimular o gosto pela matemática e melhorar o ensino da matéria no Brasil.

Feitas pelas escolas, as inscrições para competir na OBMEP estão abertas e vão até o dia 31 de maio. As provas são em duas fases e os candidatos são divididos em três níveis (para alunos de 5.ª e 6.ª séries, de 7.ª e 8.ª e do ensino médio). A premiação para os alunos mais bem colocados se estenderá a professores, escolas e municípios. Mais informações podem ser obtidas no site www.obmep.org.br.

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