O auxiliar de escritório Luciano Pires, 27, tem dois empregos, um filho para sustentar e um sonho: ser dentista. Mas como chegar lá se trabalha mais de 12 horas por dia e só concluiu o ensino fundamental? O supletivo noturno ele largou em duas semanas. “Não agüentei, chegava esgotado à escola.
Mas sem ensino médio não posso nem prestar vestibular.” Em março, tentará de novo. Será um dos 30 mil alunos do Escola da Juventude, programa lançado ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para o supletivo de ensino médio com aulas ministradas no final de semana -carga mínima de quatro horas.
O curso será dividido em três atividades: aulas presenciais ministradas por estudantes universitários (que estejam concluindo seus estudos), de inclusão digital (com computadores ligados à internet) e por videoconferência.
Para auxiliar os alunos carentes, o governo dará uma bolsa mensal de R$ 60 durante um ano, desde que se comprove a assiduidade do aluno na escola. A idéia é estimular o comparecimento ao programa e reduzir a evasão.
Hoje, há cerca de 550 mil estudantes matriculados no supletivo do Estado, mas muitos deixam o curso antes de completá-lo.
Professores dos cursos tradicionais que participaram do lançamento do Escola da Juventude temem que o programa peque pela qualidade das aulas. “Num país como o Brasil, no qual quase a metade dos professores não tem diploma universitário, os monitores que estão concluindo a faculdade serão adequados para o supletivo”, afirma Chalita.
O novo projeto começará em 300 escolas da rede estadual, na capital e no interior. Para se inscrever, é preciso ter concluído o ensino fundamental, ter entre 18 e 29 anos (preferencialmente) e ir com a documentação exigida (RG e histórico escolar) a uma das escolas participantes entre 2 e 28 de fevereiro.
O curso começa no dia 5 de março. Para saber quais escolas participam do projeto, é necessário ligar para 0800 7700012.
