Pais, homens e herois

Por Gabriel Chalita

Pai é uma sombra imensa que nos envolve. Árvore forte, robusta e sempre gigantesca aos nossos olhos de eternas crianças. Meninos e meninas para sempre querendo colo, afago, proteção. “Depois encontrei meu pai, que me fez festa e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria, os lábios de novo e a cara circulados de sangue,caçava o que fazer pra gastar sua alegria: onde está meu formão, minha vara de pescar, cadê minha binga, meu vidro de café? Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca nada está morto (…)” (“Leitura”, Bagagem, Adélia Prado)

Pai é uma sombra imensa que nos envolve. Árvore forte, robusta e sempre gigantesca aos nossos olhos de eternas crianças. Meninos e meninas para sempre querendo colo, afago, proteção. O pai é a figura que mescla, ao mesmo tempo, austeridade, coragem, amor, segurança. É ele quem, comumente, também desperta em nós a veia pulsante do conflito, da raiva, dos primeiros desentendimentos e questionamentos. Presente ou ausente, o pai é uma imagem constante, seja ela real, seja ela criada pela imaginação mais fantástica. Uma representação que povoa nosso imaginário ou mesmo as lembranças que nos acompanham durante toda a vida. É ele o homem múltiplo que assume personagens diversos. Há fases em que é herói, outras em que é vilão, outras, ainda, em que se parece com o mocinho, com o galã, com o professor. É nele que, às vezes, nos vemos refletidos numa espécie de espelho e nos projetamos em direção ao futuro. É ele o homem que nos impulsiona, muitas vezes sem perceber, a enfrentar o mundo, a querer nossa independência, a construir castelos, a ter nossos próprios sonhos, desejos e ideais. Batalhador incansável, muitas vezes o pai dedica sua juventude e toda a sua maturidade ao trabalho e à rotina de trazer para casa o pão de cada dia, o conforto para a família, a melhor educação para os filhos. Uma educação que, de preferência, seja muito superior a que ele teve. Culto ou analfabeto, ele detém a sabedoria de guiar seus filhos pelas veredas da vida. Comandante atento às tempestades do mar bravio, o pai se antecipa, sempre, em mostrar o perigo, em oferecer a bússola, em demonstrar as rotas mais adequadas para as travessias daqueles que ama – marinheiros ávidos por suas primeiras viagens. É para esse homem que semeia, acolhe e incentiva que queremos demonstrar nosso respeito, nossa admiração e nosso mais sincero agradecimento neste dia 08 de agosto. Até porque pais são seres eternos que, mesmo já tendo partido para outras dimensões, permanecem vivos em nossos corações para sempre infantis e carentes de seu cuidado, de seu reconhecimento. A todos esses homens – seres humanos que erram, acertam, lutam, sonham, caem, levantam – o nosso muito obrigado e o nosso abraço afetuoso. Atenciosamente.

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