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Aprendendo com as crianças

Erra quem imagina que uma criança é uma tábula rasa ou um depositório de verdades construídas pelos adultos. Erra quem julga que uma criança pouco entende. E erra, mais ainda, quem pensa que uma criança nada tem para ensinar.

A criança recebe dos adultos uma série de informações, por isso os afetos, a atenção, os estímulos são tão importantes. Entretanto, esse fluxo de informações vai ganhando significado, a partir das reações que as crianças vão tendo com o mundo.

Um vídeo, publicado no Youtube há alguns meses, já chegou a mais de 3 milhões de visualizações e exemplifica, com propriedade, esse conceito. O garotinho Luiz Antônio, de apenas 4 anos, diz à mãe que não quer que matem os animais. Que precisamos protegê-los. A conversa começa de forma simples, com a mãe falando sobre o nhoque, o arroz e o polvo. A criança quer saber se o polvo que está em seu prato morreu. O vídeo é muito singelo e significativo.

Sem entrar em detalhes sobre a crueldade contra os animais, há algo profundamente relevante que nos deve servir de ensinamento. Por que, com o tempo, vamos perdendo a sensibilidade da infância, vamos perdendo a capacidade de indignação diante do erro, vamos nos acostumando com o malfeito?

Se não tivermos sensibilidade com os animais, não teremos com os nossos irmãos. E é isso o que vem acontecendo. As misérias humanas não nos surpreendem mais. Acostumamo-nos com a maldade, com a mentira, com a injustiça, o que é triste e demonstra que estamos negando nossa própria essência. 

Valores como generosidade, companheirismo, respeito e compaixão é que nos trazem a felicidade. Por que falamos tão pouco sobre eles? Por que nos vestimos de arrogância e saímos a julgar os outros ou, simplesmente, a desprezar aqueles que não nos interessam?

Voltemos à criança. À beleza de ter um mundo de esperança. De confiar. De revelar os sentimentos. De chorar e rir sem o incômodo das máscaras.

Acerta quem quer permanecer com os bons sentimentos de uma criança. Que a inocência, apesar das dores e dos anos vividos, não nos abandone. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 14/2/2014

Youtube lança portal de vídeos de educação

Projeto feito em parceria com a Fundação Lemann é o segundo do Google no mundo

No dia 21/11, o Google lançou, em parceria com a Fundação Lemann, do empresário Jorge Paulo Lemann, o Youtube Edu, plataforma dedicada a servir como vitrine a professores que dão aulas em vídeo no Youtube. O site terá conteúdo para alunos do Ensino Médio nas disciplinas de Física, Química, Biologia, Matemática e Língua Portuguesa.

A Fundação Lemann, responsável pela tradução dos vídeos da Khan Academy, montou a curadoria do acervo educativo do site, reduzindo o número de vídeos participantes de 93 mil para cerca de 12 mil. O Youtube Edu (youtube.com/edu) foi primeiramente executado na sede do Google, nos EUA, em 2009. Com a versão nacional, o Brasil se torna o segundo país a abrigar o projeto. “Começamos em agosto deste ano, acionamos a equipe de engenheiros do Google de lá, eles nos ajudaram a levantar tudo e aqui estamos”, conta a gerente de marketing do Google Brasil, Flávia Simon. A equipe de curadoria, formada por 16 professores da Unicamp e do sistema Poliedro, mapeou os canais de professores com mais audiência e qualidade – como Me Salva, Calcule Mais, Vestibulândia e Biologia Total – e convidou seus autores a participar do site. Um deles foi Ivys Urquiza, professor de física no Maceió, que começou a gravar suas aulas há 8 meses e tem 600 mil visualizações no seu canal “Física Total”. “Gasto mais do que arrecado, mas a visibilidade compensa o prejuízo. Hoje não dá para viver só disso, mas daqui a dois anos isso vai mudar”, disse Urquiza se referindo ao sistema de monetização por anúncio do Youtube, no qual o produtor fica com 55% da receita publicitária gerada pelas visualizações. “Não cogito nunca deixar de dar aulas nas escolas, o que eu cogito é deixar de cobrar para dar aula e não depender disso para sobreviver.” O empresário Jorge Paulo Lemann, disse estar entusiasmado com a parceria e vê na tecnologia uma saída para desenvolver o País. “Espero que em alguns anos o Brasil seja competitivo também em educação.” Estiveram presentes no lançamento também o presidente da Comissão de Educação na Câmara, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), e o secretário de Educação do Estado de São Paulo, Herman Voorwald, que aprovaram a decisão do Google de começar pelo Ensino Médio, apontado como “o maior problema no Brasil”, já que possui os maiores índices de evasão.

Segundo a ONU, o Brasil tem apenas 49,5% da população com ensino médio completo e responde pela terceira maior taxa de evasão escolar (24,3%) em um ranking de 100 países.

O Google espera que até março de 2014, vídeos relacionados a ensino fundamental e superior componham a plataforma.

Fonte: O Estado de São Paulo | 22/11/2013 | Foto: Felipe Rau