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Ruth e Maurício e os contadores de história

Na quarta-feira, tivemos a abertura do EMIL, Encontro Mundial da Invenção Literária.

O evento ocorreu no Museu da Língua Portuguesa e continua em vários pontos da cidade de São Paulo até o domingo próximo. São mais de 200 horas de atividades voltadas a palestras, conversas, saraus literários, contação de histórias entre outros. É sobre contação de história que gostaria de partilhar com vocês.

A abertura fez uma homenagem aos geniais escritores Ruth Rocha e Maurício de Sousa. Os dois completaram 80 anos. Os dois escrevem com a responsabilidade de ampliar os mundos de seus leitores. Os dois tratam a criança com respeito. Os dois são leitores ávidos que percorreram vários estilos literários de tempos e espaços diferentes.

 Os dois tiveram, em suas primeiras descobertas do fascinante mundo  em que vivem, contadores de história. Também Machado de Assis teve uma contadora de histórias. Também Goethe. E tantos outros que desenvolveram a capacidade imaginativa com contadores de história.

No passado, era comum que, nas famílias, alguém contasse histórias. Mesmo as pessoas que não tiveram a oportunidade de aprender a ler e a escrever traziam as magias encontradas na tradição oral. Pais, avôs, avós, tios, amigos da família sentavam-se em torno de algum aconchego e contavam histórias.  E por que, em tempos de informações tecnológicas, é importante resgatar esse fazer? Nas telas dos computadores ou nos televisores, temos as imagens prontas. Ao ouvirmos uma história ou lermos um livro, imaginamos. E precisamos desenvolver nossa capacidade imaginativa. Além de desenvolver os afetos mais profusamente brotados de encontros com os contadores. Quanta beleza há em uma criança que pede à mãe ou ao pai que conte, novamente, a mesma história e, vez ou outra, ainda os corrige quando esquecem algum detalhe. A história, a criança já sabe, mas o som da mãe, ao dizer a história, significa muito.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 13/11/2015