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Ano novo

Que seja um ano bom.

Que saibamos ressignificar gestos simples que nos trouxeram e nos trarão alegria.

Que encontremos mais razões para fincar raízes na solidez dos afetos que nos mantêm firmes.

Neste novo ano, também teremos dores, também sofreremos ausências, também choraremos as despedidas ou as emoções. Mas será diferente. Sempre é diferente.

Que estejamos mais maduros. Esse é um presente que o tempo nos dá.

 Que sejamos mais fortes depois de termos experimentado o que parecíamos não suportar. Suportamos.

Que compreendamos mais as nossas limitações. Sem perder a ânsia de voar.

A liberdade é uma experiência que precisa ser vivida todos os anos. Quebrar correntes ou gaiolas ou grades que nos prendem é essencial.

Que tenhamos a coragem de dizer palavras de amor.

Que tenhamos a delicadeza de abrir as portas de nosso recanto e convidar outros amigos para a celebração da vida.

Que tomemos a água da bondade, todos os dias, sem comedimentos.

Vencer o mal é uma necessidade que urge. Eles estarão por aí, neste novo ano, tentando roubar nossa preciosa paz. Resistamos.

Que amanheçamos decididos a caminhar, mesmo em dias de ausência de sol.

Que compreendamos os entardeceres e até agradeçamos o dia que se despede.

Que possamos dormir sonos bons e que sonhemos com cirandas de gente.

A arte pode ser uma boa companheira para resgatarmos a sensibilidade perdida. Para que encontremos prazer no ver, no sentir, no experimentar.

É mais um ano e isso importa muito.

Estamos aqui.

Permanecemos.

Permaneçamos com as boas aprendizagens e reinventemos o que for necessário para prosseguir.

Feliz 2016.

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 01/01/2016