Miriam Mehler celebra seus 55 anos de carreira com um espetáculo que une emoção e aprendizado. É a história de Oscar e da senhora Rosa. Ele, um menino de dez anos que passa seus últimos dias de vida em um hospital. Ela, uma voluntária que convence o menino de que é possível, em 12 dias, viver a intensidade de uma vida inteira.
Depois dos conselhos da senhora Rosa, o menino começa a escrever cartas a Deus, que se torna seu amigo próximo. Miriam interpreta o menino, a senhora e outros personagens. O espetáculo é leve. A direção impecável de Tadeu Aguiar leva os espectadores a viverem essa trama que fala da vida, dos medos, das despedidas, da coragem. Tudo isso, sem exageros. Mesclando momentos de risos e de lágrimas.
O espetáculo pode ser visto no Sesc Pinheiros, em São Paulo, às sextas e aos sábados.
Ir ao teatro já é um grande programa. Prestigiar o artista brasileiro. Ampliar o repertório. Ver e reviver histórias. Permitir que a sensibilidade cumpra seu papel. E ainda aprender.
Essa peça nos leva a refletir sobre a importância do trabalho voluntário. Em um mundo onde, estranhamente, as pessoas só fazem o que traz alguma vantagem, é educativo lembrar que a felicidade se encontra no servir, no cuidar, no ser útil a alguém. Quando fazemos o bem sem querer nada em troca, nossa vida ganha outro significado. Nossos problemas ficam menores, e nossa convivência, mais rica.
A generosidade em cena, nos palcos ou na vida, é um ingrediente que traz mais sabor ao cotidiano. Há voluntários que se vestem de palhaços para fazer crianças sorrirem em hospitais. Há outros que, em asilos, exercem o delicioso ofício de ouvir as tantas histórias de quem ali vive. Há aqueles que saem de suas casas para cuidar dos que moram nas ruas. É um exército do bem que não perde tempo com superficialidades. Ao contrário, são pessoas que fazem do tempo uma rica experiência de amor.
Oscar e a senhora Rosa são um incentivo a mais para a emoção e para a boa ação.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 23/8/2013
