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Gabriel Chalita participa do 16º Salão FNLIJ para crianças e jovens

O professor Gabriel Chalita conversou com educadores e estudantes no 16º Salão FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), no Rio de Janeiro. Em meio a histórias e à frequente interação com as crianças, Chalita ressaltou a importância da leitura para uma formação escolar sólida e para a vida: “É preciso recuperar o valor da contação de histórias. Dos encontros, como este em que estamos.” E, dirigindo-se aos educadores presentes, completou: “Acerta quem permanece com os bons sentimentos de uma criança. Que a inocência não nos abandone.” 

O salão FNLIJ do livro para crianças e jovens já se tornou parte do calendário cultural do Rio de Janeiro. Esse projeto proporciona um importante diálogo entre escritores, ilustradores, professores e crianças para promover a educação e incentivar a leitura no Brasil. Além de bate-papos, o Salão do Livro disponibiliza bibliotecas, promove um seminário e uma premiação aos melhores livros do ano, de acordo com o júri da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. 

Fonte: assessoria de imprensa (5/6/2014)

Ruth Guimarães, a caipira do mundo

Entre as exuberantes serras, do Mar e da Mantiqueira, conheci Ruth Guimarães. Em sua chácara, próxima ao rio Paraíba, na minha amada Cachoeira Paulista, bebi de sua consistente prosa. Ruth era assumidamente caipira. Mulher da terra. Contadora de causos. Contadeira de histórias, como sua mãe, como sua avó. Ouvinte paciente de compadres e comadres que frequentavam seu quintal.

Saudoso tempo em que, ainda menino, fitava-a, sentada à sua máquina de escrever, dando vida às palavras e aos personagens. A autora do genial “Água Funda” conhecia profundamente os mitos gregos e os clássicos russos, sem falar dos franceses. Traduziu Balzac e Dostoiévski. Conversava sobre Flaubert e sobre Guimarães Rosa. Exaltava Machado de Assis, dizendo que maior que ele não há. Era grata a Mario de Andrade, seu mestre, crítico ensinante de sua obra. E, no meio de tanta sabedoria, me ensinava que ser sábio é ser simples.

Lembro-me das tantas vezes em que eu, estudante de filosofia, ia conversar com ela sobre Agostinho ou Tomás de Aquino. Sobre Sartre ou Nietzsche. Eu, ávido, inquieto; ela, serena, mestra. Nessas narrativas, éramos interrompidos por um ou outro vizinho que pedia um pouco de açúcar ou de feijão, e ela, com a mesma placidez, os atendia.

Caipira, sim – mas cidadã do mundo. Ruth conhecia e enfrentava os temas mundiais. A autora de “Os Filhos do Medo” era uma destemida destruidora de preconceitos. Não tolerava a mesquinhez dos arrogantes, nem a arrogância dos mesquinhos.

Tive a honra de recebê-la em nossa Academia Paulista de Letras. Eu, seu aluno, abraçando a mestra. Que privilégio! Depois de tantos anos, sentava-me, novamente, ao seu lado e a ouvia. Ruth, serena, falava pouco. Mas, quando falava, era preciso ouvi-la. Ela tinha o que dizer. Saudade da sua presença. E, presente, ela continua. Em suas obras. Em seu jeito caipira de amar o mundo.

Por: Gabriel Chalita (jornal Vale Paraibano) | Data: 25/5/2014

Ilustrador brasileiro conquista o prêmio Hans Christian Andersen

 

O ilustrador brasileiro Roger Mello venceu o prêmio Hans Christian Andersen, atribuído pelo Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY). Esse prêmio, considerado o “Nobel” da literatura infantil e juvenil, foi anunciado na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália.

Roger Mello, que já tinha estado entre os finalistas em 2010, atua há 25 anos de carreira literária como autor e ilustrador de cerca de uma centena de livros para os mais novos. Segundo o júri, a ilustração de Roger Mello possui algumas características peculiares: explora a história e a cultura do Brasil, demonstra a admiração pelos nossos costumes, é inovadora, inclusiva e dá às crianças a oportunidade de entrar nas histórias pela sua própria imaginação.

Considerado um prêmio de carreira para autores e ilustradores, o Hans Christian Andersen já foi atribuído às brasileiras Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000. Em sua última edição, em 2012, os vencedores foram a escritora argentina Maria Teresa Andruetto e o ilustrador checo Peter Sís.

Fonte: adaptado do Jornal Público, de Portugal | ilustração: Roger Mello | Data: 25/3/2014

 

O Brasil na feira de Frankfurt

O Brasil é o país homenageado na maior feira literária do mundo. A feira de Frankfurt, na Alemanha, recebe editoras de todas as partes do planeta. Escritores desfilam entre livros. Há lançamentos, palestras. Negócios são firmados. E a palavra é a estrela principal. 

O Brasil foi homenageado em 1994. E, agora, novamente. Tive a honra de estar com os escritores brasileiros, meus irmãos, vivendo a fascinante experiência de conhecer um pouco o que o mundo anda produzindo, em matéria de literatura, e de descobrir o interesse que nós, brasileiros, despertamos nos outros países. O Brasil tem grande potencial. É um continente, que apesar dos numerosos problemas sociais, políticos e estruturais, vem melhorando e vem assumindo o seu papel de destaque diante das outras nações do mundo. Não somos mais apenas o país do futebol e do carnaval, embora essas manifestações também nos enriqueçam. 

Vi com orgulho o ministro das relações exteriores da Alemanha citar Clarice Lispector e Jorge Amado. 

Vi escritores consagrados como Patrícia Melo ser homenageada, pela mesma Alemanha, pelo conjunto de sua obra. Vi Mauricio de Sousa entre livros infantis. Ignácio de Loyola Brandão contando os seus ‘causos’ em tantos encontros entre pessoas e palavras. Vi editores ávidos por traduzir nossos autores. Vi também escritores pouco conhecidos que lutam para produzir os seus trabalhos e fazer com que o mundo possa conhecer suas ideias. Valorosos operários da palavra. Filhos da coragem, e pais da decisão de fazer de escrita um norte de vida.

Temos muito o que fazer pela educação e pela cultura em nosso país. A injustiça social faz com que nossos talentos sejam desperdiçados. Mas, se há muito a criticar e a melhorar, que saibamos também comemorar. E essa conquista vale a pena ser registrada. Entre tantas nações, nós, brasileiros, fomos o centro da maior feira literária do mundo.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/10/2013