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O amor na Festa de São Vito

No domingo passado, fui à festa de São Vito. A festa, já tradicional no calendário da cidade de São Paulo, acontece no bairro do Brás.

Músicas incríveis: cantores se revezam no palco, com canções conhecidas do repertório italiano. Temos muito em comum com a Itália. Nossos gestos durante a fala, nossa irreverência nos comentários, nosso jeito brincalhão de viver a vida. Bailarinos também se apresentam. E muita, mas muita comida.

Comi um macarrão delicioso. E uma Ficazza de entrada. E uma outra entrada com berinjelas e cebolas muito bem temperadas. E também uma deliciosa Ficazzella. Ah, ia me esquecendo de que comi, ainda, polenta com queijo. Vou deixar a sobremesa para contar em uma outra ocasião. Mas não foram poucos os deliciosos doces que ornaram nossa mesa.

Andei um pouco pela festa e conversei com muitas pessoas que estavam ali, em família, para aproveitar a alegria, o prazer da convivência. Conheci muitos voluntários que todos os finais de semana deixam seus afazeres para trabalhar na festa que tem, também, como finalidade ajudar uma creche cuidada com muito carinho por professores e voluntários da comunidade.

Dentre as tantas histórias que lá ouvi, uma foi especial pelo tempo de um amor que foi se transformando e permanecendo. É a história da Neide e do Modesto. Casados há 56 anos, namoraram outros seis. E continuam contando histórias um sobre o outro. Em um determinado momento, ele me disse de uma viagem que fizeram à cidade de Polignano, na Itália. Contou da emoção, das lágrimas que brotaram dos olhos em um amanhecer repleto de gratidão de sua amada. Ela contou histórias sobre ele e sobre o quanto ele gosta de contar histórias. Um falava delicadamente do outro. Quase que em segredo. “É a melhor companheira que a vida podia ter me dado”, “É um homem bom, maravilhoso”. Perguntei sobre brigas. Disfarçaram quase que me explicando que essas coisas não contam. Ficaram no tempo os estranhamentos. Sobreviveram a eles. E chegaram aos tempos da cumplicidade. Fiquei fascinado com os dois. Quanta história! Quantas lágrimas regando cicatrizes e acalmando os dias que ainda viriam! E vieram. E os afetos foram amadurecendo e decidindo que o melhor era permanecer.

Casais assim servem de exemplo em tempos em que o descarte parece mais fácil do que os encaixes. Pessoas perfeitas não existem. Existe a complementaridade. O respeito. Os dois, Neide e Modesto, mais de uma vez, falaram em respeito. E muitas vezes em amor.

Esqueci-me de dizer que comi um delicioso Riccitelli. Saí de lá bem alimentado. De deliciosas iguarias. De histórias de amor.

Fica a sugestão para visitar a festa de São Vito que vai até o dia 5 de julho. Há 97 anos, nossos irmãos italianos reúnem-se em torno da Paróquia de São Vito, santo de muitos devotos na Itália, protetor dos jovens, dos artistas e daqueles que, por um acidente de percurso, tornaram-se dependentes de droga. Santo conhecido por acudir aqueles que padecem de doenças nervosas. Tradição trazida pela comunidade italiana de nossa cidade que se mobiliza todos os anos para a grande festa. Festa alegre! Colorida!

Vale a pena saborear as comidas preparadas pelas “mammas” de São Vito, senhoras de cabelos brancos e largo sorriso, que comandam as enormes panelas fumegantes. Mulheres incríveis que sorvem o prazer do cozer, do fazer, do conviver.

E quem sabe você consiga encontrar o adorável casal de que falei ou algum outro ou ouvir alguma história de uma das “mammas”.

No dia seguinte, tive que dobrar o tempo da corrida para gastar as calorias. Mas o melhor é que, até hoje, estou revivendo o que vivi. Viva São Vito! 

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97ª Festa de São Vito

Quando: De 23 de maio até 5 de julho de 2015.

Todos os sábados e domingos, a partir das 19h

Onde: Praça de alimentação – Rua Polignano A Mare, 255, Brás

Cantina – Rua Fernandes Silva, 96, Brás

Quanto: Praça de alimentação – R$ 5 couvert artístico

Cantina – Sábado R$ 65; Domingo R$ 30

Mais informações: www.associacaosaovito.com.br

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 31/05/2015