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É tempo de amizade

Somos produtos do meio. Isso não é novidade. Do idioma que falamos aos gostos culinários, passando por padrões éticos e estéticos, dependemos do aprendizado. Dependemos das influências que recebemos em casa, na escola, na rua, nas múltiplas formas de comunicação, virtuais ou pessoais.

Não somos máquinas. Isso também não é novidade. Chaplin nos ensinou que “Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido”.

A violência, de todas as maneiras, é o fracasso da convivência humana. As agressões ao outro roubam de mim o que tenho de melhor, minha capacidade de amar.  E, aí, entra a amizade. 

Em guarani, a palavra amigo é “chera’à” que significa, parte de mim. Fazer parte de alguém e permitir que esse alguém faça parte de nós é prova de desprendimento e de maturidade. Nos meios em que convivemos, infelizmente, proliferam-se vícios terríveis como a arrogância e a inveja. O arrogante faz um mal imenso a si mesmo e aos outros. Dono da verdade, é incapaz de se abrir à troca, à cumplicidade, aos encontros necessários entre pessoas e sentimentos. O invejoso sofre com o sucesso do outro e, perversamente, fica eufórico pelo seu fracasso. Tempos perdidos. Tempos violentos.

A amizade vai além das competições, vai além dos interesses. O amigo não é um meio, mas um fim. Não é um meio para se atingir alguma coisa, para se alcançar algum poder, mas um fim para experimentar o aroma agradável da generosidade. É desse perfume que carecemos.

Voltamos ao meio. Cuidar das relações humanas nos garante um direito ao futuro. Como colher paz, respeito, dignidade, se o plantio é de ódio, soberba, desonestidade? Pais, professores, líderes precisam refletir sobre o legado que deixarão. Sobre inteligência necessária e sobre “afeição e doçura” imprescindíveis para a construção de uma humanidade melhor. 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 23/5/2014 

 

A perversidade do maldizer

São João Vianney foi um sacerdote do século XVIII conhecido por sua imensa capacidade de ouvir. Pessoas vinham, de todo lugar, ao seu confessionário para falar sobre seus problemas e receber uma palavra de sabedoria e acolhimento.

Conta-se que, certa vez, uma senhora lhe confessou que havia falado mal de sua vizinha. O padre aconselhou-a: “Pegue uma galinha, mate-a e retire todas as penas. Depois, jogue-as de um lugar bem alto”. A mulher obedeceu e voltou à igreja para lhe contar o feito. Foi, então, que o padre lhe disse para que lá voltasse e recolhesse todas as penas. Obviamente, viu que isso era impossível. E assim é a maledicência: uma vez espalhada, não tem volta. E o mal estará feito.

Dois fatos recentes remeteram-me à história de S. João Vianney: o linchamento atroz de uma mulher e a morte de um dos donos da Escola Base. Até onde vai a perversidade humana! As penas espalhadas por pessoas irresponsáveis ceifaram histórias, futuros e vidas. De um lado, a selvageria descabida e infundada que vitimou a mãe de duas meninas, mulher de família humilde, filha de um homem simples que, em sua sabedoria, resumiu a sua dor: “falta amor no coração das pessoas”.

De outro lado, o célebre caso de injustiça difamatória contra os donos da Escola Base, ocorrido em 1994. Duas mães espalharam a notícia de que as filhas sofriam abusos sexuais na escola. A mídia, sem cuidado e disposta a usar o poder da destruição, fez o desserviço. O casal proprietário foi preso; e a escola, fechada. Como a verdade apareceu, foram inocentados. Mas o que lhes restou? A escola e a residência do casal foram depredadas, suas vidas esfaceladas: a mulher morreu de câncer e o homem sofreu dois infartos. No último, veio a falecer.

Que poder é este de destruir biografias que algumas pessoas julgam ter? De difamar pessoas injustamente? De brincar com o futuro de seres humanos? Que perversidade é esta que sufoca o amor que todos deveriam trazer no coração? E que atropela a razão e as leis humanas?

É hora de construirmos muralhas contra esse mal! É dever de todo homem dosar suas palavras, ponderar sobre a responsabilidade e o peso da palavra dita. Pena que se espalha. Flecha lançada.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 16/5/2014 

A melhor profissão

Ontem, foi dia do trabalho. Dia em que se comemoram as conquistas dos trabalhadores.


Trabalhar é transformar. A nós mesmos e aos universos com os quais convivemos. Trabalhar é participar da responsável tarefa de construir o mundo.
 Há muitas profissões. Algumas mais conhecidas; outras, menos. Há aquelas que exigem graduação, mestrado, doutorado. Há outras que não. Há algumas em que se percebe, de imediato, o benefício para a sociedade. Outras, somente se refletirmos muito.


E qual a melhor profissão? Qual a mais importante? Qual a que mais contribui para um mundo melhor?


Lembro-me que minha mãe queria que eu fosse médico. “Um médico”, dizia ela, “melhora a vida das pessoas”. Eu decidi ser professor. Um professor também melhora a vida das pessoas. Um policial. Um engenheiro. Um taxista. Um juiz. Um comerciante. Um enfermeiro. Um artista. Um escritor. Em cada uma dessas e de outras tantas ocupações, temos o poder de melhorar o mundo. Às vezes, os pais se preocupam, demasiadamente, e resolvem decidir qual a melhor profissão para os filhos. Têm os pais o poder e o dever da conversa, dos esclarecimentos, das orientações. Mas o poder da decisão compete a quem há de executar a tarefa. E deve fazê-la com amor e com respeito.


Em todas as profissões, encontramos profissionais que prezam pelas escolhas e escolhem fazer o que é correto. E, em todas elas, deparamo-nos com os que fazem da profissão um tormento para si mesmo e para a sociedade. Imaginem o poder de destruição que tem um jornalista corrupto, um administrador insensível, um promotor de justiça injusto, um motorista irresponsável!


Na arte do trabalho, os artistas precisam estar afinados com suas escolhas e com sua vivência cotidiana. Não existe profissão mais digna ou menos digna. Quem dá dignidade a uma profissão é quem a exerce. Com zelo, com responsabilidade, com consciência de que seu papel no espetáculo da vida é tão importante quanto qualquer outro. Nem mais. Nem menos.


Viva o trabalhador. Viva as mulheres e os homens comprometidos com um mundo melhor.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 2/5/2014

Desafios do ensino de matemática

O relatório divulgado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA, em dezembro de 2013, apontou que o Brasil deu alguns passos adiante em relação ao ensino de matemática, ainda que tenha ocupado a 58ª posição entre 65 países. O problema, no entanto, está longe de ser a falta de talento para a matéria.

O matemático César Camacho, diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, vê nos estudantes brasileiros enorme potencial, que passa despercebido por não haver métodos para a identificação de talentos. A observação é fruto de dez anos de realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP, que permitiu, segundo Camacho, traçar um retrato bastante fiel da realidade do ensino de matemática no Brasil.

“Temos tido enorme satisfação em verificar que nos lugares mais afastados do país existem estudantes brilhantes, que respondem aos desafios que colocamos na olimpíada de uma maneira extremamente rica”, afirmou o diretor do IMPA ao explicar que a olimpíada mede não o conhecimento, mas a capacidade de raciocínio e a criatividade para a solução de problemas. “Apesar de todas as deficiências que a escola tem, é possível verificar que o talento está uniformemente espalhado pelo país”, acrescentou. A OBMEP seleciona, todos os anos, seis mil medalhistas provenientes de mais de 800 municípios brasileiros. Diversas iniciativas de sucesso vêm estimulando o desempenho dos alunos em matemática.

Projeto Brincando de Matemática (RO)

Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Alexandre de Gusmão, do município de Nova Brasilândia, em Rondônia, encontramos uma dessas boas práticas “que deveriam ser replicadas”, como observou Camacho. Trata-se do Projeto Brincando de Matemática, realizado pela professora Amanda Sousa com alunos do quinto ano.

“O projeto foi pensado para os alunos com muita dificuldade em matemática. Para facilitar o aprendizado, trabalhamos a matéria de uma forma mais lúdica”, explica a professora. Os jogos, criados pelos alunos ou propostos pela professora, são confeccionados em sala, sempre em grupos, utilizando material de sucata.

Programa de Educação Matemática (BA)

Na Bahia, a capacitação continuada do professor se dá por meio do Programa de Educação Matemática, iniciativa da Secretaria de Educação do estado realizada pelo Instituto Anísio Teixeira – IAT. No programa, os professores são reunidos no IAT para planejar o período letivo e os formadores vão às escolas para visitas de acompanhamento pedagógico. “Falamos com os professores e fazemos o planejamento das aulas de matemática do sexto ao nono ano. Trabalhamos como os professores podem transmitir os conteúdos de matemática em sala de aula de forma mais contextualizada”, explicou Jorilene da Silva, formadora do programa. A partir desses encontros, o professor é estimulado a produzir um objeto ou conhecimento novo para levar à Feira Baiana de Matemática.

O objetivo, segundo Silva, é gerar um conhecimento que ultrapasse as paredes da escola. “Não basta fazer o cálculo, é preciso interpretar, desenvolver o raciocínio lógico, a criatividade; realizar atividades que levem não apenas a resolver contas, mas também a entender o significado dessas contas. O aluno deve entender como a matemática pode melhorar o dia a dia e de que forma ele pode aplicar esse conhecimento para que não seja dominado pelos números”, disse.

Silva conta, ainda, que muitos professores resistem às mudanças no método de ensino da matemática que ainda parte da memorização de regras. “A educação matemática trabalha não só com algoritmos, mas também com a construção de conceitos. Por isso, é importante discutir o currículo da educação matemática como ponto de partida para a formação da cidadania”.

Centro Educacional Municipal de Apoio e Atendimento Especializado – CEMAEE (SP)

O Centro Educacional Municipal de Apoio e Atendimento Especializado – CEMAEE, de Mogi Mirim, no interior de São Paulo, atende em contraturno alunos com necessidades educativas especiais. A unidade, que deu início a suas atividades em 2012, integra a rede de ensino público do município.

“Nossa proposta é promover atividades que desenvolvam o raciocínio lógico matemático. As professoras exploram o conhecimento já construído e desafiam o ‘pensar’ das crianças, por meio de jogos, de exploração corporal e de atividades de arte visual e tecnológica. As intervenções facilitam o processo de aprendizagem, com o benefício de ser possível identificar a forma de pensar do aluno, facilitando o planejamento das próximas atividades, respeitando o estágio de desenvolvimento e o nível intelectual de cada um”, explicou a diretora do CEMAEE, Mara Ortiz.

Para Ortiz, que é também pesquisadora no Laboratório de Psicologia Genética da Unicamp, é necessário que o Estado fomente políticas públicas que delineiem o fazer pedagógico e promovam a formação continuada dos professores a partir de experiências colaborativas entre a universidade e a escola. Da mesma forma, que garantam condições que possam contribuir para a organização dos espaços de aprendizagem de matemática, possibilitando aos professores a fundamentação de suas práticas.

Matemática Rio (RJ)

No Rio de Janeiro, o professor Rafael Procópio, da Escola Municipal Rosa da Fonseca, encontrou nas novas mídias uma forma de atrair a atenção de seus alunos. A princípio, o objetivo era guardar uma cópia online dos vídeos usados em sala de aula. Conforme o canal Matemática Rio foi ganhando público e visualizações, Procópio passou a se dedicar mais à produção das videoaulas e a preocupar-se com a qualidade estética das filmagens.

“No geral, percebo que o rendimento dos meus alunos aumentou sensivelmente. Ainda há muito o que aperfeiçoar nas aulas presenciais que dou na rede pública municipal, mas o potencial é enorme”, afirmou o professor, que considera importante o apoio que recebeu de colegas e da coordenação pedagógica da escola em que leciona. “Os professores, quando valorizados e capacitados, podem, sim, transformar a atual situação precária do ensino da disciplina em nosso país, por meio da inovação. Aliás, já temos várias frentes que estimulam isso”, disse.

Fonte: (adaptado) Blog Educação | Escrito por Bernardo Vianna

 

Algumas linhas sobre o perdão

Perdoar é dar oportunidade para si mesmo de seguir adiante.

Perdoar é, mesmo diante da lembrança da dor causada, compreender a cicatriz. Não é esquecer. Não temos esse controle sobre nossa memória. Mas é deixar a dor partir.

Não perdoar é condenar-se a carregar o passado nas costas, como um peso que impede a dádiva do recomeço. Não perdoar é não vislumbrar futuros. É escolher o sofrimento. É negar a si mesmo as novas possibilidades. É desprezar a graça do momento presente que nada mais é do que um presente que recebemos todos os dias.

E perdoar não é fácil. Sabemos disso. Na sociedade competitiva em que vivemos, parece que o perdão demonstra fraqueza. Os fortes se vingam. Acabam com o outro. É assim nas lutas. Ganha o mais forte. O outro é o perdedor. É assim nas histórias de supostos vencedores que se gabam ao falar que enganaram, que destruíram, que venceram.

O que é vencer? Destruir o outro é vencer? Passar a vida aquinhoando migalhas de destruição alheia é vencer? Provar que é o mais forte é vencer?

Há formas estranhas de enxergar a trajetória da vida. Talvez tenha faltado educação. Talvez tenham faltado bons exemplos. 

Uma mente atormentada em busca de vitória ou de vingança ou de poder não pode ser considerada uma mente vencedora. Não é para isso que nascemos.

A vida ganha um sentido todo especial quando conseguimos usufruir seus mais modestos momentos. Do dia a dia, das relações de afeto na família, no trabalho, entre os amigos. Simples assim, como diria Mario Quintana, “como a água bebida na concha da mão”. 

Na simplicidade da vida, deparamo-nos com pessoas que, por alguma razão, voluntária ou involuntariamente, nos decepcionaram. Ou tramaram contra nós. Ou traíram a nossa confiança. O que fazer? Vingar-se? Desconfiar de todas as outras amizades que surgirão? Bobagem. A vida é curta demais para ser desperdiçada com o que não nos faz bem.

Façamos o bem. Sem concessões.

Essa é uma forma bonita de olhar para frente e viver. E seguir adiante. De cabeça erguida. Vitorioso.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/4/2014

São José de Anchieta

Mais um santo. O que isso significa? Mais alguém para nos inspirar a fazer o correto, a viver uma vida digna, baseada no amor – valor maior do cristianismo.

Padre José de Anchieta, canonizado pelo papa Francisco, é um exemplo que merece ser mais conhecido. É um santo que marcou a cidade de São Paulo e o nosso país.

Espanhol, veio para o Brasil, aos 19 anos, para ser missionário no “novo mundo”. Esteve com padre Manuel da Nóbrega na celebração da missa que deu origem à fundação da cidade de São Paulo.

Ensinou os indígenas e aprendeu com eles. Escreveu a primeira gramática da língua tupi, consagrando o idioma dos nativos. Foi educador, literato, pregador, amigo fiel. Ao lado do padre Nóbrega, lutou pela paz entre os portugueses e os indígenas. Chegou a se entregar como refém vivendo durante meses entre os índios. Nessa ocasião, sem pena e sem papel, escreveu cerca de 5000 versos na areia – uma oração de louvor à Virgem Maria. Decorou um a um.

Tinha alma de poeta, usava seus versos para encantar e educar o povo indígena. Com amor. Com respeito. Defendia os índios dos exageros dos colonizadores. Ensinava-os de todas as formas para envolvê-los. Mestre de muitas artes, despertava nos índios a beleza da pintura, do teatro, da música, da poesia, da fé.

Gostava da natureza. Foi considerado um dos primeiros antropólogos e naturalistas do Brasil. E gostava, sobretudo, das pessoas. Iniciou, dentre tantas outras iniciativas de amor ao próximo, a construção da Santa Casa de Misericórdia, do Rio de Janeiro, preocupado com os doentes, principalmente os mais pobres. Percorria distâncias enormes para visitar os enfermos. Era esta a sua missão, amenizar a dor, o sofrimento, com uma palavra, um gesto de amor.

São José de Anchieta, “o apóstolo dos índios e do Brasil”, é um sinal de bondade, um exemplo para nos iluminar. Um obreiro do amor e da fé. Venerar um santo é inspirar-se em sua vida para ser melhor. Rezar, conversando com um santo, é pedir sua intercessão junto a Deus, Autor da Vida, Essência Primeira do Amor.

Mais um santo? Isso significa que, apesar das perversidades tantas a que assistimos, devemos continuar a ter esperanças e a fazer o bem. Esse é o caminho

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 4/4/2014

Brasil e Itália: educação em foco

Em missão oficial na Itália, o deputado Gabriel Chalita esteve em Florença para dar início a discussões e tratativas sobre um possível acordo internacional entre o Brasil e o Instituto Universitário Europeu (EUI), uma das principais instituições de educação da Comunidade Europeia. No encontro, representantes do EUI propuseram a elaboração de um programa de formação de professores, o que vem ao encontro de uma das principais bandeiras defendidas pelo deputado e educador Gabriel Chalita.

Esse instituto é internacionalmente reconhecido pela qualidade de seus estudos acadêmicos, desenvolvidos inclusive por brasileiros. Na visita, Chalita encontrou-se com pesquisadores do Brasil que atuam nas áreas de direito comparado, regulação de serviços públicos e constitucionalismo, assuntos que contribuem fortemente para o desenvolvimento do nosso país e do Mercosul.

Ainda no EUI, o deputado Chalita conheceu a sede dos Arquivos Históricos da União Europeia (HAEU), responsável pela gestão de todo o acervo de documentos oficiais, desde os acordos iniciais da UE até os registros de negociações com outros países, inclusive com o Brasil.

O interesse em expandir o diálogo entre a educação brasileira e italiana foi ressaltado, também, por Simone Tani, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Relações Internacionais de Florença. Em encontro com o professor Chalita, o secretário expressou a intenção da prefeitura de Florença de estabelecer parceria com instituições educacionais brasileiras. Recentemente, foi inaugurada uma universidade chinesa na região, que oferece cursos de arquitetura e moda.

Na capital italiana, em visita à Sapienza Università di Roma, Gabriel Chalita acompanhou o progresso conquistado pelos 200 estudantes brasileiros que fazem parte do programa Ciência sem fronteiras, que busca promover a consolidação, a expansão e a internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O vice-reitor dessa instituição, Antonello Biagini, e o brasilianista prof. Finazzi-Agrò, apresentaram a ótima avaliação que o programa brasileiro tem recebido da instituição e dos alunos. Por isso, a Sapienza, uma das mais tradicionais universidades europeias, espera para o segundo semestre de 2014 cerca de 400 estudantes brasileiros em seus cursos universitários.

Fonte: assessoria de imprensa | 1/4/2014

 

Ilustrador brasileiro conquista o prêmio Hans Christian Andersen

 

O ilustrador brasileiro Roger Mello venceu o prêmio Hans Christian Andersen, atribuído pelo Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY). Esse prêmio, considerado o “Nobel” da literatura infantil e juvenil, foi anunciado na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália.

Roger Mello, que já tinha estado entre os finalistas em 2010, atua há 25 anos de carreira literária como autor e ilustrador de cerca de uma centena de livros para os mais novos. Segundo o júri, a ilustração de Roger Mello possui algumas características peculiares: explora a história e a cultura do Brasil, demonstra a admiração pelos nossos costumes, é inovadora, inclusiva e dá às crianças a oportunidade de entrar nas histórias pela sua própria imaginação.

Considerado um prêmio de carreira para autores e ilustradores, o Hans Christian Andersen já foi atribuído às brasileiras Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000. Em sua última edição, em 2012, os vencedores foram a escritora argentina Maria Teresa Andruetto e o ilustrador checo Peter Sís.

Fonte: adaptado do Jornal Público, de Portugal | ilustração: Roger Mello | Data: 25/3/2014

 

Sonhar é preciso

O educador Paulo Freire, em seu exílio no Chile, em 1964, escreveu: Cheguei ao Chile de corpo inteiro. Paixão, saudade, tristeza, esperança, desejo, sonhos rasgados, mas não desfeitos, […] vontade de viver e de amar. Esperança, sobretudo.  

Freire tinha o sonho de uma educação para a libertação dos oprimidos, que tornasse a realidade mais humana e permitisse aos homens que fossem protagonistas de sua própria história. Visto como subversivo pelo regime militar, foi preso e forçado a deixar o país. Lutou a vida toda pela causa da educação, mesmo quando as circunstâncias tentaram lhe roubar o sonho. Sonho rasgado, mas não desfeito. 

Inspira-nos saber de tantos grandes homens que escolheram não desistir jamais de seus sonhos. Buscaram, alcançaram e nos presentearam com suas obras. Muitos deles foram desestimulados no meio do caminho. Mas persistiram. O poeta Drummond chegou a ser expulso da escola por “insubordinação mental”. Villa Lobos estudava piano escondido da mãe, que tencionava vê-lo médico e não músico, até que ele decidiu fugir em busca da arte musical. Monteiro Lobato, leitor contumaz desde menino, foi reprovado no exame de língua portuguesa, quando tentava a admissão no Instituto de Ciências e Letras. Homens que sonharam. Homens que fizeram suas escolhas. Homens que não se abandonaram frente aos desestímulos.  Surpreendentemente, alguns vindos da escola. 

A mesma escola que ilumina e desenvolve o pensamento, despertando no outro o prazer do conhecimento, é capaz, muitas vezes, de desencorajar a semeadura dos sonhos de seus alunos. Faz mal. Não pode ser incauto o olhar da escola e do professor sobre seu aluno. Professores são gerenciadores dos sonhos das crianças que passam por suas mãos. Precisam tocar, envolver, mover a alma de jovens ávidos por um futuro ainda em gestação. A semente do pensamento é o sonho. Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos – ensinam as palavras do sonhador Rubem Alves.

Sonhar é inerente à essência humana. É a mola que impulsiona o homem à experiência da vida. Não vive aquele que não tem um sonho. E torna-se inacabado o homem que não o persegue, pois realizá-lo é condição de uma vida plena e feliz.

 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/3/2014

Fraternidade e tráfico humano

Desde 1962, no período da Quaresma, a Igreja Católica realiza a Campanha da Fraternidade para despertar o sentimento de solidariedade entre as pessoas, sensibilizando-as para o enfrentamento e a transformação de um dilema humano. O tempo da Quaresma representa, para a Igreja, o tempo da conversão, da renovação interior, um “itinerário de libertação pessoal, comunitária e social”, nas palavras de Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A cada ano, um tema e um lema são escolhidos pela CNBB, conclamando a sociedade a buscar, fraternalmente, soluções que promovam a erradicação de injustiças e de males que desconstroem a dignidade humana.

Este ano, Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB, anunciou “Fraternidade e tráfico humano” como tema. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1) é o lema que determina a direção para a qual os exercícios de caridade e de conscientização devem se orientar.

É o tempo da fraternidade, de despertar mulheres e homens para o drama humano do tráfico, do ceifar da liberdade, em todas as suas esferas.

É sobre a liberdade que a Campanha da Fraternidade se pronuncia. A liberdade a que cada ser humano tem direito. É para a liberdade que o homem nasceu e qualquer forma de escravidão é condenável. Qualquer tentativa de cerceamento da escolha humana é intolerável. E essa é uma causa de todos, e não apenas dos católicos. É um chamamento à luta contra a insensatez da exploração, da escravidão, da prostituição, do aliciamento, da violência doméstica e de tantas outras formas de violação da dignidade humana.

Em mensagem aos brasileiros, papa Francisco fez um apelo para que ninguém fique impassível diante dessas vidas roubadas em todo o mundo. Vítimas sem direitos e sem voz: “A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando firo a do outro, firo também a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou!”.

A liberdade tem mão dupla. Não é livre o homem que rouba a dignidade de um irmão. Escravizar, violentar, fazer do próximo uma mercadoria é aprisionar a si próprio. Não nos habituemos ao sofrimento de um irmão. Não nos acomodemos diante dos abusos cometidos contra as fragilidades humanas. Vamos agir.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 7/3/2014