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Quando mudam as estações

Há uma canção de Beto Guedes que fala da chegada do mês de setembro que traz, consigo, a primavera. Fala de perdão. Fala das canções, das vozes que as entoavam e dos seus sonhos. Há aqueles que se perderam no caminho. E choraram. Mas o “sol de primavera” anuncia novos tempos. É que, às vezes, permanecemos com os mesmos erros. “A lição sabemos de cor/Só nos resta aprender”.

Com as estações, mudam algumas características de tempo e temperatura. Mas não é disso que trata a canção. É nela que nos inspiramos para sugerir que os comportamentos evoluam. Quanto desperdício em permanecer nos erros que sufocam. Há colecionadores de malfeitos. Os próprios e os alheios. E não há estação que resolva os problemas dos que estacionam. Dos que não progridem. Dos que não aproveitam “o sol de primavera” para derreter as friezas que os adoeceram. Ódios acumulados, ausência de perdão, estranhamentos por acidentes corriqueiros. Uma vida com esses dissabores perde o sabor. 

Essas lições nós sabemos, porque observamos quanto de dor a história registra de histórias que poderiam ter tido outros enlaces. Lamentamos o próximo que não se aproxima de quem ama. Entristecemo-nos por aqueles que, envoltos em agressividade, entristecem. Marcas que ficam se delas não cuidarmos.

Mas passam as estações. Passa a vida. E talvez mais rapidamente do que gostaríamos. O tempo dos desperdícios cobra seu preço. Na primavera, que chega na próxima semana, ou em qualquer estação, afeiçoemo-nos ao melhor da vida. Não percamos tempo. Abramos, como quer o compositor, “as janelas do nosso peito” e vivamos. Com o sol que nos aquece ou com a chuva que aguardamos tanto para nos alimentar do necessário e para limpar o que chegou a hora de esquecer.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 19/09/2014

 

Dignidade no lar

Costumo almoçar, aos domingos, na casa do príncipe dos poetas brasileiros, Paulo Bomfim. É um prazer desfrutar de sua prosa leve. Ouço lições do mestre Nalini e histórias de Lygia, a menina dos contos. Sinto-me um aprendiz privilegiado. Quem cozinha é Lúcia. Uma mulher que encanta pela simpatia e pela alegria de viver. Diz o poeta que é ela a luz que ilumina o seu entardecer. 

Num domingo desses, não pude ir. Fui à casa de alguns conhecidos. Era uma reunião de aniversário. A comida era muito boa. Pedi para agradecer a cozinheira. A dona da casa e sua filha pequenina me acompanharam até a cozinha. Agradeci a moça e disse que o risoto estava perfeito. Ela, timidamente, agradeceu. Foi quando a criança soltou: “Mas ela não pode comer, porque mamãe não deixa”. A mãe ralhou com a filha e tentou uma explicação: “Ela não está acostumada a comer esses pratos mais enjoados, gosta mesmo é do seu arroz com feijão”.

Eu gosto muito de arroz com feijão. E ovo. E couve. E salada. Mas não gosto de gente que destrata gente. Quantas cozinheiras passam por isso! Cozinham para os seus patrões e sequer podem experimentar o prato que fizeram. Triste arrogância. Muro da vergonha que separa quem tem mais de quem tem menos. Imagine impedir alguém – que cuida da nossa vida, da nossa comida, da nossa roupa, da limpeza de nossa casa – de desfrutar da comida que nos prepara. Olhei com tristeza para a lamentável cena. Dei um abraço forte na cozinheira e, mais uma vez, agradeci. E parti. Parti saudoso dos almoços de domingo na casa do poeta. Em que Lúcia faz parte da família. Da minha casa, em que Lu cuida e é cuidada. Alimenta-nos e é alimentada por tudo o que podemos dar a ela.

O conceito de “próximo” na Bíblia é desafiador. É preciso cuidar de quem está perto. Se não conseguirmos fazer isso, não cuidaremos de ninguém.

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 12/09/2014

 

 

Ética é tema de palestra de Gabriel Chalita na XIV Semana Jurídica Unip – Santos

Gabriel Chalita participou da XIV Semana Jurídica da Unip, de Santos, com a palestra “A ética na construção do conhecimento”, dirigida a alunos e docentes do curso de Direito da universidade. Para fundamentar essa temática, recorrente na filosofia e relevante no cotidiano, Chalita, desde o início da palestra, explicou o conceito de ética a partir da semântica de três palavras: verdade, dignidade e generosidade.

Por meio de exemplos de vida e de sua própria trajetória, Chalita comoveu a plateia ao revelar o quanto esses conceitos, se aplicados na prática jurídica e no dia a dia, podem nos ajudar a sermos mais justos, mais humanos e, acima de tudo, a viver melhor: “Se imaginarmos que a felicidade está no extraordinário da vida, nunca seremos felizes.” Após abordar essa relação entre a teoria e a prática da ética, Chalita ressaltou a diferença que um olhar verdadeiramente generoso pode exercer nas decisões profissionais de quem trabalha cotidianamente com a justiça. 

A XIV Semana Jurídica da UNIP, em Santos, contou com palestras e discussões relevantes sobre Direito contemporâneo, Marco Civil, atualidades do Direito Penal, entre outros temas. 

Fonte: assessoria de imprensa

 

Gabriel Chalita conversa sobre educação com os Promotores de Justiça de Santa Catarina

A Associação Catarinense do Ministério Público (ACMP), com apoio da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado, realiza bianualmente o Encontro do Ministério Público de Santa Catarina, evento que, este ano, contou com a participação de Gabriel Chalita. Com a temática “A educação como efetivação do super princípio da dignidade da pessoa humana”, a palestra do professor Chalita contribuiu para promover o diálogo entre os promotores de justiça de Santa Catarina e a realidade vivenciada pelo setor educacional. 

Em sua XXXIII edição, o tema proposto pelo Encontro, “O Ministério Público e a efetivação das políticas sociais”, propõe estreitar os laços entre os membros do Ministério Público de Santa Catarina e os representantes de diversos setores – como segurança, saúde, educação, moralidade administrativa, entre outros. No centro da discussão, está o alcance das políticas públicas brasileiras e o papel desempenhado pela instituição na defesa e na ampliação dos direitos sociais. 

Fonte: assessoria de imprensa

 

Antônio Ermírio, uma face humana da generosidade

Quando Antônio Ermírio de Moraes completou 80 anos, tive a honra de, ao lado do grande pensador José Pastore, organizar um livro sobre a sua vida. Foram 80 depoimentos de artistas, intelectuais, empresários, políticos, escritores e familiares sobre a trajetória de um gigante do mundo empresarial, de um homem cuja capacidade de trabalho era impressionante. Antônio Ermírio era um líder comprometido com a geração de empregos e com o desenvolvimento do país. Era um brasileiro apaixonado pelo Brasil. Mas não era só isso.

No seu velório, fiquei atento à quantidade de pessoas de todos os cantos que vinha para lhe render homenagem. Ouvi histórias comoventes de gratidão. Entre elas, a de uma ex- funcionária que viajou de sua cidade para agradecer ao homem que salvou sua vida pagando a cirurgia e todo o tratamento do coração. Ele era um homem de coração. Uma trabalhadora do Hospital Beneficência Portuguesa, com os olhos marejados, dizia de sua simplicidade. Ele era, decididamente, um homem simples. Convivi com Antônio Ermírio durante um bom tempo. Fui seu confrade na Academia Paulista de Letras. Desfrutei de muitos momentos de prosa em que sua sabedoria deixava marcas de entusiasmo. E testemunhei muitas ações de generosidade que ele fazia com a intenção nobre de ajudar o próximo. Sem alardes. Pelo contrário, insistia que não fizéssemos divulgação, que não era essa a intenção, que o valor do ato generoso estava no silêncio, no saber-se útil ao irmão. Eu insistia em homenageá-lo pelas doações. Ele, delicadamente, agradecia e dizia ter aprendido com o pai que ajudar ao próximo é um dever de consciência, é um exercício de cidadania. Vi seus olhos emocionados na apresentação musical de jovens da antiga FEBEM. Ele havia doado os instrumentos. Eu lhe dizia que precisávamos dar uma segunda chance àqueles jovens e que o desenvolvimento da sensibilidade, proporcionado pela música, era essencial. Ele concordava e insistia que deveríamos nos preocupar também em dar emprego a eles. O trabalho dignifica o homem – era essa sua oração. Foi ele o mecenas de muitas igrejas. Construções, restaurações, espaços de encontro com Deus. Que belo encontro com Deus está experimentando Antônio. Deus, a essência do Amor. Antônio, um homem que se permitiu ser uma face humana da generosidade. Do amor em ação. Sabia ele do poder da educação. Repetia quase que um mantra: “Educação, pelo amor de Deus”. Heliópolis é uma das testemunhas de seu fazer pelo outro. Pelos que estão distantes das possibilidades. Talentos todos têm, mas, infelizmente, alguns futuros se perdem porque não há quem os tome pelas mãos e os conduza nos primeiros acordes. O resto eles fazem. Orquestras de canções tantas, vidas em afinação. Peças de teatro. Artistas em cena revelando o talento do autor Antônio Ermírio e de sua inquietude no mover as pessoas pelas lágrimas ou pelo riso na construção de um país melhor. Seu intento era esse. Fazer! Aproveitar o dia, aproveitar a vida para deixar um perfume novo em ambientes malcheirosos pelo egoísmo, ausência de amor. Amou os seus. Sua mulher, Maria Regina, seus nove filhos, seus netos e bisnetos. Que linda família! Soube educá-los para a vida e para o exercício do respeito. Nada de exibicionismos. Nada de exageros. Deu certo. Apesar da dor de enterrar dois filhos, a imagem dos seus familiares atesta uma educação correta. Ouvi de sua mulher no velório: “Agora, ele está com os dois filhos, e eu, com os outros. Um dia, estaremos todos juntos”. Essa é a fé que nos alimenta. A saudade é parte de nossa condição humana. Somos caminhantes. E não sabemos o dia da despedida. A experiência do mistério nos desafia. Por isso, pensar na morte é um alimento para a vida. Fortalecemos a nossa jornada quando tomamos consciência de nossa finitude. Somos pó e ao pó voltaremos. Assim nos ensinaram. Mas somos mais do que pó. Somos amor. E é o amor que nos identifica. E é o amar que justifica nossa existência. Precisamos de referenciais. Os exemplos nos elevam. Antônio Ermírio de Moraes é um referencial. Aprendamos com ele esses valores tão estranhamente escassos: a decência, o respeito, a honestidade, o trabalho, a simplicidade, a generosidade. É isso. A saudade é amenizada pela certeza de uma vida que modificou e que deu significado a milhares e milhares de vidas. De um incansável trabalhador na arte de produzir riquezas e de edificar gentes. Um homem bom!

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 27/08/2014

Aprendendo com os aprendizes

Construir vínculos não é fácil. Somos seres humanos e, como tais, incompletos: sujeitos de erros e acertos, esperanças e temores, amores e frustrações. Apesar disso, desejamos e buscamos alcançar a plenitude do ser.

Contraditórios, é no reconhecimento dessa imperfeição que podemos construir uma relação saudável entre professores e alunos. Afinal, em nossa jornada, somos livres para caminhar com alegria, com amizade, fazendo o possível para transformar nossas escolas em um espaço de esperança.

Entre livros e sonhos

Escrever é um ofício que me realiza. Não consigo imaginar um mundo sem palavras. São elas que se lançam para dar significado ao que sentimos. Pontes encantadas. E, quando necessário, muros. Sem agressividade. Mas com palavras certas.

Poetizamos pela palavra. Criamos personagens, inventamos situações, tecemos argumentos pela palavra. Gosto de escrever. E escrevo como profissão de fé na pessoa humana. Reescrever dá um pouco mais de trabalho. As rasuras nos lembram de que vamos corrigindo. De que a palavra talvez possa ser outra. De que os tempos fugidios exigem novos olhares.

Revisei quatro livros que serão lançados na Bienal: “Famílias que educam”, “A escola dos nossos sonhos”, “Semeadores da esperança” e “Aprendendo com os aprendizes”. Já faz algum tempo que os escrevi. Tratam da minha outra paixão, além da escrita: o nobre exercício do educar. Os livros falam de família, de escola, de professores e de alunos. Dos espaços sagrados em que nos deparamos com o exercício diário da generosidade. A convivência ganha significado na troca. Aprendemos, ensinamos, tornamo-nos cúmplices da boa nova, que é a educação. Formamos para o hoje e para todos os outros dias. Com exemplos e com textos. Mas, acima de tudo, com a convicção de que o que fazemos tem uma razão de ser.

Na Bienal, muitas outras palavras estarão aguardando os visitantes. Conversas com autores, autógrafos. Aproveito para convidar todos os leitores deste jornal para o lançamento dos meus livros no sábado, dia 30 de agosto, às 14h30, no estande da Editora Cortez, e para se deixarem seduzir por este universo de letras, de palavras, de pessoas.

Ao terminar a revisão desses livros, fiquei refletindo sobre quantas revisões devemos fazer sobre nossas escolhas. Que bom que a vida nos dá outras oportunidades.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 22/08/2014

Gabriel Chalita participa de solenidade de posse dos conselheiros do Conselho Consultivo Interinstitucional do TJSP

Com a presença do presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, do governador Geraldo Alckmin, do deputado federal Gabriel Chalita, que representou a Câmara dos Deputados, de diversas autoridades, renomados juristas e integrantes da sociedade civil, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, deu posse aos integrantes do Conselho Consultivo Interinstitucional (CCI) da Corte, em solenidade que aconteceu no Palácio da Justiça.

O CCI, criado em março deste ano por ato pioneiro da atual gestão da Presidência do TJSP, tem a missão de implantar um novo patamar de interação com a sociedade: uma verdadeira “democracia participativa”. Seus integrantes, representantes de diversas instituições ligadas aos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo e da sociedade civil, opinarão sobre temas de impacto institucional e social. Na primeira pauta estão três assuntos: Judiciário sustentável, alternativas de obtenção de novos recursos e valorização da primeira instância, este último indicado pela população por mensagens via redes sociais.

“Os conselheiros são vitoriosos. Venceram em suas atividades, são referências brasileiras em seus setores. Aqui se reúne um PIB de inteligência muito superior àquele com que sonhamos para o Brasil. A missão do erudito é restituir à sociedade o que ela fez por ele. O mais qualificado é também consciente disso e se torna um empreendedor. Continuará a marcha de aperfeiçoamento das instituições, para reduzir desigualdades e permitir que todos os seres humanos se realizem, fazendo suas potencialidades atingirem a plenitude possível”, disse Nalini ao enaltecer os profissionais que compõem o CCI.

Ao encerrar a cerimônia, o presidente agradeceu a colaboração de todos e informou os três primeiros temas que serão esmiuçados. No prazo de 30 dias, haverá nova reunião do Conselho, dessa vez virtual, para a discussão dos assuntos.

Sobre o CCI

O TJSP, em um esforço de ampliar canais de diálogo entre a Corte e os diversos atores sociais, criou o Conselho Consultivo Interinstitucional. O objetivo do conselho é servir de espaço de comunicação com as organizações responsáveis pela movimentação judiciária. O conselho será presidido pelo presidente do TJSP e composto por outros 25 participantes (entre membros efetivos e suplentes). O mandato terá duração até 31 de dezembro de 2015, e os componentes não serão remunerados pela participação no CCI. As reuniões ordinárias ocorrerão trimestralmente, e as extraordinárias serão convocadas quando o presidente reputar conveniente. 

O CCI já é exemplo para outros estados. Inspirados na iniciativa paulista, advogados mineiros levaram ao presidente do TJMG, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, a proposta para a criação de um Conselho Consultivo Interinstitucional na instituição. A proposta será estudada pelos integrantes da Corte.

Fonte: assessoria de imprensa TJSP | texto adaptado do site http://www.tjsp.jus.br/

Gabriel Chalita fala sobre escolhas e aspirações no 66º Encoge

Gabriel Chalita participou do 66º Encoge (Encontro do Colégio Permanente de Corregedores dos Tribunais de Justiça do Brasil), em São Paulo, encerrando o segundo dia de reunião com a palestra “Desejos, escolhas e aspirações na justiça”. Sob perspectiva aristotélica, Chalita falou sobre a importância do julgador na sociedade e ressaltou que é preciso conhecer o ser humano para que esse julgamento possa ser realmente justo. E completou: “Dentro da dimensão aristotélica, não se pode aspirar ser um juiz, mas, sim, ser um juiz justo. Pode-se aspirar fazer justiça. Quando isso ocorre, a função de juiz, já alcançada, ganha sua dimensão plena.”

O Encoge ocorre anualmente e tem como objetivo promover o intercâmbio de experiências positivas entre as corregedorias do país, para que haja o aperfeiçoamento e a melhoria da prestação dos serviços judiciais e extrajudiciais dos estados e do Distrito Federal. 

Fonte: assessoria de imprensa

Uma visita inesperada

O calvário existe. Cada um sabe o peso da sua cruz. O sofrimento e a esperança nos moldam. O sofrimento chegou para a família de Eduardo Campos. Sim, porque além de um político respeitado em todo o país, além de um homem que governou seu estado com brilhantismo e que anunciava um futuro feliz, Eduardo era filho, era esposo, era pai. Cinco filhos. O país lamenta a prematura partida do estadista. A família chora seu amado. As famílias, das outras vítimas, igualmente choram.

A morte é uma visita inesperada. Alguns não compreendem. Minutos depois do anúncio da partida, já falavam em sucessão, em outra candidatura. Mesquinho poder. Passa uma impressão estranha do quanto somos descartáveis no jogo de interesses. O luto existe. O respeito também. Olhar a morte nos ajuda a enxergar a vida. A consciência da finitude nos aproxima do que de fato somos. Consciência de todos. Igualamo-nos ao saber que seremos visitados por ela. Alguns mais jovens; outros, mais idosos. Alguns ainda na infância como nas tristes cenas das guerras tantas. A morte sempre vem. Quem se alimenta de fé tem outra perspectiva. É como o inverno nos países frios que, aparentemente, destrói as folhagens. Parecem mortas as árvores. Apenas parecem. Elas renascem exuberantes na primavera. A eternidade é a primavera da alma. E, aí, surge a esperança. A esperança do reencontro e, ao mesmo tempo, a esperança de viver melhor o que nos resta. Deixar de lado as complicações. Brigando menos. Desperdiçando pouco os encontros que nos acalentam. No dia dos pais, Eduardo celebrou a vida com seus filhos. É essa a lembrança, no meio da dor, que há de alimentar a esperança.

Depois do calvário, vem a Páscoa. Para os judeus, é a passagem da escravidão para a libertação; para os cristãos, a passagem da morte para a vida. A fé não expulsa a dor, ela fica, ela nos frequenta, mas depois vai. E ficamos nós tentando manter acesa a chama do que de bom aprendemos.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 15/08/2014