Imaginem um encontro entre Francisco de Assis e Terezinha do Menino Jesus. Hoje, é dia de São Francisco. Dia primeiro, foi dia de Santa Terezinha.
Um encontro entre os dois, fisicamente, nas lindas histórias de vidas que viveram, não seria possível. Francisco nasceu na Itália, em 1182, e Terezinha na França, em 1873. De épocas e lugares diferentes, esses dois referenciais do amor absoluto a Deus e ao próximo continuam a nos inspirar. Mesmo entre aqueles que não são religiosos, mesmo entre os que não frequentam as Igrejas, os nomes de Terezinha do Menino Jesus ou de Francisco de Assis trazem alguma elevação.
Pensamos na delicadeza de Terezinha. Na menina que quis ir cedo ao Carmelo, que escreveu lindos poemas de simplicidade, que cedo partiu para a eternidade, sorrindo, prometendo que mandaria do céu uma chuva de rosas para fazer o bem aos que na terra vivem.
Francisco era irmão do Sol e da Lua, irmão dos pássaros e também dos lobos, noivo da dona pobreza, defensor da natureza como a casa comum, a casa de todos nós que merece ser cuidada.
Terezinha nos inspira a viver a delicadeza como uma decisão de vida. Francisco a nos comportarmos como irmãos, sem hierarquias, sem arrogâncias. Tudo é para todos. “Paz e bem!” – apenas isso. Um santo encontro entre esses dois jovens geraria conversas interessantes. “O que estão fazendo com a religião”? – perguntaria Terezinha. “Por que as pessoas continuam matando em nome de Deus? Deus é Amor. Julgam demais e amam de menos esses que se dizem tão religiosos. Pobres filhos de Deus que precisam fugir de suas terras porque os religiosos querem lhes cortar as cabeças. E, para onde querem ir, faltam religiosos acolhedores”. E Francisco, certamente, concordaria, explicando que o que falta é que se percebam como irmãos, que sintam o privilégio do dar sem querer nada em troca. Do movimento do amor. Do perdão. Do acolhimento. Das vidas que ganham significado quando compreendemos a lição do Mestre que cuidou, que nos falou sobre ter um coração de criança, que deu novo caminho à pecadora, que não fugiu dos que tinham lepra. Terezinha poderia cantar um cântico puro para Francisco, inspirado nele, inclusive. Ela poderia dizer aos irmãos que cantassem: “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz”. E que cantassem a sequência dos lindos versos na própria vida. Nada de ódio. Tudo de amor. Nada de ofensa, de discórdia. Mas de perdão e de união. Cantemos o cântico da fé, da verdade, da esperança e da alegria. Diria Francisco a Terezinha, inspirado no poema da amorável menina, Viver de amor: “Viver de amor é compreender as dores dos calvários dessa vida, viver de amor é dar sem medida e sem buscar na vida a recompensa. Viver de amor é velejar sem descanso semeando nos corações a paz e a alegria. Viver de amor pode parecer uma estranha loucura. Sejamos loucos, Terezinha. Loucos apaixonados pela divina causa de cuidar do humano”. “Sejamos loucos, Francisco. Loucos comprometidos com cada irmão que, caído, espera, esperançosamente, uma chuva de rosas, de bênçãos para prosseguir”. “Prossigamos, Terezinha”.
E o encontro continuaria falando dos mais vulneráveis, dos injustiçados, das vítimas inocentes de tantos perversos. O que diriam eles sobre a perversidade, mal horrendo que revela uma face não humana dos humanos? O que diriam eles sobre uma segunda chance aos que erram? Como tratariam o tema da verdade, da autenticidade, da generosidade?
Santos encontros podem ocorrer nos nossos dias. Terezinha e Francisco continuam por aqui. Com outros nomes. Com outras faces. Pessoas que vão e que vêm e que, ao se reconhecerem irmãos, perceberão a delicadeza das rosas que caem sem que as vejamos. Sintamos o perfume da bondade em cada gesto em que reconhecemos o outro como nosso irmão. Viver de amor como instrumentos de paz.
Sejamos Terezinhas e Franciscos com a humildade de quem têm muito a aprender, mas com a esperança de que dias melhores poderão nascer.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 04/10/2015

Lembrar é uma das possibilidades da razão. Lembrar é revisitar o passado e encontrar significados no existir. Existimos instante a instante. Alguns revelam surpresas agradáveis, outros trazem dor. Instantes em que a vida é gerada. Instantes em que palavras de amor são proferidas. Instantes em que encontros marcam, para sempre, nossa trajetória. Quantas vezes agradecemos por ter conhecido alguém que nos ressignificou o sentido da palavra amar ou conviver ou cuidar ou partilhar a vida. Estávamos desprevenidos, distraídos, talvez, e alguém chegou. E mudou outros tantos instantes que se somaram e se somam à nossa vida.
Christiane Torloni é Maria Callas.
Amanhã, é dia 7 de setembro. Dia da pátria. Dia da independência. Dia da liberdade. E o que mais? E por que amanhã? A resposta rápida é porque, em 1822, Dom Pedro I proclamou nossa Independência. E isso merece comemoração. Mas insistamos um pouco mais: por que amanhã? Amanhã, eu começo a me esforçar para ser livre. Amanhã, eu vou parar de mentir. Amanhã, eu vou fazer o que já decidi: mudar de vida, mudar de humor, mudar de atitude, mudar qualquer coisa que hoje me incomoda. Mas o incômodo não é hoje? Por que esperar amanhã?
Uma mulher escreveu para o meu programa de TV, na Rede Vida, falando sobre sua decisão de partir. Contou, com dignidade, sua história de amor e de recomeço. “Fiz tudo pelo meu namorado. Tudo. Vivi por ele. Cuidei dele. Imaginei um mundo lindo ao lado dele. Até a velhice. Mas acabou. A pedra que ele me atirou ainda dói. Mas sou decidida. Acabou, acabou!”. Esse é um trecho de uma longa narrativa.