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Conviver

Nesta semana, lançamos o programa “Recreio nas férias”. São inúmeras atividades de lazer e aprendizagem para crianças e adolescentes. As escolas são espaços privilegiados de convivência. Estava em um CEU, quando ouvi uma mãe dizendo ao filho: “Nossa, como é difícil conviver com você, somos muito diferentes”. Olhei e vi o menino inquieto e a mãe emburrada. Conversei com os dois. Disse que ficava muito feliz em ver os pais frequentando as escolas. Que isso é fundamental, pois, por melhor que seja a escola, ela nunca substitui o espaço da família e não resolve as carências deixadas pelas ausências.

Fiquei pensando nas palavras ditas por aquela mãe a seu filho. É verdade. Conviver não é fácil. Talvez seja, exatamente, pelo fato de sermos diferentes. Todos nós. E as diferenças se alargam quando convivemos mais proximamente. Quantos amigos se estranham em viagens, quando se deparam com as surpresas do dia a dia. Quantas inquietações há nas cobranças de uma relação amorosa, se um não faz o que o outro sonhou. Da lembrança de datas especiais à desatenção na mudança de penteado. Projeto no outro o que gostaria que o outro acrescentasse em mim. Mas o outro não sou eu e, por isso, me frustro. Conviver exige compreensão das imperfeições e dos sonhos de cada um. É difícil; porém, belo. Porque exige arte. Paciência. E um pouco de sabedoria. Compreender o tempo e as escolhas individuais é uma grande aprendizagem. Mãe e filho são diferentes, mas o amor entre eles é como um cimento poderoso que resolve as saliências e edifica construções bonitas de histórias de vida. 

Conviver sem amar é um desperdício. É o amor que ressignifica as relações e cria espaços saudáveis nos ambientes tantos que temos de frequentar. Casa, escola, trabalho, espaços públicos, mundos virtuais. Conviver sem amar pode ser inóspito, desagradável e desrespeitoso. O amor amplia minha visão sobre o outro e sobre a beleza das diferenças. Convivamos, pois, com amor e respeito. 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 17/07/2015

 

 

Relação entre família e escola é tema de palestra, de Gabriel Chalita, em Japeri

Gabriel Chalita participou da VII Jornada Pedagógica de Japeri, município do Rio de Janeiro, e conversou com mais de 300 educadores da rede municipal de ensino da região sobre a importância dos professores, da família, da comunidade e da escola na formação dos estudantes.

Educar para a autonomia, para o respeito, para a generosidade é um grande desafio, em meio à sociedade “dos descartáveis”. Durante a palestra, Chalita ressaltou a necessidade de integração desses atores sociais no processo educativo: “A escola tem que ser um espaço de paz. E a participação da família é fundamental. Os pais são os educadores por excelência.” A Jornada Pedagógica conta também com oficinas e atividades culturais e é mais uma iniciativa do município para aprimorar a educação das crianças e dos jovens da região. Fonte: assessoria de imprensa

Compaixão

Há palavras que nos trazem significados tão essenciais que é preciso, vez ou outra, usar um pouco de nosso tempo para refletir sobre elas. Compaixão é uma dessas palavras. Compaixão significa “sofrer com”. É a capacidade que tem uma pessoa de sofrer com a outra. De se colocar no lugar da outra, consciente de que fazemos parte do mesmo barro, da mesma espécie, da mesma humanidade.

Compaixão não se confunde com pena. Quem tem pena olha de cima para baixo. Quem tem compaixão senta junto. A pena é passiva. A compaixão, não. Ela requer atitude frente ao sofrimento do outro. Uma atitude que vise a minimizar a dor alheia. Para isso, é preciso sensibilidade e generosidade. Há exemplos por todos os lados: gente que sai a cuidar de quem precisa, que usa parte de seu tempo para ajudar os outros a encontrar significado para a própria vida.

Em trabalhos voluntários, é comum ver pessoas se emocionando com a capacidade que tiveram de roubar o sorriso de uma criança que sofre com câncer, de um idoso que não recebia visitas no asilo, de uma mãe que não sabia como cuidar de seu filho e assim por diante. Mas há um desafio que vai além. Usar a compaixão no dia a dia. Em qualquer profissão. Uma palavra, um gesto, uma preocupação do taxista e o passageiro sente-se cuidado. Um sorriso do motorista de ônibus, a paciência com aquele idoso que demora um pouco mais para subir. Um enfermeiro que usa as palavras corretas para que sua profissão não caia na rotina e ele continue enxergando o outro. Um professor que sabe do poder que tem de ajudar os seus alunos a serem protagonistas da própria história, superando dificuldades e seguindo adiante.

Podemos falar de compaixão, também, na família. Um pai que sofre com o sofrimento do filho. Um filho que sofre com o sofrimento do pai. Companheiros que se enxergam e, enxergando-se, sabem que podem amenizar a dor.

Em uma sociedade tão apressada, com relações tão egoístas, desperdiçamos o poder do “enlaçar as mãos”, do sentir, do alimentar de afeto. Mas dá tempo de mudar. O convite é viver compreendendo o sofrimento do outro, ajudando-o e nutrindo-o de esperança.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 10/1/2014

A voz das crianças

O mundo das crianças é, evidentemente, diferente do mundo dos adultos. Uma criança não é um pequeno adulto. É uma criança. E a criança tem voz. E essa voz precisa ser ouvida. Uma criança tem sentimentos. E esses sentimentos precisam ser compreendidos. Uma criança tem o direito de ser alimentada de futuro.

Na família e na escola, é preciso que se compreenda esse universo e que se respeite cada fase de seu desenvolvimento.

Os primeiros estímulos vêm da família. A linguagem dos afetos. O exemplo. O cuidado. A criança precisa ter nos pais o porto seguro de uma embarcação que se prepara para singrar os mares, muitas vezes, pouco serenos da vida. Na escola, cada gesto deve ser cuidadoso para não ferir quem ainda não tem condições de se defender. Falo dos ferimentos físicos, mas – mais ainda – dos morais. A dor moral é terrível. O bullying é um sério risco para o desenvolvimento saudável das nossas crianças. As comparações equivocadas. Os pareceres apressados e outras inadequações.

O professor tem muito poder. Tem o poder de construir, de conduzir, de instigar, de alimentar de vida os seus alunos, mas também tem o poder de traumatizar, de escravizar em uma gaiola os talentos que poderiam alçar voos. É preciso ter cuidado. É preciso ter respeito. 

Pais e professores precisam estar juntos nessa tarefa de formar pessoas críticas para discernir o certo do errado, o que liberta do que escraviza, o que mata do que dá vida. A mídia também é uma fonte importante de influência. É preciso selecionar o que instrui, edifica e descartar o que destrói e deteriora os bons valores.

Criança tem voz. E uma voz que, se ouvida, é capaz de ensinar. Uma inocência que contagia. Pobres crianças alijadas de sua alegria pela violência de adultos: pedofilia, trabalho infantil, violência, ausência… viremos a página e voltemos ao porto seguro. Nossas crianças merecem. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 25/10/2013