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Faz diferença, sim!

Gosto de correr na rua, em São Paulo. Gosto de cumprimentar as pessoas e de, ao final da corrida, gastar algum tempo com alguma prosa não combinada. 

Domingo passado, corri no Minhocão e depois subi um pedaço da Consolação até chegar à Maria Antônia, rua de tantas lembranças para nossa democracia. Foi quando uma senhora bem vestida, acompanhada de outra também muito elegante, abordou-me dizendo que eu precisava avisar o prefeito de que a cidade estava muito suja. Como eu estava correndo, diminuí o ritmo, dei alguma atenção e prossegui. Ela falou algo que não ouvi, e eu virei para ver se era comigo que continuava a falar. De repente, vi a senhora que clamava pela limpeza da cidade jogando no chão a embalagem de uma barrinha de cereais. Não tive dúvidas. Voltei e peguei o lixo, fazendo algum barulho para que ela notasse. Ela me viu abaixando e foi logo justificando: “Eu só joguei no chão, porque a cidade está suja, se não, não jogaria, mas um papelzinho não faz diferença”. Eu não quis ser grosseiro. Achei que ela já ficara suficientemente constrangida pela falta de educação. Respondi, educado: “Faz, sim”. E continuei correndo. E pensando em como é difícil fazer com que as pessoas reflitam sobre suas ações. Exigir do poder público é mais fácil do que agir corretamente. Criticar. Falar em ética. Em cidadania. Em respeito aos espaços públicos. Parece simples. Dar o exemplo no dia a dia é um pouco mais complicado. Mas é disto que precisamos. Fazer com que esse clamor pela ética, pela honestidade, converta-se em atos concretos. A educação tem um papel fundamental nessa mudança de comportamento. Querer levar vantagem, mentir, tentar dar um jeitinho na solução de um problema, tentar corromper, furar fila, jogar papel no chão… tudo isso faz diferença, sim!

A cidade gasta 1 bilhão por ano para recolher o lixo que jogamos nas ruas. Há cidades no mundo que nem lixeira têm. Nem lixo. Cada um leva o que produziu no bolso ou numa sacola e deposita no local certo, sabendo que é preciso cuidar da casa em que vivemos. Para nós e para os que virão.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 24/04/2015 

 

Ética é tema de palestra de Gabriel Chalita na XIV Semana Jurídica Unip – Santos

Gabriel Chalita participou da XIV Semana Jurídica da Unip, de Santos, com a palestra “A ética na construção do conhecimento”, dirigida a alunos e docentes do curso de Direito da universidade. Para fundamentar essa temática, recorrente na filosofia e relevante no cotidiano, Chalita, desde o início da palestra, explicou o conceito de ética a partir da semântica de três palavras: verdade, dignidade e generosidade.

Por meio de exemplos de vida e de sua própria trajetória, Chalita comoveu a plateia ao revelar o quanto esses conceitos, se aplicados na prática jurídica e no dia a dia, podem nos ajudar a sermos mais justos, mais humanos e, acima de tudo, a viver melhor: “Se imaginarmos que a felicidade está no extraordinário da vida, nunca seremos felizes.” Após abordar essa relação entre a teoria e a prática da ética, Chalita ressaltou a diferença que um olhar verdadeiramente generoso pode exercer nas decisões profissionais de quem trabalha cotidianamente com a justiça. 

A XIV Semana Jurídica da UNIP, em Santos, contou com palestras e discussões relevantes sobre Direito contemporâneo, Marco Civil, atualidades do Direito Penal, entre outros temas. 

Fonte: assessoria de imprensa