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Alguma delicadeza

Maria Bethânia disse poemas no belíssimo Theatro Net, recém-inaugurado em São Paulo. Aliás, sempre que nasce um novo teatro, é preciso celebrar. Palco em que as emoções da arte inspiram as ações da vida.

Bethânia disse poemas. E cantou. Seu canto é expressão de uma voz a serviço do talento. A menina que, nos anos 60, subiu ao palco do Rio de Janeiro para cantar “Carcará” continua o seu ofício de tocar almas e fazer pensar. Entre poemas de Pessoa, Drummond, Vinicius, Cabral e de Reynaldo Jardim, o autor de “Maria Bethânia Guerreira Guerrilha”, a baiana, a brasileira falou sobre educação. Com os pulmões plenos, bradou que estudou em escola pública e professou que a educação pública brasileira tem jeito. E, mais do que isso, homenageou dignamente os seus professores.

Na plateia, eu aplaudia a cantora que desafia o tempo e continua a surpreender. Falou Bethânia do silêncio e da delicadeza. A poesia pede, ao menos, alguma delicadeza. Em tempos de urgências, parece difícil parar, refletir, ler um poema e se permitir o milagre do entranhamento. É o poema nos preenchendo ou nos esvaziando de acordo com o tempo. E com a necessidade. Alguma delicadeza… será que a vida de tantas agressões e solidões – não a necessária, a que faz refletir, mas a brotada na ausência de terra amorosa – não carece dessa delicadeza? Gestos de cavalheirismo parecem pouco convidativos. Elegâncias com os mais velhos. Cuidado no dizer, consciente do poder perfurador de palavras malditas. Atenção ao outro, que também sou eu, espelho de minha alma, irmão de convivência. 

Não descuidemos dos encontros, os desinteressados, os que colaboram com as nossas emoções mais belas, os que nos elevam ao patamar do que somos. Pessoas, inspiração de Pessoa, o que falou sobre o sino da sua aldeia, sobre uma tarde calma, sobre sua alma, porque tinha delicadeza para ver as delicadezas que a vida nos proporciona. 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 24/10/2014

 

Dia do professor

Dia 15 de outubro comemora-se o dia do professor. Professor é quem professa a crença na pessoa humana e quem faz da arte de ensinar o seu ofício. Ensina quem, também, aprende. Ensina quem se permite surpreender com o que o aluno traz em sua história. Ensina quem alimenta de esperança a si mesmo e aos seus.

Há tantos outros adjetivos que poderiam ser utilizados para homenagear o professor. Mas a homenagem de que os professores precisam, realmente, é que a carreira que abraçaram seja valorizada. Não há como melhorar a educação – e é senso comum que ela não vai bem – sem cuidar de quem cuida, incansável e esperançosamente, no dia a dia, de nossos alunos. Valorizar o professor é dar formação inicial e continuada adequadas, é respeitar quem forma as gerações, é dar uma remuneração digna que faça com que essa carreira seja objeto de desejo de crianças e jovens. Hoje, isso não acontece. É triste vermos que nossas crianças e jovens sequer cogitam a profissão de professor. Por que não enxergam o prestígio que deveriam enxergar nessa escolha? Há quem diga que salário não é tudo. Geralmente, quem diz isso é quem tem muito dinheiro e nunca entrou em uma sala de aula. O salário é uma forma de reconhecimento, sim. Por que as carreiras de juiz, de promotor, de delegado federal, entre outras, são tão atrativas e a de professor não? No passado, um professor ganhava como um juiz. O que aconteceu? Chegamos à conclusão de que o professor não é tão importante assim para o país? Quem forma o engenheiro, o médico, o enfermeiro, o artista? Quem ensina o escritor a escrever? Quem abre as janelas das possibilidades e insiste que o futuro existe?

Professores, irmãos meus de ofício, não desanimemos. Nossa escolha é digna, nobre e apaixonante. Continuemos a cuidar de gente com competência e ternura. E com amor.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 17/10/2014

Chalita fala sobre educação e leitura na mais importante feira literária do mundo

A Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, é o maior evento literário do mundo. Todo ano, milhares de livreiros, editores, autores e leitores movimentam o universo da leitura e fomentam o diálogo cultural entre os países durante o encontro. Na edição deste ano, o professor Gabriel Chalita, membro da Academia Paulista de Letras, além de participar de apresentações culturais intermediadas pelos organizadores da Feira, ministrou uma palestra sobre “A semiótica na educação e o desafio da formação de novos leitores”. Inicialmente, Chalita destacou três elementos essenciais para que se alcance uma educação de excelência: a valorização do professor, o engajamento familiar na escola e a melhoria do currículo escolar.

Além disso, afirmou a importância da liderança do professor no processo efetivo de aprendizagem e no desenvolvimento das habilidades cognitivas, sociais e emocionais dos alunos. O professor é a alma da educação. Sua missão é gerenciar sonhos, lapidar diamantes. Segundo Chalita: “Educar é abrir as janelas de possibilidade. Educar é garantir, a cada estudante, o passaporte para o futuro, com autonomia e liberdade.” E se a escola deve preparar crianças e jovens para a vida e para a cidadania, é fundamental instigá-los e envolvê-los no universo do conhecimento, além de proporcionar uma atmosfera favorável a emoções e vivências positivas. Nesse contexto, os professores e a literatura ocupam um espaço essencial, porque “é o professor que fará, com dignidade e respeito, com que a educação se transforme em puro prazer de viver.”. De acordo com Chalita, contar histórias é uma das melhores estratégias para desenvolver nos alunos o gosto pela literatura. E a literatura é uma das melhores maneiras de desenvolver nos estudantes os valores fundamentais para construir uma vida feliz. “Medo, coragem, paixão, amor, sofrimento, honestidade, desonestidade, justiça e injustiça, crueldade e generosidade. Tudo isso pode ser vivido nas páginas dos livros.”

Juntamente com mais seis escritores brasileiros, Walcyr Carrasco, Paulo Coelho, Bernardo Kucinski, Eduardo Spohr, Ana Martins Marques e Edney Silvestre, Chalita segue acompanhando a programação da Feira de Frankfurt.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Gabriel Chalita conversa sobre educação com os Promotores de Justiça de Santa Catarina

A Associação Catarinense do Ministério Público (ACMP), com apoio da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado, realiza bianualmente o Encontro do Ministério Público de Santa Catarina, evento que, este ano, contou com a participação de Gabriel Chalita. Com a temática “A educação como efetivação do super princípio da dignidade da pessoa humana”, a palestra do professor Chalita contribuiu para promover o diálogo entre os promotores de justiça de Santa Catarina e a realidade vivenciada pelo setor educacional. 

Em sua XXXIII edição, o tema proposto pelo Encontro, “O Ministério Público e a efetivação das políticas sociais”, propõe estreitar os laços entre os membros do Ministério Público de Santa Catarina e os representantes de diversos setores – como segurança, saúde, educação, moralidade administrativa, entre outros. No centro da discussão, está o alcance das políticas públicas brasileiras e o papel desempenhado pela instituição na defesa e na ampliação dos direitos sociais. 

Fonte: assessoria de imprensa

 

Política é coisa séria

Resolvi não ser candidato nestas eleições. Sou muito grato aos milhares de eleitores que confiaram em mim e posso dizer que desempenhei meu papel. Tive a honra de presidir a Comissão de Educação quando da votação do PNE – Plano Nacional de Educação. Estabelecemos metas que podem, se cumpridas, mudar a face de nossa educação. Presidi a Frente Parlamentar em defesa da Adoção e as mudanças do código de ciência, tecnologia e inovação, entre outros.

A educação sempre foi minha paixão. A educação e a literatura. Já escrevi 70 livros entre romances, peças de teatro, ensaios de filosofia e pedagogia, literatura infantojuvenil, contos, biografias, poesia etc.  Vivo agora a alegria de ver esses livros sendo lançados em outros países. Espanha e América Latina, Itália, Inglaterra, Líbano e China. Vou dar palestra, em outubro, no maior evento literário do mundo, a Feira de Frankfurt. Essas são as razões de não me candidatar. Não conseguiria dar a atenção devida ao parlamento. Entretanto, sou um entusiasta da política, da boa política. Nesse meio, conheci pessoas valorosas, que exercem a militância correta de fazer da vida um serviço aos cidadãos. E também conheci gente perversa, que age no subsolo tentando, de forma criminosa, destruir biografias e iludir o povo. É preciso separar o joio do trigo. Há muito joio. Mas há muito trigo. Preocupo-me ao ver que essas pessoas estão por aí, tentando angariar votos. E há, também, os que não sabem o que farão se eleitos. Política é coisa séria. O voto é um exercício de poder. Olhar com cuidado, desconfiar de promessas mirabolantes, refletir, eis as ações necessárias para que o futuro nos agradeça.

Continuo trabalhando pelo país que tanto amo. Nas salas de aula, onde professo minha crença no ser humano, e nos livros, onde conto histórias e partilho sentimentos, faço minha parte. Façamos nossa parte. É isso que nos realiza. A consciência de que não estamos aqui por acaso.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 29/08/2014

Família e educação são temas de lançamentos de Gabriel Chalita na Bienal do Livro de São Paulo

Convivência, vínculo, aprendizagem e relações. Assuntos recorrentes tanto no ambiente familiar como em salas de aula, entre pais e filhos ou entre professores e seus alunos, dão o tom para a série de lançamentos de Gabriel Chalita na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que chegam às livrarias pela Cortez Editora. 

Em “Famílias que educam”, o autor propõe uma reflexão acerca da importância da boa convivência em família, onde o diálogo, o respeito e a amabilidade possam dar lugar aos conflitos de gerações e à violência, seja ela verbal ou física. Um dos exemplos citados na obra é o caso de um dos maiores escritores do século XX, Franz Kafka (1883-1924). A falta de comunicação com seu pai, que não aprovava a vocação literária do filho, resultou em um medo escuso e infindável.

Incentivar as crianças a despertar a curiosidade e a imaginação é um dos caminhos que sempre devem ser considerados pelos mestres da educação. É o que defende Chalita em “Semeadores da esperança”. Dedicado aos eternos e universais educadores brasileiros, o livro aborda a construção da ética, os desafios do conhecimento e os medos e os sonhos contemporâneos de quem dedica a vida ao ensino.

Já em “A escola dos nossos sonhos”, Chalita faz um panorama sobre a transformação da prática pedagógica ao longo da história. O autor lança mão de sua experiência como Secretário da Educação do Estado de São Paulo (2002-2006) para traçar um comparativo entre os métodos educacionais dos tempos do teocentrismo medieval e do antropocentrismo renascentista e as configurações contemporâneas, com programas pedagógicos mais amplos e completos. 

A convivência é assunto que comumente causa discussão em diversas áreas da vida. E não é diferente nas relações entre docentes e alunos. Esta é a temática de “Aprendendo com aprendizes”, livro que completa a série de lançamentos de Gabriel Chalita. Compromisso, partilha, renúncia, diálogo, consenso e respeito mútuo são algumas das considerações apontadas pelo volume para que se estabeleça um ambiente escolar harmonioso. 

Lançamento dos livros: 

Dia: 30 de agosto

Horário: 14h30

Local: Estande da Cortez Editora, na Bienal do Livro de São Paulo 

 

Fonte: Assessoria de imprensa | Cortez Editora

Desafios do ensino de matemática

O relatório divulgado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA, em dezembro de 2013, apontou que o Brasil deu alguns passos adiante em relação ao ensino de matemática, ainda que tenha ocupado a 58ª posição entre 65 países. O problema, no entanto, está longe de ser a falta de talento para a matéria.

O matemático César Camacho, diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, vê nos estudantes brasileiros enorme potencial, que passa despercebido por não haver métodos para a identificação de talentos. A observação é fruto de dez anos de realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP, que permitiu, segundo Camacho, traçar um retrato bastante fiel da realidade do ensino de matemática no Brasil.

“Temos tido enorme satisfação em verificar que nos lugares mais afastados do país existem estudantes brilhantes, que respondem aos desafios que colocamos na olimpíada de uma maneira extremamente rica”, afirmou o diretor do IMPA ao explicar que a olimpíada mede não o conhecimento, mas a capacidade de raciocínio e a criatividade para a solução de problemas. “Apesar de todas as deficiências que a escola tem, é possível verificar que o talento está uniformemente espalhado pelo país”, acrescentou. A OBMEP seleciona, todos os anos, seis mil medalhistas provenientes de mais de 800 municípios brasileiros. Diversas iniciativas de sucesso vêm estimulando o desempenho dos alunos em matemática.

Projeto Brincando de Matemática (RO)

Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Alexandre de Gusmão, do município de Nova Brasilândia, em Rondônia, encontramos uma dessas boas práticas “que deveriam ser replicadas”, como observou Camacho. Trata-se do Projeto Brincando de Matemática, realizado pela professora Amanda Sousa com alunos do quinto ano.

“O projeto foi pensado para os alunos com muita dificuldade em matemática. Para facilitar o aprendizado, trabalhamos a matéria de uma forma mais lúdica”, explica a professora. Os jogos, criados pelos alunos ou propostos pela professora, são confeccionados em sala, sempre em grupos, utilizando material de sucata.

Programa de Educação Matemática (BA)

Na Bahia, a capacitação continuada do professor se dá por meio do Programa de Educação Matemática, iniciativa da Secretaria de Educação do estado realizada pelo Instituto Anísio Teixeira – IAT. No programa, os professores são reunidos no IAT para planejar o período letivo e os formadores vão às escolas para visitas de acompanhamento pedagógico. “Falamos com os professores e fazemos o planejamento das aulas de matemática do sexto ao nono ano. Trabalhamos como os professores podem transmitir os conteúdos de matemática em sala de aula de forma mais contextualizada”, explicou Jorilene da Silva, formadora do programa. A partir desses encontros, o professor é estimulado a produzir um objeto ou conhecimento novo para levar à Feira Baiana de Matemática.

O objetivo, segundo Silva, é gerar um conhecimento que ultrapasse as paredes da escola. “Não basta fazer o cálculo, é preciso interpretar, desenvolver o raciocínio lógico, a criatividade; realizar atividades que levem não apenas a resolver contas, mas também a entender o significado dessas contas. O aluno deve entender como a matemática pode melhorar o dia a dia e de que forma ele pode aplicar esse conhecimento para que não seja dominado pelos números”, disse.

Silva conta, ainda, que muitos professores resistem às mudanças no método de ensino da matemática que ainda parte da memorização de regras. “A educação matemática trabalha não só com algoritmos, mas também com a construção de conceitos. Por isso, é importante discutir o currículo da educação matemática como ponto de partida para a formação da cidadania”.

Centro Educacional Municipal de Apoio e Atendimento Especializado – CEMAEE (SP)

O Centro Educacional Municipal de Apoio e Atendimento Especializado – CEMAEE, de Mogi Mirim, no interior de São Paulo, atende em contraturno alunos com necessidades educativas especiais. A unidade, que deu início a suas atividades em 2012, integra a rede de ensino público do município.

“Nossa proposta é promover atividades que desenvolvam o raciocínio lógico matemático. As professoras exploram o conhecimento já construído e desafiam o ‘pensar’ das crianças, por meio de jogos, de exploração corporal e de atividades de arte visual e tecnológica. As intervenções facilitam o processo de aprendizagem, com o benefício de ser possível identificar a forma de pensar do aluno, facilitando o planejamento das próximas atividades, respeitando o estágio de desenvolvimento e o nível intelectual de cada um”, explicou a diretora do CEMAEE, Mara Ortiz.

Para Ortiz, que é também pesquisadora no Laboratório de Psicologia Genética da Unicamp, é necessário que o Estado fomente políticas públicas que delineiem o fazer pedagógico e promovam a formação continuada dos professores a partir de experiências colaborativas entre a universidade e a escola. Da mesma forma, que garantam condições que possam contribuir para a organização dos espaços de aprendizagem de matemática, possibilitando aos professores a fundamentação de suas práticas.

Matemática Rio (RJ)

No Rio de Janeiro, o professor Rafael Procópio, da Escola Municipal Rosa da Fonseca, encontrou nas novas mídias uma forma de atrair a atenção de seus alunos. A princípio, o objetivo era guardar uma cópia online dos vídeos usados em sala de aula. Conforme o canal Matemática Rio foi ganhando público e visualizações, Procópio passou a se dedicar mais à produção das videoaulas e a preocupar-se com a qualidade estética das filmagens.

“No geral, percebo que o rendimento dos meus alunos aumentou sensivelmente. Ainda há muito o que aperfeiçoar nas aulas presenciais que dou na rede pública municipal, mas o potencial é enorme”, afirmou o professor, que considera importante o apoio que recebeu de colegas e da coordenação pedagógica da escola em que leciona. “Os professores, quando valorizados e capacitados, podem, sim, transformar a atual situação precária do ensino da disciplina em nosso país, por meio da inovação. Aliás, já temos várias frentes que estimulam isso”, disse.

Fonte: (adaptado) Blog Educação | Escrito por Bernardo Vianna

 

Brasil e Itália: educação em foco

Em missão oficial na Itália, o deputado Gabriel Chalita esteve em Florença para dar início a discussões e tratativas sobre um possível acordo internacional entre o Brasil e o Instituto Universitário Europeu (EUI), uma das principais instituições de educação da Comunidade Europeia. No encontro, representantes do EUI propuseram a elaboração de um programa de formação de professores, o que vem ao encontro de uma das principais bandeiras defendidas pelo deputado e educador Gabriel Chalita.

Esse instituto é internacionalmente reconhecido pela qualidade de seus estudos acadêmicos, desenvolvidos inclusive por brasileiros. Na visita, Chalita encontrou-se com pesquisadores do Brasil que atuam nas áreas de direito comparado, regulação de serviços públicos e constitucionalismo, assuntos que contribuem fortemente para o desenvolvimento do nosso país e do Mercosul.

Ainda no EUI, o deputado Chalita conheceu a sede dos Arquivos Históricos da União Europeia (HAEU), responsável pela gestão de todo o acervo de documentos oficiais, desde os acordos iniciais da UE até os registros de negociações com outros países, inclusive com o Brasil.

O interesse em expandir o diálogo entre a educação brasileira e italiana foi ressaltado, também, por Simone Tani, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Relações Internacionais de Florença. Em encontro com o professor Chalita, o secretário expressou a intenção da prefeitura de Florença de estabelecer parceria com instituições educacionais brasileiras. Recentemente, foi inaugurada uma universidade chinesa na região, que oferece cursos de arquitetura e moda.

Na capital italiana, em visita à Sapienza Università di Roma, Gabriel Chalita acompanhou o progresso conquistado pelos 200 estudantes brasileiros que fazem parte do programa Ciência sem fronteiras, que busca promover a consolidação, a expansão e a internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O vice-reitor dessa instituição, Antonello Biagini, e o brasilianista prof. Finazzi-Agrò, apresentaram a ótima avaliação que o programa brasileiro tem recebido da instituição e dos alunos. Por isso, a Sapienza, uma das mais tradicionais universidades europeias, espera para o segundo semestre de 2014 cerca de 400 estudantes brasileiros em seus cursos universitários.

Fonte: assessoria de imprensa | 1/4/2014

 

Sonhar é preciso

O educador Paulo Freire, em seu exílio no Chile, em 1964, escreveu: Cheguei ao Chile de corpo inteiro. Paixão, saudade, tristeza, esperança, desejo, sonhos rasgados, mas não desfeitos, […] vontade de viver e de amar. Esperança, sobretudo.  

Freire tinha o sonho de uma educação para a libertação dos oprimidos, que tornasse a realidade mais humana e permitisse aos homens que fossem protagonistas de sua própria história. Visto como subversivo pelo regime militar, foi preso e forçado a deixar o país. Lutou a vida toda pela causa da educação, mesmo quando as circunstâncias tentaram lhe roubar o sonho. Sonho rasgado, mas não desfeito. 

Inspira-nos saber de tantos grandes homens que escolheram não desistir jamais de seus sonhos. Buscaram, alcançaram e nos presentearam com suas obras. Muitos deles foram desestimulados no meio do caminho. Mas persistiram. O poeta Drummond chegou a ser expulso da escola por “insubordinação mental”. Villa Lobos estudava piano escondido da mãe, que tencionava vê-lo médico e não músico, até que ele decidiu fugir em busca da arte musical. Monteiro Lobato, leitor contumaz desde menino, foi reprovado no exame de língua portuguesa, quando tentava a admissão no Instituto de Ciências e Letras. Homens que sonharam. Homens que fizeram suas escolhas. Homens que não se abandonaram frente aos desestímulos.  Surpreendentemente, alguns vindos da escola. 

A mesma escola que ilumina e desenvolve o pensamento, despertando no outro o prazer do conhecimento, é capaz, muitas vezes, de desencorajar a semeadura dos sonhos de seus alunos. Faz mal. Não pode ser incauto o olhar da escola e do professor sobre seu aluno. Professores são gerenciadores dos sonhos das crianças que passam por suas mãos. Precisam tocar, envolver, mover a alma de jovens ávidos por um futuro ainda em gestação. A semente do pensamento é o sonho. Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos – ensinam as palavras do sonhador Rubem Alves.

Sonhar é inerente à essência humana. É a mola que impulsiona o homem à experiência da vida. Não vive aquele que não tem um sonho. E torna-se inacabado o homem que não o persegue, pois realizá-lo é condição de uma vida plena e feliz.

 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/3/2014

Jardim de infância é fácil demais, aponta estudo

Qual será a medida certa de cobrança na educação infantil? Um estudo recente da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, provocou um intenso debate entre especialistas ao apontar que os professores vêm transformando o jardim de infância na nova 1ª série, uma vez que eles têm adiantado os conteúdos tradicionalmente ensinados no ano seguinte. Para engrossar o coro de que as crianças têm sido pouco estimuladas na educação infantil, pesquisadores das universidades de Chicago e Vanderbilt afirmam também em estudo recente que o jardim de infância é normalmente muito fácil para os pequenos.

O estudo Academic Content, Student Learning and the Persistence of Preschool Effects (Conteúdo acadêmico, aprendizado do aluno e persistência dos efeitos pré-escolares, em tradução livre), publicado no American Education Research Journal, mostra que crianças aprendem mais quando são apresentadas a conteúdos mais avançados, tais como a adição de números e letras aos sons correspondentes. Apesar disso, os professores gastam grande parte das aulas em princípios básicos, como o reconhecimento do alfabeto e fazendo os alunos contarem em voz alta.

Para os autores do estudo, Amy Claessens, Mimi Engel e Chris Curran, a pesquisa revelou que grande parte das crianças que iniciam o jardim de infância já reconhecem algumas letras, têm noções de soma e estão prontas para avançar. Os que, por algum motivo, ainda não dominam esses conceitos, conseguem aprendê-los enquanto avançam com o resto da turma. “Se ensinarmos as crianças o que eles já sabem, elas não vão aprender tudo que podem”, afirmou Amy Claessens à Edweek, revista norte-americana especializada em educação.

Com o tempo, a pesquisadora acredita que os professores da educação infantil vão poder sentir uma diferença significativa no avanço da aprendizagem das crianças. E, para isso, bastam mudanças relativamente pequenas e sem grandes custos, que não afetarão o tempo destinado a outras atividades, como aprendizagem de habilidades socioemocionais e educação física.

Também foi ressaltado no estudo que os professores do jardim de infância passam mais tempo alfabetizando os alunos do que ensinando matemática. Em média, os professores ensinam habilidades básicas de leitura 18 dias por mês, ou quase todos os dias letivos, e alfabetização avançada durante 11 dias por mês. Por outro lado, eles passaram 10 dias por mês em matemática básica e seis dias em matemática mais avançada.

“Professores da primeira infância e do jardim de infância não são tão confiantes sobre o ensino de matemática no início da vida escolar”, disse Claessens. “Estamos há muito tempo estimulando e fazendo um bom trabalho de concentrar o ensino na leitura e em habilidades básicas de leitura. Mas acho que nós não sabemos tanto assim sobre a matemática na primeira infância”, completa.

O estudo foi realizado com base em uma amostragem grande, representando mais de 15 mil alunos de diversos estados norte-americanos que iniciaram o jardim de infância entre 1998 e 1999.

Fonte: Revista Profissão Mestre  e portal Porvir