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Ao mestre, com respeito

Respeito é uma palavra de origem latina, respectus, que significa “olhar outra vez”. Ou seja, algo que seja digno de um segundo olhar merece respeito. Merece consideração, apreço, deferência.

Quem é o mestre? É aquele que professa a crença na pessoa humana e torna-se gerenciador de seus sonhos. É aquele que abre as janelas das possibilidades. É aquele que, ao problematizar, ao instigar, ajuda o aluno a colocar para fora o que tem de melhor.

Nas salas de aula, nos pátios, nas esquinas, onde os encontros acontecem, o mestre dialoga, problematiza, com a paciência e a perspicácia de quem lapida diamantes. E pessoas valem mais do que diamantes. 

Nesta semana, celebramos o dia do professor, dia 15. O dia do mestre. Falar que um país só será verdadeiramente justo, se não desperdiçar os seus talentos, se não deixar nenhuma criança para trás, parece óbvio. Falar que é a educação a política pública que tem o poder de fazer protagonistas, de formar o caráter, de preparar para a vida e para o mercado de trabalho, parece óbvio. Falar que o professor é a alma da educação, porque mais do que de aparatos tecnológicos (que são importantíssimos), os alunos precisam de alma, de cumplicidade, também parece óbvio. Se tudo é tão óbvio, onde está o problema? Na falta de ação. 

Comecemos respeitando os professores. “Olhemos outra vez” para aqueles que, no dia a dia, fazem o milagre da aprendizagem acontecer. Olhemos para sua formação continuada, para seu salário, para sua condição de trabalho. 

Sou professor por convicção, por paixão, por crença na pessoa humana. É nas salas de aula que me realizo. Local sagrado em que aprendo e ensino. Em que partilho vidas e conteúdos, em que construo significados. Aos meus irmãos de ofício, todo o meu respeito. Ensinemos com amor, lutando pelos nossos direitos, mas sem dessacralizar o significado das nossas ações na relação com aqueles que temos a honra de educar. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 18/10/2013

 

A generosidade em cena

Miriam Mehler celebra seus 55 anos de carreira com um espetáculo que une emoção e aprendizado. É a história de Oscar e da senhora Rosa. Ele, um menino de dez anos que passa seus últimos dias de vida em um hospital. Ela, uma voluntária que convence o menino de que é possível, em 12 dias, viver a intensidade de uma vida inteira.

Depois dos conselhos da senhora Rosa, o menino começa a escrever cartas a Deus, que se torna seu amigo próximo. Miriam interpreta o menino, a senhora e outros personagens. O espetáculo é leve. A direção impecável de Tadeu Aguiar leva os espectadores a viverem essa trama que fala da vida, dos medos, das despedidas, da coragem. Tudo isso, sem exageros. Mesclando momentos de risos e de lágrimas. 

O espetáculo pode ser visto no Sesc Pinheiros, em São Paulo, às sextas e aos sábados.

Ir ao teatro já é um grande programa. Prestigiar o artista brasileiro. Ampliar o repertório. Ver e reviver histórias. Permitir que a sensibilidade cumpra seu papel. E ainda aprender. 

Essa peça nos leva a refletir sobre a importância do trabalho voluntário. Em um mundo onde, estranhamente, as pessoas só fazem o que traz alguma vantagem, é educativo lembrar que a felicidade se encontra no servir, no cuidar, no ser útil a alguém. Quando fazemos o bem sem querer nada em troca, nossa vida ganha outro significado. Nossos problemas ficam menores, e nossa convivência, mais rica.

A generosidade em cena, nos palcos ou na vida, é um ingrediente que traz mais sabor ao cotidiano. Há voluntários que se vestem de palhaços para fazer crianças sorrirem em hospitais. Há outros que, em asilos, exercem o delicioso ofício de ouvir as tantas histórias de quem ali vive. Há aqueles que saem de suas casas para cuidar dos que moram nas ruas.  É um exército do bem que não perde tempo com superficialidades. Ao contrário, são pessoas que fazem do tempo uma rica experiência de amor. 

Oscar e a senhora Rosa são um incentivo a mais para a emoção e para a boa ação. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 23/8/2013