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A China e a educação

Estive na China em visita oficial, acompanhando o vice-presidente da República, Michel Temer, os ministros da agricultura, aviação civil e ciência, tecnologia e inovação; além dos deputados Edinho Araújo e Fábio Ramalho. A senadora Kátia Abreu também esteve presente junto com vários empreendedores brasileiros da área do agronegócio.

Foram muitos eventos e reuniões de trabalho. O vice-presidente falou ao presidente da China Xi-Jinping sobre a importância de aumentarmos ainda mais as relações entre os dois países.

Foi uma oportunidade interessante para entender as mudanças que eles fizeram na educação e que levaram o país à primeira colocação no PISA – um dos principais instrumentos de avaliação internacional.

Aqui, destaco alguns pontos:

1. Todos os alunos estudam o dia inteiro – escola em tempo integral é uma conquista. Não se desiste de nenhum aluno;
2. Participação da família – há uma consciência de que a responsabilidade na aprendizagem precisa ser dividida entre a família e a escola;
3. Currículo adequado – há uma preocupação em mesclar teoria e prática. Os alunos precisam aprender abstrações matemáticas e, ao mesmo tempo, a sensibilidade da arte e a capacidade de trabalhar em equipe no esporte;
4. Valorização dos professores – o professor é o centro do processo de aprendizagem, nenhuma tecnologia substitui o professor.

Lições óbvias. Sabemos disso, mas não fazemos o que tem que ser feito.

A China é um país que está se fortalecendo cada vez mais. Nós também temos todas as condições de nos tornarmos uma potência mundial. Ainda pecamos em algumas questōes, e a educação é uma delas.

Ouvi de um líder chinês: “Aqui, quando decidimos, fazemos”. Aqui, falta decidir que a educação é a grande força que vai nos levar a ser, mais do que uma potência econômica, uma potência no respeito ao ser humano, não deixando nenhuma criança para trás.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 15/11/2013

Pontualidade: uma questão de respeito

Será que o tempo de algumas pessoas tem mais importância do que o tempo das outras? O que dá a alguém o direito de deixar o outro esperando? 

A pontualidade é uma questão de respeito. Infelizmente, o atrasar está cada vez mais comum. Em casamentos, em eventos, em consultórios médicos ou odontológicos, em reuniões, em jantares, em almoços. Tudo isso é muito deselegante.

Um médico que deixa seu paciente na sala de espera por 2 horas acha que só o seu tempo é importante? O horário não foi marcado? Um dentista, um advogado, um cabeleireiro, também. É claro que pode haver um contratempo. Mas isso tem que ser exceção, não regra. 

Um líder do governo ou de uma empresa que convoca os colaboradores para um evento e se atrasa 1 hora, 2 horas, faz com que os seus auxiliares deixem de trabalhar esse período e fiquem lá à espera de “sua majestade”. Se sabia que iria atrasar, por que não comunicou antes? Ou por que não marcou mais tarde?

Tem gente que convida para um jantar e já diz: “vou marcar às 20h para começar às 21h”. Ora, marque às 21h e comece no horário combinado.

Um simples almoço de amigos. Marca-se um horário no restaurante. Um chega, e o outro se atrasa. O que chegou antes fica olhando no relógio, aguardando um telefonema, um pedido de desculpas, e nada. 

Como é bom ver pessoas que, além de respeitar as outras, são objetivas. Isso faz com que seja mais fácil organizar a vida.

Estou na China, em missão especial, acompanhando o vice-presidente da república, Michel Temer. Estou impressionado com a pontualidade de todas as reuniões, almoços, jantares, eventos. Tudo tem hora para começar e hora para terminar.

Ao elogiar o vice-ministro da educação, ele me respondeu: “isso é uma questão de respeito, de educação”. 

Em tempo, a educação na China é considerada, hoje, a melhor do mundo. E faz pouco tempo. Eles entenderam que um país só se faz gigante quando o seu povo é educado, quando ninguém é deixado para trás.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 8/11/2013

Padre Rosalvino, um construtor de sonhos

Padre Rosalvino celebra 50 anos de vida religiosa e 40 anos de sacerdócio. Sua missão é cuidar de gente. Gente de todas as idades. Gente que enfrenta os mais diversos problemas. Sua obra “Dom Bosco”, de Itaquera, é um marco, um sinal de esperança para a Zona Leste de São Paulo. 

Padre Rosalvino sabe do significado da palavra “cuidar”. Talvez ele tenha bebido na mesma fonte de Quintana que poetizava: “O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você”. 

No andar decidido por suas obras sociais, ele fala, ouve, ensina, aprende, faz-se presente. Nas oficinas profissionalizantes – são muitas e fazem um lindo trabalho –, ele anima pessoas de todas as idades que voltam a sonhar com dias melhores. Na escola de samba, ele se aproxima do ritmo do coração dos que dançam e pulam em busca da alegria. Cuida também dos que caíram, dos que cometeram atos infracionais. Olha com olhar de pai e abre as janelas do futuro para eles. Conversa com as famílias. Orienta. Reza. Todos os anos, organiza uma peregrinação para Aparecida. Vai à casa da Mãe para agradecer. Agradece pelas dores, pelos problemas, pelas lágrimas e agradece pela força que o faz continuar e trabalhar cada vez mais.

Padre Rosalvino é um menino. Um menino salesiano que sorveu de Dom Bosco o amor pelos jovens e a certeza de que nenhum jovem está perdido. É preciso que seja amado, que se sinta amado. É preciso que tenha possibilidades. Que tenha a consciência de que há vida mesmo depois da queda. 

Presenciei muitas cenas marcantes desse homem de Deus tocando na alma das pessoas. É bom conviver com ele. Reanima a nossa crença de que o bem vale a pena. Em um mundo assolado pela perversidade, pelo egoísmo, pela disputa doentia de poder, quem se dedica a “cuidar do jardim” para atrair os que se perderam, ou os que ainda não se encontraram, merece reconhecimento. 

Que sua história sirva de referencial aos outros para que não tenham nem medo nem preguiça de conjugar o verbo amar.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 1/11/2013

A voz das crianças

O mundo das crianças é, evidentemente, diferente do mundo dos adultos. Uma criança não é um pequeno adulto. É uma criança. E a criança tem voz. E essa voz precisa ser ouvida. Uma criança tem sentimentos. E esses sentimentos precisam ser compreendidos. Uma criança tem o direito de ser alimentada de futuro.

Na família e na escola, é preciso que se compreenda esse universo e que se respeite cada fase de seu desenvolvimento.

Os primeiros estímulos vêm da família. A linguagem dos afetos. O exemplo. O cuidado. A criança precisa ter nos pais o porto seguro de uma embarcação que se prepara para singrar os mares, muitas vezes, pouco serenos da vida. Na escola, cada gesto deve ser cuidadoso para não ferir quem ainda não tem condições de se defender. Falo dos ferimentos físicos, mas – mais ainda – dos morais. A dor moral é terrível. O bullying é um sério risco para o desenvolvimento saudável das nossas crianças. As comparações equivocadas. Os pareceres apressados e outras inadequações.

O professor tem muito poder. Tem o poder de construir, de conduzir, de instigar, de alimentar de vida os seus alunos, mas também tem o poder de traumatizar, de escravizar em uma gaiola os talentos que poderiam alçar voos. É preciso ter cuidado. É preciso ter respeito. 

Pais e professores precisam estar juntos nessa tarefa de formar pessoas críticas para discernir o certo do errado, o que liberta do que escraviza, o que mata do que dá vida. A mídia também é uma fonte importante de influência. É preciso selecionar o que instrui, edifica e descartar o que destrói e deteriora os bons valores.

Criança tem voz. E uma voz que, se ouvida, é capaz de ensinar. Uma inocência que contagia. Pobres crianças alijadas de sua alegria pela violência de adultos: pedofilia, trabalho infantil, violência, ausência… viremos a página e voltemos ao porto seguro. Nossas crianças merecem. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 25/10/2013

O Brasil na feira de Frankfurt

O Brasil é o país homenageado na maior feira literária do mundo. A feira de Frankfurt, na Alemanha, recebe editoras de todas as partes do planeta. Escritores desfilam entre livros. Há lançamentos, palestras. Negócios são firmados. E a palavra é a estrela principal. 

O Brasil foi homenageado em 1994. E, agora, novamente. Tive a honra de estar com os escritores brasileiros, meus irmãos, vivendo a fascinante experiência de conhecer um pouco o que o mundo anda produzindo, em matéria de literatura, e de descobrir o interesse que nós, brasileiros, despertamos nos outros países. O Brasil tem grande potencial. É um continente, que apesar dos numerosos problemas sociais, políticos e estruturais, vem melhorando e vem assumindo o seu papel de destaque diante das outras nações do mundo. Não somos mais apenas o país do futebol e do carnaval, embora essas manifestações também nos enriqueçam. 

Vi com orgulho o ministro das relações exteriores da Alemanha citar Clarice Lispector e Jorge Amado. 

Vi escritores consagrados como Patrícia Melo ser homenageada, pela mesma Alemanha, pelo conjunto de sua obra. Vi Mauricio de Sousa entre livros infantis. Ignácio de Loyola Brandão contando os seus ‘causos’ em tantos encontros entre pessoas e palavras. Vi editores ávidos por traduzir nossos autores. Vi também escritores pouco conhecidos que lutam para produzir os seus trabalhos e fazer com que o mundo possa conhecer suas ideias. Valorosos operários da palavra. Filhos da coragem, e pais da decisão de fazer de escrita um norte de vida.

Temos muito o que fazer pela educação e pela cultura em nosso país. A injustiça social faz com que nossos talentos sejam desperdiçados. Mas, se há muito a criticar e a melhorar, que saibamos também comemorar. E essa conquista vale a pena ser registrada. Entre tantas nações, nós, brasileiros, fomos o centro da maior feira literária do mundo.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/10/2013

A escola de Francisco de Assis

Hoje, dia 4 de outubro, é dia de São Francisco de Assis.

A melhor forma de lembrar Francisco é matricular-se em sua escola. Na escola do “noivo da dona pobreza”, não há ninguém que seja superior ao outro, por nenhuma razão. Todos devem ser tratados como irmãos. Aliás, além das mulheres e dos homens, Francisco cuidava dos animais com imensa ternura.

Na escola de Francisco, a natureza tem espaço privilegiado. Foi ele, talvez, o primeiro a defender o meio ambiente. Irmã lua, irmão sol, irmã natureza, irmãos rios. Eram irmãos todos os espaços criados por Deus para que pudéssemos ser felizes.

Na escola de Francisco, a felicidade é um dom e uma conquista. É feliz aquele que compreende a lição do amor. E, na lição do amor, residem outras tantas lições: perdão, união, fé, verdade, esperança, alegria, luz. “Onde há amor e sabedoria, não tem temor e nem ignorância.” 

O jovem de Assis nos ilumina para mostrar a nobreza do servir. “É dando que se recebe”, é partilhando que se compreende o valor da convivência, é estendendo a mão que a caminhada fica mais bonita.

Em um mundo habitado pelo egoísmo, pela arrogância e pela perversidade, Francisco nos desconcerta com sua sinfonia do amor. Parece sonho. Talvez seja. Talvez não. Mas quem se matricular na escola de Francisco, certamente, vai viver a experiência da alegria cotidiana. É na simplicidade dos encontros com nossos irmãos que nos encontramos. É na grandeza do serviço que compreendemos a razão pela qual nascemos. “A cortesia é irmã da caridade, que apaga o ódio e fomenta o amor”. 

Fazer o bem independe da religião que se pratica. Fazer o bem é nossa maior vocação. Fazer o bem é o nosso passaporte para a felicidade.  

4 de outubro, fica o convite. Viva o menino revolucionário que entrou para a história fazendo o bem. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 4/10/2013

Wagner Moura, orgulho brasileiro

Wagner Moura fez sua estreia, em Hollywood, mostrando o talento e a competência que vêm marcando sua carreira.

O Olavo da novela “Paraíso Tropical”, o Capitão Nascimento do filme “Tropa de Elite”, o Hamlet da complexa peça de Shakespeare, só para citar alguns, foram personagens cuidadosamente construídos e interpretados. Wagner Moura é inteiro em cada papel que representa.

Para quem acompanha a sua carreira, a performance no primeiro filme americano não causa surpresa. Ele não faria feio. E não fez. Contracena de igual para igual com Matt Damon e Jodie Foster. Ao lado da também talentosa Alice Braga.

O filme “Elysium” se passa em 2154, momento em que a humanidade encontra-se dividida. Os ricos habitam uma luxuosa estação espacial, com mansões, serviços médicos de incrível e avançadíssima tecnologia capazes de curar as mais sérias enfermidades. Já os pobres habitam o planeta Terra, uma multidão de mulheres e homens que carecem de todos os serviços essenciais.

Os pobres tentam de toda maneira chegar a “Elysium”. Uma mãe sonha em ver a filha, vítima de leucemia, curada por uma das máquinas reparadoras presentes em qualquer mansão de “Elysium”. A personagem de Matt Damon também quer se curar de uma terrível radiação. Wagner Moura faz o papel de um líder, um misto de chefe criminoso com revolucionário, que tenta conduzir imigrantes ilegais. Repito, atuação impecável.

O enredo não difere das tantas angústias de conviver em cidades separadas pelo muro da desigualdade. De um lado, os ricos que têm toda a sorte de oportunidades; de outro, os pobres que têm, não raro, os seus talentos desperdiçados.

Vale a pena assistir e refletir. Vale a pena indignar-se. Vale a pena aplaudir o talento de mais um ator brasileiro que não se constrangeu de cruzar fronteiras e de mostrar a nossa arte, a arte brasileira.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 27/9/2013

A nova vida de Alice

Alice é uma mulher feita, dois filhos, faculdade concluída, emprego e sorriso no rosto. Encontrei Alice após uma palestra que ministrei sobre “Direitos humanos – infância e juventude”. E ela me contou a sua história.

Alice viveu na antiga FEBEM. Foi presa por tráfico. Chegou grávida e sem muita esperança. A mãe mandou avisar que jamais a perdoaria. Alice ficou internada em uma unidade criada especialmente para mulheres grávidas, com berçário e tudo. Ali, resolveu estudar e participou de um projeto que coordenei quando era secretário, que dava emprego e bolsa de estudos para jovens egressos da FEBEM.

Demorou um tempo para reconquistar a mãe. Contou-me de sua emoção quando a viu em sua formatura. O pai da criança, o que fazia com que ela levasse droga, acabou assassinado. Mas Alice casou-se com um rapaz que conheceu na faculdade. Tiveram um filho. E ele cuida do primeiro filho de Alice como se fosse seu. Os dois trabalham. E os dois sabem a importância do exemplo para formar filhos saudáveis, equilibrados.

Cada vez que vejo uma história de superação, fico mais convicto de que precisamos cuidar de verdade das crianças e adolescentes. Prevenir é mais fácil e mais barato do que remediar. Daí a importância de investir em uma educação de qualidade que, como diz o artigo 205 da CF, forme a pessoa, o cidadão e prepare para o mercado de trabalho. Mas, nas vidas errantes, precisamos dar uma segunda chance. E essa segunda chance depende da perspectiva que oferecemos a esses jovens. Se, ao sair da Fundação Casa, o adolescente não tiver nenhuma oportunidade, as chances de ele voltar à rota da criminalidade serão muito maiores.

Esse é um tema que diz respeito a toda sociedade. Precisamos de caminhos mais eficazes para o mal que assola nossa sociedade – violência não se combate com violência, mas com inteligência. No país das maravilhas, Alice dizia, “a única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível”. Que a nova vida de Alice seja um exemplo a tantos outros que, por alguma razão, caíram, mas gostariam de se levantar.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 20/9/2013

Oração e ação pela paz

O papa Francisco tem falado com insistência sobre o tema da paz. O mundo merece viver em paz. O papa pediu oração e pediu ação pela paz.

E a Síria merece viver em paz, também. Os conflitos no Oriente Médio não são recentes. Brigas religiosas, econômicas, étnicas mostram feridas abertas de uma região que há muito não sabe o que é conviver em paz.

Há acusações de utilização de armas químicas, há imagens de crianças mortas, de feridos sofrendo em hospitais, de civis amedrontados pelos conflitos, de gente fugindo e se refugiando, onde podem, em situações precárias. E há ameaça de guerra.

Será que esse é o único caminho para solucionar conflitos? O sangue derramado e as vidas roubadas, em tantas outras contendas, não servem de exemplo para buscar alternativas?

Na Síria ou nas esquinas de qualquer canto do mundo, é preciso agir pela paz. A paz se conquista na simplicidade do cotidiano e na complexidade das reflexões sobre o sentido da vida. Há guerras entre famílias mortificadas pela agressão contra mulheres e crianças. Há guerras nas mídias sociais com a virulência de ataques contra pessoas ou grupos por razões tolas. O fato é que não há razão para a violência. A violência é a ausência da razão. Se somos seres de convivência, é nela que aprendemos a coexistir com as diferenças e a entender que é a inteligência nossa arma mais poderosa.

Podemos orar pela paz na Síria, mas podemos agir pela paz em nossas casas e nas nossas relações. É esse o desafio. Os pais são as primeiras referências para seus filhos. Pais violentos geram, com maior facilidade, filhos violentos. É a força do exemplo. Pais que dialogam, que exercitam a maturidade dos afetos, provavelmente, gerarão filhos assim, filhos da paz. É claro que há outras influências como a escola, a mídia, os grupos tantos que convivem com as crianças. Mas a família é, sem dúvida, o espaço privilegiado para que a criança aprenda a discernir o certo do errado, a compreender o que faz bem ou o que faz mal.

Viver em paz não pode ser apenas uma utopia.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 13/9/2013

Violência X inteligência

A violência é o fracasso da inteligência, é a negação do que temos de melhor que é a capacidade de conviver.

O ser humano é um animal social. O nosso desenvolvimento depende do grupo, das teias que vão se formando desde sempre. O filho em formação depende da mãe. A criança recebe influências que vão construindo a sua história. Sem o grupo, nem a linguagem desenvolveríamos. Isso é o básico para dizer que precisamos uns dos outros.

Pois bem, se precisamos uns dos outros, somos limitados. Se somos limitados, cometemos erros. Somos cheios de imperfeições e, também por isso, temos o dever de compreender as imperfeições alheias.

A violência mora na casa da incompreensão. Agride-se o outro porque, de alguma forma, o seu comportamento incomoda. Quando possível, chega-se ao ponto de praticar – em ocasiões diversas – a violência física. Quando não se pode – pela distância talvez, ou pelo conforto do anonimato -, utilizam-se as mídias sociais para violentar o outro. É quase que uma catarse. É preciso ser violento com alguém. É preciso descontar o ódio ou a frustração pelo fracasso tentando destruir o sucesso de alguém.

A inteligência navega em mares bem mais tranquilos. Briga-se por boas causas, com elegância. Discute-se sem querer destruir o interlocutor. Ensina-se com competência e delicadeza. Isso vale para as relações entre casais, entre pais e filhos, entre amigos, entre conhecidos ou desconhecidos. Isso vale para quem não abre mão da inteligência nem da paz.

Octavio Paz, escritor mexicano, dizia que se os líderes lessem poesia, seriam mais sábios. Cada ser humano é um líder. Cada ser humano é protagonista de sua história. Cada ser humano é único e responsável pelo que faz a si e ao outro.

Leiamos, pois, poesia, nos livros e nas pessoas.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 6/9/2013