Tag: chalita

Algumas linhas sobre o perdão

Perdoar é dar oportunidade para si mesmo de seguir adiante.

Perdoar é, mesmo diante da lembrança da dor causada, compreender a cicatriz. Não é esquecer. Não temos esse controle sobre nossa memória. Mas é deixar a dor partir.

Não perdoar é condenar-se a carregar o passado nas costas, como um peso que impede a dádiva do recomeço. Não perdoar é não vislumbrar futuros. É escolher o sofrimento. É negar a si mesmo as novas possibilidades. É desprezar a graça do momento presente que nada mais é do que um presente que recebemos todos os dias.

E perdoar não é fácil. Sabemos disso. Na sociedade competitiva em que vivemos, parece que o perdão demonstra fraqueza. Os fortes se vingam. Acabam com o outro. É assim nas lutas. Ganha o mais forte. O outro é o perdedor. É assim nas histórias de supostos vencedores que se gabam ao falar que enganaram, que destruíram, que venceram.

O que é vencer? Destruir o outro é vencer? Passar a vida aquinhoando migalhas de destruição alheia é vencer? Provar que é o mais forte é vencer?

Há formas estranhas de enxergar a trajetória da vida. Talvez tenha faltado educação. Talvez tenham faltado bons exemplos. 

Uma mente atormentada em busca de vitória ou de vingança ou de poder não pode ser considerada uma mente vencedora. Não é para isso que nascemos.

A vida ganha um sentido todo especial quando conseguimos usufruir seus mais modestos momentos. Do dia a dia, das relações de afeto na família, no trabalho, entre os amigos. Simples assim, como diria Mario Quintana, “como a água bebida na concha da mão”. 

Na simplicidade da vida, deparamo-nos com pessoas que, por alguma razão, voluntária ou involuntariamente, nos decepcionaram. Ou tramaram contra nós. Ou traíram a nossa confiança. O que fazer? Vingar-se? Desconfiar de todas as outras amizades que surgirão? Bobagem. A vida é curta demais para ser desperdiçada com o que não nos faz bem.

Façamos o bem. Sem concessões.

Essa é uma forma bonita de olhar para frente e viver. E seguir adiante. De cabeça erguida. Vitorioso.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/4/2014

São José de Anchieta

Mais um santo. O que isso significa? Mais alguém para nos inspirar a fazer o correto, a viver uma vida digna, baseada no amor – valor maior do cristianismo.

Padre José de Anchieta, canonizado pelo papa Francisco, é um exemplo que merece ser mais conhecido. É um santo que marcou a cidade de São Paulo e o nosso país.

Espanhol, veio para o Brasil, aos 19 anos, para ser missionário no “novo mundo”. Esteve com padre Manuel da Nóbrega na celebração da missa que deu origem à fundação da cidade de São Paulo.

Ensinou os indígenas e aprendeu com eles. Escreveu a primeira gramática da língua tupi, consagrando o idioma dos nativos. Foi educador, literato, pregador, amigo fiel. Ao lado do padre Nóbrega, lutou pela paz entre os portugueses e os indígenas. Chegou a se entregar como refém vivendo durante meses entre os índios. Nessa ocasião, sem pena e sem papel, escreveu cerca de 5000 versos na areia – uma oração de louvor à Virgem Maria. Decorou um a um.

Tinha alma de poeta, usava seus versos para encantar e educar o povo indígena. Com amor. Com respeito. Defendia os índios dos exageros dos colonizadores. Ensinava-os de todas as formas para envolvê-los. Mestre de muitas artes, despertava nos índios a beleza da pintura, do teatro, da música, da poesia, da fé.

Gostava da natureza. Foi considerado um dos primeiros antropólogos e naturalistas do Brasil. E gostava, sobretudo, das pessoas. Iniciou, dentre tantas outras iniciativas de amor ao próximo, a construção da Santa Casa de Misericórdia, do Rio de Janeiro, preocupado com os doentes, principalmente os mais pobres. Percorria distâncias enormes para visitar os enfermos. Era esta a sua missão, amenizar a dor, o sofrimento, com uma palavra, um gesto de amor.

São José de Anchieta, “o apóstolo dos índios e do Brasil”, é um sinal de bondade, um exemplo para nos iluminar. Um obreiro do amor e da fé. Venerar um santo é inspirar-se em sua vida para ser melhor. Rezar, conversando com um santo, é pedir sua intercessão junto a Deus, Autor da Vida, Essência Primeira do Amor.

Mais um santo? Isso significa que, apesar das perversidades tantas a que assistimos, devemos continuar a ter esperanças e a fazer o bem. Esse é o caminho

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 4/4/2014

Brasil e Itália: educação em foco

Em missão oficial na Itália, o deputado Gabriel Chalita esteve em Florença para dar início a discussões e tratativas sobre um possível acordo internacional entre o Brasil e o Instituto Universitário Europeu (EUI), uma das principais instituições de educação da Comunidade Europeia. No encontro, representantes do EUI propuseram a elaboração de um programa de formação de professores, o que vem ao encontro de uma das principais bandeiras defendidas pelo deputado e educador Gabriel Chalita.

Esse instituto é internacionalmente reconhecido pela qualidade de seus estudos acadêmicos, desenvolvidos inclusive por brasileiros. Na visita, Chalita encontrou-se com pesquisadores do Brasil que atuam nas áreas de direito comparado, regulação de serviços públicos e constitucionalismo, assuntos que contribuem fortemente para o desenvolvimento do nosso país e do Mercosul.

Ainda no EUI, o deputado Chalita conheceu a sede dos Arquivos Históricos da União Europeia (HAEU), responsável pela gestão de todo o acervo de documentos oficiais, desde os acordos iniciais da UE até os registros de negociações com outros países, inclusive com o Brasil.

O interesse em expandir o diálogo entre a educação brasileira e italiana foi ressaltado, também, por Simone Tani, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Relações Internacionais de Florença. Em encontro com o professor Chalita, o secretário expressou a intenção da prefeitura de Florença de estabelecer parceria com instituições educacionais brasileiras. Recentemente, foi inaugurada uma universidade chinesa na região, que oferece cursos de arquitetura e moda.

Na capital italiana, em visita à Sapienza Università di Roma, Gabriel Chalita acompanhou o progresso conquistado pelos 200 estudantes brasileiros que fazem parte do programa Ciência sem fronteiras, que busca promover a consolidação, a expansão e a internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O vice-reitor dessa instituição, Antonello Biagini, e o brasilianista prof. Finazzi-Agrò, apresentaram a ótima avaliação que o programa brasileiro tem recebido da instituição e dos alunos. Por isso, a Sapienza, uma das mais tradicionais universidades europeias, espera para o segundo semestre de 2014 cerca de 400 estudantes brasileiros em seus cursos universitários.

Fonte: assessoria de imprensa | 1/4/2014

 

Uma verdadeira lição de amor

Há alguns dias, o Brasil se despediu, com dor, de um de seus mais notáveis atores e homens de bem, Paulo Goulart. Por todo lado, a tristeza de não se poder mais desfrutar de sua presença nos palcos e na televisão. Foi como se perdêssemos alguém de nossa própria família. E Paulo não deixava de nos ser tão familiar. Sempre. Ele partiu, mas ficaram seus exemplos de simplicidade, de amor, de humanidade e a arte de seus personagens memoráveis.

Paulo nos deu grande lição de amor. Até o último instante. E foram 62 anos de muito amor. Paulo e Nicete. Que difícil a missão da despedida! Cada um sabe o quanto é penoso o momento de dizer adeus a um ente querido. E ter de dizer adeus por amor. Nicete o fez. Com força. Despediu-se, serenamente, das emoções terrenas, prometendo a Paulo a perenidade do reencontro: “Vá em paz! Nosso amor é eterno”.

Conheceram-se muito jovens. Vieram ambos, de diferentes caminhos, com muita paixão. Pelo teatro. Pela arte de representar. Estrearam juntos. Nasciam para o palco. Nasciam para viver um grande amor. Companheirismo, cumplicidade, respeito, admiração, os mesmos valores, o mesmo momento de vida. Ingredientes presentes e bem dosados ao longo de seis décadas de convívio. “Estou te namorando”, Paulo dizia sempre a Nicete. E ela só pensava em agradá-lo: “Nunca apareci desarrumada para ele. Nenhum bobe no cabelo. Nenhum creme na cara”. Mantiveram o encantamento da estreia. Uma flor inesperada, um bilhete escondido, um sorriso apaixonado. Souberam cultivar e fortalecer os laços. Semearam os afetos e tiveram o cuidado de esperar o tempo da colheita. E os frutos: Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho. A família era a grande paixão de Paulo. No momento de ir, todos estavam juntos. Tristes, mas serenos. Exatamente como ele gostaria que fosse, confessa a atriz. Uma lição de amor. De vida.

Nesses tempos de banalização da vida, de relações descartáveis, de fragilidade dos vínculos humanos, um amor assim, intenso, verdadeiro, que transcende o mundo físico, chama-nos a atenção. Tempos de amores líquidos, nas palavras do sociólogo Bauman. Aprendemos, certamente, com essa lição de amor. Com a história de Paulo e Nicete. Uma história que cada vez mais nos falta.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 28/3/2014

Ilustrador brasileiro conquista o prêmio Hans Christian Andersen

 

O ilustrador brasileiro Roger Mello venceu o prêmio Hans Christian Andersen, atribuído pelo Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY). Esse prêmio, considerado o “Nobel” da literatura infantil e juvenil, foi anunciado na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália.

Roger Mello, que já tinha estado entre os finalistas em 2010, atua há 25 anos de carreira literária como autor e ilustrador de cerca de uma centena de livros para os mais novos. Segundo o júri, a ilustração de Roger Mello possui algumas características peculiares: explora a história e a cultura do Brasil, demonstra a admiração pelos nossos costumes, é inovadora, inclusiva e dá às crianças a oportunidade de entrar nas histórias pela sua própria imaginação.

Considerado um prêmio de carreira para autores e ilustradores, o Hans Christian Andersen já foi atribuído às brasileiras Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000. Em sua última edição, em 2012, os vencedores foram a escritora argentina Maria Teresa Andruetto e o ilustrador checo Peter Sís.

Fonte: adaptado do Jornal Público, de Portugal | ilustração: Roger Mello | Data: 25/3/2014

 

Sonhar é preciso

O educador Paulo Freire, em seu exílio no Chile, em 1964, escreveu: Cheguei ao Chile de corpo inteiro. Paixão, saudade, tristeza, esperança, desejo, sonhos rasgados, mas não desfeitos, […] vontade de viver e de amar. Esperança, sobretudo.  

Freire tinha o sonho de uma educação para a libertação dos oprimidos, que tornasse a realidade mais humana e permitisse aos homens que fossem protagonistas de sua própria história. Visto como subversivo pelo regime militar, foi preso e forçado a deixar o país. Lutou a vida toda pela causa da educação, mesmo quando as circunstâncias tentaram lhe roubar o sonho. Sonho rasgado, mas não desfeito. 

Inspira-nos saber de tantos grandes homens que escolheram não desistir jamais de seus sonhos. Buscaram, alcançaram e nos presentearam com suas obras. Muitos deles foram desestimulados no meio do caminho. Mas persistiram. O poeta Drummond chegou a ser expulso da escola por “insubordinação mental”. Villa Lobos estudava piano escondido da mãe, que tencionava vê-lo médico e não músico, até que ele decidiu fugir em busca da arte musical. Monteiro Lobato, leitor contumaz desde menino, foi reprovado no exame de língua portuguesa, quando tentava a admissão no Instituto de Ciências e Letras. Homens que sonharam. Homens que fizeram suas escolhas. Homens que não se abandonaram frente aos desestímulos.  Surpreendentemente, alguns vindos da escola. 

A mesma escola que ilumina e desenvolve o pensamento, despertando no outro o prazer do conhecimento, é capaz, muitas vezes, de desencorajar a semeadura dos sonhos de seus alunos. Faz mal. Não pode ser incauto o olhar da escola e do professor sobre seu aluno. Professores são gerenciadores dos sonhos das crianças que passam por suas mãos. Precisam tocar, envolver, mover a alma de jovens ávidos por um futuro ainda em gestação. A semente do pensamento é o sonho. Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos – ensinam as palavras do sonhador Rubem Alves.

Sonhar é inerente à essência humana. É a mola que impulsiona o homem à experiência da vida. Não vive aquele que não tem um sonho. E torna-se inacabado o homem que não o persegue, pois realizá-lo é condição de uma vida plena e feliz.

 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/3/2014

Compaixão e generosidade

Entrevistei para o meu programa de TV, “Mundo Melhor”, na Rede Vida, o médico e cientista Paulo Saldiva. Falamos sobre diversos assuntos, ele é um dos maiores especialistas do mundo em meio ambiente e em doenças advindas da poluição.

Falamos sobre o amor pela cidade de São Paulo e pelas veias de dor que percorrem essa cidade. Da violência à ausência de calçadas. Do pouco verde ao abandono do centro. Da saúde precária. Dos invisíveis. Mas falamos também de esperança.

Quando perguntei a ele quais eram as principais qualidades que um médico deveria ter para realizar com dignidade o seu ofício, ele foi preciso. Um médico precisa ter compaixão e generosidade.

Compaixão é se colocar no lugar do outro. É sofrer o sofrimento do outro. Paixão é sofrimento. Compaixão é compreender, compartir esse sofrimento. Um médico não pode ser insensível. Não pode se tornar distante de seu paciente. Cada paciente é único. Tem uma história, uma família, medos, sonhos, aspirações. E, aí, vem a segunda qualidade, a generosidade. Se um médico tem a compaixão de compreender o que passa o seu paciente, ele deve ter a generosidade de dar o melhor de si para aliviar essa dor. De se fazer inteiro em cada consulta, em cada cirurgia, a cada momento em que tenha o poder de acalmar as angústias de quem sofre.

Dar o melhor de si significa ser competente na ciência e humano na vida. O paciente precisa do remédio certo, da intervenção correta. Mas precisa, também, de afeto, de consolo, de presença. Como é bom ir a um médico que nos olhe nos olhos, que nos ouça com atenção, que nos explique nossos problemas e que nos apresente alternativas. Que gaste tempo conosco. Como é um bom ir a um médico que goste de ser médico e que compreenda a responsabilidade e o poder da sua profissão.

Compaixão e generosidade. Essencial para os médicos. E, também, para os professores. Para os juízes. Para os taxistas. Para os artistas. Para os jornalistas. Para todos nós, os viventes.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 14/3/2014

 

 

Dias de alegria

Algumas pessoas esperam as festas chegarem para extravasar toda a alegria que fica escondida durante o duro dia a dia. Trabalham, estudam, convivem em casa e na rua com uma certa desilusão cotidiana. Tudo é muito pesado, sem grandes e boas novidades. O acordar, o conviver com gente desagradável, os transportes desconfortáveis, o trabalho, muitas vezes, indesejado e assim por diante. Dia após dia, vive-se o que não traz alegria.

Quando chegam as festas, muitas pessoas acham que é momento de extrapolar. “De caminhar contra o vento, sem lenço e sem documento”, como na canção Alegria, alegria, de Caetano. E o carnaval é uma festa assim. Festa da carne. Para muitos, o momento de beber à vontade, de se fantasiar, de beijar todo mundo, de gritar, de desopilar. Alguns se enchem de energético para ficar sem dormir. Para não perder nenhum instante da festa, da alegria. Porque, depois, volta a mesmice, a chateação, a rotina indesejada. Namoros e até casamentos se desfazem. Tive um amigo que terminou com a namorada, na véspera do carnaval, para voltar depois; afinal, não se desperdiça um carnaval.

Não é estranho viver a alegria apenas nas festas? Ou nem isso é alegria? 

O dia da alegria tem que ser todo dia. Nada contra brincar no carnaval ou em outras festas que recheiam o nosso calendário. O que causa espanto é a mudança de comportamento, são os exageros, é o desperdício do prazer diário. A beleza da alegria está em encontrar prazer no que se faz. Acordar com prazer. Agradecer pelo privilégio de viver mais um dia. Desfrutar da convivência familiar. Ir para o trabalho sabendo que ali está um grande desafio. Conviver com os problemas sem se deixar sufocar por eles. 

Carlos Drummond de Andrade escreveu que “há uma pedra no meio do caminho”. Lygia Fagundes Telles, com licença poética, decidiu, “há um caminho no meio da pedra”. 

Aí, mora a alegria. No “sim” que damos à vida, na vontade de viver cada momento com intensidade, sem ingenuidade e com esperança.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 28/2/2014

Palavra de mulher

Sensibilidade. Chico Buarque é um compositor que sempre navegou com muita leveza pelo oceano de emoções que é o universo feminino. Em suas letras, as dores, a saudade, o tão desejado amor. Mulher dizendo sobre o seu amor e brigando por ele. Mãe embalando filho que já partiu. Uma desatenção aqui e o basta, logo depois, “gota d’água”. Um amor que chega como quem chega do nada e que arromba as portas que trancafiavam a entrega. Entregar-se para viver de amor. É assim que é. Mulheres em busca de vida, ávidas pela intensidade de encontros que permaneçam. Outras fazem da profissão um descarte. Que, aqueles que chegam, ouçam um “sim” e depois partam. Será? Palavras, mesmo ditas em comoção poética, nem sempre revelam o que queremos.

“Palavra de mulher” é um lindo espetáculo que revive as almas femininas delineadas nas canções de Chico Buarque de Hollanda. Direção impecável de Fernando Cardoso, embalada pela suavidade das vozes das cantoras. O cenário nos remete a um cabaré. Espaço em que encontros e desencontros guardam histórias. Entre um olhar e outro, um dançar e um aguardar, a expectativa de ser e de estar. Ser amado por estar com alguém que se importe.

Virgínia Rosa, Lucinha Lins e Tânia Alves vestem bem o figurino. Cantam lindamente. Falam, cantando, de quanto há para ser dito para homens e mulheres que não temem a sensibilidade.

Em tempos de tanta pressa, vale a pena parar e ouvir. E cantar as canções que nos dizem sobre o que verdadeiramente importa na vida. A pressa, por vezes, nos rouba momentos preciosos que nos dão significado.

Afinal, a matéria-prima de que fomos feito é o amor.  E compreender:

                           “Que o amor não é um vício


                                 O amor é sacrifício

                                 
O amor é sacerdócio


                                          Amar

                                  
É iluminar a dor

                              
- como um missionário”.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/2/2014
 

Aprendendo com as crianças

Erra quem imagina que uma criança é uma tábula rasa ou um depositório de verdades construídas pelos adultos. Erra quem julga que uma criança pouco entende. E erra, mais ainda, quem pensa que uma criança nada tem para ensinar.

A criança recebe dos adultos uma série de informações, por isso os afetos, a atenção, os estímulos são tão importantes. Entretanto, esse fluxo de informações vai ganhando significado, a partir das reações que as crianças vão tendo com o mundo.

Um vídeo, publicado no Youtube há alguns meses, já chegou a mais de 3 milhões de visualizações e exemplifica, com propriedade, esse conceito. O garotinho Luiz Antônio, de apenas 4 anos, diz à mãe que não quer que matem os animais. Que precisamos protegê-los. A conversa começa de forma simples, com a mãe falando sobre o nhoque, o arroz e o polvo. A criança quer saber se o polvo que está em seu prato morreu. O vídeo é muito singelo e significativo.

Sem entrar em detalhes sobre a crueldade contra os animais, há algo profundamente relevante que nos deve servir de ensinamento. Por que, com o tempo, vamos perdendo a sensibilidade da infância, vamos perdendo a capacidade de indignação diante do erro, vamos nos acostumando com o malfeito?

Se não tivermos sensibilidade com os animais, não teremos com os nossos irmãos. E é isso o que vem acontecendo. As misérias humanas não nos surpreendem mais. Acostumamo-nos com a maldade, com a mentira, com a injustiça, o que é triste e demonstra que estamos negando nossa própria essência. 

Valores como generosidade, companheirismo, respeito e compaixão é que nos trazem a felicidade. Por que falamos tão pouco sobre eles? Por que nos vestimos de arrogância e saímos a julgar os outros ou, simplesmente, a desprezar aqueles que não nos interessam?

Voltemos à criança. À beleza de ter um mundo de esperança. De confiar. De revelar os sentimentos. De chorar e rir sem o incômodo das máscaras.

Acerta quem quer permanecer com os bons sentimentos de uma criança. Que a inocência, apesar das dores e dos anos vividos, não nos abandone. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 14/2/2014