Tag: chalita

O Brasil de todas as gentilezas

Em tempos de Copa do Mundo e de estrangeiros no Brasil, presenciei cenas que merecem ser compartilhadas.

Em São Paulo, uma senhora tentava, em português pausado, explicar onde ficava uma estação de metrô. O turista olhava sem entender, mostrava um papel com o nome da estação e perguntava em inglês. A senhora respondia com gestos. E sorria. Sorriso de quem desconhece o outro idioma, mas sabe das lições mais nobres da civilidade, da gentileza.

Vi, também, um taxista atendendo um visitante com um dicionário na mão e com uma impressionante disposição em atendê-lo. No aeroporto em Brasília, um jovem brasileiro, em bom inglês, dando sugestões de lugares para visitar.

Gente perguntando e gente ajudando a encontrar respostas. Convívio. Acolhimento. Somos marcados por problemas sociais, desigualdades gritantes, ações políticas que desconsideram sonhos e necessidades de nossa gente. Mas, ao mesmo tempo, somos um país marcado pela alegria, pelo respeito ao diferente. Formamo-nos a partir de tantos que aqui chegaram. Imigrantes corajosos, desafiadores do medo, construtores de futuro.

Este Brasil, com tantas contradições, é apaixonante. Bom seria que estivéssemos mais preparados para receber o estrangeiro. O turismo gera emprego, renda e é essencial para nosso reconhecimento internacional. Mas, se ainda nos falta muito, temos o essencial. A marca da cordialidade. O sentimento de ajudar.

Não há ingenuidade nesses relatos. Temos as chagas da violência. Nossas cidades carecem de infraestrutura. A desordem dos espaços urbanos gera mais violência e abandono. Mas essa é uma longa estrada que precisamos percorrer. Esses problemas não se resolvem com mágica, mas com competência e trabalho.

No entanto, a Copa está aí. Façamos o melhor. Independentemente de colorações partidárias, mostremos o Brasil de todas as gentilezas. Um país que não aprecia a guerra. Que não discrimina. Que recebeu de Deus uma natureza privilegiada. E gente. Gente que gosta de gente.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 13/6/2014

A chave de nossas lembranças

Gosto de conversar com as pessoas. Gosto muito.

Preocupo-me com um tempo em que pessoas gastam parte significativa da vida com máquinas e se esquecem do significado de “gastar tempo” com outras pessoas. Olhos fitos no celular. Mensagens. Redes sociais. Jogos. Avidez pelo mundo virtual. E quase nenhuma palavra com quem está ao lado.

Gosto de conversar com as pessoas. Repito. E gosto de ouvir suas histórias. Momentos, partidas, encontros. Lágrimas de nossas dores. Paixão. Dores de um amor não correspondido. Cicatrização. E, de novo, a esperança. E, de novo, a dor. Temos a chave de nossas lembranças e o poder de revisitá-las. O tempo passa e permanece dentro de nós.

Lembro-me de minha infância, de minha pequena cidade e das famílias sentadas na calçada em dias quentes. Não havia ar-condicionado, não havia internet, a televisão não ocupava nosso tempo. A violência não nos frequentava. Na praça, sempre havia música. Íamos à missa e, na saída, conversávamos sem pressa.

Presentes? No natal e no aniversário. Hoje, os quartos dos filhos são repletos deles, sem nenhum valor afetivo. Têm todo tipo de computador. Mas há ausência de pais contadores de histórias, de conversas reais, de pessoas que “gastem tempo” com pessoas.

Se não compreendermos a importância da simplicidade na convivência cotidiana, as lembranças de nossos filhos estarão recheadas de jogos virtuais e de um mundo que, embora fascinante, não tem a essencialidade do contato real.

Não sou contra o avanço tecnológico e confesso ser admirador desse universo. Uso as mídias sociais para propagar minhas crenças e aprender com os amigos que frequentam meu “quintal tecnológico”. Mas não abro mão do meu quintal real. De falar e ouvir.

Se os fogões a lenha, que faziam com que o preparo de nosso alimento desse um significado especial ao nosso tempo, não existem mais, existamos nós, presentes na vida e na lembrança futura dos nossos. Gosto de conversar com as pessoas.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 6/6/2014 

 

Gabriel Chalita participa do 16º Salão FNLIJ para crianças e jovens

O professor Gabriel Chalita conversou com educadores e estudantes no 16º Salão FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), no Rio de Janeiro. Em meio a histórias e à frequente interação com as crianças, Chalita ressaltou a importância da leitura para uma formação escolar sólida e para a vida: “É preciso recuperar o valor da contação de histórias. Dos encontros, como este em que estamos.” E, dirigindo-se aos educadores presentes, completou: “Acerta quem permanece com os bons sentimentos de uma criança. Que a inocência não nos abandone.” 

O salão FNLIJ do livro para crianças e jovens já se tornou parte do calendário cultural do Rio de Janeiro. Esse projeto proporciona um importante diálogo entre escritores, ilustradores, professores e crianças para promover a educação e incentivar a leitura no Brasil. Além de bate-papos, o Salão do Livro disponibiliza bibliotecas, promove um seminário e uma premiação aos melhores livros do ano, de acordo com o júri da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. 

Fonte: assessoria de imprensa (5/6/2014)

Ruth Guimarães, a caipira do mundo

Entre as exuberantes serras, do Mar e da Mantiqueira, conheci Ruth Guimarães. Em sua chácara, próxima ao rio Paraíba, na minha amada Cachoeira Paulista, bebi de sua consistente prosa. Ruth era assumidamente caipira. Mulher da terra. Contadora de causos. Contadeira de histórias, como sua mãe, como sua avó. Ouvinte paciente de compadres e comadres que frequentavam seu quintal.

Saudoso tempo em que, ainda menino, fitava-a, sentada à sua máquina de escrever, dando vida às palavras e aos personagens. A autora do genial “Água Funda” conhecia profundamente os mitos gregos e os clássicos russos, sem falar dos franceses. Traduziu Balzac e Dostoiévski. Conversava sobre Flaubert e sobre Guimarães Rosa. Exaltava Machado de Assis, dizendo que maior que ele não há. Era grata a Mario de Andrade, seu mestre, crítico ensinante de sua obra. E, no meio de tanta sabedoria, me ensinava que ser sábio é ser simples.

Lembro-me das tantas vezes em que eu, estudante de filosofia, ia conversar com ela sobre Agostinho ou Tomás de Aquino. Sobre Sartre ou Nietzsche. Eu, ávido, inquieto; ela, serena, mestra. Nessas narrativas, éramos interrompidos por um ou outro vizinho que pedia um pouco de açúcar ou de feijão, e ela, com a mesma placidez, os atendia.

Caipira, sim – mas cidadã do mundo. Ruth conhecia e enfrentava os temas mundiais. A autora de “Os Filhos do Medo” era uma destemida destruidora de preconceitos. Não tolerava a mesquinhez dos arrogantes, nem a arrogância dos mesquinhos.

Tive a honra de recebê-la em nossa Academia Paulista de Letras. Eu, seu aluno, abraçando a mestra. Que privilégio! Depois de tantos anos, sentava-me, novamente, ao seu lado e a ouvia. Ruth, serena, falava pouco. Mas, quando falava, era preciso ouvi-la. Ela tinha o que dizer. Saudade da sua presença. E, presente, ela continua. Em suas obras. Em seu jeito caipira de amar o mundo.

Por: Gabriel Chalita (jornal Vale Paraibano) | Data: 25/5/2014

Palestra magna de Gabriel Chalita no “Simpósio de Pesquisa Científica”

Ministrada pelo professor Gabriel Chalita, a palestra magna “Gestão do conhecimento”, do “Simpósio de Pesquisa Científica”, organizado pela FIPMOC – Faculdades Integradas Pitágoras –, em Montes Claros, contou com a presença de estudantes e professores da instituição e da região.

Além de orientações sobre como adquirir e melhor aproveitar o conhecimento almejado, Gabriel Chalita ressaltou a importância da formação escolar e da eterna busca pelo conhecimento: “A imaginação não nasce do acaso. É preciso base. É preciso fundamento. É preciso repertório. A criatividade ganha novos contornos quando são oferecidos caminhos.” Segundo Chalita, a busca pelo conhecimento e pelo sucesso permeia uma trajetória peculiar, em que “fracassos e sucesso, desafios e conquistas caminham lado a lado”.

A sétima edição do “Simpósio de Pesquisa Científica” conta ainda com outras palestras, minicursos e mesas redondas para proporcionar o encontro com o conhecimento.

Fonte: Assessoria de imprensa | 23/5/2014

É tempo de amizade

Somos produtos do meio. Isso não é novidade. Do idioma que falamos aos gostos culinários, passando por padrões éticos e estéticos, dependemos do aprendizado. Dependemos das influências que recebemos em casa, na escola, na rua, nas múltiplas formas de comunicação, virtuais ou pessoais.

Não somos máquinas. Isso também não é novidade. Chaplin nos ensinou que “Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido”.

A violência, de todas as maneiras, é o fracasso da convivência humana. As agressões ao outro roubam de mim o que tenho de melhor, minha capacidade de amar.  E, aí, entra a amizade. 

Em guarani, a palavra amigo é “chera’à” que significa, parte de mim. Fazer parte de alguém e permitir que esse alguém faça parte de nós é prova de desprendimento e de maturidade. Nos meios em que convivemos, infelizmente, proliferam-se vícios terríveis como a arrogância e a inveja. O arrogante faz um mal imenso a si mesmo e aos outros. Dono da verdade, é incapaz de se abrir à troca, à cumplicidade, aos encontros necessários entre pessoas e sentimentos. O invejoso sofre com o sucesso do outro e, perversamente, fica eufórico pelo seu fracasso. Tempos perdidos. Tempos violentos.

A amizade vai além das competições, vai além dos interesses. O amigo não é um meio, mas um fim. Não é um meio para se atingir alguma coisa, para se alcançar algum poder, mas um fim para experimentar o aroma agradável da generosidade. É desse perfume que carecemos.

Voltamos ao meio. Cuidar das relações humanas nos garante um direito ao futuro. Como colher paz, respeito, dignidade, se o plantio é de ódio, soberba, desonestidade? Pais, professores, líderes precisam refletir sobre o legado que deixarão. Sobre inteligência necessária e sobre “afeição e doçura” imprescindíveis para a construção de uma humanidade melhor. 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 23/5/2014 

 

A perversidade do maldizer

São João Vianney foi um sacerdote do século XVIII conhecido por sua imensa capacidade de ouvir. Pessoas vinham, de todo lugar, ao seu confessionário para falar sobre seus problemas e receber uma palavra de sabedoria e acolhimento.

Conta-se que, certa vez, uma senhora lhe confessou que havia falado mal de sua vizinha. O padre aconselhou-a: “Pegue uma galinha, mate-a e retire todas as penas. Depois, jogue-as de um lugar bem alto”. A mulher obedeceu e voltou à igreja para lhe contar o feito. Foi, então, que o padre lhe disse para que lá voltasse e recolhesse todas as penas. Obviamente, viu que isso era impossível. E assim é a maledicência: uma vez espalhada, não tem volta. E o mal estará feito.

Dois fatos recentes remeteram-me à história de S. João Vianney: o linchamento atroz de uma mulher e a morte de um dos donos da Escola Base. Até onde vai a perversidade humana! As penas espalhadas por pessoas irresponsáveis ceifaram histórias, futuros e vidas. De um lado, a selvageria descabida e infundada que vitimou a mãe de duas meninas, mulher de família humilde, filha de um homem simples que, em sua sabedoria, resumiu a sua dor: “falta amor no coração das pessoas”.

De outro lado, o célebre caso de injustiça difamatória contra os donos da Escola Base, ocorrido em 1994. Duas mães espalharam a notícia de que as filhas sofriam abusos sexuais na escola. A mídia, sem cuidado e disposta a usar o poder da destruição, fez o desserviço. O casal proprietário foi preso; e a escola, fechada. Como a verdade apareceu, foram inocentados. Mas o que lhes restou? A escola e a residência do casal foram depredadas, suas vidas esfaceladas: a mulher morreu de câncer e o homem sofreu dois infartos. No último, veio a falecer.

Que poder é este de destruir biografias que algumas pessoas julgam ter? De difamar pessoas injustamente? De brincar com o futuro de seres humanos? Que perversidade é esta que sufoca o amor que todos deveriam trazer no coração? E que atropela a razão e as leis humanas?

É hora de construirmos muralhas contra esse mal! É dever de todo homem dosar suas palavras, ponderar sobre a responsabilidade e o peso da palavra dita. Pena que se espalha. Flecha lançada.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 16/5/2014 

A melhor profissão

Ontem, foi dia do trabalho. Dia em que se comemoram as conquistas dos trabalhadores.


Trabalhar é transformar. A nós mesmos e aos universos com os quais convivemos. Trabalhar é participar da responsável tarefa de construir o mundo.
 Há muitas profissões. Algumas mais conhecidas; outras, menos. Há aquelas que exigem graduação, mestrado, doutorado. Há outras que não. Há algumas em que se percebe, de imediato, o benefício para a sociedade. Outras, somente se refletirmos muito.


E qual a melhor profissão? Qual a mais importante? Qual a que mais contribui para um mundo melhor?


Lembro-me que minha mãe queria que eu fosse médico. “Um médico”, dizia ela, “melhora a vida das pessoas”. Eu decidi ser professor. Um professor também melhora a vida das pessoas. Um policial. Um engenheiro. Um taxista. Um juiz. Um comerciante. Um enfermeiro. Um artista. Um escritor. Em cada uma dessas e de outras tantas ocupações, temos o poder de melhorar o mundo. Às vezes, os pais se preocupam, demasiadamente, e resolvem decidir qual a melhor profissão para os filhos. Têm os pais o poder e o dever da conversa, dos esclarecimentos, das orientações. Mas o poder da decisão compete a quem há de executar a tarefa. E deve fazê-la com amor e com respeito.


Em todas as profissões, encontramos profissionais que prezam pelas escolhas e escolhem fazer o que é correto. E, em todas elas, deparamo-nos com os que fazem da profissão um tormento para si mesmo e para a sociedade. Imaginem o poder de destruição que tem um jornalista corrupto, um administrador insensível, um promotor de justiça injusto, um motorista irresponsável!


Na arte do trabalho, os artistas precisam estar afinados com suas escolhas e com sua vivência cotidiana. Não existe profissão mais digna ou menos digna. Quem dá dignidade a uma profissão é quem a exerce. Com zelo, com responsabilidade, com consciência de que seu papel no espetáculo da vida é tão importante quanto qualquer outro. Nem mais. Nem menos.


Viva o trabalhador. Viva as mulheres e os homens comprometidos com um mundo melhor.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 2/5/2014

O verdadeiro educador é muito mais do que um professor, este é o exemplo do Educador do Ano 2013

Não se trata de um nome pop, um celebrado da mídia, um glamourizado dos horários nobres da TV, mas é um grande brasileiro que merecia ter sobre ele todos os holofotes. É o Educador do Ano 2013, Geraldo Amintas, que acaba de receber, da Academia Brasileira de Educação, o Prêmio Fernando de Azevedo. A entrega foi na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa.

São 34 anos no magistério. O professor de matemática Geraldo Amintas de Castro Moreira tornou a sua cidade natal, Dores do Turvo, na Zona da Mata mineira, conhecida nacionalmente no meio acadêmico, porque tomou a iniciativa de levar seus alunos às Olimpíadas Brasileiras de Matemática.

Ele convenceu a diretora da única escola da cidade, em que trabalha, incentivou os demais professores e animou os alunos a embarcarem no projeto. Seu entusiasmo contagiou a todos e, com isso, Dores do Turno, em nove anos, viu seus estudantes conquistaram 166 premiações nas Olimpíadas de Matemática. A saber: 10 medalhas de ouro, 10 de prata, 28 de bronze e 118 menções honrosas. Somam-se agora a elas esse prêmio de Educador do Ano.

A entrega foi em noite solene com todos os membros da Academia brasileira de Educação engalanados com seus fardões, entre eles, o ex-secretário de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, o presidente da Academia Mundial de Artes e Ciências, Heitor Gurgulino e o imortal da Academia de Letras, Arnaldo Niskier.

Compareceram o secretário executivo do Ministério de Educação, Luiz Claudio da Costa, o secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Risolia, entre outras autoridades do ensino nacional. Todos brindados com um show do cantor Dover Manifold e seu repertório de músicas americanas.

Mais uma grande noite à altura da categoria de um dos melhores anfitriões da cidade, o professor Carlos Alberto Serpa, presidente da Academia Brasileira de Educação, em sua Casa de Cultura Julieta de Serpa, onde Felipe Schmidt também brilhou com seu sax.

Fonte: Coluna da Hilde (por Hildegard Angel)

Desafios do ensino de matemática

O relatório divulgado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA, em dezembro de 2013, apontou que o Brasil deu alguns passos adiante em relação ao ensino de matemática, ainda que tenha ocupado a 58ª posição entre 65 países. O problema, no entanto, está longe de ser a falta de talento para a matéria.

O matemático César Camacho, diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA, vê nos estudantes brasileiros enorme potencial, que passa despercebido por não haver métodos para a identificação de talentos. A observação é fruto de dez anos de realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP, que permitiu, segundo Camacho, traçar um retrato bastante fiel da realidade do ensino de matemática no Brasil.

“Temos tido enorme satisfação em verificar que nos lugares mais afastados do país existem estudantes brilhantes, que respondem aos desafios que colocamos na olimpíada de uma maneira extremamente rica”, afirmou o diretor do IMPA ao explicar que a olimpíada mede não o conhecimento, mas a capacidade de raciocínio e a criatividade para a solução de problemas. “Apesar de todas as deficiências que a escola tem, é possível verificar que o talento está uniformemente espalhado pelo país”, acrescentou. A OBMEP seleciona, todos os anos, seis mil medalhistas provenientes de mais de 800 municípios brasileiros. Diversas iniciativas de sucesso vêm estimulando o desempenho dos alunos em matemática.

Projeto Brincando de Matemática (RO)

Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Alexandre de Gusmão, do município de Nova Brasilândia, em Rondônia, encontramos uma dessas boas práticas “que deveriam ser replicadas”, como observou Camacho. Trata-se do Projeto Brincando de Matemática, realizado pela professora Amanda Sousa com alunos do quinto ano.

“O projeto foi pensado para os alunos com muita dificuldade em matemática. Para facilitar o aprendizado, trabalhamos a matéria de uma forma mais lúdica”, explica a professora. Os jogos, criados pelos alunos ou propostos pela professora, são confeccionados em sala, sempre em grupos, utilizando material de sucata.

Programa de Educação Matemática (BA)

Na Bahia, a capacitação continuada do professor se dá por meio do Programa de Educação Matemática, iniciativa da Secretaria de Educação do estado realizada pelo Instituto Anísio Teixeira – IAT. No programa, os professores são reunidos no IAT para planejar o período letivo e os formadores vão às escolas para visitas de acompanhamento pedagógico. “Falamos com os professores e fazemos o planejamento das aulas de matemática do sexto ao nono ano. Trabalhamos como os professores podem transmitir os conteúdos de matemática em sala de aula de forma mais contextualizada”, explicou Jorilene da Silva, formadora do programa. A partir desses encontros, o professor é estimulado a produzir um objeto ou conhecimento novo para levar à Feira Baiana de Matemática.

O objetivo, segundo Silva, é gerar um conhecimento que ultrapasse as paredes da escola. “Não basta fazer o cálculo, é preciso interpretar, desenvolver o raciocínio lógico, a criatividade; realizar atividades que levem não apenas a resolver contas, mas também a entender o significado dessas contas. O aluno deve entender como a matemática pode melhorar o dia a dia e de que forma ele pode aplicar esse conhecimento para que não seja dominado pelos números”, disse.

Silva conta, ainda, que muitos professores resistem às mudanças no método de ensino da matemática que ainda parte da memorização de regras. “A educação matemática trabalha não só com algoritmos, mas também com a construção de conceitos. Por isso, é importante discutir o currículo da educação matemática como ponto de partida para a formação da cidadania”.

Centro Educacional Municipal de Apoio e Atendimento Especializado – CEMAEE (SP)

O Centro Educacional Municipal de Apoio e Atendimento Especializado – CEMAEE, de Mogi Mirim, no interior de São Paulo, atende em contraturno alunos com necessidades educativas especiais. A unidade, que deu início a suas atividades em 2012, integra a rede de ensino público do município.

“Nossa proposta é promover atividades que desenvolvam o raciocínio lógico matemático. As professoras exploram o conhecimento já construído e desafiam o ‘pensar’ das crianças, por meio de jogos, de exploração corporal e de atividades de arte visual e tecnológica. As intervenções facilitam o processo de aprendizagem, com o benefício de ser possível identificar a forma de pensar do aluno, facilitando o planejamento das próximas atividades, respeitando o estágio de desenvolvimento e o nível intelectual de cada um”, explicou a diretora do CEMAEE, Mara Ortiz.

Para Ortiz, que é também pesquisadora no Laboratório de Psicologia Genética da Unicamp, é necessário que o Estado fomente políticas públicas que delineiem o fazer pedagógico e promovam a formação continuada dos professores a partir de experiências colaborativas entre a universidade e a escola. Da mesma forma, que garantam condições que possam contribuir para a organização dos espaços de aprendizagem de matemática, possibilitando aos professores a fundamentação de suas práticas.

Matemática Rio (RJ)

No Rio de Janeiro, o professor Rafael Procópio, da Escola Municipal Rosa da Fonseca, encontrou nas novas mídias uma forma de atrair a atenção de seus alunos. A princípio, o objetivo era guardar uma cópia online dos vídeos usados em sala de aula. Conforme o canal Matemática Rio foi ganhando público e visualizações, Procópio passou a se dedicar mais à produção das videoaulas e a preocupar-se com a qualidade estética das filmagens.

“No geral, percebo que o rendimento dos meus alunos aumentou sensivelmente. Ainda há muito o que aperfeiçoar nas aulas presenciais que dou na rede pública municipal, mas o potencial é enorme”, afirmou o professor, que considera importante o apoio que recebeu de colegas e da coordenação pedagógica da escola em que leciona. “Os professores, quando valorizados e capacitados, podem, sim, transformar a atual situação precária do ensino da disciplina em nosso país, por meio da inovação. Aliás, já temos várias frentes que estimulam isso”, disse.

Fonte: (adaptado) Blog Educação | Escrito por Bernardo Vianna