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Dia do professor

Dia 15 de outubro comemora-se o dia do professor. Professor é quem professa a crença na pessoa humana e quem faz da arte de ensinar o seu ofício. Ensina quem, também, aprende. Ensina quem se permite surpreender com o que o aluno traz em sua história. Ensina quem alimenta de esperança a si mesmo e aos seus.

Há tantos outros adjetivos que poderiam ser utilizados para homenagear o professor. Mas a homenagem de que os professores precisam, realmente, é que a carreira que abraçaram seja valorizada. Não há como melhorar a educação – e é senso comum que ela não vai bem – sem cuidar de quem cuida, incansável e esperançosamente, no dia a dia, de nossos alunos. Valorizar o professor é dar formação inicial e continuada adequadas, é respeitar quem forma as gerações, é dar uma remuneração digna que faça com que essa carreira seja objeto de desejo de crianças e jovens. Hoje, isso não acontece. É triste vermos que nossas crianças e jovens sequer cogitam a profissão de professor. Por que não enxergam o prestígio que deveriam enxergar nessa escolha? Há quem diga que salário não é tudo. Geralmente, quem diz isso é quem tem muito dinheiro e nunca entrou em uma sala de aula. O salário é uma forma de reconhecimento, sim. Por que as carreiras de juiz, de promotor, de delegado federal, entre outras, são tão atrativas e a de professor não? No passado, um professor ganhava como um juiz. O que aconteceu? Chegamos à conclusão de que o professor não é tão importante assim para o país? Quem forma o engenheiro, o médico, o enfermeiro, o artista? Quem ensina o escritor a escrever? Quem abre as janelas das possibilidades e insiste que o futuro existe?

Professores, irmãos meus de ofício, não desanimemos. Nossa escolha é digna, nobre e apaixonante. Continuemos a cuidar de gente com competência e ternura. E com amor.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 17/10/2014

Chalita fala sobre educação e leitura na mais importante feira literária do mundo

A Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, é o maior evento literário do mundo. Todo ano, milhares de livreiros, editores, autores e leitores movimentam o universo da leitura e fomentam o diálogo cultural entre os países durante o encontro. Na edição deste ano, o professor Gabriel Chalita, membro da Academia Paulista de Letras, além de participar de apresentações culturais intermediadas pelos organizadores da Feira, ministrou uma palestra sobre “A semiótica na educação e o desafio da formação de novos leitores”. Inicialmente, Chalita destacou três elementos essenciais para que se alcance uma educação de excelência: a valorização do professor, o engajamento familiar na escola e a melhoria do currículo escolar.

Além disso, afirmou a importância da liderança do professor no processo efetivo de aprendizagem e no desenvolvimento das habilidades cognitivas, sociais e emocionais dos alunos. O professor é a alma da educação. Sua missão é gerenciar sonhos, lapidar diamantes. Segundo Chalita: “Educar é abrir as janelas de possibilidade. Educar é garantir, a cada estudante, o passaporte para o futuro, com autonomia e liberdade.” E se a escola deve preparar crianças e jovens para a vida e para a cidadania, é fundamental instigá-los e envolvê-los no universo do conhecimento, além de proporcionar uma atmosfera favorável a emoções e vivências positivas. Nesse contexto, os professores e a literatura ocupam um espaço essencial, porque “é o professor que fará, com dignidade e respeito, com que a educação se transforme em puro prazer de viver.”. De acordo com Chalita, contar histórias é uma das melhores estratégias para desenvolver nos alunos o gosto pela literatura. E a literatura é uma das melhores maneiras de desenvolver nos estudantes os valores fundamentais para construir uma vida feliz. “Medo, coragem, paixão, amor, sofrimento, honestidade, desonestidade, justiça e injustiça, crueldade e generosidade. Tudo isso pode ser vivido nas páginas dos livros.”

Juntamente com mais seis escritores brasileiros, Walcyr Carrasco, Paulo Coelho, Bernardo Kucinski, Eduardo Spohr, Ana Martins Marques e Edney Silvestre, Chalita segue acompanhando a programação da Feira de Frankfurt.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Ives, mãos de obreiro e alma de poeta

Recebi a obra, “Poesia Completa”, de Ives Gandra da Silva Martins. Uma primorosa edição limitada da Editora Resistência Cultural. Fui lendo e bebendo da alma leve de um homem que não se cansa de declarar o seu amor à vida, aos seus filhos e, principalmente, à Ruth, sua eterna namorada.

Ives tem mãos de obreiro. E que obreiro! É um dos maiores juristas do país. Tem títulos acadêmicos conquistados nas numerosas universidades internacionais. Seus pareceres são aulas de direito constitucional, tributário e outras teorias que denotam seu saber. É advogado cioso do seu ofício. Décadas dedicadas a lutar pela justiça e a defender teses que vão ao encontro dos valores que iluminam sua vida. É o homem da ética. Na teoria e na prática. O direito dissociado da ética é nau sem norte. 

Mas Ives não é apenas obreiro. É poeta. E, na poesia, ele traz um frescor novo, sempre novo à vida. O poeta é assim. É capaz de olhar para sua amada todos os dias e surpreendê-la como no primeiro encontro, encanto. No livro, as cartas à Ruth, com quem é casado há mais de 60 anos. Nas cartas, as confissões. Um amor que se renova, porque iluminado pela consciência das escolhas corretas.

É possível ser competente, cientista, objetivo e, ao mesmo tempo, leve pelos amores que, em família, o fazem acreditar na providência divina: “Meu Deus, minha família, minha amada / Dão apoio, que sempre necessito. / Eu desço bem sereno a estreita escada, / Que tem no fim da vida o próprio rito.” Deus é a certeza maior que o faz olhar para trás e agradecer. No cristianismo de Ives, a certeza de que cumpriu e de que continuará a cumprir a parábola dos talentos. O que Deus lhe concedeu, ele multiplicou. Sua vida é uma inspiração. Mãos de obreiro, porque produzir nos alimenta; alma de poeta, porque amar nos nutre de encantamento.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 10/10/2014

 

 

Teresinha e Francisco, irmãos da bondade

Francisco de Assis nasceu na Itália em 1182. Teresinha do Menino Jesus nasceu na França em 1873. De séculos e lugares distintos, esses dois jovens continuam marcando a história da humanidade. Irmãos da bondade, Francisco e Teresinha são celebrados nesta semana. Dia 1o de outubro, Teresinha. Dia 4, Francisco. O que eles têm em comum? O que deles permanece desafiando o tempo? Nem por distração, esses dois jovens deixaram de amar o ser humano. Nem por descuido, abandonaram a missão de fazer o bem. E fizeram o bem sem concessões. 

Francisco fez uma opção clara por amar aqueles que outros, de sua época, não quiseram amar: os “derrotados”, os “invisíveis”, “os malcheirosos”, os abandonados. A todos, tratou como irmãos; inclusive, os animais, criaturas que também têm sentimentos. Teresinha, na sua “pequena via”, deixou um legado de simplicidade, de delicadeza, de confiança em Deus. Da clausura do convento, tornou-se padroeira das missões. De seus poemas, nascem lições de um amor que transcende o mundo do poder e da competição. Seu desejo era fazer cair uma chuva de rosas sobre aqueles que mais necessitavam,  para perfumá-los de vida.

Os santos são mais do que intercessores, são exemplos de passos corretos num mundo tão ausente de referenciais. A busca pelo poder a qualquer custo macula as relações humanas. A agressividade com que nos tratamos rouba de nós a capacidade de nos vermos como irmãos. As guerras, infelizmente, persistem. Mas persistem,  também, a arrogância, a intolerância e a perversidade. Guerras internas. Qual o remédio, então? Na inspiração de Francisco e Teresinha, a perseverança na bondade. Não permitir que o que vemos nos impeça de ver o que deveríamos ver. Mesmo nos fétidos terrenos do egoísmo, moram sementes de generosidade. Façamos nossa parte.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 03/10/2014

 

O amor que desafia o tempo

Encontrei, no prédio em que moro, uma senhora sorridente que me disse: “Faça o favor de me dar os parabéns! Completo, hoje, 70 anos”. Eu, imediatamente, cumprimentei-a, dizendo que a vida é um dom de Deus. Ela completou: “A vida e o amor, pois faço, hoje, 70 anos de casada!”. Quando saímos do elevador, seu marido a esperava. Conversamos um pouco. Falaram de tristes momentos da família. De entes queridos que partiram. Das dores da separação. De algum estranhamento. E, de “mãos dadas”, eles se foram. De “mãos dadas”, esse é o segredo para o amor que desafia o tempo.

O amor não exige perfeição, exige apenas o caminhar de “mãos dadas”. No início, no acender da paixão, há o medo do novo, da mudança necessária. Com o tempo, a surpresa se vai,  mas um e outro, inspirados pelo romantismo, aquecem o tempo, surpreendendo. Dizeres de amor nunca fazem mal e mantêm as chamas acesas. Estavam indo à missa, agradecer a Deus por terem se conhecido. E por terem permanecido assim: de “mãos dadas”. Depois, as outras celebrações com tantos que frequentam a sagrada convivência. Filhos crescidos acompanhados de seus filhos que, também, já têm os seus. Inspiradores de outras famílias que descendem dessa escolha de vida. Todos no mesmo vagão. Alguns há mais tempo, e outros que vêm chegando. Com o respeito de quem tem um modelo com que aprender. “Que Deus abençoe minha família, tão grande, tão bonita!”, despediu-se de mim o marido apaixonado há 70 anos.

Permanecer é desafiador. Quantos casais desistem diante da primeira dificuldade! Quantos optam por destruir os enlaces em busca de aventura! Justificam-se pelo prazer. O melhor prazer está no surpreender o amor. O amor que dá significado à vida. O que vale a vitória quando, ao vencedor, falta a cumplicidade do abraço amado? Quando o prêmio carece de alguém para dividir? Há muitas formas de amor. O desperdício é viver sem amar.

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 26/09/2014

 

Gabriel Chalita ministra palestra para professores e universitários da Bahia

Mais de 600 educadores e estudantes baianos participaram de palestras, de Gabriel Chalita, na Universidade Estácio de Sá, em Salvador. No primeiro encontro, com professores universitários, foi ressaltada a importância do desenvolvimento de uma nova linguagem entre professor e aluno, em que exista espaço para a manifestação da essência e da boa convivência. Durante a apresentação, Chalita falou, também, sobre o papel do professor como intermediador do conhecimento: “O professor não é apenas um facilitador do processo da aprendizagem. O professor é um instigador. Faz com que o aluno revele o seu melhor.”

Em seguida, diante dos estudantes, o futuro passou a ser a temática do encontro. Pautado em conceitos filosóficos e em experiências reais, como a vida de Nelson Mandela, Gabriel Chalita mostrou como a aspiração é parte importante do projeto de vida e de desenvolvimento do ser humano. Seu conceito de “Inteligência Alpha” ou inteligência aspiracional incentivou os alunos a descobrir o que verdadeiramente almejam em suas vidas.

Fonte: assessoria de imprensa 

 

Dignidade no lar

Costumo almoçar, aos domingos, na casa do príncipe dos poetas brasileiros, Paulo Bomfim. É um prazer desfrutar de sua prosa leve. Ouço lições do mestre Nalini e histórias de Lygia, a menina dos contos. Sinto-me um aprendiz privilegiado. Quem cozinha é Lúcia. Uma mulher que encanta pela simpatia e pela alegria de viver. Diz o poeta que é ela a luz que ilumina o seu entardecer. 

Num domingo desses, não pude ir. Fui à casa de alguns conhecidos. Era uma reunião de aniversário. A comida era muito boa. Pedi para agradecer a cozinheira. A dona da casa e sua filha pequenina me acompanharam até a cozinha. Agradeci a moça e disse que o risoto estava perfeito. Ela, timidamente, agradeceu. Foi quando a criança soltou: “Mas ela não pode comer, porque mamãe não deixa”. A mãe ralhou com a filha e tentou uma explicação: “Ela não está acostumada a comer esses pratos mais enjoados, gosta mesmo é do seu arroz com feijão”.

Eu gosto muito de arroz com feijão. E ovo. E couve. E salada. Mas não gosto de gente que destrata gente. Quantas cozinheiras passam por isso! Cozinham para os seus patrões e sequer podem experimentar o prato que fizeram. Triste arrogância. Muro da vergonha que separa quem tem mais de quem tem menos. Imagine impedir alguém – que cuida da nossa vida, da nossa comida, da nossa roupa, da limpeza de nossa casa – de desfrutar da comida que nos prepara. Olhei com tristeza para a lamentável cena. Dei um abraço forte na cozinheira e, mais uma vez, agradeci. E parti. Parti saudoso dos almoços de domingo na casa do poeta. Em que Lúcia faz parte da família. Da minha casa, em que Lu cuida e é cuidada. Alimenta-nos e é alimentada por tudo o que podemos dar a ela.

O conceito de “próximo” na Bíblia é desafiador. É preciso cuidar de quem está perto. Se não conseguirmos fazer isso, não cuidaremos de ninguém.

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 12/09/2014

 

 

Relação entre família e escola é tema de palestra, de Gabriel Chalita, em Japeri

Gabriel Chalita participou da VII Jornada Pedagógica de Japeri, município do Rio de Janeiro, e conversou com mais de 300 educadores da rede municipal de ensino da região sobre a importância dos professores, da família, da comunidade e da escola na formação dos estudantes.

Educar para a autonomia, para o respeito, para a generosidade é um grande desafio, em meio à sociedade “dos descartáveis”. Durante a palestra, Chalita ressaltou a necessidade de integração desses atores sociais no processo educativo: “A escola tem que ser um espaço de paz. E a participação da família é fundamental. Os pais são os educadores por excelência.” A Jornada Pedagógica conta também com oficinas e atividades culturais e é mais uma iniciativa do município para aprimorar a educação das crianças e dos jovens da região. Fonte: assessoria de imprensa

Antônio Ermírio, uma face humana da generosidade

Quando Antônio Ermírio de Moraes completou 80 anos, tive a honra de, ao lado do grande pensador José Pastore, organizar um livro sobre a sua vida. Foram 80 depoimentos de artistas, intelectuais, empresários, políticos, escritores e familiares sobre a trajetória de um gigante do mundo empresarial, de um homem cuja capacidade de trabalho era impressionante. Antônio Ermírio era um líder comprometido com a geração de empregos e com o desenvolvimento do país. Era um brasileiro apaixonado pelo Brasil. Mas não era só isso.

No seu velório, fiquei atento à quantidade de pessoas de todos os cantos que vinha para lhe render homenagem. Ouvi histórias comoventes de gratidão. Entre elas, a de uma ex- funcionária que viajou de sua cidade para agradecer ao homem que salvou sua vida pagando a cirurgia e todo o tratamento do coração. Ele era um homem de coração. Uma trabalhadora do Hospital Beneficência Portuguesa, com os olhos marejados, dizia de sua simplicidade. Ele era, decididamente, um homem simples. Convivi com Antônio Ermírio durante um bom tempo. Fui seu confrade na Academia Paulista de Letras. Desfrutei de muitos momentos de prosa em que sua sabedoria deixava marcas de entusiasmo. E testemunhei muitas ações de generosidade que ele fazia com a intenção nobre de ajudar o próximo. Sem alardes. Pelo contrário, insistia que não fizéssemos divulgação, que não era essa a intenção, que o valor do ato generoso estava no silêncio, no saber-se útil ao irmão. Eu insistia em homenageá-lo pelas doações. Ele, delicadamente, agradecia e dizia ter aprendido com o pai que ajudar ao próximo é um dever de consciência, é um exercício de cidadania. Vi seus olhos emocionados na apresentação musical de jovens da antiga FEBEM. Ele havia doado os instrumentos. Eu lhe dizia que precisávamos dar uma segunda chance àqueles jovens e que o desenvolvimento da sensibilidade, proporcionado pela música, era essencial. Ele concordava e insistia que deveríamos nos preocupar também em dar emprego a eles. O trabalho dignifica o homem – era essa sua oração. Foi ele o mecenas de muitas igrejas. Construções, restaurações, espaços de encontro com Deus. Que belo encontro com Deus está experimentando Antônio. Deus, a essência do Amor. Antônio, um homem que se permitiu ser uma face humana da generosidade. Do amor em ação. Sabia ele do poder da educação. Repetia quase que um mantra: “Educação, pelo amor de Deus”. Heliópolis é uma das testemunhas de seu fazer pelo outro. Pelos que estão distantes das possibilidades. Talentos todos têm, mas, infelizmente, alguns futuros se perdem porque não há quem os tome pelas mãos e os conduza nos primeiros acordes. O resto eles fazem. Orquestras de canções tantas, vidas em afinação. Peças de teatro. Artistas em cena revelando o talento do autor Antônio Ermírio e de sua inquietude no mover as pessoas pelas lágrimas ou pelo riso na construção de um país melhor. Seu intento era esse. Fazer! Aproveitar o dia, aproveitar a vida para deixar um perfume novo em ambientes malcheirosos pelo egoísmo, ausência de amor. Amou os seus. Sua mulher, Maria Regina, seus nove filhos, seus netos e bisnetos. Que linda família! Soube educá-los para a vida e para o exercício do respeito. Nada de exibicionismos. Nada de exageros. Deu certo. Apesar da dor de enterrar dois filhos, a imagem dos seus familiares atesta uma educação correta. Ouvi de sua mulher no velório: “Agora, ele está com os dois filhos, e eu, com os outros. Um dia, estaremos todos juntos”. Essa é a fé que nos alimenta. A saudade é parte de nossa condição humana. Somos caminhantes. E não sabemos o dia da despedida. A experiência do mistério nos desafia. Por isso, pensar na morte é um alimento para a vida. Fortalecemos a nossa jornada quando tomamos consciência de nossa finitude. Somos pó e ao pó voltaremos. Assim nos ensinaram. Mas somos mais do que pó. Somos amor. E é o amor que nos identifica. E é o amar que justifica nossa existência. Precisamos de referenciais. Os exemplos nos elevam. Antônio Ermírio de Moraes é um referencial. Aprendamos com ele esses valores tão estranhamente escassos: a decência, o respeito, a honestidade, o trabalho, a simplicidade, a generosidade. É isso. A saudade é amenizada pela certeza de uma vida que modificou e que deu significado a milhares e milhares de vidas. De um incansável trabalhador na arte de produzir riquezas e de edificar gentes. Um homem bom!

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 27/08/2014

Entre livros e sonhos

Escrever é um ofício que me realiza. Não consigo imaginar um mundo sem palavras. São elas que se lançam para dar significado ao que sentimos. Pontes encantadas. E, quando necessário, muros. Sem agressividade. Mas com palavras certas.

Poetizamos pela palavra. Criamos personagens, inventamos situações, tecemos argumentos pela palavra. Gosto de escrever. E escrevo como profissão de fé na pessoa humana. Reescrever dá um pouco mais de trabalho. As rasuras nos lembram de que vamos corrigindo. De que a palavra talvez possa ser outra. De que os tempos fugidios exigem novos olhares.

Revisei quatro livros que serão lançados na Bienal: “Famílias que educam”, “A escola dos nossos sonhos”, “Semeadores da esperança” e “Aprendendo com os aprendizes”. Já faz algum tempo que os escrevi. Tratam da minha outra paixão, além da escrita: o nobre exercício do educar. Os livros falam de família, de escola, de professores e de alunos. Dos espaços sagrados em que nos deparamos com o exercício diário da generosidade. A convivência ganha significado na troca. Aprendemos, ensinamos, tornamo-nos cúmplices da boa nova, que é a educação. Formamos para o hoje e para todos os outros dias. Com exemplos e com textos. Mas, acima de tudo, com a convicção de que o que fazemos tem uma razão de ser.

Na Bienal, muitas outras palavras estarão aguardando os visitantes. Conversas com autores, autógrafos. Aproveito para convidar todos os leitores deste jornal para o lançamento dos meus livros no sábado, dia 30 de agosto, às 14h30, no estande da Editora Cortez, e para se deixarem seduzir por este universo de letras, de palavras, de pessoas.

Ao terminar a revisão desses livros, fiquei refletindo sobre quantas revisões devemos fazer sobre nossas escolhas. Que bom que a vida nos dá outras oportunidades.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 22/08/2014