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Amanhã, é dia da Pátria

Amanhã, é dia 7 de setembro. Dia da pátria. Dia da independência. Dia da liberdade. E o que mais? E por que amanhã? A resposta rápida é porque, em 1822, Dom Pedro I proclamou nossa Independência. E isso merece comemoração. Mas insistamos um pouco mais: por que amanhã? Amanhã, eu começo a me esforçar para ser livre. Amanhã, eu vou parar de mentir. Amanhã, eu vou fazer o que já decidi: mudar de vida, mudar de humor, mudar de atitude, mudar qualquer coisa que hoje me incomoda. Mas o incômodo não é hoje? Por que esperar amanhã?

Que pátria queremos? A que abraça todos os seus filhos ou a que privilegia alguns? A que reduz as desigualdades ou a que deixa para amanhã a edificação de um país mais justo? A que combate todas as formas de discriminação ou a que não enxerga uma parte dos seus negligenciando ajuda aos que mais precisam? A pátria dos perversos ou dos cordiais? Amanhã, é o dia de uma boa lembrança de um dia importante de nossa história. Mas o hoje existe. E é no hoje que devemos fazer o que deve ser feito para que a “casa” onde nascemos seja a pátria que sonhamos.

 

Sonhamos quando? Ontem ou hoje? Quais foram os sonhos que embalaram os nossos dias de preparação para o hoje? O que aprendemos nas escolas em que frequentamos? Somos “um povo heroico” capaz de um “brado retumbante”?

Nos meus tempos de escola, quando ainda não havia decorado o Hino Nacional, criei uma forma de não confundir a primeira com a segunda parte. A confusão vinha depois de “O pátria amada, idolatrada, salve! salve”! Fiz a seguinte relação. Primeiramente, vem o sonho. “Brasil, um sonho intenso…”. Depois vem o amor. “Brasil, de amor eterno…”. Primeiro vem o sonho de uma gente que se prepara para assumir o comando. Depois vem o amor que é o sonho em ação. O amor pela pátria e por todas as pessoas que nela habitam. Conceitualmente, é isso. O amor é responsável, não é excludente, não tem preconceito, não desiste de ninguém. É livre. E nasce de algum sonho bom. E, sem sonho, é difícil que o amor venha. É o sonho que alimenta o amor. O amor pelo amado, amada ou por um tema. A pátria.

Amanhã, é o dia da pátria. Mas hoje também. Amanhã, é apenas uma comemoração. Hoje, é ação. É sonho que se faz amor quando não nos acomodamos à espera de um amanhã. O amanhã existe, e essa certeza nos é muito cara. Saber que o tempo prossegue. Que as paisagens mudam. Que as pessoas amadurecem. Mas, hoje, quero falar do hoje. A pátria que queremos depende dos que estão no comando dos poderes constituídos, mas depende, também, dos comandantes das próprias vidas. Vidas que se somam; afinal, estamos falando de pátria. Pátria é coletivo. É somatório de forças individuais em busca do bem comum. Isso é também a ética. E a ética não é obrigação apenas dos que têm alguma visibilidade. A ética é barro que nos molda no cotidiano de nossas construções. Vamos nos fazendo dia a dia. E nos refazendo quando necessário. É desse barro que nascem os políticos, os magistrados, os pensadores. Não caem de outro planeta. Nascem das gentes. Da nossa gente. É por isso que temos que nos educar. Hoje. Não apenas amanhã. É hoje o dia de optarmos pela verdade, pelo correto, pelo decente, pelo digno, pelo amoroso. É hoje que temos de decidir pela coerência. Cobrar do outro quando erra e esconder o nosso erro em algum canto é não compreender o canto coletivo do hino que diz: “E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante”. O instante da liberdade é amanhã? Também. Mas é hoje. É hoje que, para sermos livres, temos de ser verdadeiros. A hipocrisia é uma praga que destrói as pátrias. A incoerência também. Cobremos a honestidade, temos esse direito. Sejamos honestos, temos esse dever. Hoje.

Diante de tantos pessimismos, não nos iludamos, não será fácil combater o erro e prosseguir. Não há ingenuidade em falar de sonho e de amor. Há esperança. Não do verbo “esperar”, mas esperançar. Esperar fica para amanhã. Esperançar é hoje. É agora. Quando temos forças para corrigir rotas e comandar a embarcação da qual todos nós fazemos parte. E temos o direito e o dever de sermos protagonistas. Cada qual em sua posição. Fazendo o que precisa ser feito todo dia. Das pequenas rotinas às grandes decisões. É assim que se constrói uma pátria – território e povo – espaço e valentia.

 Sejamos valentes para que nosso brado retumbe de fato. Não pela altura da voz, pelo grito, mas pelo som contagiante de quem sonha e ama, de quem é justo, enfim. Comemoremos amanhã, façamos hoje e amanhã e depois de amanhã o que precisa ser feito para que a pátria seja nossa. Livremente nossa. De todos os que aqui têm o privilégio de viver. Conviver. Brasil!

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 06/09/2015

Sobre o sorriso

Em visita ao Hospital A.C. Camargo, vi e senti, mais uma vez, o significado do verbo “cuidar”. Médicos, professores, funcionários, voluntários. Gente que entrega a vida a cuidar de gente. Ali, vivem, nas crianças, as dores da doença e os sonhos de vencê-la. O hospital dedica-se à pesquisa, à ciência e ao que há de mais sofisticado para salvar vidas. Os atendimentos impressionam em número e em qualidade. Conversei com alguns pais e vi a gratidão deles a essa gente que cuida e cuida bem de seus filhos. Os professores que ali trabalham tem um perfil todo especial. As aulas ocorrem nas salas ou nos quartos ou onde for necessário para roubar o sorriso de uma criança e ajudá-la a exercer a criatividade, a inteligência, nessa fase difícil. Brincam. Ensinam. Animam o ambiente. E fazem daquele espaço o altar do seu ofício.

 

Ser professor é irradiar vida mesmo em vidas abaladas por circunstâncias alheias à nossa vontade. Alguns estão lá há muito tempo. Há outros que chegam e precisam entender as especificidades do lugar. Confidenciou-me D.Genoveva, antiga voluntária do A.C. Camargo, que, ao entrar certa feita numa sala, viu uma jovem emburrada. Quis saber quem era, qual o seu problema. A moça respondeu que não havia problema algum e que era a nova professora. Então, D.Genoveva explicou: “Seja bem-vinda, minha filha. Mas, aqui, você tem que sorrir”. E deu as razões. Aprofundou-se no tema da vida. Algumas vidas se despedem ali. Outras são recuperadas para seguir. A medicina evoluiu muito e o potencial de crianças curadas é enorme. Mas, nessa fase da travessia, precisam elas de pessoas de fibra e capazes de sorrir.

Saí do hospital sorrindo e pensando no ensinamento daquela senhora. Algumas histórias me fizeram chorar. Um dia, vou partilhá-las. Fazem bem à nossa vida. Nossos problemas ficam menores. Crianças lindas aquelas. Fizeram minha caricatura. Escreveram sobre meus livros. Guardarei para sempre. Além dos presentes, ganhei ensinamentos. “Aqui, você tem que sorrir”.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 04/09/2015

Amores partidos

Uma mulher escreveu para o meu programa de TV, na Rede Vida, falando sobre sua decisão de partir. Contou, com dignidade, sua história de amor e de recomeço. “Fiz tudo pelo meu namorado. Tudo. Vivi por ele. Cuidei dele. Imaginei um mundo lindo ao lado dele. Até a velhice. Mas acabou. A pedra que ele me atirou ainda dói. Mas sou decidida. Acabou, acabou!”. Esse é um trecho de uma longa narrativa. 

 Lembrei-me da antiga canção, composta por Herivelto Martins e David Nasser, que diz “Atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem”. Pedras machucam. As reais e as imaginárias. Pedras causam perdas. Perdas nos tiram o que gostaríamos de ter. Pessoas. Momentos. Vida. Gosto de encontrar gente decidida. Mesmo na dor.

 

Histórias de amor chegam ao fim por várias circunstâncias. Morre-se um pouco quando morre a amada ou o amado. Despede-se do corpo sem vida que tanta vida trouxe. Vida que ganhou sabor, vida que reencontrou o significado por um amor. O luto é incomodativo. Entretanto, é definitivo. Cessam-se as possibilidades. E segue-se a vida. O tempo ajuda. A dor lancinante do amado que enterrou seu amor transforma-se em saudade, lembrança boa de tempos, de canções, de enternecimentos. Findam-se as histórias por outras razões, como a da mulher que me escreveu. O amado não foi capaz de respeitá-la, não soube valorizar os dias gastos, voluntariamente, em nome do amor. E atirou a pedra. E quebrou o telhado. E feriu, sem sobre isso antes refletir, quem não desperdiçou os momentos em atenção. Desatenção, teve ele. O tempo lhe ensinou alguma coisa. Tentou voltar. Manso. No lugar das pedras, as flores. Por que não as trouxe antes? Por que não romantizou os momentos enquanto estavam juntos? Por que brincou de conquistador compulsivo, necessitado de informar aos outros os feitos heroicos de macho? 

 E ela, no início, não acreditou. Esperou confirmação. Sofreu as notícias ditas por estranhos. Sim. Porque o íntimo era ele. O que recebia o seu devotado amor. Pensou ela em segui-lo. Não o fez. Teve dignidade. Por outros caminhos, reconheceu suas mentiras. É uma mulher, diz o texto, cultora da verdade. Vê a mentira como o lodo imundo da humanidade. Aprendeu a ser verdade. Decidiu seguir a aprendizagem. E isso lhe deu seguranças para decidir partir. Mesmo que partida. Mesmo que o amor não tenha dito a ele quanto tempo ainda há de permanecer remoendo seus sentidos. Não deixamos de pensar em alguém quando decidimos. Paciência. Não é a primeira nem será a última pessoa a sofrer de amor. Um dia, ela há de abrir as janelas, respirar fundo, e perceber que os incômodos da paixão indevida se foram. E aí a vida recomeça.

E é assim com todo mundo. Melhor isso do que não amar. Melhor a dor de uma paixão não correspondida ou a ferida de um amor que se foi do que a triste constatação de que as portas para o amor foram trancadas desde sempre. E a chave não está disponível para abri-la.

Vinicius de Moraes, o poeta que amou por decisão de vida, crê em uma eternidade no tempo do amor:

 

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

(Soneto da Fidelidade)

 

A mulher que me escreveu inspirou-se nesse texto. Amanhã, ela estará melhor, certamente. E um outro amor haverá de fazer sua morada em uma casa já limpa, preparada para receber.

 

Atiraste uma pedra

No peito de quem

Só te fez tanto bem

E quebraste um telhado

Perdeste um abrigo

Feriste um amigo

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 30/08/2015

O sabor da Chef

Fui ao restaurante Tordesilhas no início desta semana. Comida maravilhosa. Brasileira. Gostos e temperos que valorizam a riqueza de nossa terra. Tudo muito caprichado. Atendimento carinhoso, gentil. A decoração é criativa. E há, na parede, um texto que fala sobre os 10 mandamentos da cozinha brasileira. O mandamento derradeiro e universal é este: bom apetite! Porque o mal nunca entra pela boca, o mal é o que sai da boca do homem.

Enquanto comia, pensava no que lia. E partilhava com os meus amigos. Como é bom almoçar com amigos. E prosear. E agradecer o privilégio dos sabores que nos alimentam. E celebrar a vida. No cotidiano. Nas ações que fazemos com que sejam especiais. Falamos sobre os dizeres. A inspiração está no Evangelho. O problema é o que sai de nossa boca. É a força do que falamos. É o estrago que somos capazes de causar aos outros. Por quê? Por que nos interessarmos tanto pela vida dos outros? Se fosse o interesse generoso da partilha, da ajuda amiga, da compreensão de que é melhor caminharmos juntos, seria bom. Mas não é. Estragamos a vida dos outros com o que sai da nossa boca. Desnecessariamente.

Quando já nos preparávamos para sair, encontramos a chef Mara Salles. Que mulher incrível! Falamos do sabor de sua comida. Ela agradeceu e começou a conversar sobre outros sabores. Sobre projetos sociais. De inclusão. De acolhimento de pessoas que, por alguma razão, ficaram à margem. O prazer de cozinhar talvez seja um bom aliado para recuperá-los para a vida. Sorria, enquanto dizia do sabor de viver, de fazer o que gosta, e de ajudar as pessoas. A prosa foi breve, mas revigorante. Saímos dizendo que nem tudo o que sai da boca do homem prejudica o homem. Há palavras de esperança. Há textos que narram contextos de gente que faz o bem. Almoço bom aquele. Depois do sabor da boa comida brasileira, o prazer de ouvir uma brasileira que não desiste de fazer o bem. E bem feito.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 28/08/2015

O prazer de ser justo

A injustiça é dolorosa. Saber que o incorreto venceu, que o mentiroso obteve êxito, que o demagogo convenceu, que o perverso ganhou espaço não é agradável. É até desestimulante. E na vida, infelizmente, esses maldizeres rasuram nosso texto.

Quando ficamos sabendo que uma injustiça foi cometida contra alguém, deveríamos ter a compaixão e a razão necessárias para nos sentirmos, também, injustiçados. A injustiça vai além do individual. Ela é do todo. Da vida em sociedade. É como uma parte do corpo que dói – todo o corpo sofre. A justiça também. Como é bom saber que o resultado de um julgamento devolveu o que alguém, injustamente, tomou de uma pessoa. Quando a mentira é, enfim, desmascarada, e a face da verdade está ainda intacta. É assim na vida. É assim na arte.

 Assisti ao belo filme de Simon Curtis, “A Dama Dourada”, e saí com a feliz sensação que a justiça é capaz de provocar. A história é incrível. Uma mulher austríaca que teve sua vida arrasada pelo governo nazista resolve ingressar com uma ação contra o governo reivindicando seus direitos sobre alguns quadros de Gustav Klimt. Um deles retrata a sua tia, Adele. A linda Adele. Obra que ficou conhecida como “A Dama Dourada”.

Quando Maria Altmann (Helen Mirren) inicia sua saga contra o governo austríaco, ela conta com a ajuda de um advogado, Randol Schönberg (Ryan Reynolds), que é neto do renomado compositor austríaco Arnold Schönberg. A tarefa parece inglória. As portas se fecham já que o quadro é considerado uma espécie de Monalisa da Áustria. Nas lembranças de Maria Altmann, o horror da invasão nazista e a tristeza de ver os seus compatriotas recebendo, festivamente, o exército de Hitler. O que justificava tamanha euforia se sabiam que cidadãos como eles estavam sendo arruinados? A lembrança da partida quando teve de abandonar os pais. Da chegada aos Estados Unidos. Do que ficou e do que era preciso fazer ficar. 

 Quantos morreram nos campos de concentração? Quantas famílias foram dizimadas, histórias roubadas, mortes antecipadas por causa do horror da construção de uma raça pura. Pura é a raça que tem compaixão, que tem senso de justiça, que compreende a dor do outro e faz de tudo para amenizá-la. Pura é a raça que não mente, que não compartilha da injustiça por nenhuma razão. A razão correta é ser justo.

A batalha parece perdida algumas vezes no filme. Mas são persistentes os seus protagonistas. Têm uma causa. Têm uma razão de viver. O que ficou perdido no passado não poderá ser reencontrado, mas há meios de devolver a paz que a intranquilidade dos injustos roubou. É isto, afinal, a justiça, a busca da harmonia, da razão correta, da pacificação social. É o impedimento da ganância, dos abusos, dos exageros que fazem com que não haja medida para se ter o que se quer.

O que Hitler queria? Ser um deus dos viventes? Decidir quem tem o direito de viver ou de morrer? Limpar o mundo do que ele julgava sujo? Sujo é quem não se percebe membro de uma mesma humanidade. Quem se descuida dos seus. E de si próprio. Ninguém abraça a si mesmo. É preciso conviver. E, convivendo, aprender a ser justo.

O desfecho é bom. Altmann consegue o que sonhou. A justiça venceu. No cinema em que eu estava, algumas pessoas aplaudiram. Aplausos à justiça. Mas é preciso ter cuidado. Nem tudo o que parece justo o é. Há muita sujeira impedindo que vejamos a linda face da justiça. Como saber? Como encontrar? Como revelar a justiça?

Perguntas, é bom que existam. Respostas, é melhor alguma prudência para alcançá-las. O bom é prosseguir. Celebrando a escolha limpa de quem tem uma razão para viver. A justa razão.

O filme é bom. Mas a vida é ainda melhor. Desde que saibamos o que viemos aqui fazer. E não consintamos que nos desviem do alvo certo. Dizia Aristóteles que o arqueiro erra de muitas maneiras e só acerta de uma. Dá trabalho. Mas dá um enorme prazer saber que acertamos. Que a decisão foi justa. Que a verdade libertou. Que o convencimento nasceu de uma profunda reflexão. E que o perverso não prevaleceu sobre o generoso.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/08/2015

A medida do amor

A medida do amor é amar sem medida. O que queria Santo Agostinho com essa assertiva? Amar sem medida? O que é uma medida? O amor pode ser medido? Pode-se medir o amor de uma mãe que, generosa, faz da vida dos filhos a própria vida? Que, em noites indormidas, acalenta a dor dos seus rebentos? Que se multiplica para atender a avidez por respostas dos filhos inquietos? Pode-se medir o amor de um religioso que faz de sua vida uma entrega a Deus e ao seu próximo? Que repete o ensinamento de Madre Teresa de Calcutá, a peregrina do amor, que dizia que quem julga  as pessoas não tem tempo para amá-las? Pode-se medir o amor de um cidadão comprometido com a geração que virá depois e que, por isso, cuida da Casa Comum que é o planeta em que vivemos? Pode-se medir o amor de uma mulher ou de um homem apaixonado que resolve dividir o que tem, o que sabe, o que sonha com outro alguém que chegou por alguma razão que nem a razão imagina e que permaneceu? Renúncias e encontros. Amargores e sabores. Caminhadas apedregulhadas de surpresas. Mas juntos. Juntos por uma decisão de não medir o amor. O poeta Drummond nos ajuda a compreender as “Sem-razões do amor”: Eu te amo porque te amo, /Não precisas ser amante,/ e nem sempre sabes sê-lo./ Eu te amo porque te amo./ Amor é estado de graça e com amor não se paga.

Amigos também amam. Professores também. Médicos. Juízes. Atores e atrizes, senhores das emoções. Amam os que se põem a conhecer melhor os outros. Porque quem não conhece não é capaz de amar. E quem conhece, verdadeiramente, ama. Ama inclusive as imperfeições. Ama como resistência ao que é descartável ou medido. Não se mede o amor. Nem o descarta. Senão não é amor. Não é amar.

Sábio Santo Agostinho que, ainda sobre o amor, dizia: “ama e faz o quiseres”. Primeiramente, ame. O que virá depois não há como não ser bom, pois “Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.”

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/08/2015

Os 200 anos de Dom Bosco

João Bosco nasceu em 16 de agosto de 1815. Hoje, comemora-se seu bicentenário. O Papa João Paulo II, no centenário de sua morte, proclamou-o “Pai e Mestre da Juventude”. Sua história explica as razões.

Órfão de pai aos 2 anos de idade, foi sua mãe, Margarida, analfabeta como o pai,  a sua mestra inspiradora. Se lhe faltava a cultura dos livros, sobravam-lhe bondade e fé. O pequeno João trabalhou como sapateiro, ferreiro, carpinteiro. Caminhava, diariamente, 20 quilômetros para chegar à escola. Não poucas vezes ia de pés descalços, para economizar calçados. Mas não reclamava. Sempre cultivou a alegria como um valor fundamental da vida.

 

Aos 9 anos, teve um sonho. Nesse sonho, via alguns jovens brincando alegres, dançando, partilhando a amizade, e outros brigando. Ele se dirige aos que estão brigando e pede que parem de se agredir. Como não é atendido, resolve se impor, batendo nos jovens. Em meio às brigas, um homem surge e diz a ele: ”Não será com pancadas que transformarás esses jovens em amigos. Trata-os com bondade! Mostra-lhes quão bela é a virtude e quão desprezível é o vício.”

Esse sonho nunca foi esquecido por Dom Bosco. Quando manifestou seu desejo de ser padre, assim explicou: “Quando crescer, quero ser padre para cuidar dos meninos. Todo menino é bom; se há meninos maus, é porque não há quem cuide deles”. 

Dom Bosco acreditava profundamente nisso. Não há como imaginar que Deus tenha feito alguns para serem bons e outros para serem maus. Tudo é uma questão do cuidar. Dizia ainda: “Em todo jovem, mesmo no mais infeliz, há um ponto acessível ao bem, e a primeira obrigação do educador é buscar esse ponto, essa corda sensível do coração e tirar bom proveito”. Ele dizia e vivia esses conceitos. Toda a sua vida foi dedicada a esse sonho de cuidar dos jovens, principalmente daqueles que ninguém queria cuidar.

 Certa vez, um sacristão pede a um menino que estava na Igreja que o ajude na missa. Quando fica sabendo que o menino não sabia o que fazer, resolve expulsá-lo. Dom Bosco acolhe o jovem e explica ao sacristão que ele era seu amigo. Conversa com o menino, fica sabendo seu nome, que não tinha pai nem mãe, que não sabia escrever. E o convida para vir toda semana e que traga outros jovens. Assim começa a sua obra. Em pouco tempo, eram 200. Depois 400. Eram expulsos de onde moravam. Tinham que buscar outros espaços. A cidade se dividia. Os que o apoiavam achavam que apenas ele poderia controlar esses pequenos bandidos, os que o criticavam diziam que, um dia, tudo fugiria ao controle. Alguns achavam que Dom Bosco era louco. Padres conhecidos seus quiseram interná-lo em um hospício. Mas ele persistia, acreditando no sonho primeiro e sentindo a proteção de Nossa Senhora Auxiliadora.

Sua obra, os salesianos, está espalhada em todos os cantos da terra. Tive a honra de ser um aluno salesiano no Colégio São Joaquim, em Lorena, e depois na Faculdade de Filosofia. Fui professor, nesse mesmo colégio e no Colégio Santa Teresa, das freiras salesianas. Bebi dessa fonte que acredita na bondade humana e que se ocupa de educar os jovens sem medo de amá-los.

Dom Bosco criou um sistema em que educava pela razão, pelo coração e pela religião. A razão é o ofício que ajuda crianças e jovens a discernir, a conhecer, a produzir, a construir a própria história. O coração cuida dos laços que nos ligam uns aos outros, das emoções, da confiança em seguir adiante, enfrentando os medos. E a religião dá significado à existência – o elo de amor com o Amor maior que nos criou para a bondade.

Antes de estudar com os salesianos, fui aluno de uma escola pública em Cachoeira Paulista. Ali, inspirado pelas minhas primeiras professoras, nascia o desejo de ensinar. E, depois, com os salesianos, fui compreendendo a beleza de educar com afeto, com vínculo. Na PUC, conheci Paulo Freire que também pregava a boniteza da vida em uma educação que não tinha medo em ser amorosa.

Dom Bosco morreu em Turim, no ano de 1888, aos 72 anos de idade, mas sua obra permanece. Seus dizeres alimentam de esperança milhares de jovens que, nos colégios e nas obras sociais, são convidados a revelar o seu melhor. Reler os seus ensinamentos e perceber a atualidade dos seus sonhos ajudam a construir uma pedagogia absolutamente correta. Não há como educar sem vínculo, não há como estabelecer uma relação de ensino e aprendizagem sem compromisso. É preciso gostar de estar com os jovens. É preciso compreender que a rebeldia, a inquietude, os sonhos são aliados de uma educação para a autonomia, a liberdade. Não fomos criados em série. Somos singulares. E o educador precisa levar isso em consideração. Educar será sempre um desafio, será sempre trabalhoso, será sempre uma ação que carece do simbólico. É preciso ir além, suplantando os que nos têm como loucos, por acreditarmos tanto no ser humano e por decidirmos não desistir de ninguém nem de quem nos dá muito trabalho ou de quem ninguém quer cuidar.

Há mulheres e homens que nos inspiram a prosseguir, Dom Bosco é um deles e para nós, educadores, uma luz resistente, nascida há 200 anos. Luz que iluminou e ilumina por ter a energia de saber que “Deus nos colocou no mundo para os outros”.

 


Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 16/08/2015

Quem deve se envergonhar?

“Tenho vergonha de confessar que meu marido bate em mim”, disse-me uma mulher. “Vergonha do meu casamento fracassado. Vergonha de criar justificativas para as marcas que ele deixa no meu rosto e no meu corpo”.

Palavras fortes de um forte calvário. Vergonha, fracasso, violência. Será que é ela quem deve se envergonhar? Por que é tão difícil denunciar um companheiro?

Continuei ouvindo-a. Há duas crianças no enredo. O desfecho, diz ela, não é tão simples. Não quer que os filhos tenham um pai preso. Não quer que saibam do que ele é capaz, embora desconfiem. Certamente sabem, pensei eu. Sabem e também se incomodam, mas são muito pequenos para agir. Tentou conversar com a sogra que disse que também apanhou e que, agora, o marido já idoso não encosta mais nela. Aconselhou-a a ter paciência, um dia, ele também deixaria de agredi-la. Perguntei se gostaria de passar a vida apanhando à espera do envelhecimento. Ela chorou. Disse que fez promessas. Que orou. E que não adiantava. Falamos sobre oração e sobre ação humana. Difícil invadir o outro e decidir por ele. Mas impossível ficar passivo diante de um ato covarde, criminoso. Entre convicções e dúvidas, ora parecia decidida, ora apequenada em carências. Foi textual sua colocação: “Ele bate em mim, mas pelo menos me toca”. E prosseguiu falando de conhecidas que foram abandonadas por maridos que sequer as tocavam. Contei histórias de despedidas antecipadas, de mulheres assassinadas pelos companheiros, de vidas reduzidas a nada. E ainda há os filhos. Filhos do medo ou da esperança?

Essa é uma entre tantas mulheres que demoram a tomar consciência de que nenhum homem tem o direito de humilhá-las, agredi-las, violentá-las. Algumas decisões são dolorosas, mas as dores são necessárias à vida que virá depois. É assim no parto. E nos tumores que precisam ser arrancados para evitar a morte. Paciência tem limite. Vida também. Por isso, não se pode desperdiçá-la com quem não a dignifica.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 14/08/2015

 

Gostar de viver

Conheci Içami Tiba apresentado pelo seu filho André, meu aluno na PUC. Foi um almoço agradável. Falamos de temas recorrentes no complexo universo da educação. Tiba teve uma formação sólida. Era um cientista respeitado na universidade. Médico, formado pela USP, especializou-se em psiquiatria no Hospital das Clínicas-SP, onde foi professor.  Mas tinha  a preocupação de escrever e falar com simplicidade o que realmente importava nas relações humanas. Nesse almoço, falamos do texto que estudávamos em classe: “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles. Nicômaco era filho do filósofo e ganhou do pai um tratado sobre o “bem-viver”, “a ética”, “a felicidade”. Na obra, Aristóteles disserta sobre o conceito do “bem” e a importância da educação para que se encontre a aspiração da vida. A razão e a emoção compõem a tessitura que nos forma no dia a dia. O hábito nos molda. Aprendemos a tocar cítara tocando cítara. Aprendemos a ser honestos sendo honestos. Quantos séculos se passaram e continuamos desafiados a educar para o bem. A buscar o equilíbrio entre o “sim” e o “não”. Tiba insistia na tese de que é muito mais difícil, aos pais,  dizer “não” do que “sim”. Os filhos expressam os mais tenros olhares em busca do “sim”. Mas o “não” é essencial. Ouvir “não” é um aprendizado para toda a vida. Em muitos momentos, fará toda diferença dizermos “não”. “Não” ao que violenta a nós mesmos e ao outro. “Não” à mentira, mesmo a que nos leva a patamares superiores na escala do aplauso social. “Não” aos excessos, aos nossos rumores inquietos e a muitos de nossos desejos que podem nos roubar ou nos desviar das escolhas corretas rumo à nossa aspiração de vida.

A vida nos proporcionou muitos outros encontros em tantos eventos de educação por esse país afora. Tiba tinha um humor inteligente. Era um homem que, decididamente, gostava de viver. Disse-lhe isso, certa vez, e ele sorriu aprovando minha conclusão. “Como não gostar?” E prosseguiu: “Sou apaixonado por minha mulher, tenho um família linda, faço o que gosto e ainda ganho por isso”. Tem razão. Como não gostar de viver?

Tiba viveu ensinando vidas a gostarem da vida. Vidas inspiradoras de vidas. Dizia que não há um manual que organize todas as ações dos pais nas relações com os filhos, seu tema preferido. Há pistas. Há troca de experiências. Há caminhar juntos em um tema que não se esgota, em um mundo em que a mudança não se esgota. Cada tempo tem sua dificuldade e seu sabor. Os educadores, de hoje, debruçam-se sobre as novidades incorporadas ao cotidiano: novas formações familiares, novos mecanismos de acesso às informações, novas formas de relacionamento. Incorporar esse repertório nos ajuda a continuar a fremente aventura de curiosidade tão essencial a quem educa

Fui ao velório de Içami Tiba prestar minha homenagem. Abracei sua mulher que, entre lágrimas de saudade, confidenciou-me: “O que me conforta é saber que ele conseguiu o que sempre sonhou: contribuiu para melhorar o mundo”. Cada ser humano é um mundo de possibilidades. E nós, educadores, não podemos descansar enquanto não abrirmos as janelas do futuro a todos para que cada um desenvolva seu talento. O que propicia o protagonismo de alguns não é o fato de terem mais ou menos inteligência, tese ultrapassada; é o de terem mais ou menos possibilidades de desenvolvimento dessas inteligências. Afinal, se gostamos de viver, gostamos dos que vivem conosco e, como dizia o mestre, “quem ama educa”. Para o bem, para a felicidade. 

(Publicado na Folha de São Paulo, em 12/08/2015) 

 

 

 

A ternura de meu pai

Meu pai era um homem terno. Gostaria de estar com ele. Gostaria de ter tido o poder de prolongar o tempo. O tempo das prosas de tantos entardeceres. Juntos. Infância regada a exemplos. Gentileza natural nascida na crença de que o outro merece sempre o nosso melhor.

Calvários doloridos os de meu pai. Foi preso, injustamente, na época da ditadura Vargas. Trabalhou com afinco. Primeiramente, para ajudar os pais. Limpou escolas, plantou em hortas, vendeu na feira, trabalhou no comércio, virou comerciante, empresário, construtor. Não teve oportunidade de estudar. Estudou, entretanto, a alma humana, com tamanha delicadeza e paciência que se formou mestre na área complexa de compreender que o outro merece ser respeitado. 

Sofreu meu pai pela morte de dois filhos. Chorou a inversão da lógica. Um morreu aos 21 anos, acidente de carro. O outro de complicações no pulmão, aos 33. Tinha síndrome de Down. Era o centro da casa. Alegria contagiante de quem não tem economia em expressar os sentimentos.

Era profundamente religioso. Gostava do sagrado. Das celebrações eucarísticas. Da comunhão com os seus irmãos. Da reza silenciosa em sua cadeira de balanço. Esta é uma das lembranças mais lindas que tenho dele. Rezando. E eu, cheio da curiosidade de criança, queria saber o que ele pedia a Deus, em oração. Ele fazia segredos, sorria, dizia que eu fizesse o mesmo e que deixasse meu coração ir dizendo, apenas isso. “Deus escuta o nosso coração”, dizia-me ele, com um sorriso generoso. O coração é a metáfora do que se sente. De onde dói. Do que faz bem. Dos sonhos que servem de combustível para prosseguir.

Meu pai era um homem bom. Soube partilhar o seu dinheiro. Dizia que Deus fizera dele um velhinho rico e que era preciso cuidar dos velhinhos que não tiveram a mesma sorte. Ainda hoje, na minha amada terra natal, Cachoeira Paulista, há o Asilo dos Vicentinos que ele construiu.

Meu pai era um homem trabalhador. Com o tempo, comprou um sítio e, ali, plantava café. Gostava da terra. De plantar e de colher. Um dia me confidenciou que pedia a Deus que não o deixasse em uma cama enfermo, como seu irmão mais velho. Era triste demais viver sem trabalhar. E que queria morrer trabalhando. E, assim, ele foi. Depois de um casamento. Depois de uma festa. A partida. Dolorosa partida. Rápida como ele queria. Difícil para os que dele se alimentavam de sua ternura.

Falo de meu pai como exemplo de um amor que nos molda. Cada um tem sua história afetiva com seus próprios pais. Alguns sofreram mais com pais violentos ou ausentes ou, estranhamente, pouco amorosos. O amor é elo sem o qual a engrenagem familiar não funciona. Mas mesmo os que lamentam os erros dos pais, em algum momento, podem mergulhar nos seus acertos. Ninguém erra ou acerta o tempo todo. Conheço filhos que lastimam, o tempo todo, os erros dos pais. Que contam histórias de alcoolismo e de exemplos desagradáveis. Mas e os afetos?  E os bons momentos que, não raro, ocorreram? A memória não pode abandoná-los. Até mesmo o sentimento de falta do pai, no dia de hoje, que muitos devem estar sentindo, é um indício de que há o desejo de que, ao menos, “aquele momento” estivesse ainda presente. 

No dia dos pais, símbolo que nos ajuda a refletir, valem alguns dizeres aos pais que estão por perto. Se falta dinheiro para o presente, vale a presença de palavras que agradecem, que celebram, que reconhecem. Vale a presença de gestos de amor. Se eu pudesse, abraçaria longamente, meu pai, neste dia. Se eu pudesse deitaria em seu colo e brincaria com ele para ver qual das mãos é a maior: a dele ou a minha. Ele tinha mãos grandes. E eu dizia que, um dia, as minhas seriam maiores que as dele. E brincávamos de medi-las. Ele sempre ganhava. Na época de sua morte, repetimos emocionados “nossa” brincadeira e eu lhe disse que as dele continuavam maiores. Ele piscou, sorriu e disse que, há algum tempo, percebia que eu dobrava um pouco os dedos para que a mão dele continuasse maior. Mas que ele tinha muito orgulho de saber que as minhas mãos eram maiores que as dele. Que, para um pai, isso não era um problema. E que sonhava que eu continuasse crescendo. Nas mãos, no caráter, na vida e nos sonhos de construir um mundo melhor. De ser bom. De ser uma pessoa de bem.

Meu pai compreendia as minhas inquietudes. Ouvia os meus lamentos. Celebrava as minhas conquistas. Pai é assim. Presença que acalma e que alimenta de vida a vida dos seus filhos. Um filho que nega os pais é como árvore sem raiz. Nutrimo-nos do solo que nos gerou e devemos a ele voltar sempre na presença dos nossos pais ou na memória do que eles em nós plantaram.

Tento reproduzir a sua ternura. Sou ainda um aprendiz.

Feliz dia aos pais!

 

Ao meu pai José

Pai querido, é pena que já partiste

És saudade presente

Do tempo que, na minha mente,

Ainda existe

Os teus olhos tão vivos, tua mão, que suave

Conselhos constantes e os gestos marcantes

De quem ensina sem desanimar

Tua voz tão segura e plena de amor

Caminho infinito de quem, qual num rito

Toma cuidado para não deixar dor

Caminhas comigo, em cada momento

Vives ao meu lado em qualquer ação

Orienta meus passos teu ensinamento

Inteligência não vive sem o coração

Tu és simples sapiência, bondade, és motor

Princípios eternos, valores presentes

Prolongam no tempo o belo exemplo

O teu grande valor, sempre sem medida

Valor de oração, de trabalho diário

Suave encanto presente na vida

E teu romantismo : único amor

Exemplo de vida, marcante, constantes

Meu jamais esquecido, poeta sonhador

E teu romantismo : mamãe era rosa

Flor e princesa, único amor

Exemplo de vida, marcante, constante

Meu, jamais esquecido, poeta sonhador

E teu romantismo : mamãe era rosa

Flor e princesa, único amor

Exemplo de vida, marcante, constante

Meu, jamais esquecido, poeta construtor

Pai querido.

 

(Gabriel Chalita)

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 09/08/2015