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Pontualidade: uma questão de respeito

Será que o tempo de algumas pessoas tem mais importância do que o tempo das outras? O que dá a alguém o direito de deixar o outro esperando? 

A pontualidade é uma questão de respeito. Infelizmente, o atrasar está cada vez mais comum. Em casamentos, em eventos, em consultórios médicos ou odontológicos, em reuniões, em jantares, em almoços. Tudo isso é muito deselegante.

Um médico que deixa seu paciente na sala de espera por 2 horas acha que só o seu tempo é importante? O horário não foi marcado? Um dentista, um advogado, um cabeleireiro, também. É claro que pode haver um contratempo. Mas isso tem que ser exceção, não regra. 

Um líder do governo ou de uma empresa que convoca os colaboradores para um evento e se atrasa 1 hora, 2 horas, faz com que os seus auxiliares deixem de trabalhar esse período e fiquem lá à espera de “sua majestade”. Se sabia que iria atrasar, por que não comunicou antes? Ou por que não marcou mais tarde?

Tem gente que convida para um jantar e já diz: “vou marcar às 20h para começar às 21h”. Ora, marque às 21h e comece no horário combinado.

Um simples almoço de amigos. Marca-se um horário no restaurante. Um chega, e o outro se atrasa. O que chegou antes fica olhando no relógio, aguardando um telefonema, um pedido de desculpas, e nada. 

Como é bom ver pessoas que, além de respeitar as outras, são objetivas. Isso faz com que seja mais fácil organizar a vida.

Estou na China, em missão especial, acompanhando o vice-presidente da república, Michel Temer. Estou impressionado com a pontualidade de todas as reuniões, almoços, jantares, eventos. Tudo tem hora para começar e hora para terminar.

Ao elogiar o vice-ministro da educação, ele me respondeu: “isso é uma questão de respeito, de educação”. 

Em tempo, a educação na China é considerada, hoje, a melhor do mundo. E faz pouco tempo. Eles entenderam que um país só se faz gigante quando o seu povo é educado, quando ninguém é deixado para trás.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 8/11/2013

Padre Rosalvino, um construtor de sonhos

Padre Rosalvino celebra 50 anos de vida religiosa e 40 anos de sacerdócio. Sua missão é cuidar de gente. Gente de todas as idades. Gente que enfrenta os mais diversos problemas. Sua obra “Dom Bosco”, de Itaquera, é um marco, um sinal de esperança para a Zona Leste de São Paulo. 

Padre Rosalvino sabe do significado da palavra “cuidar”. Talvez ele tenha bebido na mesma fonte de Quintana que poetizava: “O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você”. 

No andar decidido por suas obras sociais, ele fala, ouve, ensina, aprende, faz-se presente. Nas oficinas profissionalizantes – são muitas e fazem um lindo trabalho –, ele anima pessoas de todas as idades que voltam a sonhar com dias melhores. Na escola de samba, ele se aproxima do ritmo do coração dos que dançam e pulam em busca da alegria. Cuida também dos que caíram, dos que cometeram atos infracionais. Olha com olhar de pai e abre as janelas do futuro para eles. Conversa com as famílias. Orienta. Reza. Todos os anos, organiza uma peregrinação para Aparecida. Vai à casa da Mãe para agradecer. Agradece pelas dores, pelos problemas, pelas lágrimas e agradece pela força que o faz continuar e trabalhar cada vez mais.

Padre Rosalvino é um menino. Um menino salesiano que sorveu de Dom Bosco o amor pelos jovens e a certeza de que nenhum jovem está perdido. É preciso que seja amado, que se sinta amado. É preciso que tenha possibilidades. Que tenha a consciência de que há vida mesmo depois da queda. 

Presenciei muitas cenas marcantes desse homem de Deus tocando na alma das pessoas. É bom conviver com ele. Reanima a nossa crença de que o bem vale a pena. Em um mundo assolado pela perversidade, pelo egoísmo, pela disputa doentia de poder, quem se dedica a “cuidar do jardim” para atrair os que se perderam, ou os que ainda não se encontraram, merece reconhecimento. 

Que sua história sirva de referencial aos outros para que não tenham nem medo nem preguiça de conjugar o verbo amar.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 1/11/2013

Ao mestre, com respeito

Respeito é uma palavra de origem latina, respectus, que significa “olhar outra vez”. Ou seja, algo que seja digno de um segundo olhar merece respeito. Merece consideração, apreço, deferência.

Quem é o mestre? É aquele que professa a crença na pessoa humana e torna-se gerenciador de seus sonhos. É aquele que abre as janelas das possibilidades. É aquele que, ao problematizar, ao instigar, ajuda o aluno a colocar para fora o que tem de melhor.

Nas salas de aula, nos pátios, nas esquinas, onde os encontros acontecem, o mestre dialoga, problematiza, com a paciência e a perspicácia de quem lapida diamantes. E pessoas valem mais do que diamantes. 

Nesta semana, celebramos o dia do professor, dia 15. O dia do mestre. Falar que um país só será verdadeiramente justo, se não desperdiçar os seus talentos, se não deixar nenhuma criança para trás, parece óbvio. Falar que é a educação a política pública que tem o poder de fazer protagonistas, de formar o caráter, de preparar para a vida e para o mercado de trabalho, parece óbvio. Falar que o professor é a alma da educação, porque mais do que de aparatos tecnológicos (que são importantíssimos), os alunos precisam de alma, de cumplicidade, também parece óbvio. Se tudo é tão óbvio, onde está o problema? Na falta de ação. 

Comecemos respeitando os professores. “Olhemos outra vez” para aqueles que, no dia a dia, fazem o milagre da aprendizagem acontecer. Olhemos para sua formação continuada, para seu salário, para sua condição de trabalho. 

Sou professor por convicção, por paixão, por crença na pessoa humana. É nas salas de aula que me realizo. Local sagrado em que aprendo e ensino. Em que partilho vidas e conteúdos, em que construo significados. Aos meus irmãos de ofício, todo o meu respeito. Ensinemos com amor, lutando pelos nossos direitos, mas sem dessacralizar o significado das nossas ações na relação com aqueles que temos a honra de educar. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 18/10/2013

 

O Brasil na feira de Frankfurt

O Brasil é o país homenageado na maior feira literária do mundo. A feira de Frankfurt, na Alemanha, recebe editoras de todas as partes do planeta. Escritores desfilam entre livros. Há lançamentos, palestras. Negócios são firmados. E a palavra é a estrela principal. 

O Brasil foi homenageado em 1994. E, agora, novamente. Tive a honra de estar com os escritores brasileiros, meus irmãos, vivendo a fascinante experiência de conhecer um pouco o que o mundo anda produzindo, em matéria de literatura, e de descobrir o interesse que nós, brasileiros, despertamos nos outros países. O Brasil tem grande potencial. É um continente, que apesar dos numerosos problemas sociais, políticos e estruturais, vem melhorando e vem assumindo o seu papel de destaque diante das outras nações do mundo. Não somos mais apenas o país do futebol e do carnaval, embora essas manifestações também nos enriqueçam. 

Vi com orgulho o ministro das relações exteriores da Alemanha citar Clarice Lispector e Jorge Amado. 

Vi escritores consagrados como Patrícia Melo ser homenageada, pela mesma Alemanha, pelo conjunto de sua obra. Vi Mauricio de Sousa entre livros infantis. Ignácio de Loyola Brandão contando os seus ‘causos’ em tantos encontros entre pessoas e palavras. Vi editores ávidos por traduzir nossos autores. Vi também escritores pouco conhecidos que lutam para produzir os seus trabalhos e fazer com que o mundo possa conhecer suas ideias. Valorosos operários da palavra. Filhos da coragem, e pais da decisão de fazer de escrita um norte de vida.

Temos muito o que fazer pela educação e pela cultura em nosso país. A injustiça social faz com que nossos talentos sejam desperdiçados. Mas, se há muito a criticar e a melhorar, que saibamos também comemorar. E essa conquista vale a pena ser registrada. Entre tantas nações, nós, brasileiros, fomos o centro da maior feira literária do mundo.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/10/2013

A escola de Francisco de Assis

Hoje, dia 4 de outubro, é dia de São Francisco de Assis.

A melhor forma de lembrar Francisco é matricular-se em sua escola. Na escola do “noivo da dona pobreza”, não há ninguém que seja superior ao outro, por nenhuma razão. Todos devem ser tratados como irmãos. Aliás, além das mulheres e dos homens, Francisco cuidava dos animais com imensa ternura.

Na escola de Francisco, a natureza tem espaço privilegiado. Foi ele, talvez, o primeiro a defender o meio ambiente. Irmã lua, irmão sol, irmã natureza, irmãos rios. Eram irmãos todos os espaços criados por Deus para que pudéssemos ser felizes.

Na escola de Francisco, a felicidade é um dom e uma conquista. É feliz aquele que compreende a lição do amor. E, na lição do amor, residem outras tantas lições: perdão, união, fé, verdade, esperança, alegria, luz. “Onde há amor e sabedoria, não tem temor e nem ignorância.” 

O jovem de Assis nos ilumina para mostrar a nobreza do servir. “É dando que se recebe”, é partilhando que se compreende o valor da convivência, é estendendo a mão que a caminhada fica mais bonita.

Em um mundo habitado pelo egoísmo, pela arrogância e pela perversidade, Francisco nos desconcerta com sua sinfonia do amor. Parece sonho. Talvez seja. Talvez não. Mas quem se matricular na escola de Francisco, certamente, vai viver a experiência da alegria cotidiana. É na simplicidade dos encontros com nossos irmãos que nos encontramos. É na grandeza do serviço que compreendemos a razão pela qual nascemos. “A cortesia é irmã da caridade, que apaga o ódio e fomenta o amor”. 

Fazer o bem independe da religião que se pratica. Fazer o bem é nossa maior vocação. Fazer o bem é o nosso passaporte para a felicidade.  

4 de outubro, fica o convite. Viva o menino revolucionário que entrou para a história fazendo o bem. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 4/10/2013

Wagner Moura, orgulho brasileiro

Wagner Moura fez sua estreia, em Hollywood, mostrando o talento e a competência que vêm marcando sua carreira.

O Olavo da novela “Paraíso Tropical”, o Capitão Nascimento do filme “Tropa de Elite”, o Hamlet da complexa peça de Shakespeare, só para citar alguns, foram personagens cuidadosamente construídos e interpretados. Wagner Moura é inteiro em cada papel que representa.

Para quem acompanha a sua carreira, a performance no primeiro filme americano não causa surpresa. Ele não faria feio. E não fez. Contracena de igual para igual com Matt Damon e Jodie Foster. Ao lado da também talentosa Alice Braga.

O filme “Elysium” se passa em 2154, momento em que a humanidade encontra-se dividida. Os ricos habitam uma luxuosa estação espacial, com mansões, serviços médicos de incrível e avançadíssima tecnologia capazes de curar as mais sérias enfermidades. Já os pobres habitam o planeta Terra, uma multidão de mulheres e homens que carecem de todos os serviços essenciais.

Os pobres tentam de toda maneira chegar a “Elysium”. Uma mãe sonha em ver a filha, vítima de leucemia, curada por uma das máquinas reparadoras presentes em qualquer mansão de “Elysium”. A personagem de Matt Damon também quer se curar de uma terrível radiação. Wagner Moura faz o papel de um líder, um misto de chefe criminoso com revolucionário, que tenta conduzir imigrantes ilegais. Repito, atuação impecável.

O enredo não difere das tantas angústias de conviver em cidades separadas pelo muro da desigualdade. De um lado, os ricos que têm toda a sorte de oportunidades; de outro, os pobres que têm, não raro, os seus talentos desperdiçados.

Vale a pena assistir e refletir. Vale a pena indignar-se. Vale a pena aplaudir o talento de mais um ator brasileiro que não se constrangeu de cruzar fronteiras e de mostrar a nossa arte, a arte brasileira.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 27/9/2013

Violência X inteligência

A violência é o fracasso da inteligência, é a negação do que temos de melhor que é a capacidade de conviver.

O ser humano é um animal social. O nosso desenvolvimento depende do grupo, das teias que vão se formando desde sempre. O filho em formação depende da mãe. A criança recebe influências que vão construindo a sua história. Sem o grupo, nem a linguagem desenvolveríamos. Isso é o básico para dizer que precisamos uns dos outros.

Pois bem, se precisamos uns dos outros, somos limitados. Se somos limitados, cometemos erros. Somos cheios de imperfeições e, também por isso, temos o dever de compreender as imperfeições alheias.

A violência mora na casa da incompreensão. Agride-se o outro porque, de alguma forma, o seu comportamento incomoda. Quando possível, chega-se ao ponto de praticar – em ocasiões diversas – a violência física. Quando não se pode – pela distância talvez, ou pelo conforto do anonimato -, utilizam-se as mídias sociais para violentar o outro. É quase que uma catarse. É preciso ser violento com alguém. É preciso descontar o ódio ou a frustração pelo fracasso tentando destruir o sucesso de alguém.

A inteligência navega em mares bem mais tranquilos. Briga-se por boas causas, com elegância. Discute-se sem querer destruir o interlocutor. Ensina-se com competência e delicadeza. Isso vale para as relações entre casais, entre pais e filhos, entre amigos, entre conhecidos ou desconhecidos. Isso vale para quem não abre mão da inteligência nem da paz.

Octavio Paz, escritor mexicano, dizia que se os líderes lessem poesia, seriam mais sábios. Cada ser humano é um líder. Cada ser humano é protagonista de sua história. Cada ser humano é único e responsável pelo que faz a si e ao outro.

Leiamos, pois, poesia, nos livros e nas pessoas.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 6/9/2013

Dom Bosco, pai e mestre da juventude

Em agosto, celebra-se o aniversário de Dom Bosco, fundador dos salesianos e um dos maiores educadores de todos os tempos. 

Desde cedo, João Bosco alimentava o sonho de ser padre para cuidar daqueles que mais precisavam, daqueles que ninguém se dispunha a cuidar.

“Quando crescer, quero ser sacerdote para tomar conta dos meninos. Os meninos são bons; se há meninos maus, é porque não há quem cuide deles.”

Seu conceito de cuidar fez com que ele desenvolvesse um sistema preventivo que considerasse um tripé educacional, para que as crianças tivessem um desenvolvimento saudável. Esse tripé é formado por coração, razão e religião. 

O coração é a certeza de que os alunos precisam se sentir amados para que confiem nos educadores e desenvolvam seu potencial. A razão é a transformação do potencial em ato –  todo aluno tem inteligência para aprender; faltam, infelizmente, condições necessárias para tanto. E a religião é o que nos liga com a fonte da vida, com a razão e com o coração da nossa existência; é o que alimenta nosso compromisso com o outro. Afinal, somos todos irmãos. 

João Bosco enfrentou muitas críticas por sua opção pelos abandonados de afetos, pelos que não tinham condições de sonhar com o futuro.

Ele sonhou e fez. A obra está aí. Os salesianos andam pelo mundo ciosos da responsabilidade de manter viva a chama de seu fundador: educar com alegria e com competência.

Voltemos ao conceito extraordinário de Dom Bosco: “Os meninos são bons; se há meninos maus, é porque não há quem cuide deles”.

Muitas cenas de ódio, de violência, de criminalidade seriam evitadas se cuidássemos para que nenhuma criança fosse deixada de lado. Afinal, a educação é a mais importante política pública, porque, quando funciona, alicerça e melhora as demais. E prevenir é bem mais eficaz do que remediar.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 30/8/2013

A generosidade em cena

Miriam Mehler celebra seus 55 anos de carreira com um espetáculo que une emoção e aprendizado. É a história de Oscar e da senhora Rosa. Ele, um menino de dez anos que passa seus últimos dias de vida em um hospital. Ela, uma voluntária que convence o menino de que é possível, em 12 dias, viver a intensidade de uma vida inteira.

Depois dos conselhos da senhora Rosa, o menino começa a escrever cartas a Deus, que se torna seu amigo próximo. Miriam interpreta o menino, a senhora e outros personagens. O espetáculo é leve. A direção impecável de Tadeu Aguiar leva os espectadores a viverem essa trama que fala da vida, dos medos, das despedidas, da coragem. Tudo isso, sem exageros. Mesclando momentos de risos e de lágrimas. 

O espetáculo pode ser visto no Sesc Pinheiros, em São Paulo, às sextas e aos sábados.

Ir ao teatro já é um grande programa. Prestigiar o artista brasileiro. Ampliar o repertório. Ver e reviver histórias. Permitir que a sensibilidade cumpra seu papel. E ainda aprender. 

Essa peça nos leva a refletir sobre a importância do trabalho voluntário. Em um mundo onde, estranhamente, as pessoas só fazem o que traz alguma vantagem, é educativo lembrar que a felicidade se encontra no servir, no cuidar, no ser útil a alguém. Quando fazemos o bem sem querer nada em troca, nossa vida ganha outro significado. Nossos problemas ficam menores, e nossa convivência, mais rica.

A generosidade em cena, nos palcos ou na vida, é um ingrediente que traz mais sabor ao cotidiano. Há voluntários que se vestem de palhaços para fazer crianças sorrirem em hospitais. Há outros que, em asilos, exercem o delicioso ofício de ouvir as tantas histórias de quem ali vive. Há aqueles que saem de suas casas para cuidar dos que moram nas ruas.  É um exército do bem que não perde tempo com superficialidades. Ao contrário, são pessoas que fazem do tempo uma rica experiência de amor. 

Oscar e a senhora Rosa são um incentivo a mais para a emoção e para a boa ação. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 23/8/2013

A arte de trabalhar com alegria

Trabalhar é sentir-se útil. É ajudar alguém. É melhorar o mundo. E isso é possível em qualquer profissão.

Certa vez, observei, no Mercado Municipal de São Paulo, a alegria de uma mulher que fazia pastéis. Ela tinha consciência de que muitos que ali iam saciavam seu desejo com os quitutes que ela preparava. Ouvi de um motorista de táxi que ele nunca escolheria outra profissão e que, dirigindo, conhecia pessoas e, vez ou outra, conseguia roubar o sorriso de alguém que entrava chateado. Um vendedor de automóveis me contou algumas histórias de realização de sonhos na concessionária em que ele trabalhava. Era bonito demais ver um casal realizando o sonho de ter um carro, o pai comprando um automóvel para o filho, escolhendo, em conjunto, o modelo.

Já ouvi lindas histórias de médicos, de enfermeiros. De pessoas que trabalham para amenizar a dor e o sofrimento alheios.

Convivo com padres e pastores que, ciosos da missão de anunciar o Amor, agradecem a Deus a vocação que professam. 

Professores que trabalham com alegria fazem toda a diferença na vida de seus alunos. Agentes de viagem, cabeleireiros, poetas, músicos, artistas. Mulheres e homens que trabalham em casas de família e que respeitam e são respeitados. 

Como é bom saber que a profissão abraçada pode ser exercida com alegria.

Há, infelizmente, aqueles que optam pela perversidade e aproveitam o poder que têm para fazer mal a alguém. São trabalhadores amargurados, incapazes de conviver com a alegria e com o sucesso alheios. Tristes derrotados da vida. 

Ninguém é feliz destruindo o outro. Quem dá dignidade a uma profissão é quem a exerce com dignidade. O jogador é tão importante quanto o gandula ou o juiz. O diretor da empresa é tão necessário quanto o funcionário da faxina. Arquitetos, engenheiros e pedreiros fazem a obra acontecer.

Que obra boa é poder trabalhar e trabalhar sem prejudicar ninguém. Com alegria.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 16/8/2013