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Visita ao Paraná

Uma palestra para educadores e pais do Sesc é motivo para que Gabriel Chalita visite a cidade de Umuarama, nesta quinta-feira, 6 de abril de 2006. Chalita abordará a pedagogia do amor, tema de um de seus 39 livros, e sua importância para o resgate da cidadania.

Gabriel Chalita, que é membro da Academia Paulista de Letras, considera-se honrado em falar no Estado natal de um dos maiores contistas do Brasil, o curitibano Dalton Trevisan, orgulho da literatura brasileira.

Carinho capixaba

O domingo, 02 de abril, foi de festa para 2.000 educadores que se reuniram no Espírito Santo para acompanhar o Congresso Internacional de Educação Máxima – “Projeto e Formação de Professores no Século XXI”.

A presença de Gabriel Chalita, convidado para falar sobre Pedagogia do Amor, foi cercada de grande entusiasmo dos participantes. A palestra foi centrada no desenvolvimento ensino-aprendizagem.

O ponto alto do encontro ocorreu quando Chalita propôs uma reflexão sobre os três elementos fundamentais para o sucesso desse desenvolvimento: conhecimento, cooperação, contemplação/ação.

Despedida

Em cerimônia tocante pela beleza das homenagens, Gabriel Chalita se despediu na manhã desta segunda-feira, 3 de abril, da Secretaria de Estado da Educação, depois de quatro anos de incessante dedicação à formulação e à execução de políticas educacionais para as crianças e os jovens paulistas.

A passagem do cargo para a educadora Maria Lúcia Vasconcellos teve lugar no auditório Fernando de Azevedo, na Praça da República, e foi um encontro singelo entre pessoas que colocam a educação pública como prioridade pessoal.

Dentre numerosos projetos, Chalita destacou a Escola da Família, programa que abre para a comunidade as 6.000 escolas estaduais com atividades educacionais e lúdicas; destacou a Escola de Tempo Integral, mais de 500 unidades em todo o Estado que recebem alunos que passam o dia inteiro em atividade; destacou também a formação continuada de professores, uma das mais eficazes maneiras de desenvolver a educação pública estadual.

Chalita se emocionou, dizendo que esse foi um dos períodos mais lindos de sua vida. “O cargo não dá saudade. As pessoas sim. Agradeço a forma carinhosa com que fui recebido em todo o Estado. Agradeço a todos: professores, funcionários, alunos, família!”

Nova Edição

Em sua 3ª edição e em novo formato, os 3 livros – “Livro do Sol”, “Livro dos Sonhos” e “Livro dos Amores” não formam mais uma Trilogia. O leitor poderá adquiri-los separadamente. O “Livro dos Sonhos” vem em capa azul, retratando um vale; o “Livro dos Amores”, em vermelho, pétalas de rosas, e por último o “Livro do Sol”, em laranja com folhas amareladas pelo outono. Todos os três livros são publicados pela Companhia Editora Nacional.

Magia, idealismo, fabulação e realidade dividem espaço em narrações comoventes que conduzem o leitor a uma espécie de universo paralelo. Uma dimensão singular que permite romper com as amarras castradoras do tempo e do espaço.

Em “O livro dos amores”, por exemplo, o leitor encontrará um apanhado das mais belas histórias de amor de todos os tempos. Eros e Psiquê, Marília de Dirceu, Anna de Assis, Romeu e Julieta, Dante e Beatriz são apenas alguns dos escolhidos para compor a tessitura dessa trama sofisticada e singela que é, no fundo, o amor.

Já em “O livro dos sonhos”, é possível encontrar outros tantos personagens fascinantes, sejam míticos, sejam reais. Idealistas diversos que compõem o rol de sonhadores que tornaram o mundo mais belo justamente pela força onírica de sua passagem e pelas revoluções positivas que empreenderam. Protagonistas que desenharam sua trajetória com lutas, desejos, desafios, obstáculos e um modo obstinado e tenaz de superar e vencer adversidades.

O leitor ainda terá acesso ao iluminado “O livro do sol”, cuja narrativa lança luzes sobre a vida de criaturas verdadeiramente resplandecentes. Seres humanos que viveram apaixonadamente. Poetas, guerreiros, líderes políticos, religiosos e artistas transitam pelas linhas e entrelinhas desse texto, provando que suas passagens nesse mundo o tornaram ainda mais vibrante, quente e multicor.

Lançamento em Goiânia

Gabriel Chalita e a primeira-dama do Estado de São Paulo, Lu Alckmin, estiveram, nesta quinta-feira, dia 16 de março, na cidade de Goiânia para o lançamento do livro “Seis Lições de Solidariedade”. Centenas de pessoas – entre fãs da obra, políticos e demais autoridades locais – compareceram, a partir das 19:30, ao Castro’s Park Hotel, para a noite de autógrafos da 39ª obra do escritor, que agitou a capital Goiânia.

Publicado pela Editora Gente, o livro já se tornou mais um sucesso editorial, entrando para a lista dos best-sellers do escritor, que inclui também títulos como “A Ética do Rei Menino”, “Educar em Oração” e “Pedagogia do Amor”. “Seis Lições de Solidariedade” traz em sua composição uma das características mais marcantes da produção de Chalita: uma linguagem acessível e instigante, que faz da obra um verdadeiro presente a todos que se aventuram por suas páginas.

Neste livro, o autor revela a trajetória de vida de uma das mulheres que mais se destacam na luta por uma sociedade mais justa e mais fraterna. Dona Lu – como é carinhosamente conhecida a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Maria Lúcia Alckmin – é, hoje, um exemplo a ser seguido por aqueles que acreditam que a solidariedade é o primeiro passo para a edificação de um mundo mais igualitário.

São 54 anos vividos intensamente, marcados pela coragem, a sensibilidade e a ternura característicos da personalidade da sempre jovem Lu. Uma mulher que, além de exercer os papéis de filha, mãe e avó, ainda destina seu tempo àquilo que, desde pequena, previa como parte essencial à sua trajetória: a responsabilidade social.

Amor, dor, conquistas e, acima de tudo, força de vontade marcam a história daqueles que não medem esforços para fazer do mundo um lugar melhor. É o caso dessa primeira-dama especial que encanta a todos com seu sorriso de menina, mesclado ao vigor característico das grandes mulheres. Nas linhas e entrelinhas do texto, os leitores poderão perceber o quanto Lu Alckmin seguiu à risca o caminho apontado por Fernando Pessoa, por meio de seu heterônimo, Ricardo Reis: “Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes”. E é dessa forma que essa grande dama da solidariedade vai trilhando sua jornada, ao mesmo tempo em que aproveita para, com o seu trabalho, iluminar as vidas de milhões de pessoas que, dia após dia, sentem a intensidade do seu brilho digno de estrela.

Lançamento em Goiânia

Gabriel Chalita estará hoje às 19:30hs em Goiânia para o lançamento do livro “Seis Lições de Solidariedade”, a obra, conta a trajetória de Lu Alckmin esposa do Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin à frente do programa Padarias Artesanais do Fundo Social de São Paulo.

O lançamento ocorrerá no Castros Park Hotel, Av: República do Líbano n.º 1520 – Setor Oeste – Goiânia.

Novidades no parque

A Ética do Rei Menino”, com direção da jundiaiense Marici Nicioli, entra em cartaz nesta sexta-feira, no parque Hopi Hari. O espetáculo de bonecos foi adaptado da obra do filósofo Gabriel Chalita.

Na pré-estréia de anteontem à noite, para convidados, houve participação da primeira-dama do Estado de São Paulo, Lu Alckmin, do educador Gilberto Dimenstein e do próprio autor, atualmente o secretário de Educação do Estado.

“Fico feliz em fazer com que os ideais da literatura cheguem ao teatro. Acho que é uma forma de dar elementos ainda mais lúdicos a conceitos profundamente complexos da filosofia”, disse Chalita. Ele prossegue: “O livro fala de felicidade, de amor. A peça também reflete tudo isso.”

Segundo a diretora Marici, desenvolver o trabalho em cima da obra de Chalita foi uma tarefa “fácil e prazerosa”, que contagiou a todos os envolvidos.

“Ele [Chalita] nos deixou bem à vontade para fazer esta adaptação”, afirmou. “A única exigência foi a valorização da figura materna.”

Foram três meses entre o trabalho de adaptação de texto, ensaios, confecção dos bonecos e figurinos e produção das canções.

No palco, figuram 22 bonecos criados por Marco Antonio Guerrero, com papel, tecido, espuma, resina e materiais recicláveis. Tudo muito colorido e que atraia a garotada.

Eles representam animais, flores e frutos, que vivem as mais diversas situações ao lado do Rei Menino. No palco, foram incluídos ainda os personagens humanos Margarida, Pedro e Felipe. A história se passa no Reino Mágico da Consciência e procura levar as pessoas à reflexão sobre as diferenças pessoais e sociais, além de despertar para a necessidade de se fazer o bem. A peça dura 30 minutos.

“A Ética do Rei Menino”

Quando: às sextas, sábados, domingos e feriados, às 13h

Onde: Parque Hopi Hari (Rodovia dos Bandeirantes, km 72,5, Vinhedo)

Informações: 0300-7895566

Discurso de Gabriel Chalita na Posse na APL

Senhor Presidente
Senhoras e senhores acadêmicos
Ilustres convidados

Quero compartilhar com os presentes, nesta ocasião ao mesmo tempo solene e festiva, uma visão, uma imagem, que me ocorreu ao pensar nesta augusta Academia Paulista de Letras — palco iluminado, em que atores da palavra representam espetáculos grandiosos, cenário de mares revoltos em que navegadores benfazejos dominam múltiplas naus. As naus da poesia, da prosa, da filosofia, da história, do teatro, dos signos e linguagens.

Ainda nesse mesmo cenário, sobre as mesmas ondas revoltas, essa frota de arte e criatividade acaba, diante dos olhos da imaginação, se condensando num único navio, talvez uma antiga caravela daquelas que há alguns séculos iniciaram o processo, tão moderno, tão contemporâneo, da globalização. É exatamente nesta nau que estou prestes a embarcar. Por generosidade dos meus futuros pares, eis-me aqui, sobre as tábuas do cais, aguardando o discurso de boas vindas que me fará o acadêmico Paulo Bomfim, decano desta Academia, príncipe dos poetas, para subir a bordo. Enquanto isso vou pensando na diferença que há entre nós e aqueles antigos navegadores, que saíam a desvendar os caminhos aquáticos “Em perigos e guerras esforçados / Mais do que prometia a força humana” para que, como sonhava Camões, as agruras não suplantassem a valentia. Mulheres choravam à beira do cais. Mas era preciso descortinar outros horizontes. Era o cheiro do novo que os hipnotizava.

Aqueles navegadores iam descobrindo e unindo as terras, as ilhas e os continentes. Estes navegadores, desta nau em que vou embarcar, embora viajem juntos, fazem, cada um, suas próprias e particulares descobertas. Abrem campos e desvendam territórios do imaginário. Criam mundos e personagens e situações que só fazem enriquecer nossa convivência. Se aqueles navegadores tinham o globo terrestre como limite, a navegação, nesta nau em que me inicio, por trilhar terras e mares de encanto e maravilha, não encontra nunca fronteiras e segue sempre aumentando as possibilidades do humano. Trata-se de perseguir a luz, a luz que desafia, demiurgo no universo platônico a trazer mais próximo o hiper-urânico, o supra-sensível, do mundo que se vê. Sem a beleza dessa senhora, a Palavra, a caverna ficaria mais escura, mais sem gosto.

A esta nau quero dar um nome particular, Esperança. E aos seus tripulantes, manejadores da Esperança.

Esperança.

Ao lado da fé, que tem por símbolo a cruz, e da caridade, que tem por símbolo o cálice, a partilha, a esperança compõe o trio das virtudes teologais e tem por símbolo um objeto náutico: a âncora.

Lembremos por um instante o que nos dizia Santo Agostinho, nas Confissões: “é impróprio afirmar que os tempos são três: pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer que os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das presentes, presente das futuras.”

Para o Bispo de Hipona, a esperança é o futuro. É a certeza de que a escultura será moldada a partir dela, esperança, porque o Artista não vive do improviso. Prepara e se prepara para o futuro. É o brilho dos astros que servia para orientar os antigos navegantes. É a certeza do Sol porque a aurora já faz parte do poético repertório dos contempladores e ao mesmo tempo assusta os desalmados, aqueles que nunca aguardaram amanheceres com cheiro de estrelas preguiçosas.

Diante disso devemos enlevar-nos! É entusiasmo o que nos pede o futuro feito de esperança!

Mas se a esperança é a matéria-prima de que o futuro é feito, também devemos ter em mente que ela não destrói o passado. O passado constitui nossa herança fundadora, e pode ser vivificado pela identidade e pelo conhecimento.

Esta cadeira, a de número cinco, que me foi dado ocupar, este posto que me foi destinado aqui dentro da Esperança, tem história e tem identidade. Outros manejadores ocuparam-na antes de mim, e é deles que passarei a falar agora.

Seu patrono, Eduardo Paulo da Silva Prado, mais conhecido nas nossas letras como Eduardo Prado, viveu pouco mais de quarenta e um anos, mas soube deixar como marca permanente seu interesse e seu amor pelas coisas do Brasil, estudando tanto a História, ou seja, o presente das coisas passadas, na figura, entre outras, do Padre Antonio Vieira, esse monumento da língua portuguesa em dois mundos, como também se interessou pelo presente das coisas presentes de seu tempo, discutindo as questões políticas decorrentes da transição do país para o regime republicano. Sua obra Ilusão Americana pode ser considerada um marco na consciência da América Latina.

E já que estamos nos valendo da metáfora da nau Esperança, também devemos nos lembrar que Eduardo Prado foi um grande viajante, tendo percorrido boa parte do globo terrestre, escrevendo e deixando-nos suas impressões de viagem, sempre na intenção de melhor entender o Brasil.

Falemos agora daquele que foi um dos fundadores desta Academia e primeiro titular da cadeira número cinco. Tinha nome de viajante e navegador, dos mais ilustres e conhecidos na tradição literária universal. Era paulistano, chamou-se Ulisses de Freitas Paranhos e era médico. Foi um dos fundadores do Instituto Pasteur, até hoje em notável atividade. Chegou a membro desta Academia por seus estudos da arte, da música e de suas respectivas histórias, por sua paixão pelas letras e pela palavra, por seus extraordinários dons oratórios. Combinando ao mesmo tempo o interesse pela medicina e a cultura humanista, constituiu-se em modelo para os que discutem e buscam uma renovação no ensino da Medicina, almejando a formação de profissionais que serão melhores se forem capazes de olhar menos para as doenças e mais para a humanidade.

Ao doutor Ulisses Paranhos sucedeu, como segundo titular desta cadeira número cinco, o escritor e farmacêutico Amadeu de Queiroz. Nascido em Pouso Alegre, trouxe uma contribuição das gentes e coisas das Minas Gerais para a cidade de São Paulo, e acrescentou a esta cadeira a tradição da literatura regional. Não foi sem propósito que mencionamos sua condição de farmacêutico. Vejamos como essa condição se combina com as atividades do escritor, num perfil de Amadeu de Queiroz traçado por Silveira Peixoto em 1942:

“É numa farmácia à esquina do Largo da Sé com a Rua Direita — a tortíssima Rua Direita — mais ou menos ali pelo meio-dia, todos os dias, que se reúne o clã chefiado pelo autor de A voz da terra e de Os casos do carimbamba. Edgar Cavalheiro quase sempre é o primeiro a chegar. Daí a pouco surge Mário Donato. Não demora, Fernando Góes e Mário da Silva Brito aparecem. Vêm depois Antonio Constantino, Leão Machado, Rossine Camargo Guarnieri… Silveira Bueno, de vez em quando, também dá um ar de sua graça…

Fala-se do último romance posto nas montras das livrarias. Comenta-se um artigo de crítica literária. Proferem-se anátemas contra os medalhões. E a palestra desenvolve-se, pontilhada de ironias, entremeada de perversidades, animada pelo constante bom humor de Amadeu. Depois… O grupo começa a dispersar-se… E há sempre alguém que quer ficar por último, naturalmente com receio da língua dos outros…”

Essa evocação de uma São Paulo de outros tempos, tempos mais gentis e menos apressados, que traz um certo sabor de nostalgia, fica aqui como uma lembrança deste querido e bem-relacionado antigo ocupante desta cadeira.

Depois dele veio um gigante do trabalho literário, alguém que realizou uma obra colossal e ímpar para a divulgação da literatura universal em nossa terra. Trata-se de Carlos Alberto Nunes, considerado um dos maiores helenistas de seu tempo, tradutor do grego, do inglês e do alemão, responsável por verter para nossa língua os dois grandes poemas homéricos, Ilíada e Odisséia, bem como quatorze volumes de Diálogos de Platão. Isso já seria trabalho suficiente para ocupar toda uma vida intelectual. Mas este maranhense que veio abrilhantar e muito honrou nossa Academia, não satisfeito com essa tarefa, ainda se ocupou em traduzir toda a obra teatral de William Shakespeare, trinta e sete peças ao todo. E traduziu ainda textos teatrais dos alemães Goethe e Hebbel. Isso para não falar de sua obra original, em que se inclui uma epopéia, Os Brasileidas, que ele publicou em 1962, tendo como introdução um longo estudo sobre a poesia épica.

A Carlos Alberto Nunes sucedeu o paulistano Ignácio da Silva Telles, quarto ocupante e meu antecessor neste posto. Tenho muito honra em sucedê-lo, por ele ter sido um homem dedicado em primeiro lugar à tarefa do ensino, atividade a que também me dedico e vejo como uma das mais importantes e fundamentais para a boa navegação desta nau

Esperança que é, não nos esqueçamos, um outro nome com que, aproveitando a lição de Santo Agostinho, quisemos cognominar o futuro. Iniciou sua carreira de professor em 1936. Ensinou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na Escola Politécnica da USP, na Escola de Jornalismo Casper Líbero, na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Isso sem falar nos inúmeros cursos livres que organizou e ministrou. Criou ainda, em 1967, o Centro de Estudos Schola, evocando aqueles que ele mesmo define, em seu Andanças pelo sertão grande, como “os centros de estudo e meditação que se tornaram as profundas e luminosas escolas pitagóricas”, tentando recriar no nosso tempo um ambiente voltado para o desenvolvimento espiritual e intelectual do Homem. Seu trabalho de educador ficou consignado na sua atividade acadêmica, em centenas de conferências e palestras que proferiu, além das obras que deixou e das quais registramos aqui só uns poucos títulos, além daquele já mencionado: Pensamento político de Santo Agostinho, Páginas de uma vida, Forjadores espirituais da História.

De seu discurso de posse a esta mesma Academia, gostaria de destacar o seguinte trecho: “E, quanto à sabedoria, em todos o mesmo apelo para o ‘querer-bem’, para o cultivo da bondade, em suma, o cultivo do amor. E, em se cultivando o amor, cultiva-se ao mesmo tempo a sabedoria, porque, como se sabe, não há amor sem sabedoria, nem há sabedoria sem amor.” A razão porque destaco este trecho é muito simples: se Ignácio da Silva Teles não o tivesse escrito, eu gostaria de tê-lo feito. Sabedoria e Amor. O que mais é preciso?

E é isso que rogo a Deus nesta noite, em que tomo posse e me tornarei o quinto ocupante da cadeira de número cinco desta Academia Paulista de Letras, que tem como símbolo a Rosa de Cinco Pétalas.

É com humildade que me reúno a meus companheiros, passando a fazer parte da tripulação desta nau. Immanuel Kant perguntava e afirmava: “Como então buscar a perfeição? Onde fica a nossa esperança? Na educação e em nada mais.”

É por isso que tenho honra em suceder neste posto a um educador.

É por isso que agradeço ao Governador Geraldo Alckmin a oportunidade de estar próximo a ele, e nesse tão importante encargo de Secretário da Educação. Trabalhar em sua companhia é um privilégio raro. Que o seu passado de honradez e competência sejam “passaportes” para novos percursos, novas sendas, novos caminhos. Caminhos de futuro, ou seja, caminhos de esperança. E de ternura, também. Obrigado, Dona Lu Alckmin, pela sua ternura, por transbordar amor ao povo deste Estado.

Sabedoria e amor. Marcas de um outro grande educador, Governador Cláudio Lembo. Porque competência não é sinônimo de sisudez. Mestre Cláudio Lembo. Mestre do bom humor e do humanismo. Exemplo de leveza. É uma alegria imensa conviver com o senhor.

Esperança. Nome da nossa nau imaginária. Nome da nossa expectativa real. Agradeço à comunidade da esperança Canção Nova e ao seu fundador, Padre Jonas Abib. Agradeço por desde pequeno me alimentar dos valores que tanto melhoram o mundo. Vocês são como o Liceu em que o Estagirita ensinava a seu filho Nicômaco a arte de ser feliz.

Filho. Pai. Lembro-me de meu pai, que aqui não está e que aqui está. Mestre do silêncio, da sabedoria, do olhar terno e manso. Meu pai, exemplo de vida. Envolvente, sedutor. Soube viver versos de amor sem ter lido os grandes poetas. Era doutor em gentileza, em romantismo. Cotidianamente conquistava a mesma mulher. Saudade… É o presente das coisas passadas. Saudade, pai… Como eu gostaria que estivesse aqui. O senhor que sonhou tanto em ter um filho com diploma universitário. O senhor que me aplaudiu tantas vezes quando eu, ainda pequeno, fazia discursos meio desconectados. Era só cumplicidade, incentivo. “Continue, meu filho. Um dia você há de tocar na alma das pessoas. Não desanime. Continue meu filho!” Quando cresci um pouco mais o senhor chorava em cada discurso que eu fazia, nas formaturas, nas sessões solenes da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista, no teatro, em palestras, na Igreja. Posso ouvir a sua serena voz: “meu filho, tenho tanto orgulho de você. Eu te amo tanto filho”. Saudade, pai.

Das lições aprendidas a mais marcante foi a simplicidade. Simplicidade… Posso dizer que é este o valor que tanto busco. Como o meu agora confrade, um pouco pai, um pouco amigo, Antonio Ermírio de Moraes diz e vive: “O último degrau da sabedoria é a simplicidade.”

Minha mãe está aqui. Mulher de dor, perdeu uma pátria, perdeu filhos, perdeu o marido. Mulher de amor. Amou mais do que sofreu. E se chorou, chorou por amor. E no amor me ensinou e me ensina a ter esperança. Minha segunda mãe Leila, a primeira leitora paciente daquele inquieto menino que queria ouvir histórias. Também ela esteve num navio. Também ela esperou um dia por uma nova terra.

Queridos confrades e confreiras, queridos colegas acadêmicos, agora que sou mais um tripulante desta nau, quero reafirmar uma minha convicção: tenho esperança. E espero uma nova terra.

Esperança de que a autofagia não prevaleça sobre a harmonia. Não há espaço para destruição na Nova Atlântida, na Casa de Salomão, no Harlem de Martin Luther King, na Índia de Ghandi, na escrivaninha de Ada, Anna Maria, Esther, Lygia, Myriam. E dos homens confrades dessa nobre casa da palavra.

Esperança que teve talvez Sócrates diante dos homens que o julgaram naquele tribunal, ou uma outra artífice da palavra, Joana D’Arc, de que não seria abandonada. Esperança de Quixote em encontrar Dulcinéia, de Sherazade em destronar o ódio de Shariman. Esperança de Penélope em sua eterna tessitura. Esperança de Psique, de Isolda. Esperança de um convite para luzir talentos e eclipsar os embusteiros.

Esperança de que as idiossincrasias dos burocratas do horror se deitem em paragens longínquas, por detrás do lugar que não existe. E que aqui, nesta Terra que miraculosamente se renova a cada instante, só haja amor.

Amor Ágape ou Fratria ou Eros, não importa. Importa que não seja o amor definido genialmente por Machado de Assis pela boca de Brás Cubas, ao referir-se à sua amante Marcela, de vida desvairada: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”.

Esperança de que a palavra esteja a serviço do amor. Porque há palavras de desamor e há palavras de indiferença. Que se prendam lá, onde Rousseau jamais conduziria Emílio. Lá, onde as canções de amor trovadorescas não chegariam. Lá, onde Pessoa Ricardo Reis não convidaria Lídia para enlaçar as mãos e contemplar, nem tampouco Lygia, essa nossa, tão leve e tão faceira, para fitar com suas meninas uma ciranda de pedra. Lá, longe daqui, do Arouche, longe desta navegação.

Esperança de que o riso, o riso criado pelo Artista para unir não sirva para escárnio. De que os olhos consigam ver e não temam o êxtase pelo novo ou pelo reinventado.

Esperança de que a música, a arte, a literatura acalmem e inquietem ao mesmo tempo os navegantes.

Esperança de que cada ser, mesmo sendo pequeno em estatura física diante do Universo, seja um gigante em complexidade de, voltando a Ignácio da Silva Telles, Sabedoria e Amor.

E aqui não há nenhuma censura aos letrados do desconcerto. Àqueles que gritaram por aí a exigir que pudessem caminhar com pés-próprios. Que o façam! Amor não é ingenuidade, nem passividade. Amor é ação, revolução!

Sem atentar para esta fundamental condição o ser humano há de conhecer todo o macro e o micro cosmos, mas talvez nunca venha a conhecer seu próprio âmago.

Esperança de que a palavra não seja usada como instrumento de ódio, que não sirva para erguer barreiras e afastar os seres humanos uns dos outros. Bravura sim. Violência, impetuosidade incontinente, não. Não se deve desacoroçoar. Não se deve aposentar a navalha afiada das palavras que pululam na defesa do que é correto. Eis uma platéia de pessoas corretas! Quem teve acesso à cultura, ao ensino tem ainda maior responsabilidade de fazer prosperar a presença do bom e do belo, ensinava Tomás de Aquino na escolástica.

Esperança de que a palavra sirva para abrir os caminhos existentes e criar veredas e paragens por onde possam chegar o entendimento e a harmonia, a fraternidade, a solidariedade, enfim, o Amor. E de novo o Amor, aquele amor mencionado pelo imortal poeta florentino no fecho da sua Divina Comédia como sendo o “que move o Sol e move estrelas”, ou ainda o que ergue catedrais, como no Poema das grandes catedrais, do querido Paulo Bomfim:

 

“As grandes catedrais ressurgirão das águas,

E as aves da floresta conhecerão

A linguagem dos peixes noturnos…

As grandes catedrais ressurgirão das ondas,

Trazendo para o mundo das nuvens

As princesas sem reino coroadas de coral…

As grandes catedrais ressurgirão dos tempos,

E os homens serão crianças,

Contemplando o mar pela primeira vez!”

 

Eis uma visão do futuro! Eis uma visão da esperança!

Esperança de paz!

Será isso uma utopia?

Não sei. Só sei que não fomos criados para a resignação, para nos conformarmos, para permanecermos estáticos, imóveis.

Eis nossa vocação, senhoras e senhores navegantes, devemos estar sempre prontos a segui-la. Ao mar, então! À esperança! Enfim, ao amor!

 

Assessoria – Gabriel Chalita

Peça A Ética do Rei Menino

O lançamento da peça teatral, adaptada do livro “A Ética do Rei Menino”, de Gabriel Chalita, movimentou ontem o parque Hopi Hari. A peça foi apresentada por 7 atores, sendo que quatro manipulavam os bonecos e três contavam as histórias do livro, interagindo com os bonecos.

Durante 30 minutos, o público pode viajar pelo reino mágico da consciência,por meio de uma história que foi mostrada de maneira alegre e divertida. As canções apresentadas durante o espetáculo envolveram ainda mais o público.

A peça apresenta um texto que leva o público a repensar e resgatar valores como: amizade, família, escola, cuidado com a natureza, compreensão e aceitação das diferenças.

Antes do início da peça, o Presidente do Hopi Hari, Sr. Armando Pereira, agradeceu ao autor Gabriel Chalita, destacando que realmente “não se pode ser feliz se não for ético”.

Entre os presentes, a Primeira Dama do Estado de São Paulo Lu Alckmin e o Jornalista Gilberto Dimenstein que desenvolve também um projeto pedagógico no parque.

As seções ao público serão gratuitas para os visitantes do Hopi Hari, a partir do próximo dia 24, de sexta a domingo, às 13h.

Ficha técnica:

Espetáculo teatral: “A Ética do Rei Menino”, texto teatral baseado no livro de Gabriel Chalita

Duração: 30 minutos

Texto e direção: Marici Nicioli

Cenografia, confecção de bonecos e treinamento de manipulação: Marco Antonio Guerrero

Iluminação: Nilson Garcia Filho

Elenco: João Gomes, Edinei Duran, Carol Dezani, Eliana Rodrigues, Leandro Morikuni, Meire Moraes e André Farias.

Músico convidado: Thiago Camargo

 

O parque Hopi Hari localiza-se na Rodovia dos Bandeirantes, Km 72 – Vinhedo/SP. Fone: (19)3836-9029.

Hoje é dia de Estréia!!!

O livro “A Ética do Rei Menino” virou peça teatral. A produção contempla uma peça teatral feita com marionetes, e apresenta reflexões sobre ética, num ambiente de fantasia e imaginação, levando a platéia a uma viagem pelo reino mágico da consciência, e explicando princípios da ética, da cidadania, e da diferença social.

Quatro atores, Eliana Rodrigues, André Farias, Meire Moraes e Leandro Morikuni manipulam 25 bonecos de vários tamanhos.Os outros três atores Edinei Duran, Carol Dezani e João Gomes Júnior entram em cena cantando, tocando e interagindo com os bonecos.

Sua pré-estréia será na próxima segunda-feira, dia 13 de março,às 19h, no teatro do parque Hopi Hari em Vinhedo/SP.

As seções ao público serão gratuitas para os visitantes do Hopi Hari, a partir do dia 17, de sexta a domingo, às 17h.

Ficha técnica:

Espetáculo teatral: “A Ética do Rei Menino”, texto teatral baseado no livro de Gabriel Chalita

Duração: 30 minutos

Texto e direção: Marici Nicioli

Cenografia, confecção de bonecos e treinamento de manipulação: Marco Antonio Guerrero

Iluminação: Nilson Garcia Filho

Elenco: João Gomes, Edinei Duran, Carol Dezani, Eliana Rodrigues, Leandro Morikuni, Meire Moraes e André Farias.

Músico convidado: Thiago Camargo

O parque Hopi Hari localiza-se na Rodovia dos Bandeirantes, Km 72 – Vinhedo/SP. Fone: (19)3836-9029.