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O Brasil e o aquecimento global

O problema das mudanças do clima resultantes do aquecimento do planeta deixou de ser uma preocupação de acadêmicos e passou para o plano político. Importantes decisões deverão ser tomadas este ano para enfrentar o problema, e o Brasil não pode ficar ausente delas. A evidência científica de que a Terra está mais quente é insofismável; a temperatura média já subiu quase um grau centígrado no último século e, se nada for feito, subirá mais dois graus até o fim deste século.

As conseqüências serão devastadoras. As mudanças de clima já se estão tornando evidentes no mundo todo e até tufões começaram a ocorrer no Sul do País.

Segundo informações de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o nível médio do Oceano Atlântico já subiu 40 centímetros nos últimos cem anos e subirá mais ainda neste século, ameaçando as regiões costeiras do País. O mais grave problema que nosso país vai enfrentar, contudo, é a “savanização” da Amazônia, que vai tornar-se mais seca e com isso se reduzirão ainda mais as chuvas no restante do País, sobretudo no Nordeste, que se tornará mais seco do que já é hoje.Todos os demais países do mundo estão começando a sofrer efeitos semelhantes, porque o aquecimento da Terra não respeita fronteiras. Emissões de gases que provocam o aquecimento da Terra, na China ou nos EUA (principalmente por causa da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás), contribuem da mesma forma que as emissões resultantes do desmatamento da Amazônia, que continuam elevadas, colocando o Brasil no quinto lugar entre os maiores emissores mundiais. Nesta questão é inútil procurar culpados, porque, em maior ou menor grau, somos todos os que estamos contribuindo para o problema.

A Convenção do Clima assinada no Rio de Janeiro em 1992 e o Protocolo de Kyoto, em 1997, levaram os países industrializados a se comprometer a reduzir suas emissões, mas os outros grandes emissores, como a China, a Índia, a Indonésia e até o Brasil, ficaram livres desses compromissos, com a justificativa de que reduzir suas emissões prejudicaria seu desenvolvimento. A linguagem da Convenção do Clima, que criou “responsabilidades comuns, mas diferenciadas” entre os países industrializados e os países em desenvolvimento, sem dizer claramente quais são elas, tem, na prática, sido usada para encobrir a inação. Ela poderia até ser considerada razoável há 15 anos, mas o crescimento econômico da China tornou este país um emissor quase tão importante quanto os EUA. Poder-se-ia também argumentar que os grandes países em desenvolvimento (inclusive o Brasil) se estão tornando emissores importantes apenas há algumas décadas, enquanto os países industrializados já são grandes emissores desde o início do século 20. A posição inflexível dos países em desenvolvimento de não aceitarem nenhuma limitação nas suas emissões teve o efeito perverso de levar os EUA (maior emissor mundial) a se recusarem a aderir ao Protocolo de Kyoto enquanto China, Índia e os outros grandes emissores não aderissem também.Não é possível continuar a usar esta desculpa. É preciso agora enfrentar o problema com maturidade e fazer um novo acordo entre os grandes emissores para enfrentar o problema, após quase 15 anos de quase total imobilismo. A União Européia, sob a liderança de Angela Merkel, acaba de dar um passo importante nesse sentido, decidindo que até o ano 2020 o bloco europeu reduzirá suas emissões em 20%, o que será feito principalmente pelo aumento do uso de energia renovável (ventos, energia solar, biomassa e outros), que deverá atingir 20% da matriz energética européia, onde ela hoje representa apenas 6%. Lamentavelmente, a União Européia só responde por cerca de 15% das emissões, o que não resolve o problema.O Brasil liderou um movimento nessa direção na Conferência de Johannesburgo, na África do Sul, em 2002, propondo que a contribuição das energias renováveis, no mundo todo, aumentasse para 10% no ano 2010, o que não foi aprovado devido à resistência dos países produtores de petróleo, EUA e até alguns governos pouco esclarecidos da África.A situação, hoje, mudou porque há uma conscientização mais clara de que as mudanças climáticas terão enorme custo se nada for feito, como demonstrou claramente o Relatório Stern, preparado para o governo britânico. É preciso, pois, que o governo brasileiro retome a posição de vanguarda e liderança que teve em 2002 na África do Sul e se una à China, Índia e outros países do Grupo dos 77 para adotar medidas concretas juntamente com os países industrializados para reduzir as emissões mundiais. O Brasil poderia fazê-lo facilmente reduzindo o desmatamento da Amazônia, sem prejudicar o desenvolvimento econômico do País.

Há uma oportunidade excepcional para isso, que é a reunião do G-8 (as maiores economias dos países industrializados), em julho, em Berlim, à qual comparecerão como convidados os cinco grandes dos países em desenvolvimento (China, Índia, Brasil, África do Sul e México). Lá poderá ser feito um acordo para que todos os países, incluindo os EUA, assumam responsabilidades proporcionais às suas contribuições para o aquecimento global, abandonando a retórica, que se mostrou vazia, de “responsabilidades diferenciadas”.

A regra da proporcionalidade é usada para definir a contribuição financeira dos diversos países às instituições internacionais e poderia ser usada numa nova Convenção do Clima. Há formas de fazer isso que levam em conta as emissões feitas no passado. O essencial, neste momento, é tomar uma decisão política e orientar o Itamaraty para as negociações necessárias, como foi feito no período que antecedeu a Conferência do Clima de 1992, que só foi um sucesso devido à liderança que o Brasil exerceu na ocasião.

Antídoto contra a violência

Por Gabriel Chalita (Revista Profissão Mestre)

Guimarães Rosa, o revolucionário das palavras, dizia isto: “Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?” Nós nos gabamos de sermos diferentes dos animais, porque pensamos e porque sorrimos, duas coisas que os irracionais não conseguem fazer. Mas estamos perdendo a ternura coletiva, num processo de anodinia animalizante, bem ao contrário do que pregava o revolucionário de outras trincheiras, Che Guevara.

Violência atrai violência, é o que dizem psicólogos, sociólogos, educadores e outros estudiosos da alma humana. Sob a comoção da violência, no entanto, a resposta inicial costuma ser de endurecimento. Violenta. A mesma violência que deverá voltar, em círculo vicioso, como resposta. Isto é o que sabemos sobre os conflitos.

Mas o que fazer?

Guimarães Rosa também dizia outra coisa: “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”. O recado é claro. Temos que reaprender. Principalmente as atitudes que nos despertem sentimentos opostos àqueles que compõem o vício da violência. A essência da existência humana está nas coisas mais singelas. É preciso aprender a ver essas coisas. E é preciso aprender a compreender os valores. Se eu não der passagem, a reação do outro de também não dar passagem tem como resultado um trânsito congestionado e mal-humorado. Se eu não respeito a fila, devo admitir que possivelmente outros também não a respeitem. Se eu me aproveito da fraqueza física de um colega de escola, posso estar abrindo a guarda para a violência física e outras formas mais cruéis da violência.

Alguém precisa começar a ceder. Alguém precisa começar a revolução da resistência contra a violência. Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos, fez em outras circunstâncias duas perguntas: “Se não nós, quem? Se não agora, quando?”

Aristóteles dizia que felicidade é a associação da prosperidade com a virtude. Essas duas coisas se integram, porque o virtuoso se eleva para a prosperidade moral – que por sua vez induz quase compulsoriamente à felicidade material. Ao contrário, o medo mantém o homem na caverna – Platão já discorria sobre isso. O medo cria mitos. O medo cria idolatrias. O medo cria alienações. Uma abordagem da questão da convivência social, na ética, conduz necessariamente ao entendimento do outro. E o entendimento traz consigo o respeito.

O antídoto do medo é a gentileza. Em todas as suas formas sinonímicas: respeito, afeto, solidariedade. Ou na sua morfologia metafísica: o bem, o transcendente, o elevado, e (por que não?) o divino.

O educador deve propiciar aos seus aprendizes, não a doutrina, mas a consciência. A consciência do que é o bem, o bom e o belo. Até porque essa tríade, capaz de dotar o espírito e a mente humana do viço e da energia essenciais à edificação de ideais nobres, cria um círculo virtuoso fundamental à convivência social pacífica, ao desenvolvimento do caráter ético e ao fortalecimento de valores como honestidade, lealdade, respeito, civilidade, fraternidade, solidariedade e senso de justiça.

Os conceitos filosóficos descritos por Platão a respeito do belo, estão bem evidentes em dois textos (um em Fedro, outro em República). No primeiro, o filósofo nos diz: “(…) na beleza e no amor que ela suscita, o homem encontra o ponto de partida para a recordação ou a contemplação das substâncias ideais”. Já em sua República, Platão compara o bem ao Sol, que dá aos objetos não apenas a possibilidade de serem vistos, como também a de serem gerados, de crescerem e de nutrir-se. O pensamento filosófico e a poesia não oferecem mapas ou guias para a felicidade. Muito melhor do que isso, apontam caminhos para que possamos ter o prazer de encontrá-la pelos nossos próprios esforços.

Cada um de nós tem, portanto, um bom combate para lutar, modernamente. E o desafio do educador é este: combater a violência com a gentileza. Talvez um pouco como Gandhi, na sua resistência passiva. Ou então como as formigas de uma colônia, cada uma fazendo a sua pequena parte para que a coletividade avance. E não é verdade que uma colônia de formigas desperta, pela sua organização e espírito de solidariedade, a ternura que nos falta?

Nesse caminho, é principalmente à escola que cabe ser o espaço da redenção. A escola é um local seguro, onde as pessoas convivem, a salvo de influências malévolas, e onde o refinamento do espírito é a proposta e o propósito. Na escola pode, e deve, imperar a ternura. Ali, naquele terreno fértil, pode crescer a planta de onde a civilização retira a essência do melhor antídoto contra a violência: a gentileza.

Um livro sobre sentimentos

Foram quatro horas de autógrafos. Amigos, fãs e admiradores foram até a livraria Siciliano do Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, nesta quarta-feira, 11 de abril, para prestigiar o lançamento do livro mais recente de Gabriel Chalita. Sucesso semelhante ocorreu no outro lançamento, realizado na sexta-feira, 13 de abril, em Natal, no Rio Grande do Norte, que reuniu admiradores de vários Estados do Nordeste.

O livro é uma seqüência de 21 narrativas, cada uma delas carregada de vida, com os ensinamentos que o cotidiano nos traz. Mas, principalmente, o livro é um trabalho de registro de situações e de atitudes bizarras, mas ao mesmo tempo comuns nas pessoas em momentos de tensão. São histórias de gente como a gente, humanamente comuns, com suas alegrias, sentimentos e paixões, como a inveja, o ciúme, o cálculo, a paixão, a esperança. O livro Mulheres de Água passa pelas sombras e pelos mistérios do comportamento humano. E, em cada conto, é possível descobrir um pretexto para reflexão.

Nessa maratona bem-humorada de relatos, Gabriel Chalita anota flashes da alma feminina. E, por meio do que elas sentem, anota os sentimentos comuns a todas as pessoas do mundo. Mulheres de Água é um livro encantador, alegre e comovente, mas que também leva a pensar.

Denise Steiner, a pele e a alma

Denise Steiner faz parte da equipe de palestrantes que atuam com Gabriel Chalita na empresa Educativa Cursos e Palestras. A lista de qualificações da doutora Denise é longa. É médica formada pela Faculdade de Medicina da USP e doutora em Dermatologia pela Unicamp. Preside a Comissão de Ensino da Sociedade Brasileira de Dermatologia, regional do Estado de São Paulo.

Também é professora da Faculdade de Medicina de Jundiaí e professora-titular e Chefe do Serviço de Dermatologia da Universidade Mogi das Cruzes. É membro da Academia Americana de Dermatologia. Coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia – regional de São Paulo. Responsável por um quadro de saúde do programa Papo Aberto, que Gabriel Chalita conduz diariamente na Rádio Canção Nova, Denise Steiner responde questões sobre os cuidados com a pele, e de que modo o correto tratamento pode influenciar no bem-estar emocional das pessoas. Ela costuma dizer que a pele é o reflexo da alma. Portanto, cuidar de uma é cuidar da outra, ao mesmo tempo. Denise Steiner está disponível para palestras e seminários. Basta acessar o site www.educativapalestras.com.br para entrar em contato com ela.

Fábio Feldmann: questões globais do ambiente

Num momento em que a hostilidade do meio ambiente é flagrante, em resposta às agressões praticadas pelo homem, basta ver o aumento da temperatura em todo o mundo para verificar que algo precisa ser feito. O tema é um dos destaques da primeira semana de junho, considerada a Semana Mundial do Meio Ambiente.

Fábio Feldmann é um dos mais respeitados estudiosos das questões ambientais no Brasil. Ele é um dos palestrantes reunidos por Gabriel Chalita em uma empresa que se dedica a treinamentos corporativos. É a Educativa Cursos e Palestras – para conhecer melhor a empresa, acesse este endereço: www.educativapalestras.com.br

Suas palestras estão relacionadas com os seguintes temas específicos:

• Responsabilidade socioambiental e responsabilidade corporativa

• Meio ambiente e mudanças climáticas

• Políticas públicas para o desenvolvimento sustentável

Fábio Feldmann costuma dizer que o futuro do planeta depende de uma atuação mais responsável da sociedade, em todos os seus setores. Para levar esse guerreiro da natureza para falar com os funcionários de sua empresa, e para conhecer outros palestrantes, acesse este endereço: www.educativa.palestras.com.br

Treinamento sob medida

Gabriel Chalita se lançou a mais um empreendimento no campo da educação. Criou uma empresa chamada Educativa Cursos e Palestras, reunindo uma equipe de especialistas de excepcional qualidade, para oferecer treinamentos específicos.

O site da empresa já está no ar (www.educativapalestras.com.br). Visite o site e conheça mais a respeito dessa idéia.

Treinamentos sob medida

Os treinamentos são dirigidos para empresas que se preocupam com o aperfeiçoamento de seus colaboradores. Por isso, o foco da Educativa Cursos e Palestras é instigar pessoas e organizações a desenvolverem suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais.

Gabriel Chalita fala da iniciativa: “Nosso objetivo não é nada modesto: queremos educar para a felicidade. Porque sabemos que a pessoa feliz é mais serena, e, portanto mais produtiva e mais eficiente.”

Palestrantes de primeira linha

Ao lado do próprio Gabriel Chalita, que continua dando palestras em todo o Brasil e no exterior, a equipe é formada pelos seguintes especialistas: a executiva Cláudia Costin, a atriz Cristina Mutarelli, o comunicador Dalcides Biscalquin, a médica Denise Steiner, o ambientalista Fábio Feldmann, o professor Fábio Saba, o esportista Lars Grael, o pesquisador Luiz Felipe Pondé e a jornalista Mariana Godoy,

Temas atuais

Entre as discussões mais importantes do momento, e que vêm chamando a atenção das empresas que fazem contato com a Educativa Cursos e Palestras, estão a questão da violência e a preocupação intensa com o aquecimento global. Conheça mais sobre o trabalho da empresa

Conheça mais sobre o trabalho de Gabriel Chalita, que com essa empresa, busca desenvolver maneiras para que as pessoas alcancem a excelência pessoal e profissional. A nova empresa de educação trabalha o universo complexo do conceito de gestão de pessoas, dentro da base filosófica humanista.

Informação para o bem

O século 21 traz em seu cerne uma dinâmica própria que reflete os avanços acelerados da ciência, da tecnologia e dos processos de comunicação. Nunca antes o homem conquistou novos saberes de maneira tão rápida e precisa. É certo que a Era da Informação e do Conhecimento traz inúmeras vantagens, mas também é sabido que ocasiona contratempos e obstáculos que exigem das pessoas novas posturas e ações.

Nesse contexto, educadores e educandos precisam estar em constante estado de atenção para que o exercício do binômio ensino-aprendizagem ocorra de forma bem-sucedida nessa época caracterizada por freqüentes transformações.

Muito mais do que estimular os estudantes para o aprendizado das matérias do currículo tradicional, para o hábito de leitura, para os conhecimentos relativos às profissões e ao crescimento pessoal é necessário transmitir aos alunos conceitos e valores essenciais à vida em sociedade. As disciplinas que compõem os temas transversais – “ética”, “meio ambiente”, “saúde”, “orientação sexual”, “pluralidade cultural” e “trabalho e consumo” – são, nesse sentido, uma iniciativa tão louvável quanto indispensável. Nas salas de aula do mundo, a abordagem de assuntos essenciais como esses possibilitam aos mestres e aprendizes um conhecimento bem mais amplo sobre o particular e o universal – pontes que acabam por nos levar a uma percepção mais apurada sobre nós mesmos e sobre os que estão à nossa volta.

A verdade é que, nesse início de terceiro milênio, há que se ter um compromisso com a formação de novas gerações que compreendam que, acima da tecnologia ou das ciências, está o respeito pelo outro – base que fundamenta um mundo mais fraterno e igualitário. Crianças, jovens e adultos têm de aprender a conciliar a necessidade de se adaptar às pequenas e às grandes mudanças ao mesmo tempo em que têm de desenvolver a capacidade de enxergar para além de si mesmas, para além do individualismo. Assim, o altruísmo, a doação e o compartilhar serão, mais do que uma possibilidade, uma certeza rumo aos novos tempos. Isso sim é saber usar “informações” em prol de “formações”. O amor para com a família, os amigos, o afeto nas relações pessoais, a ética, a cooperação no ambiente profissional e os trabalhos sociais têm de dar o tom dessa jornada que empreendemos na direção de uma educação de excelência. Por isso mesmo, nas escolas da rede estadual de ensino temos procurado dar aos nossos alunos não apenas informações, mas, sobretudo, formações sólidas. Formações pautadas, por exemplo, no incentivo ao voluntariado, nas experiências de auxílio às comunidades, nas discussões, debates e reflexões sobre os problemas que afligem a sociedade. Que um número cada vez maior de pessoas possa fazer parte desse sonho de contribuir para a “formação” de cidadãos mais conscientes de seus direitos e deveres. Cidadãos capazes de transformar as informações que recebam em matérias vivas que gerem, de preferência, a tão desejada felicidade para o bem comum.

O centenário do arquiteto das curvas

Editorial  (Jornal do Brasil)

Que as homenagens programadas para 2007 sejam compatíveis com a riqueza da obra do artista. Ele merece. “A gente imagina que, daqui a 300 anos, ainda vão falar de nós”, comentou certa vez o antropólogo Darcy Ribeiro. “Mas é ilusão. Vão lembrar só do Oscar”, reconheceu um dos nossos mais conhecidos educadores, ao sublinhar a relevância do brasileiro Oscar Niemeyer. O exagero retórico, em se tratando de quem é, parece compreensível.

As hipérboles, verdadeiras ou não, costumam integrar a galeria de homenagens destinadas ao carioca que, conforme ressaltou o suíço Le Corbusier, num longínquo 1936, tem as montanhas do Rio de Janeiro nos olhos – por seus desenhos terem o encanto e as curvas da paisagem da mais bela cidade do mundo.

Sete décadas depois de o teórico número 1 da arquitetura moderna ter saltado de um zepellin para ajudar a construir o edifício-sede do Ministério da Educação, no Rio, a celebração vai-se ampliar ainda mais. Este é o ano do centenário de Oscar Niemeyer. Alvíssaras: um de nossos gênios da raça e o mais importante arquiteto brasileiro do século 20 chega aos 100 anos de idade, a serem completados em dezembro, com lucidez e vigor. Que as homenagens programadas para 2007 sejam compatíveis com a riqueza da obra do artista. Ele merece.

E merece sem que seja necessário concordar com as premissas de seus projetos, entre as quais a de que a forma não deve ser limitada pela função ou a de que a simplicidade, na arquitetura, é demagogia, e de suas convicções políticas, como ainda manter Marx e Lênin como heróis, admirar o ditador Fidel Castro, encantar-se com o bolivarianismo aventureiro do coronel Hugo Chávez e acreditar que a revolução é a trilha a seguir.

(Decerto Niemeyer já ouviu falar no clássico ditado segundo o qual o jovem que não é de esquerda e o velho que continua a sê-lo ou são tolos ou desonestos – cláusula que o presidente Lula, esquerdista de antanho e amigo do arquiteto comunista, ajudou a renovar ao pregar que, na travessia da juventude para a velhice, só quem tem “algo estranho” permanece de esquerda).

Esqueçamos, porém, os nexos obscuros entre a biologia e a ideologia. O que importa aqui é que, conforme sugeriu Darcy Ribeiro, a obra de Oscar continuará a ser estudada nos próximos séculos – em grande parte por seguir a lição do poeta francês Charles Baudelaire: “O inesperado, a irregularidade e a surpresa são parte essencial e característica da beleza”. Os projetos livres e audaciosos, materializados em décadas, demonstraram que é função da arquitetura emocionar.

Não por outra razão o arquiteto buscou escapar da linha reta e inflexível criada pelo homem e foi atraído pelas curvas – inspiradas, segundo o próprio, nas montanhas brasileiras, no curso sinuoso dos rios, nas ondas do mar. Pois seja. O que dizer da soma de beleza e intervenção arquitetônica inusitada instituída por Oscar mundo afora?

O criador de sólidos flutuantes exibe uma galeria incalculável em Belo Horizonte (o conjunto da Pampulha), São Paulo (Parque do Ibirapuera), Milão (a sede da Editora Mondatori), Paris (a sede do Partido Comunista), Caracas (o Museu de Arte Moderna da capital venezuelana), Nova York (a sede da ONU), Niterói (Museu de Arte Contemporânea) e, claro, Brasília. Incluam-se ainda obras recentes, como o Serpentine Gallery, em Londres, a escultura concebida para os jardins de Bercy, em Paris, e o monumento para Simon Bolívar, em Caracas.

Das obras e espaços criados ao longo de todo esse tempo, lamente-se a pouca presença de Oscar Niemeyer na sua cidade natal. Há a Passarela do Samba, é verdade, mas não basta. Enquanto Niterói tem o MAC, falta aqui uma obra igualmente significativa. Que o prefeito Cesar Maia aproveite o centenário do arquiteto para fazer este favor aos cariocas. O Rio e Oscar merecem.

Quarta Viva em Aracaju

Para estar mais próximo dos telespectadores da região Nordeste, Gabriel Chalita está levando o programa Quarta Viva para Aracaju, capital do Estado de Sergipe, na noite de hoje. Os entrevistados serão Dom José Palmeira Lessa, arcebispo de Aracaju, João Alves, ex-governador do Sergipe, e Luiz Antonio Barreto, historiador e pesquisador da cultura nordestina.

Apresentações de artistas locais também serão atrações do programa Quarta Viva. Em outras oportunidades, Gabriel Chalita levou o programa Quarta Viva para ser apresentado a partir de outras cidades do Brasil, com a intenção de mostrar a diversidade cultural, intelectual e artística do Brasil. Já houve programas apresentados em Cuiabá, São José dos Campos e Santos.

ATRAÇÕES DO PROGRAMA DE HOJE

Escultor Beto Pezão (José Roberto Freitas) – O artesão, de 54 anos, é conhecido em Sergipe como Beto Pezão, uma referência à sua preferência de esculpir pés em barro. Nascido em Santana do São Francisco, interior do Estado, aprendeu esse ofício aos seis anos de idade ajudando seu pai. Aos nove anos, já modelava e produzia algumas peças para serem comercializadas. Participou de várias feiras de artesanato fora do país.

Pedro Amaro e Izabel Cristina Santana – Pedro Amaro do Nascimento é natural de Pau D’Alho, no Pernambuco, mas vive em Sergipe há mais de 30 anos. É poeta repentista e tem cerca de 60 livros em cordel, entre eles: Páginas da Bíblia, Teologia em Cordel, João Paulo II, Frei Damião e a Santa Missa Didática. Izabel Cristina Santana do Nascimento é sergipana, filha do poeta Pedro Amaro, e herdou do pai o dom de versejar. É formada em Pedagogia, e atua como professora há quase 10 anos. Atualmente está desenvolvendo um trabalho específico para crianças, para elas conheçam o que é cordel.

Repentistas “Vem Vem do Nordeste” e “Galego da Viola” – José Rodrigues Sobrinho (Vem Vem do Nordeste) tem 30 anos de profissão. Viaja por todo o Brasil divulgando seu trabalho. Coordena o Festival de violeiros e também faz programas de rádio. Edésio da Silva Maciel (Galego da Viola) tem 25 anos de profissão, já foi campeão em vários festivais em Sergipe e em outros estados, e toca com Vem Vem há mais de 20 anos. Para encerrar, os atores Guil Costa e Tânia Maria apresentam trecho do espetáculo “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. O espetáculo conta a história de dois artistas populares que se encontram numa praça e começam a disputar quem sabe mais sobre a cultura popular e folclore. Nessa disputa vão sendo apresentados de forma divertida e dinâmica os ditos populares, remédios caseiros, anedotas, danças e folguedos de Sergipe.

Retorno ao Espírito Santo

No dia 7 de maio, um grupo de 350 educadores se reúne no Teatro Municipal de Guaçuí, para ouvir uma palestra de Gabriel Chalita. O tema é “Práticas Educativas para a Educação no Século 21″.

Chalita deverá falar sobre inclusão, avaliações, adequações curriculares e melhores práticas pedagógicas, principalmente a partir de sua experiência como secretário de Educação do Estado de São Paulo e como presidente (por duas vezes) do Conselho Nacional dos Secretários de Educação – Consed.