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Carta de Direitos Humanos chega aos 60 como marco

Por Marcelo Ninio

Apesar de revezes em sua aplicação, declaração da ONU é referência obrigatória. Documento inspira tratados globais e leis em mais de 90 países; alta comissária lamenta persistência de impunidade e autoritarismo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, talvez o documento internacional mais conhecido da história, completa hoje 60 anos de sua adoção como referência obrigatória no respeito às liberdades e direitos fundamentais do homem.

Mesmo entre os ativistas que se dedicam a denunciar a limitada aplicação prática de seus 30 artigos, o texto é considerado a pedra fundamental do reconhecimento da igualdade e dignidade humanas, um marco que influenciou todos os tratados e iniciativas sobre o tema nas últimas seis décadas.

Inspirada na Declaração francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, e na Declaração de Independência dos EUA, de 1776, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada sob o efeito do trauma provocado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial e do genocídio nazista.

Seu primeiro artigo é certamente um dos mais repetidos em todos os tempos: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Os demais 29 defendem direitos básicos, como alimentação, segurança, trabalho e liberdade de expressão.

Artigos muitas vezes em falta no planeta, reconhece a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navanethem Pillay, para quem a declaração continua sendo uma “promessa não cumprida”. Mas ela lembra que o documento inspirou vários tratados internacionais e as leis de mais de 90 países.

Além disso, diz Pillay, a declaração motivou a criação de mecanismos regionais e nacionais de monitoramento do respeito a seus princípios, incluindo o Alto Comissariado, que chefia desde setembro.

Para ela, a obsessão por segurança em alguns países nos últimos anos criou um novo desafio à declaração. “É preciso reconhecer que a impunidade, os conflitos armados e os regimes autoritários não foram derrotados, e que, lamentavelmente, os direitos humanos são às vezes colocados de lado em nome da segurança”, disse a sul-africana Pillay à Folha, por email.

“Incontornável”

Adotado em Paris no dia 10 de dezembro de 1948 pelos então 58 Estados-membros da ONU, entre eles o Brasil, o documento tornou-se a base de tudo o que foi pensado em direitos humanos desde então.

“A Declaração Universal é um texto incontornável, que inspirou sete tratados e a própria estrutura da Comissão de Direitos Humanos da ONU”, disse à Folha, de Pequim, o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, um dos brasileiros mais respeitados na área.

Pinheiro, que foi relator da ONU em países onde o respeito aos princípios da declaração são pouco mais que uma utopia, como Mianmar, destaca a relevância histórica do texto.

“Ele lembra que o século 20 não foi só os horrores de genocídio e limpeza étnica, mas também o início da caminhada para combater essas e outras atrocidades”, diz.

A embaixadora do Brasil para direitos humanos em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo, defende a declaração como instrumento de cooperação, não de pressão. “Direitos humanos devem servir como inspiração, não imposição.”

A aplicação do documento é tema de constantes debates. Os ativistas que acompanham o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, costumam deixar as sessões com uma sensação de impotência, pela falta de mecanismos de punição aos violadores.

“Ninguém nega a importância da declaração, nem os países que não a respeitam”, diz Julie Rivero, da Human Rights Watch. “O problema é que a politização dos debates leva os países a esquecerem que o mais importante é a defesa das vítimas, não de seus interesses.”

Fonte: Folha de São Paulo – 10/12/2008

A viagem do elefante – nova obra de Saramago

Por Ubiratan Brasil

“Quem espera por uma história sombria vai ficar bem surpreso’”

Saramago revela detalhes sobre o bem-humorado A Viagem do Elefante, que ele define como conto. Uma certa fragilidade ainda é aparente, resquício de uma grave enfermidade respiratória que quase o matou.

Mas, aos 86 anos, o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, enfrenta com rara lucidez e energia renovada seu novo tour pelo Brasil, promovendo agora o lançamento mundial de A Viagem do Elefante (Companhia das Letras, 264 páginas, R$ 42), livro em que narra a aventura verídica de um elefante que rumou, em 1531, de Lisboa a Viena, presente de um rei português. “Tive algo semelhante a três pneumonias, perdendo 20 quilos em pouco tempo”, disse o autor de sucessos como Ensaio sobre a Cegueira, A Caverna e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, em entrevista ao Estado, na segunda-feira, depois de homenageado por funcionários da editora.

O senhor gosta de dizer que A Viagem do Elefante é mais uma história que um romance. Por quê?

Na verdade, eu prefiro chamá-lo de conto. Não me preocupei com o número de páginas para defini-lo devidamente, mas, nesse livro, não há nenhum ingrediente que se costuma encontrar em um romance, como um conflito complicado ou um problema de família. A própria forma de narrar é a de contar algo, daí eu tê-lo chamado de conto, como apropriadamente consta na edição brasileira. Em Portugal, porém, isso não foi aceito e lá chamam de romance. Como não quis entrar em uma discussão sem sentido, não argumentei, mas preferia que o tratassem então de “livro” e não romance.

O enredo é inspirado em fatos históricos, mas a possibilidade de poder criar personagens fictícios foi o que mais o atraiu?

Sim, pois os fatos históricos preencheriam apenas duas ou três páginas, com todos os pormenores. Não mais que isso. Confesso que não esperava escrever um livro com mais de 250 páginas – acreditava chegar a, no máximo, 120. Mas, como tive de inventar situações, seu tamanho ficou maior. O que me agrada no trabalho final é o fato de o leitor ser conduzido pela linguagem e não apenas pelo enredo. Como autor, acredito que a escrita é ao mesmo tempo atual e referente ao momento em que se passa a história, século 16. Fiz, então, uma simbiose entre o português que falamos hoje e o que se escrevia naquela época. Acho que ficou bem resolvido, pois introduz uma dinâmica diferente: o leitor é constantemente surpreendido (como eu mesmo fiquei) com certas palavras e construções frásicas.

Como foi essa surpresa?

Foi algo que não posso dizer que tenho explicação. Mas vou tentar explicar. À medida que envelhecemos, vamos acumulando aquilo que chamo de segmentos lingüísticos. Hoje, não falo como quando tinha 8 anos nem sequer quando estava com 30. Há uma espécie de camadas que vão se acumulando, do mais antigo ao mais recente. Tenho a impressão de que, durante a doença que me atacou e da qual tive a rara sorte de escapar com vida (ao menos um médico que me atendeu disse isso), camadas antigas voltaram à superfície. Ou seja, palavras que eu não mais usava ali estavam e figuram na história. Não apenas escrevi o livro, mas o livro também escreveu a mim. Não posso dizer que se trata de uma verdade científica, mas algo realmente diferente se passou pela minha cabeça.

O senhor acredita então que, se não tivesse enfrentado a enfermidade, o livro teria sido diferente?

Possivelmente. Eu contaria a mesma história. No essencial, talvez não existiriam grandes diferenças. Mas, justamente o que não é essencial contribui (e muito) para que essa história se torne única.

Um leitor desavisado, que não soubesse o que lhe passou, não desconfiaria de sua doença, pois o livro é recheado de humor e ironia.

De fato, o humor é o que aparece mais. E assim tinha de ser, pois não gosto de pôr a minha intimidade assim a claro. Quem espera por uma história sombria surpreende-se. Não tanto pelo humor, que está presente em minha obra, mas pela forte presença que nunca antes tinha acontecido. O livro começou a ser escrito em fevereiro de 2007 e, até maio, escrevi cerca de 40 páginas. Não avancei porque minha saúde piorou. Mas, como eu já estava determinado a um certo tipo de narrativa, não houve uma quebra no estilo. Tanto que, 24 horas depois de ter saído do hospital, corrigi aquelas 40 páginas e escrevi o que faltava. É como se houvesse outro eu a escrever por mim. Nesse período, aconteceram coisas muito estranhas. Como ter a visão de um fundo escuro com quatro pontos luminosos, que formavam um quadrilátero irregular. Para mim, aqueles quatro pontos eram eu. É um exemplo de como estava minha cabeça naquele momento e de como estava convicto em terminar o livro.

Suas opiniões sempre são muito apreciadas. Assim, o que se pode esperar do presidente americano Barack Obama.

Em condições normais, seria apenas mais um presidente. Mas trata-se de um negro no comando. É uma revolução, porque invadiu o consciente e o inconsciente de um país que sempre enfrentou o racismo e a Ku Klux Klan.

E sobre a atual crise econômica?

É o que me faz repetir que Marx nunca teve tanta razão como agora.

 

Fonte: Estado de São Paulo – 26/11/2008

Retrato de um homem invisível

Por Gabriela Longman (Folha de S.Paulo)

Sem forças” e encerrado em seu apartamento em um bairro nobre de Paris, Lévi-Strauss não deverá participar das comemorações de seu centenário; amigos falam sobre a convivência com o antropólogo.

Tido como o pai do estruturalismo e grande responsável pela afirmação da antropologia no campo das ciências humanas, ele assistiu -ou participou- às infinitas transformações políticas, sociais e comportamentais do século 20.

Depois de atravessar duas guerras mundiais, um Maio de 68 e todos os rebuliços que se seguiram, a Paris atual tem muito pouco em comum com aquela em que ele passou a infância e a juventude.

Grande área residencial da burguesia parisiense -comparável, talvez, ao bairro de Higienópolis, em São Paulo-, o 16º arrondissement foi desde sempre a casa de Lévi-Strauss.

É ali que mora, há mais de 50 anos, num quinto andar do número 2 da rua dos Marroniers. A poucas quadras, fica a rua Passy, endereço onde viveu por mais de 20 anos com os pais, num apartamento de onde se avistava ainda o campo e suas fazendas.

Hoje, os prédios de La Défense -principal centro financeiro da França, localizado no extremo oeste- transformaram a paisagem.

A arquitetura de arranha-céu que Lévi-Strauss vira em São Paulo nos anos 1930 e em Nova York nos anos 1940 ganharia um canto específico para se desenvolver, para que o restante de Paris mantivesse preservada a unidade estética dos prédios baixos, telhados com chaminés, terraços de ferro e os bulevares haussmanianos que deixam transparecer os séculos 18 e 19.

Se a arquitetura se manteve em certa medida uniforme, para a alegria dos turistas, a população mudou.

Milhões de chineses, marroquinos, brasileiros, senegaleses, malianos são agora tão parisienses quanto aquele professor de etnologia que trabalhava como subdiretor do Museu do Homem e visitava os mercados de pulgas em busca de peças exóticas para sua coleção.

O kebab é tão popular quanto o crepe. O pluriculturalismo -termo em grande medida lévi-straussiano- é a marca principal desta nova cidade e de seus subúrbios, com todos os problemas de imigração e discriminação que gravitam em torno desse novo quadro.

A Paris de Godard e Truffaut é substituída pela de Laurent Cantet, com “Entre Paredes”.

“Sem forças”

Mas esta cidade, mais lévi-straussiana do que nunca, tornou-se distante para Lévi-Strauss, que praticamente não sai mais de casa. No dia 25, não irá ao colóquio que o Collège de France organiza com a presença de alguns de seus principais seguidores. E, no 28, não estará presente à grande jornada de homenagens que o Museu do Quai Branly prepara para o centenário, com leituras de suas obras, projeção de documentários e fotos das expedições.

“É preciso dizer que ele está absolutamente sem forças”, adverte à Folha, por telefone, a secretária que gerencia sua correspondência.

As visitas de seus ex-alunos se tornam cada vez mais raras, assim como rareou-se seu hábito de escutar música clássica ao longo da tarde. Mas são fatos recentes. Até o ano passado, Lévi-Strauss recebia amigos para jantar, lia publicações de sua área.

Com freqüência, atravessava ainda o rio rumo ao Quartier Latin, onde fazia visitas ao Laboratório de Antropologia Social (LAS), que ele fundou em 1960 após sua nomeação para a recém-criada cadeira de antropologia social do Collège de France, grande consagração de seu nome e seu trabalho.

Visitar hoje o laboratório no nº 52 da rua Cardinale Lemoine é mergulhar na atmosfera parisiense dos anos 1970, com o carpete vermelho manchado, um cheiro agridoce e o design editorial antiquado dos periódicos, expostos lado a lado numa pequena vitrina de vidro.[…]

Escaninho vazio

Entre os avisos no mural da entrada, uma folha sulfite anuncia um colóquio em homenagem a Lévi-Strauss na Rússia e escaninhos de madeira guardam a correspondência destinada a cada um dos membros. O de Lévi-Strauss está lá, sim, embora vazio.

A vice-diretora Brigitte Derlon lembra-se bem de vê-lo chegar até bem pouco tempo, caminhando com certa dificuldade, mas bem-disposto.

Quando criou o laboratório, o etnólogo francês contava com a companhia de um pesquisador romeno, Isac Chiva, a quem nomeou subdiretor.

Fugindo do stalinismo, o jovem judeu chegou a Paris, onde foi aluno de Lévi-Strauss na Escola Prática de Altos Estudos antes de tornar-se seu parceiro. Hoje, também recolhido em seu apartamento, tem dificuldade para rememorar antigos nomes, datas, histórias.

“Lévi-Strauss está bem, afinal tem cem anos. O problema sou eu, que tenho 82 e estou assim. É muito difícil lembrar. Não deveria ter aceitado te receber para esta entrevista, pois não tenho mais memória”, diz.

Cada frase é interrompida e seguida por longos silêncios e as perguntas ficam quase todas sem resposta. Mas, ao ouvir falar em Lévi-Strauss, o colega caminha da sala até sua biblioteca e começa a mostrar as primeiras edições de “Antropologia Estrutural”, “As Estruturas Elementares do Parentesco” e “Tristes Trópicos” autografadas.

“Para Isac Chiva, pesquisador sutil e tenaz, em testemunho de minha estima e amizade”, diz uma das dedicatórias. Esses amigos de tanta convivência jantavam juntos há um ano, mas hoje muito raramente trocam um telefonema.

Resposta doce

De uma geração bem mais jovem de pesquisadores, Emmanuel Devaux foi procurá-lo em 1978. “Eu era um jovem tímido. Queria saber se era pertinente partir para um trabalho de campo na América do Norte, e não na Amazônia, como faziam todos os meus colegas do departamento”, contou à Folha.

Lévi-Strauss recebeu-o, muito cortês. “Vá sim, mas saiba que será deprimente”, foi a resposta. Em 2007, Devaux enviou-lhe um livro, em que questionava os conceitos estruturalistas. “Recebi uma resposta muito doce que dizia: “Leio seu livro ainda, embora muito lentamente. O que me deixa mais tempo para meditar sobre nossas concordâncias e discordâncias”.”

As atuais concordâncias e discordâncias de Lévi-Strauss em torno da imigração na França, da eleição de Obama, da crise financeira e de outras ordens do dia são um mistério. Faz alguns anos que parou por completo de dar entrevistas por “já não se considerar um homem deste tempo”.

E de que tempo ele é, então? Talvez daquele tempo mítico que ele próprio descreve em “A Via das Máscaras”.

Tempo em que a coleção de arte primitiva morava no Museu do Homem, e não no enorme Museu do Quai Branly, criado por Jean Nouvel.

Tempos de Barthes, Bachelard, Braudel. Hoje, todos eles viraram nomes de ruas parisienses, escritos em letras brancas sobre placas azuis. Saussure é uma avenida movimentada perto da Porte de Clichy, bem ao norte. Foucault é uma alameda que termina no rio, colada ao Trocadéro.

Hoje, solto num tempo em que seus amigos, inimigos e seguidores diretos já desapareceram, Lévi-Strauss persiste como homem e como mito -ele que tanto analisou a interação simbólica entre vivos e mortos na sociedade dos bororos. Disputando com Sartre o título de intelectual mais influente do século 20, ele é ainda um senhor de cem anos, recolhido no silêncio. Absolutamente vivo.

Escritos do passado. Darcy Ribeiro, 1995

Por Darcy Ribeiro

Sabedoria

Vejo por aí muita criança perguntona e não vejo ninguém com paciência para explicar as coisas a elas. Dá pena. Sobretudo, das menininhas de voz esganiçada, perguntando: Por quê? Para quê? Por isso sou professor . Só peço que não me tratem de tio. Não sou tio de ninguém, não. Sou é escritor.

Vou contar para vocês, tintim por tintim, tudo que sei. Não digo que sei tudo, nem digo que o que sei seja sempre verdade. Quem sou eu? Vou dizer aqui, por escrito, o que acho das coisas desse mundo, com a sabedoria que vim juntando a vida inteira. Não sou velho, mais sou meio erado, antigo.

Sempre vivi de olho aceso, assuntando, querendo entender. Assim é que aprendi: observando. Mais, ainda, aprendi de oitiva, escutando sabedorias alheias e conferindo. Li, também, muito almanaque e revista e fui guardando na cabeça o que prestava. Estudo mesmo, estudei muito demais, mas aprendi pouco. Tome o que digo aqui como minha opinião, não mais. Se puder desmentir, desminta logo. Respeitarei sua opinião. Se não for bestagem rematada, acato. Nada contra.

Conheci muita gente considerada sábia e quis aprender com elas. Não deu certo. Os sábios são muito minuciosos. Cada qual sabe lá sua coisinha e ignora todo o resto. E o resto é o mundo inteiro. Eles são variadíssimos.

Há sábios para toda sorte de coisas. Sábios para bichos – os zoólogos; sábios para plantas – os botânicos; sábios para micróbios – os microbiologistas; sábios para gentes – os etnólogos; sábios para vinhos – os enólogos; até sábios para capins existem – eu não sei é como eles se chamam.

Também há sábios híbridos, que misturam sabedorias para ver se entendem melhor alguma coisa, como os físico-químicos, os químico-físicos, os biofísicos, os geofísicos e outros. Esses doutores formados, que falam com toda a empáfia da sabedoria deles, não são sábios coisa nenhuma. Quase todos são uns ignorantes, como a gente mesmo, só sabem coisas lá da cuca deles, com que ganham a vida.

Há muita gente especializada que, sem ser sábio, sabe alguma coisinha. O diabo é que, quanto mais aprofundam no saber do que sabem, mais ignorantes ficam o resto. Os advogados sabem como enrolar as leis para defender criminosos e ladrões, Vez por outra, defendem inocentes, também. Os médicos sabem algumas das doenças, mas ignoram as outras todas. São muito sujeitos à moda. Quando dão de operar amígdalas, arrancam as amígdalas de todo mundo. O mesmo fazem quando a moda é operar apêndice. Agora, acham que todo mundo está loucão e precisa de pílulas tranqüilizantes, ou psico-qualquer-coisa.

Para procurar médico, a gente precisa, primeiro, prestar atenção para ver que doença tem, senão gasta muito dinheiro à-toa. Ir a um otorrinolaringologista com dor nos rins é perda de tempo: eles só sabem de otites, de dor de garganta e de espirro desenfreado. Os ortopedistas encanam perna quebrada direitinho, mas não sabem nada de quem sofre do coração. Os engenheiros também são especializados demais: o que sabe fazer pontes, só faz pontes; o que sabe fazer casas, só faz casa.

Ás vezes, até penso que quem sabe mesmo é o povo, ou as pessoas que não sabem nada. Mas cada um se vira com o pouco que sabe para ganhar a vida. Se todos os sábios do mundo desaparecessem amanhã, não fariam muita falta. Se o povo acabasse, isso sim seria um desastre. Os sábios morreriam de fome e de sede.

Trate de aprender tudo o que puder. Saber demais não ocupa lugar. Ignorância, sim. A sabedoria anda solta por aí, para a gente aprender o que quiser. Ela está menos nos livros que nos fazimentos, por isso se diz que quem sabe, faz, quem não sabe, ensina.

Se o mundo fosse acabar outra vez, num dilúvio, que faria o novo Noé da barca, para salvar a humanidade? Escolha você entre duas soluções. A primeira seria pegar dez sábios de cada profissão, formados em universidades, e levá-los para uma morraria deserta com seus livros e instrumentos de trabalho. A segunda seria catar na feira uns mil feirantes com suas mercadorias e carregar para o mato. Quem salvaria a humanidade?

DARCY RIBEIRO – NOÇÕES DE COISAS – 1995 – PÁG. 09-11

Consciência Negra

Comemora-se hoje, 20 de Novembro, em 12 estados brasileiros o Dia da Consciência Negra. Celebrado este ano em mais 97 cidades do que no ano anterior, a data pretende lembrar a resistência dos negros à escravidão.

O dia 20 de Novembro foi escolhido para esta comemoração uma vez que marca a morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, um importante foco de resistência da população negra escravizada que lutava pela liberdade. Nos quilombos reuniam-se os escravos negros que tinham conseguido fugir das fazendas.

Zumbi dos Palmares morreu em 1695 com 40 anos após ter sido denunciado, e capturado por portugueses. Foi-lhe cortada a cabeça, e o seu corpo foi exibido em praça pública para fomentar o medo entre os escravos e impedir novas revoltas e fugas. O efeito foi contrário àquele que era esperado e a consciência de que era preciso lutar contra a escravidão despertou.

Na altura em que Zumbi era líder viviam aproximadamente 30 mil pessoas no Quilombo dos Palmares. Zumbi nasceu livre mas com sete anos foi capturado e entregue a um missionário português, foi baptizado, aprendeu português e latim, ajudou na missa mas aos 15 anos fugiu para voltar a viver no quilombo.

Quando em 1675 o local foi atacado por soldados portugueses, Zumbi destacou-se na forma como o defendeu e em 1680 tornou-se líder do Quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as tropas do governo.

Este dia serve como um momento de consciencialização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional brasileira e pretende ser uma forma de contrapor o dia 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura, comemoração que tem sido rejeitada por celebrar a atitude de uma branca, ou seja, enfatizar a «generosidade» de D. Isabel, responsável pela abolição da escravatura no Brasil.

A abolição da escravatura, de forma oficial, só aconteceu em 1888.

Melhor ficção de 2008: Ignácio de Loyola Brandão

O livro infantil “O Menino que Vendia Palavras”, do escritor Ignácio de Loyola Brandão, colunista do jornal O Estado de S. Paulo, foi eleito na sexta-feira (31) a melhor ficção do ano do Prêmio Jabuti. A obra foi publicada pela editora Objetiva. “Foi uma surpresa, pois eu esperava que Cristovão Tezza vencesse”, disse Loyola.

Tezza é um dos destaques do ano, por ter conquistado com seu livro “O Filho Eterno”, publicado pela editora Record, o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em dezembro de 2007, o “Prêmio Bravo!”, anunciado na última segunda-feira, e o Portugal Telecom, divulgado na quarta.

O Prêmio Jabuti na categoria não-ficção foi entregue ao paranaense Laurentino Gomes pela obra “1.808″ (Planeta). Tanto Loyola quanto Gomes receberam R$ 30 mil em cerimônia na Sala São Paulo, na capital paulista. “Fiquei feliz com a premiação de um livro de história, que está entre os mais vendidos, derrubando o mito de que o brasileiro só lê auto-ajuda”, disse Gomes.

Foram analisadas 2.141 obras. A premiação total do Jabuti 2008 é de R$ 120 mil, sendo que o primeiro lugar de cada uma das 20 categorias recebe R$ 3 mil. Os autores dos melhores livros do ano de Ficção e Não-Ficção recebem R$ 30 mil cada um.

Fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=823779&tit=Livro-de-Ignacio-de-Loyola-Brandao-leva-Premio-Jabuti

O fenômeno Chalita

Por José Renato Nalini (Jornal de Jundiaí)

Gabriel Chalita foi o vereador mais votado na capital. Exatamente, 102.048 votos. Votação de deputado federal. Edis com número bastante inferior já postulam futura senatoria. Pesquisa feita por grandes jornais, dias antes, mencionavam personalidades a indicar vários futuros vereadores e não citava o nome do mais votado. Apontado como “puxador de votos” para o candidato a Prefeito Geraldo Alckmin, foi alvo de denúncias inconsistentes.

Uma delas imputava a ele haver omitido em sua declaração de rendas sociedade numa editora cujo capital era de R$ 10 milhões. Dez milhões de reais. Na verdade, a editora não passara de um sonho utópico de adolescente. Por recomendação de seu professor André Franco Montoro, aquiesceu em fazer parte de uma sociedade para publicar apostilas e livros do Mestre da PUC-SP. O capital era de RC$ 10 milhões: Dez milhões de cruzados. Isso equivale, hoje, a R$ 3.600,00 aproximadamente. Há uma grande diferença entre dez milhões de reais e três mil e seiscentos reais. Nunca integralizados, para formar pequena empresa que não chegou a publicar nada e foi objeto de futuro distrato. O esclarecimento feito em oportuno só foi publicado às vésperas das eleições e num espaço diminuto. Mesmo assim, foi estrondosa a sua consagração nas urnas.

Como explicar essa vitória? GABRIEL CHALITA tem 39 anos. Aos 18, foi vereador em Cachoeira Paulista. Desde sempre, militou na Igreja e em causas sociais. Aluno o mais aplicado em todos os cursos, dois bacharelados, dois doutorados e prossegue os estudos de pós-doutorado. Escreveu mais de cinqüenta livros. Sobre filosofia, ética, direito. Mas também publica poesia, ensaio, biografia, obras edificantes e essenciais à formação do caráter.

Foi Presidente da FEBEM, Secretário da Juventude e Secretário da Educação do Estado de São Paulo. Faz programa diário na rádio e semanal na televisão. Parece dispor de um especial talento: o da ubiqüidade. Está em todos os lugares a proferir conferências, palestras, aulas, depoimentos, testemunhos e exortações. Mas isso não explica a sua penetração em todos os segmentos. É que CHALITA é generoso. Vivencia o princípio da dignidade da pessoa humana em plenitude. Trata com atenção e carinho a crianças, jovens, adultos e idosos. É um ser muito amado, dotado de um carisma singular, que inaugura uma nova fase na política brasileira. Uma candidatura à Câmara Municipal de São Paulo é empreitada muito séria. Políticos tradicionais e grupos poderosos se propõem a conseguir uma das 55 cadeiras, pois o Legislativo local interfere na economia nacional. São Paulo é o terceiro orçamento da República. O primeiro é o da União, o segundo é o do Estado de São Paulo. O terceiro é o de sua capital. Isso significa dispêndio de enormes somas de dinheiro. CHALITA se elegeu sem o investimento de outros candidatos. Alguns chegaram a contratar 3 mil pessoas no dia da eleição. Ele fez uma campanha direta. Pessoal. Até personalíssima. Compareceu a todas as escolas e fez palestra para uma classe, para duas classes, para o colégio todo. Pela manhã, à tarde e à noite. Percorreu paróquias. Assistiu a missas. Participou de cultos. Fez leituras. Fez conferências. Visitou escritórios de advocacia, empresas e instituições. Tem facilidade em se comunicar. E quem o assiste, fica seduzido por suas propostas. Um amigo meu que assistiu a uma palestra dele na escola de seus filhos, na manhã seguinte ligou pedindo material de divulgação da eleição. Garantiu, junto à sua família, cem votos. Ficou encantado com a sinceridade, pureza de propósitos e disposição em mudar os parâmetros de conduta de uma Edilidade que até há pouco envergonhava os paulistanos. Quem não se lembra dos adesivos: “Tenho vergonha dos vereadores de São Paulo”?

Sua eleição realimenta a esperança de quem acredita em política provida de eticidade. Quem o não ouviu, mas leu seus livros. Também tem direito a se nutrir dessa esperança. Quem o não conhece e não votou nele porque mora em outro município, pode erigir sua conduta como parâmetro para os edis de sua cidade. Espera-se muito de GABRIEL CHALITA. Agora é o momento de concretizar, como formulador de regras gerais e abstratas destinadas à disciplina social, o seu sonho de tornar o mundo mais harmônico e mais fraterno. É nisso que a sua legião de amigos está a confiar.

Fonte: http://www.portaljj.com.br

Muito obrigado!

Por Gabriel Chalita

Desde cedo meu pai me ensinou a beleza de dizer “‘muito obrigado”. Duas palavras que expressam uma alma que se faz diferente quando encontra outra alma. As almas se encontram. Os sonhos também. E nesses encontros – alguns duradouros, outros o necessário para que um sorriso diga: conte comigo. Fica um sabor de gratidão.

Chegamos ao final dessa jornada cidadã. Percorri lugares e conheci pessoas nessa cidade imensa. Fui muito bem recebido. Educadores, famílias, líderes religiosos, artistas, mulheres e homens que na simplicidade de um gesto me fizeram acreditar ainda mais que esta é a minha missão, este é o meu ofício. Trabalhar com as pessoas pelas pessoas.

Estudei e estudo muito. Gosto de aprender com os livros e com as pessoas. Os problemas desta cidade não são poucos, mas eu quero trabalhar com dignidade para que os meus sonhos, os mesmos que encontraram sonhos comuns nessa jornada, possam ser realizados.

Agradeço à minha equipe. Ao coordenador da campanha, meu irmão querido Paulo Alexandre Barbosa, e a toda essa juventude de todas as idades que me conduziram com paciência e paixão. Cada ator é fundamental para que o espetáculo diga a que veio.

Quero, enfim, pedir a Deus que abençoe a cada um de vocês que me ajuda a construir algumas páginas do livro da minha vida, da nossa vida, porque não há monólogo nesse universo grandioso da palavra. Duas palavras. Muito obrigado.

Pará de Minas recebe Prof. Gabriel Chalita

Está tudo preparado para a realização da “Semana Empresarial 2008″ que acontecerá nos dias 28 e 29 de outubro. Neste ano, os grandes nomes serão Gabriel Chalita, que deu um show de conhecimento e simpatia em 2006 e está de volta a pedido dos associados, desta vez falando sobre “Gestão de idéias: como se pode transformar idéias em realidade”.

O outro palestrante será o nadador Gustavo Borges, que abordará o tema “Atitude de campeão”, contará como fez para ser um vencedor e o que pode ser feito para ser um campeão nos empreendimentos. Gabriel Chalita, além de se apresentar no dia 28, fará uma palestra direcionada aos educadores no dia 29, com o tema “Pedagogia da Amizade”.

Fonte: www.ascipam.com.br

As duas palestras terão a seguinte abordagem:

Gabriel Chalita: “Gestão de Idéias”

O gestor precisa harmonizar as práticas educacionais, humanistas, com o mercado competitivo das empresas e organizações. Para isso, o gestor deve ser um líder no conceito mais nobre e integral do mesmo.

As pessoas são diferentes e isso representa um grande desafio para o líder de um processo organizacional.

É preciso saber motivar, diante do desânimo e dos numerosos medos pessoais e profissionais.

“Pedagogia da Gentileza”

Temos que reaprender as atitudes que nos despertem sentimentos opostos àqueles que compõem o vício da violência. A essência da existência humana está nas coisas mais singelas. É preciso aprender a ver essas coisas. E é preciso aprender a compreender os valores.

Aristóteles dizia que felicidade é a associação da prosperidade com a virtude. Essas duas coisas se integram, porque o virtuoso se eleva para a prosperidade moral – que por sua vez induz quase compulsoriamente à felicidade material.

Diocese de Caraguatatuba celebra seus 10 anos

Criada pela Para João Paulo II em 1º de maio de 1999, a Diocese de Caraguatatuba, que compõe a sub-região de Aparecida, está se preparando para comemorar seus 10 anos. Uma comissão, formada por padres e leigos, esta preparando uma série de eventos que marcam este tempo festivo.

Uma das primeiras iniciativas é o lançamento da logomarca comemorativa, escolhida a partir de um concurso. Os vencedores foram os jovens Richard Lippi e Mayara Cristina Peixoto. Por 12 meses a logomarca deverá constar de todos os institucionais e timbrados diocesanos e paroquiais.

Além da Romaria diocesana que aconteceu no final de setembro, reunindo cerca de 800 diocesanos na Basílica de Aparecida e em visita ao Seminário Beato Jose de Anchieta, em Taubaté, outros eventos bastante significativos devem acontecer ainda neste mês de outubro.

O primeiro deles, agendado para 20 de outubro e por ocasião do Dia do Médico, é o encontro do bispo diocesano Dom Altieri com os profissionais de medicina de todo o Litoral Norte. Esta será a segunda vez que esse evento acontece e contará mais uma vez com a presença do Padre Leocir Pessini, camiliano, atualmente Superintendente da União Social Camiliana, Vice-Reitor do Centro Universitário São Camilo em São Paulo e no Espírito Santo, Membro do conselho – Revista Acta Bioethica. Autor de diversos livros, doutor em Teologia Moral, atuando principalmente nos temas ligados a bioética, eutanásia, distanásia, saúde e ética. Pe. Léo vem falar aos profissionais de medicina sobre “Bioética e saúde: o desafios éticos na fronteira dos avanços tecnocientíficos ( células tronco). A participação é aberta e inclui profissionais que se interessem pelo tema.

Já no dia 21 de outubro, em comemoração ao Dia do Professor, um presente aos educadores. O professor Gabriel Chalita fará uma palestra no Teatro Municipal Mario Covas, em Caraguatatuba. Chalita é escritor, membro da Academia Paulista de Letras e da União Brasileira de Escritores, autor de 45 livros, a maioria nas áreas de educação, filosofia, ética, direito, biografias. É doutor em Comunicação e Semiótica e doutor em Filosofia do Direito. É mestre em Ciências Sociais e mestre em Direito. É professor dos programas de graduação e pós-graduação da PUC e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Como homem público, foi Secretário de Estado da Educação e nesta eleição, o vereador mais votado de São Paulo com mais de 100 mil votos. Ex-aluno de Dom Altieri, acolheu o pedido para vir falar aos educadores sobre “Pedagogia da Amizade”. Uma reflexão sobre os riscos provocados pelo “bullying”. Os dois grandes eventos estão marcados para às 19 h.