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Homenagem aos Professores: A Origem dos Diamantes

Por Gabriel Chalita

Professores são arautos. Portadores que se ocupam em levar mensagens diversas aos receptores que, ao fim, simbolizam a esperança que depositamos em novos e melhores tempos. Movidos por um altruísmo comum aos grandes personagens da História – que comumente mesclam em sua jornada um misto de idealismo e capacidade de realização -, nosso exército de mestres desbrava fronteiras e adentra aldeias indígenas, comunidades quilombolas, bairros movimentados das metrópoles.

Seja nos cursos mais elementares de alfabetização, seja nas universidades mais renomadas do País, sempre há a figura desse lapidador. Desses homens e mulheres que, cuidadosamente, permitem que pedras brutas se transformem em jóias cujo brilho é capaz de iluminar o futuro. Hoje é Dia do Professor. Data que demanda reflexões sobre o que é realmente essencial no vaivém contínuo do processo ensino-aprendizagem. Momento de observar que, nas últimas décadas, o papel da escola foi ganhando novos contornos. Novas alterações provenientes de métodos educacionais mais modernos. Resultantes tanto da troca ininterrupta de experiências no setor quanto da consciência social em torno da importância da educação. Do ensino de excelência nesta que é a Era da Informação e do Conhecimento. São mudanças que ampliaram sobremaneira os horizontes. Renovações que tiveram início com passos importantes rumo à democratização da aquisição de conhecimento. Hoje, muitas escolas já estão informatizadas e, portanto, conectadas ao mundo. Exigência de uma época que requer habilidades e talentos cada vez mais diversos, como a fluência em mais de um idioma. É fato que o mercado de trabalho não tolera amadores. E também é fato que a cobrança sobre a capacidade dos aprendizes recai sobre o professor. Profissional de quem a sociedade exige aprimoramento ininterrupto. Por esse motivo, é importante que os educadores relembrem os modelos referenciais do ensino de qualidade muitas vezes empregado ao longo da História. É o caso do método utilizado por Aristóteles em seu desejo de formar uma geração de jovens éticos e, portanto, felizes. O liceu do estagirita era um espaço privilegiado em que a virtude e a busca pelo meio termo permeavam as discussões filosóficas entre o educador e seus jovens aprendizes. No mesmo diapasão, o filósofo Pedro Abelardo, nas escolas francesas, desafiava os estudantes a colocar em prática o potencial gigante, mas ainda adormecido, que habitava em cada um. Mais recentemente, temos o modelo de Dom Bosco, mestre dos salesianos. Verdadeiro professor que exaltava o amor como o único caminho para a educação verdadeiramente completa. Mário Quintana, em outra seara, poetizava: “E no dia em que tratardes um dragão por Joli, ele te seguirá por toda a parte como se fosse um cachorrinho”. Por meio dessa metáfora tão bela quanto inusitada, o poeta nos ensina que é possível modificar para melhor os seres considerados mais amedrontadores. Para isso, basta que recebam carinho e atenção como tratamento. Em outros termos: se até um dragão pode ficar dócil, carinhoso, o que dizer de um aluno? Já Paulo Bonfim, outro artesão da palavra – considerado o príncipe dos poetas brasileiros – diz que a juventude precisa de um tema. Um tema que a torne protagonista. Um tema que a instigue a viver. É como na arte: uma vez sem bons temas, as peças ficam sem sentido, os textos empobrecem, as danças perdem a magia. Eis aqui nossa homenagem àqueles que são leais à missão de educar. Sábios que não servem a um partido ou a um governo, mas sim à causa nobre da educação. Servem a um sonho. Talvez o mesmo vivenciado por Aristóteles, Abelardo, Dom Bosco: o sonho de lapidar diamantes. Mestres que neste, e em todos os outros dias, acreditam que o esforço do trabalho será recompensado pela magnitude do resultado. Pela beleza rara da jóia que começa a tomar forma, sempre, em suas mãos.

A Origem dos Diamantes

Por Gabriel Chalita (Correio Popular/Vale Paraibano, Diário do Grande ABC, Jornal da Tarde e A Tribuna)

Movidos por um altruísmo comum aos grandes personagens da História – que comumente mesclam em sua jornada um misto de idealismo e capacidade de realização –, nosso exército de mestres desbrava fronteiras e adentra aldeias indígenas, comunidades quilombolas, bairros movimentados das metrópoles. Seja nos cursos mais elementares de alfabetização, seja nas universidades mais renomadas do País, sempre há a figura desse lapidador.

Desses homens e mulheres que, cuidadosamente, permitem que pedras brutas se transformem em jóias cujo brilho é capaz de iluminar o futuro. Hoje é Dia do Professor. Data que demanda reflexões sobre o que é realmente essencial no vaivém contínuo do processo ensino-aprendizagem. Momento de observar que, nas últimas décadas, o papel da escola foi ganhando novos contornos. Novas alterações provenientes de métodos educacionais mais modernos. Resultantes tanto da troca ininterrupta de experiências no setor quanto da consciência social em torno da importância da educação. Do ensino de excelência nesta que é a Era da Informação e do Conhecimento. São mudanças que ampliaram sobremaneira os horizontes. Renovações que tiveram início com passos importantes rumo à democratização da aquisição de conhecimento. Hoje, muitas escolas já estão informatizadas e, portanto, conectadas ao mundo. Exigência de uma época que requer habilidades e talentos cada vez mais diversos, como a fluência em mais de um idioma. É fato que o mercado de trabalho não tolera amadores. E também é fato que a cobrança sobre a capacidade dos aprendizes recai sobre o professor. Profissional de quem a sociedade exige aprimoramento ininterrupto. Por esse motivo, é importante que os educadores relembrem os modelos referenciais do ensino de qualidade muitas vezes empregado ao longo da História. É o caso do método utilizado por Aristóteles em seu desejo de formar uma geração de jovens éticos e, portanto, felizes. O liceu do estagirita era um espaço privilegiado em que a virtude e a busca pelo meio termo permeavam as discussões filosóficas entre o educador e seus jovens aprendizes. No mesmo diapasão, o filósofo Pedro Abelardo, nas escolas francesas, desafiava os estudantes a colocar em prática o potencial gigante, mas ainda adormecido, que habitava em cada um. Mais recentemente, temos o modelo de Dom Bosco, mestre dos salesianos. Verdadeiro professor que exaltava o amor como o único caminho para a educação verdadeiramente completa. Mário Quintana, em outra seara, poetizava: “E no dia em que tratardes um dragão por Joli, ele te seguirá por toda a parte como se fosse um cachorrinho”. Por meio dessa metáfora tão bela quanto inusitada, o poeta nos ensina que é possível modificar para melhor os seres considerados mais amedrontadores. Para isso, basta que recebam carinho e atenção como tratamento. Em outros termos: se até um dragão pode ficar dócil, carinhoso, o que dizer de um aluno? Já Paulo Bonfim, outro artesão da palavra – considerado o príncipe dos poetas brasileiros – diz que a juventude precisa de um tema. Um tema que a torne protagonista. Um tema que a instigue a viver. É como na arte: uma vez sem bons temas, as peças ficam sem sentido, os textos empobrecem, as danças perdem a magia. Eis aqui nossa homenagem àqueles que são leais à missão de educar. Sábios que não servem a um partido ou a um governo, mas sim à causa nobre da educação. Servem a um sonho. Talvez o mesmo vivenciado por Aristóteles, Abelardo, Dom Bosco: o sonho de lapidar diamantes. Mestres que neste, e em todos os outros dias, acreditam que o esforço do trabalho será recompensado pela magnitude do resultado. Pela beleza rara da jóia que começa a tomar forma, sempre, em suas mãos.

Gabriel Chalita
Secretário de Estado da Educação

Oração do conhecimento

Por Gabriel Chalita

O conhecimento, Senhor, é um norte que ajuda a encontrar e percorrer a estrada da vida. O conhecimento é um caminho para se chegar à sabedoria. O conhecimento é um motor que move os sentimentos e controla as tempestades. O conhecimento é um dom e um ofício. Dom, porque o recebemos de Ti. Ofício, porque é preciso que saibamos todos os dias alimentá-lo de nosso esforço e determinação.

O conhecimento é um trunfo para que saibamos amar a todas as pessoas, sem que nos importemos delas serem absolutamente diferentes de nós. Se há ódio por outro povo, por outra raça, se há intolerância por outra cultura, basta que se saiba como são, como vivem, o que amam, e o horizonte se amplia.

O conhecimento é amigo. Amigo permanente, que nos torna livres da dependência constante de intérpretes. Nós sabemos, e isso nos dá segurança para acreditar nas nossas crenças e para sonhar os nossos sonhos.

O conhecimento é humilde. Quanto mais se conhece, mais se percebe o quanto falta para alcançar seu cume. Lugar que talvez nunca seja atingido, embora isso não nos dispense da subida. O cume nos aguarda como a flor aguarda o beija-flor, e como a noite aguarda a aurora.

O conhecimento é simples. E nessa simplicidade se percebe que, além da cultura que vem dos livros, é preciso contemplar a tradição de tantos e tantas que atingiram a
sabedoria sem nunca ter chegado ao título de doutor. São doutores da vida, e de vida intensa.

O conhecimento é sedutor. É envolvente saber que, a cada dia, uma nova lição pode ser aprendida. O barco está no oceano, e não há rotina. Todos os dias, é preciso ir em direção a algum lugar. As ondas são ora tranqüilas, ora gigantescas. Os peixes que fazem companhia vão mudando. Os perigos se avizinham. Mas o barco continua sua trajetória.

O conhecimento é livre. Viver com as amarras da superstição, dos medos todos que enfeitiçam nossa alma, é desrespeitar a nossa própria inteligência. E a liberdade é uma vocação natural daqueles que não querem viver a consultar coisas que não têm sentido e que nos diminuem.

O conhecimento é divino. Tu és a essência do conhecimento. Nossa inteligência nasce da Tua inteligência. Nossa sabedoria só se faz sabedoria se encontra a Tua. Tu és o Artista perfeito, Tu nos moldaste para que pudéssemos, cada um de um modo, porque somos livres, buscar o conhecimento e viver com dignidade. E, às vezes, por preguiça ou desconhecimento, navegamos em outros mares e experimentamos a infelicidade.

Abençoa, Senhor, os Teus filhos que precisam conhecer mais e melhor. Retira de nós as amarras que nos impedem a sabedoria do ofício de viver. Retira de nós o medo do novo. Retira de nós a arrogância de quem acha que nada mais é preciso aprender e de quem se sente dono da verdade. São esses paradigmas como travas que nos impedem de evoluir. E nós nascemos para a evolução. Assim viveram os santos. Buscaram sem descanso a santidade. Assim viveram os perfeitos. Buscaram de igual forma a perfeição.

Que o conhecimento nos aproxime de Ti. E que, conhecendo mais, acreditemos ainda mais que, tudo o que existe, existe por Ti e para Ti.

Assim seja!

Oração do aluno apaixonado

Por Gabriel Chalita

Hoje estou triste. Meu coração dói, comprimindo o peito. Sinto-me tão pequeno, tão carente. Sinto-me desamparado. Chorar, já chorei tudo o que podia. Mas há um buraco dentro de mim que teima em não fechar. E como isso me angustia. Tu sabes, Senhor, o quanto estou apaixonado. Sabes o tamanho do meu desejo em estar com quem amo. E sabes, também, do sentimento de rejeição, de pequenez, que toma conta de mim. E eu, a cada dia, peço para não mendigar afeto. Mas não consigo.

São noites que passo em claro. Não sei se é imaginação ou sonho. Quando amanhece, não sei se dormi ou fiquei a projetar imagens em minha cabeça. Mas acordo triste. Triste por saber que meu amor não me ama. E por mais que eu tente encontrar razões, não consigo. Só fico a me perguntar: por quê? Por que não?
Já fiz de tudo. Primeiro, criei jogos de amor, de sedução. Depois, acabei me revelando. Chorando, disse tudo o que sentia. Falei do hoje, do amanhã. Fiz planos para uma vida inteira juntos. E, como resposta, nada ouvi. Apenas um olhar de compreensão e um gesto como dizer que, com o tempo, o sentimento passa. E aí me arrependi, e briguei, e me arrependi de novo, e me desculpei. E, de tentativa em tentativa, fui me tornando vazio. Vazio de mim mesmo.
Senhor! As pessoas me dizem que é assim mesmo. Que o tempo será o meu grande aliado para que esta ferida fique cicatrizada. Mas ninguém sabe me dizer quanto tempo será necessário para que, um dia, eu acorde, abra a janela, contemple a luz do céu e me sinta feliz. Eu quero esquecer, Senhor! Mas me sinto frágil. É tão triste o sentimento da rejeição. Eu quero esquecer, Senhor! Talvez, esse meu problema não seja tão grande para a humanidade. Há tantas pessoas que sofrem por coisas piores. Eu tenho tudo, tenho saúde. Tenho juventude. Tenho a vida toda pela frente. Mas, hoje…hoje, tenho de ser honesto. O meu sentimento é de que não tenho absolutamente nada. E de que a vida não faz o menor sentido.
Há momentos em que me arrependo de ter começado a amar. Mas acho que não foi decisão minha. Surgiu. Veio do nada. Veio de um olhar. De um tom de voz. De um sorriso. De um abraço. Veio de um encontro que, num instante, me fez sentir totalmente diferente. E um frio na barriga começou a me acompanhar, e eu comecei a mudar a cada dia.Lutei para ficar mais bonito. Para cuidar dos pequenos detalhes. Para chamar a atenção, parecendo estar natural. Lutei tanto para que a minha presença fosse agradável. Lutei tanto para que meu amor protegesse, envolvesse, acalentasse. E nada. Somente o silêncio de quem, talvez, tenha outro amor. Muitas vezes, fiquei a me perguntar se não estaria usando a estratégia errada. Por vezes, desculpei a timidez. Inventei histórias em minha cabeça para justificar o amor não amado. Mas agora, Senhor, quero voar em outros horizontes. Pelo menos, hoje. Pelo menos, nesse instante. Eu sei, Senhor, que o infinito é infinito. E é por isso que Te peço forças. Minhas asas não podem ficar congeladas pela dor do amor. E tenho a certeza que continuarei a existir depois, quando ele se for. E é por isso que quero voar.
Quero voar, Senhor, e durante o meu vôo, poder contemplar tudo que ficou esquecido durante essa minha passagem por um ninho que não me deu guarida. Não quero ter ódio. Não quero desejar o mal. Só quero seguir meu vôo. Infelizmente, voaremos separados. Cada um cumprindo o seu ofício. Cada um vivendo o seu sonho. Cada um obedecendo ao seu sentimento ou, talvez, tentando controlá-lo. Enfim, o vôo não acabou. Agora estou um pouco melhor, Senhor. Tenho a certeza de que me ouviste. A dor ainda não passou. A paixão teima em me fazer companhia e soprar em meus sentimentos alguma esperança. Não quero ter esse tipo de esperança. Quero recuperar o meu vôo e ir adiante. Quem sabe, neste lindo horizonte, algum pássaro queira me fazer companhia, e o que hoje eu sinto será apenas a lembrança de uma dor profunda, que não existirá mais. Obrigado, Senhor! Obrigado pelo dom do amor. Pela capacidade de amar intensamente, e pela capacidade de sofrer. Obrigado, Senhor! Obrigado por poder ser inteiro em meus sentimentos. Antes isso do que a sensação de nunca ter amado, de nunca ter sofrido, de nunca ter existido. Este vendaval é violento, mas me faz sentir vivo. E isso é bom. Já estou um pouco melhor. Pelo menos agora, estou melhor. Amanhã, quando a dor voltar, lembrarei de Ti e melhorarei um pouco mais. Até o dia em que a teia desta paixão me libertar, para talvez cair em outra. Mas quem sabe, da próxima vez, o encontro seja mais belo, e a flechada de Eros atinja os dois corações. E terei forças para esperar a dor passar, e ver o amor ressurgir.

Amém.

Caminho das Artes

Por Gabriel

Chalita No clássico “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, mais precisamente no capítulo IX, o autor nos presenteia com uma metáfora preciosa na medida em que compara a vida a uma grande ópera cuja execução se dá no Planeta Terra – um majestoso teatro especificamente criado pelo poeta maior, “Deus”.

Por meio de uma mescla generosa de poesia e filosofia, o bruxo do Cosme Velho nos convida a refletir sobre a arte como instrumento capaz de tornar a existência não apenas mais bela e criativa, mas, sobretudo, plena de significados verdadeiramente essenciais à formação integral do ser. E justamente por acreditar na arte como ponte para o conhecimento e para a transcendência é que a Secretaria de Estado da Educação criou o programa Caminho das Artes, cujo lançamento oficial, ocorrido no último dia 4 de julho, no Palácio dos Bandeirantes, contou com a apresentação da peça “Visitando o Sr. Green”, interpretada com maestria por Paulo Autran e Dan Stulbach. O evento foi, na verdade, o coroamento de uma iniciativa que há tempos já aproxima os seis milhões de alunos da rede estadual de ensino – bem como seus 250 mil educadores – dos espetáculos teatrais e de dança, da produção cinematográfica, da música clássica e das artes visuais. Desde o ano de 2003 até o primeiro semestre de 2005, os professores e alunos já haviam assistido – dentro dessa mesma proposta – peças como “Coração Bazar”, com Regina Duarte, “Hécuba”, com Esther Góes, “Tarsila”, com Eliane Giardini, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” e “Despertando para sonhar”, com Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr. Só no período de 25 de abril a 13 de maio, dez mil alunos da Secretaria de Estado da Educação puderam assistir ao espetáculo. Educadores e aprendizes também conferiram a encenação de “Mire e Veja”, “O Ó da Viagem” e “Antigo 1850″, com grupos especializados em transpor obras literárias para os palcos. Após o final das apresentações, o debate com os atores tem sido uma prática constante, incentivando a reflexão e, conseqüentemente, o aprimoramento dos trabalhos em sala de aula. O objetivo do programa é possibilitar a capacitação contínua dos educadores, além de estender esses conhecimentos artísticos aos alunos. No caso da música, professores e estudantes compartilham o aprendizado sobre o tema por meio do programa “Descubra a Orquestra”, que oferece diversas atividades educativo-musicais, organizadas de forma integrada e coesa, com o intuito de ampliar e fortalecer o desenvolvimento cultural e musical de diferentes públicos – crianças, adolescentes e educadores. Os aprendizes e seus familiares podem desfrutar também do Cine Magia, projeto cuja primeira fase teve início em outubro de 2004 com a proposta de levar o encanto do cinema para o Programa Escola da Família. Ao todo, 3.500 unidades escolares dispõem de potencial para abrigar o Cine Magia, que já favorece 507 estabelecimentos de ensino. As sessões são semanais, sempre aos domingos, das 14 às 16h. Juntas, elas já trouxeram 75.555 espectadores às nossas escolas. A escolha dos filmes foi baseada em temas ligados aos quatro eixos do Programa Escola da Família: cultura, saúde, esporte, qualificação para o trabalho. Trata-se de um ponto de partida para estimular a participação de estudantes e educadores em mostras de cinema. Já a ação desenvolvida em parceria com museus é pautada em três vertentes: a capacitação de educadores na área de arte, história e língua portuguesa; o contato com as obras a partir de visitas orientadas para alunos aos museus ou o deslocamento dessas obras originais para as escolas; elaboração e confecção de materiais didáticos referenciais aos trabalhos desenvolvidos. Iniciativas dessa natureza são possíveis porque o governo Geraldo Alckmin tem feito da educação uma de suas prioridades. Prova disso é a disponibilidade de recursos capazes de sustentar programas, projetos e ações de qualidade inquestionável. São mais de R$120 milhões investidos por ano na formação de professores. Para o caso específico do Caminho das Artes, por exemplo, só em 2005 foram destinados em torno de R$1 milhão e 800 mil – verba que já beneficiou 118 mil educadores e alunos. Trata-se de um trabalho que, ressaltamos, tem o respaldo do genial autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, que, em seu texto “Idéias sobre teatro”, publicado em “O Espelho”, em 2 de outubro de 1859, afirma: “À arte cumpre assinalar como um relevo na história as aspirações éticas do povo – e aperfeiçoá-las e conduzi-las, para um resultado de grandioso futuro. O que é necessário para esse fim? Iniciativa e mais iniciativa”. É isso. Que esse nosso Caminho das Artes prossiga sua jornada bem-sucedida, porque plena de sonhos, realizações, conquistas e esperanças em novos tempos.

Educar em oração

Quando menos esperamos chega o momento em que é preciso pensar no modo como agimos, relembrar situações, reconsiderar alguns pontos, voltar atrás, buscar reconciliação ou simplesmente constatar que tomamos a atitude correta no momento certo. Refletir, ponderar, pedir de Deus ajuda para ser melhor… Tudo isso é orar. Quando uma avó se rejubila em meio às lembranças de seus netos, recordando uma vida inteira que lhe deu alegrias, vitórias e transtornos superados e agradece a Deus, está orando.

Quando uma mãe reconhece que nada pode fazer por seus filhos e pede que Deus o faça e os projeta, está rezando. Rezar faz parte da vida humana. Em algum momento da vida todos já rezaram de alguma forma. Com jaculatórias, exclamações, interjeições por inúmeros motivos, mas rezaram. Aqui estão lindas orações e reflexões. Para obter conhecimento, para obter a paz, para pedir pelos filhos, pelos netos, por amigos…Ou para agradecer a formatura, o dia que surge, as dificuldades que já foram superadas. Rezar é muito bom porque Deus conhece nossas aspirações mais profundas. Com Ele o jovem pode partilhar a nova paixão que está vivendo, o pai pode expressar a angústia por causa do desemprego, os professores podem manifestar seu descontentamento diante do não reconhecimento do seu trabalho… Orar é para todos, desde cedo, nas mais diferentes situações. E por isso é possível educar em oração.

Fórum Regional

Por Gabriel Chalita

No poema O Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa já ressaltava a importância de valorizarmos a beleza do rio de nossa aldeia em detrimento dos rios de todo o mundo. O autor do clássico Mensagem nos oferece uma lição de vida essencial: lançar um olhar atento para o particular e, só depois, apreciar o universal. E é justamente essa a proposta do Fórum Regional Governo Educador, evento que tem início este mês na cidade de Álvares Machado, no interior de São Paulo.

O encontro terá seqüência em mais dez municípios paulistas, como desdobramento do primeiro fórum ocorrido no mês de março, na Capital. O objetivo desses encontros é mostrar às lideranças municipais os programas que o Estado oferece à educação de crianças e jovens, de modo que sejam analisadas as possibilidades de parceria para ampliação dessas ações e implementação de novas idéias para desempenho conjunto. Com isso, beneficiaremos educadores, aprendizes e agentes sociais que trabalham em prol da educação. Nesse sentido, São Paulo tem sido um exemplo para o País. É o que vemos por meio dos resultados obtidos pelo Programa Escola da Família, desenvolvido com a Unesco, o Instituto Ayrton Senna e o Faça Parte Instituto Brasil Voluntário. A eficácia do programa pode ser comprovada pela grandeza de seus números. Em menos de dois anos, o Escola da Família já registrou quase 100 milhões de participações entre educadores, voluntários e estudantes. Todos têm acesso a atividades culturais, esportivas e pedagógicas desenvolvidas nas escolas nos fins de semana. Estamos convictos de que as unidades educacionais das redes municipais só terão a ganhar se forem integradas a essa iniciativa. Caberá à Secretaria de Estado da Educação atuar como instituição multiplicadora dessa proposta, oferecendo sua experiência para transformar novas escolas em palco para a formação integral de seus alunos. O governador Geraldo Alckmin não cessa de dizer e de mostrar que a educação é uma questão prioritária, que deve pairar acima das bandeiras partidárias e dos interesses individuais. Nessa crença sustentamos nosso desejo de trabalhar com os municípios do Estado de maneira conjunta e, para isso, temos o respaldo positivo de experiências anteriores. Em 2004, mais de 5 mil professores de educação infantil e das primeiras séries do ensino fundamental – de 41 municípios – das redes municipais do Estado que ainda não tinham formação acadêmica conseguiram seu primeiro diploma universitário por meio do Programa de Educação Continuada (PEC Municípios). Outro exemplo de parceria pode ser visto na melhoria da estrutura física dos prédios escolares, propiciada pelo Programa de Ação Cooperativa Estado/Município para Construções Escolares PAC. Nos últimos anos foram investidos quase R$ 300 milhões em obras. Já o acesso dos estudantes às escolas também será ampliado com o acréscimo de mais 300 microônibus que serão disponibilizados às prefeituras. Buscamos oferecer oportunidades para a formação ininterrupta dos educadores em suas regiões. Para isso, transformamos as 89 diretorias regionais de ensino em pólos de capacitação. Outro programa que sintetiza o espírito dessa valorização dos professores é o Bolsa-Mestrado, que fornece aos docentes a possibilidade de dar continuidade aos estudos acadêmicos financiados pelo governo do Estado. Já é grande o grupo de professores da rede que ganharam bolsas para estudar em outros países, como Espanha, Portugal e Inglaterra. Nesse contexto, convidamos a todos para esses eventos que, esperamos, sejam históricos. Encontros que poderão nos oferecer as diretrizes para os caminhos mais promissores da educação de qualidade neste que é o maior Estado da Federação. Estado que tem de dar o exemplo e seguir o norte indicado por Fernando Pessoa. O norte que nos conduzirá às belezas e aos desafios instigantes existentes no rio de nossa aldeia.

Filosofia no currículo escolar

Por Gabriel Chalita

Muitos foram os debates, questionamentos, textos e diálogos relativos à importância da Filosofia como instrumento capaz de auxiliar o indivíduo em sua formação integral. Formação ampliada pelo exercício ininterrupto do pensamento, da análise e da reflexão proporcionadas por aquela que pode ser vista como a mãe de todas as ciências. Um verdadeiro portal por onde irrompem os raios luminosos da consciência criativa, do exercício de cidadania, da paixão pelo saber.

É possível estudar Filosofia por meio de múltiplas formas e caminhos. Pelo caminho histórico, que passa pela Grécia Antiga, pelo teocentrismo medieval, pelos ousados pensadores renascentistas e modernos e, por fim, por intermédio da investigação dos problemas do mundo contemporâneo e da complexidade da chamada Era Pós-Moderna. Também é possível estudá-la por temas. Lembremos que a Filosofia percorre as sendas da lógica, da ética, da estética, da política, da física e da metafísica. Ela nos permite uma compreensão mais ampla sobre o belo e seus significados, encontrados amiúde nas esculturas, pinturas, peças teatrais, poesias e músicas. Da mesma forma, é uma ciência que aumenta nosso campo de visão em relação à difícil – mas ao mesmo tempo instigante – arte da convivência em sociedade. Também nos ensina sobre a solidão, sobre os meandros do nosso próprio “eu” e sobre o modo como devemos estar inseridos no “nós”. O “nós” que configura as relações com o outro e com o mundo em que vivemos. É a Filosofia quem nos convida, ainda, a um entendimento menos superficial a respeito da moral, da ética e do modo como transitamos entre os conjuntos de regras, condutas ou padrões sociais. É também ela que lança luzes sobre o indivíduo, a sociedade e as diversas maneiras em que ocorre a profícua interação entre um e outro. Na Filosofia se originam e se apóiam, ainda, as discussões de poder e de Estado, bem como os fundamentos ideológicos que definem a vida e as obras de governantes e governados. A proliferação ininterrupta dos veículos de comunicação de massa tornou possível, ainda, estudar Filosofia pelos textos e intertextos de artigos e reportagens de jornais e revistas, bem como pelos programas televisivos e filmes representativos da sétima arte. Textos e imagens que trazem em seu cerne informações que propiciam a contextualização e o diálogo intercambiante das várias facetas do conhecimento. Facetas que se mesclam a ponto de poderem ser traduzidas – e percebidas – apenas por aqueles cujo discernimento e capacidade crítica foram devidamente estimulados ao longo de sua trajetória educacional, de sua formação cultural. O mundo é uma grande escola. E o aprendizado não pode ficar restrito à sala de aula. Quanto mais aberto for o horizonte do aprendiz, mais saboroso será o tempo que haverá de envolvê-lo no exame minucioso de temas essenciais às gerações vindouras. Ao instituir o aumento da carga horária no Ensino Médio e ao incluir a Filosofia como disciplina obrigatória no currículo (depois de uma ampla consulta à rede pública), o governador Geraldo Alckmin mostra que está em sintonia com as necessidades mais prementes da História. Mostra, ainda, que a educação prossegue sendo uma de suas prioridades. É importante ressaltar que a inserção da Filosofia no currículo escolar é um passo a mais… Um passo que vem complementar a valorização da arte e também da prática esportiva nas escolas, ocorridas após as mudanças positivas implementadas na disciplina de Educação Física. Mudanças que trazem o respaldo milenar dos filósofos gregos. Sábios educadores que diziam que sem esporte e sem arte não se forma um cidadão. Acreditamos que não se pode negligenciar a formação dos jovens. Não se pode permitir que sejam utilizados como massa de manobra. Muito ao contrário: cabe a nós, educadores, auxiliá-los na construção de sua autonomia, ensinando-os a caminhar com pés próprios, e demonstrar, por meio de exemplos, que é necessário valorizar os sonhos e ter coragem para realizá-los. Por tudo isso, aos professores que trabalharão com Filosofia na rede estadual de ensino deixamos aqui o nosso respeito e a certeza de que atuarão não apenas como facilitadores desse conhecimento, mas como instigadores, problematizadores, semeadores de idéias. Mestres que, temos certeza, já sabem que é o respeito às múltiplas opiniões e olhares que talha os jovens para a aventura da vida. A nau do conhecimento precisa de timoneiros aptos a executar viagens determinantes ao progresso, ao avanço, às descobertas. Condutores que sejam companheiros, corajosos e afetivos. Que a Filosofia nos sirva de norte nessa jornada. Uma boa viagem a todos!

O primeiro dia de aula

Por Gabriel Chalita

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,/ a que se deu o nome de ano,/ foi um indivíduo genial./ Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão./ Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos./ Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”. O poema “O Tempo”, de Carlos Drummond de Andrade, é perfeito para ilustrar um dia como o de hoje.

Nesta segunda-feira, 14 de fevereiro, a esperança realmente se renova. Mais um ano letivo tem início nas escolas da rede estadual de ensino de São Paulo. Aproximadamente seis milhões de crianças, adolescentes, jovens e adultos começam uma nova jornada rumo à aventura do aprendizado, da descoberta, da capacidade de aprimorar talentos. Cabe a nós, educadores, acolher esses alunos, recebendo-os com o coração repleto de confiança, de expectativa e de crença na força desses seres em formação. Além dos estudantes da rede estadual, há aqueles que freqüentam as redes municipal e particular. Todos trazem no semblante o desejo de conhecer o novo, de explorar possibilidades e potenciais. A tendência do aluno é sempre gostar do professor. Trata-se de uma experiência diferente. E o que é diferente encanta, seduz. Compete ao educador manter essa chama acesa para que o sonho não esmoreça. Paulo Freire costumava dizer que o mais nobre papel do professor é o de gerenciar sonhos. E completava: “Professor é aquele que gosta de viver”. Gostar de viver é essencial para quem tem esse nobre mister de educar. Professores, diretores, funcionários, pais, mães… Educadores por excelência. Personagens que devem atuar juntos num palco onde convivem artistas extremamente talentosos: alunos e alunas que produzem, ensaiam e interpretam uma parte importante do texto de suas vidas. A união e o respeito entre esses atores é o que propicia o bom andamento do mágico espetáculo do aprendizado. Neste novo ano escolar, o governador Geraldo Alckmin prossegue dando prioridade à educação. Mudanças e ajustes positivos vêm sendo feitos para tornar nossas escolas uma referência no processo ensino-aprendizagem. O ensino médio conta agora com seis aulas diárias. A disciplina de filosofia volta a fazer parte do currículo obrigatório. A capacitação de professores será intensificada. Muitos estarão fazendo curso de mestrado em Londres (Inglaterra), outros darão seqüência aos cursos de extensão em Salamanca, na Espanha, e em Lisboa (Portugal). O maior número deles, entretanto, dá início ao mestrado no Brasil. O professor merece! Cuidar do maestro é certificar-se de que a orquestra será bem conduzida. Nosso desejo é que, neste primeiro dia de aula, os diretores estejam receptivos aos alunos que chegam com a energia peculiar dos que têm sede de conquistas, sonhos, ideais. É preciso que os professores, por sua vez, preservem a atenção e o entusiasmo. É preciso que se interessem por conhecer o nome e a história de cada aprendiz. Da mesma forma, é necessário que os pais não deleguem unicamente à escola a missão de educar, porque, por melhor que ela seja, nunca vai suprir a carência deixada por uma família ausente. Educar é um trabalho que requer a união entre a escola, a família e a comunidade. Acreditamos que a educação é composta por gestos e ações simples. Atitudes que ajudam a escola a ser mais participativa, envolvente. Basta lembrarmos dos exemplos do passado. Todos vivenciamos experiências novas e maravilhosas com os professores que tivemos ao longo da vida. E o exemplo contribui para que não precisemos repetir os erros daqueles que não tiveram a coragem de ser afetivos e de imitar carinhosamente aqueles que nos tocam a alma. Grandes educadores de hoje contam histórias de seus mestres do passado. Rubem Alves fala de dona Clotilde, Inácio de Loyola Brandão fala de Joaquim Pinto Machado Júnior, o Machadinho… Já o saudoso Marcos Rey elegeu seu próprio pai como o mais original contador de histórias de sua vida. Professores deixam marcas indeléveis. Marcas que se perpetuam na memória e também no coração. Assim, que nesse primeiro dia de aula, cada mestre sinta no peito a mesma emoção de seu primeiro dia como professor. Dia em que se apresentou frente a uma platéia muito atuante e especial. Esperamos que todos esses personagens reais sejam capazes de sentir o mesmo frio na barriga que o grande ator Paulo Autran diz sentir quando sobe no palco e inicia, emocionado, mais uma peça de teatro. Por tudo isso, a todos aqueles que se dedicam ao instigante espetáculo da educação: uma excelente aula… Hoje e em todos os dias deste ano, que simboliza, nos dizeres do poeta, mais um “milagre da renovação”.