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Oração do início das aulas

Por Gabriel Chalita

Deus, meu Deus. Autor da vida. Senhor da História. Estamos juntos em oração. Juntos como determinaste. E juntos sentimos a Tua presença e consagramos esse novo ano. E juntos pedimos-Te que possamos ser fiéis à nossa vocação. Que neste novo ano, Senhor, os professores se lembrem da vocação de ensinar. Que sejam tocados pelo Teu amor, para que possam partilhar amor.

Que estejam entusiasmados, cientes do sublime papel de tocar a alma e de ajudar o aluno a entender que vale a pena ser bom, que vale a pena aprender, e aprender sempre, para que sejam, ao mesmo tempo, mais sábios e mais humildes.

Que neste novo ano, Senhor, os alunos estejam mais receptivos. Que se abram para a eterna novidade da vida, da amizade, do amor. Que, nas salas de aula, o Teu espírito esteja presente, tocando no coração de todos eles, sem distinção. E que a carência que vem de famílias ausentes seja amenizada nestes espaços de luz.

Que, neste novo ano, cada funcionário se regozije de sua missão. Que ninguém se sinta diminuído, e que o respeito seja o guia de cada relação. Que a arrogância não encontre eco nesses espaços. Que a prepotência dê lugar ao olhar singelo de todos que precisam aprender. E Tu sabes, Senhor, que todos, sem distinção, precisam aprender.

Que nessa escola, um clima de harmonia possa reinar. Que cada canto e recanto seja abençoado. Que os acidentes sejam pequenos e não retirem o sorriso e o encanto das pessoas que aqui vêm para exercitar a arte e a missão de construir a felicidade. Que sejamos todos acolhedores e nos sintamos todos acolhidos por estarmos juntos, aqui.

Que os pais possam estar mais presentes. Que se lembrem de que são os primeiros educadores e que não podem relegar à escola o seu papel de condutores de toda a vida. Que os pais se amem. Que a violência não encontre guarida na casa de nossos alunos. Que a serenidade vença a agressividade, e que o amor jamais tire folga.

Senhor, abençoa este novo ano! Queremos renovar nossa fidelidade ao Teu chamado. Queremos renovar nossa disposição de viver a vida a serviço de uma grande causa, da causa do amor. E que o amor, esse sentimento divino e humano, esse sentimento que sintetiza Tua essência, nossa essência, seja a razão de estarmos aqui.
Amém!

Educação: Conhecimento e Amor

Por Gabriel Chalita

A educação tem de formar o caráter. Na escola, os mestres recebem alunos que vêm de histórias de vida completamente diferentes. Há pais que participam ativamente da história de seus filhos. Há pais ausentes. Há pais amorosos; há outros, agressivos. E isso faz a diferença. Escola não faz milagre. A família tem de fazer a sua parte. Este ano a escola pública de São Paulo tem muito a comemorar.

Seguindo o exemplo de países como a Espanha, Coréia, Finlândia, Chile, teremos 514 escolas de tempo integral. Escolas em que os alunos entram às 7h e saem às 16h10. Esse é um grande salto na melhoria da qualidade do ensino. No período noturno, os alunos terão uma aula a mais todos os dias. Essa decisão do Governador Geraldo Alckmin demonstra o quanto a educação é valorizada em seu governo. Os reflexos estão aí. Professores mais comprometidos. Evasão escolar de 0,6% da 1a a 4a série, participação maciça dos pais na Escola da Família. É a sonhada escola pública de qualidade. Foram vencidas questões estruturais. Nunca mais se falou em filas nas portas das escolas nem em problemas com merenda ou material. Em mais de 28 anos, desde a primeira greve dos professores, em 1978, Alckmin é o primeiro governante em cuja gestão não se registrou nenhuma greve do magistério. E o maior beneficiado é o aluno. É o compromisso em desenvolver a autonomia da criança. Disse Rousseau, “A infância tem um jeito de enxergar, pensar e sentir peculiar. Nada é menos sensato do que substituir o dela pelo nosso”. Cem anos mais tarde, confirmou Herbert Spencer, em meados do século 19, “As crianças deveriam ser levadas a fazer suas próprias investigações e assim tirar suas próprias conclusões”. Respeitar a criança e todo seu potencial é papel do educador. Quanto aos jovens, Dom Bosco assim os acolhia: “Basta que sejais jovens para que eu vos ame”. A irreverência, a rebeldia, a inquietação podem ser aliados na educação da juventude. Não pode o professor enxergar os alunos com desconfiança. Não são um problema. São crianças e jovens que dependem da orientação dos mestres, grandes parceiros nessa caminhada. Os adultos também aprendem. São Paulo tem mais de 750.000 alunos na Educação de Jovens e Adultos. E há vaga para qualquer pessoa que esteja fora da escola. Mesmo aqueles que não estudam há muitos anos podem estudar no período noturno ou matutino, ou apenas nos fins de semana. Não há idade para aprender. O aprendizado é possível em qualquer idade. Dizia Kant, “Como então buscar a perfeição? Onde fica a nossa esperança? Na educação e em nada mais”. Pois a educação melhora nossa conduta e amplia nossos horizontes. Que nossas crianças, jovens e adultos encham-se de esperança neste primeiro dia de aula. Que os professores reinventem a forma de ensinar a cada momento. Precisamos mais de educadores e menos de burocratas. Que também os pais estejam presentes, sempre. E que todos participemos da construção de uma sociedade melhor. “Uma vida boa é aquela inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento.” (Bertrand Russel) Conhecimento e amor, ingredientes de sucesso para mais um ano letivo. Bom trabalho.

O perfil do gestor da escola

Por Gabriel Chalita

O diretor é o grande líder da escola. Aquele que anima, que dá alma ao ambiente, fazendo com que o as pessoas à sua volta sintam o desejo irrefreável de oferecer o melhor de si. É sua tarefa executar muitas funções. Dentre elas, a implementação de um plano político pedagógico adequado à instituição de ensino que gerencia. Paralelo a isso, precisa desenvolver a capacidade de envolver os agentes do processo ensino-aprendizagem no grande empreendimento que é propiciar uma educação de excelência aos aprendizes. 

Mas, para estabelecer um plano político pedagógico eficiente, hão que se levar em conta alguns elementos essenciais. É preciso que o diretor busque uma identidade para sua escola – sempre em harmonia com os princípios estabelecidos pelo sistema do qual faz parte. Uma unidade escolar que eduque na adversidade, que atue firmemente na eliminação do preconceito ou da discriminação, que privilegie o papel protagonista do aluno, que possibilite oportunidades de capacitação docente. É com esse olhar de respeito para o diretor de escola e para a importância da função que exerce cotidianamente que o Governador Geraldo Alckmin lança um programa inédito de formação de gestores. Trata-se de um curso de especialização em gestão, promovido pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Ao todo serão 360 horas de aulas – 180 na modalidade presencial e 180 na modalidade a distância. Para isso, cerca de 9 milhões e 700 mil reais foram investidos nessa ação destinada a ampliar a formação de seis mil diretores, vice-diretores e professores-coordenadores. Dentre outros temas, neste curso o gestor verá que há conceitos pedagógicos que foram debatidos pelo legislador constituinte, outros que se encontram na LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Somem-se a esses aqueles elaborados pelos legisladores estaduais e pelos responsáveis pela execução das políticas públicas, de forma geral. São princípios que têm de ser incorporados na rotina das escolas. Preceitos frutos de debates que não surgiram de forma vertical, ao contrário, nasceram de numerosas discussões com educadores e representantes da sociedade. A criança, por exemplo, é protegida pelo ECA, e o plano político pedagógico da escola não pode caminhar em outra direção. Lembremos que a Constituição Federal prevê a formação da pessoa, antes mesmo de dissertar sobre cidadania ou mercado de trabalho. A LDB, por sua vez, fala em ensino de qualidade, em gestão democrática. Já as normas da Secretaria da Educação tratam da inclusão, da formação humana, da convivência entre os diferentes, da escola acolhedora. Conceitos norteadores que não podem ser negligenciados. A identidade da escola só se constrói nas relações entre os agentes do processo educativo. Outra grande missão do diretor: promover o envolvimento entre professores, funcionários, alunos, pais, família, comunidade. O professor é a alma da educação, mas os demais funcionários da escola também desempenham funções importantes e precisam ser respeitados. Muitas vezes eles estabelecem vínculos com os alunos. Nesse sentido, são educadores também. Já a família é a grande responsável pela formação dos jovens. Pais têm de se aproximar da escola. E o diretor, como líder, promove essa união. Experiências comunitárias, como a da Cidade-Escola Aprendiz, serão analisadas como modelos de intervenções bem-sucedidas da escola na comunidade e vice-versa. Da mesma forma, práticas de sucesso nas escolas públicas serão socializadas pelos diretores, para que possam ser replicadas. Aliás, esse será o trabalho final do curso. Trata-se de uma iniciativa que não deixa de ser também uma homenagem a esses fantásticos diretores. Profissionais que, em sua maioria, exercem um trabalho extraordinário em nossas quase seis mil escolas – mas, nem sempre, têm a visibilidade que merecem por isso. Parabéns por exercerem liderança democrática. Parabéns por acolherem pessoas tão diferentes, tão ávidas de aprendizagem e proporcionarem a elas ensino de qualidade.

Oração da Ética

Por Gabriel Chalita

Senhor! Recebemos este mundo de presente. E, com ele, tantas possibilidades. Recebemos a inteligência. A capacidade de viver e conviver. Recebemos o poder. O poder de servir. O poder de fazer o bem. Eis a nossa vocação, fazer o bem. Há pessoas que correm de um lado a outro na tentativa de vencer. Lutam e até vencem. Mas, na batalha, usam pessoas como tábuas. Gente como atalho. E pisam. E agridem. E maltratam. E seguem adiante, na certeza de que estarão impunes. Não estarão. Não estão. Ninguém mata o outro impunemente. Ninguém mata os sentimentos, os sonhos dos outros, e segue sem rugas. 

Nossa vocação é a felicidade. Mas ela tem mãe. A felicidade é filha do bem. Ninguém consegue fazer nascer a felicidade sem antes viver o bem. O precioso bem. E isso é ética. Esse código de conduta que visa ao bem. Essa arte da convivência que faz com que, no palco da vida, os papéis se respeitem e cada protagonista entenda que há outros protagonistas também, porque todos, todos são protagonistas. Não há papéis secundários. Ninguém é degrau de ninguém. E ninguém merece ser tratado com consideração menor.

Nossa vocação é a felicidade. E, para isso, é preciso que não haja barreiras na relação com o outro. Cor, raça, etnia, credo, gênero. Detalhes de algo maior. O ser humano é muito maior do que isso. O ser humano foi criado à Tua imagem e semelhança. E isso significa que todas as pessoas, apesar das suas diferenças, são capazes de encontrar a felicidade. E de viver o amor. E, portanto, de estar perto de Ti.

Os talentos são presentes abundantes para que cada um encontre o melhor caminho de servir. Servir a uma grande causa. Servir à humanidade. E assim nasce a ética.

Queremos pedir, Senhor, que nosso umbigo não seja mais importante que a multidão. Queremos pedir, Senhor, que nosso egoísmo esteja de partida, para que um novo sentimento tome conta de nós. Que nossa arrogância dê lugar à ternura da simplicidade. E que todos, todos encontrem em nós um sinal de Teu amor.

Senhor, toca nossa alma e mostra-nos a beleza da ética. No momento da criação, Tu decidiste que, apesar de nossa inteligência, seria impossível alcançar solitários nosso pleno desenvolvimento. Nós precisamos um do outro. Ninguém sobrevive sem o outro, sem o grupo. Nascemos para a convivência. Nascemos para a ética. Mas, de repente, foram surgindo as comparações, as competições, e o que era naturalmente bom foi ficando estranho. E a destruição conheceu a natureza humana, que conheceu a destruição, e assim o mundo foi se distanciando da ética. E a convivência ficando cada vez mais tumultuada. Guerras. Algumas até em Teu nome. Conflitos. Preconceito. Discriminação. Corrupção. Humilhação.

Ora, o que aconteceu com a semente do bem? Ficou escondida em algum pântano? Ficou mergulhada oceano adentro, sem estímulo para vir à tona? Reside em algum rincão distante? Porque por certo ela existe. A semente existe e existirá sempre. Ela busca apenas terra fértil para virar planta, e virar flor, e virar fruto. E alimentar.

Senhor. Não permite que a humanidade passe fome de ética. Não permite que o mundo, com todos os sentimentos que nele habitam, seja destruído pela fome, pela fome de quem não permitiu que a semente que alimenta florescesse. E tenho a certeza, Senhor, de que nós erramos muito mais por ignorância do que por maldade. E é por isso que Te peço: derrama Tua luz para que possamos ver essa semente. Derrama Teu amor para que possamos senti-la e, assim sentindo-a, possamos permitir que exista. E, existindo, que o bem faça morada, e o mundo siga a vocação para a qual foi criado.

Somos tantos e tão diferentes. Somos bilhões e somos um. E esse sentimento de felicidade, que nasce do bem, nos une. E essa força, a quem, com ternura e carinho deram o nome de amor, é a razão de estarmos aqui. Viemos do amor. Voltaremos para o amor. Por que, então, não viver no dia-a-dia a intensidade desse amor? Basta experimentar, e o milagre acontece. E o mundo se agiganta. E a poesia toma forma. E um gosto de estrelas na boca nos mostrará que estamos no caminho certo. A manjedoura continua lá, à espera de novos reis e rainhas que sintam o sabor desse sabor. E tudo isso é o amor. E é por isso que eu Te amo, meu Senhor.

Amém! 

Assessoria – Gabriel Chalita

Ouça a Oração da Paz

Por Gabriel Chalita

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Senhor! O mundo precisa de paz. A paz não é apenas ausência de guerra. A paz não é apenas o abandonar das armas. A paz é decisão. É ação. Senhor! O mundo precisa de paz! Da paz de crianças que aprendam desde cedo a amar e respeitar.

Da paz de adolescentes que convivam com as mudanças sem raivas. Da paz dos jovens decididos a manter a harmonia do universo. Da paz dos maduros de todas as idades, que não tenham preguiça de ensinar aos que estão ainda engatinhando pela vida. Da paz dos velhinhos que se sintam livres e felizes. Que se sintam amados e acolhidos.

Senhor!
O mundo precisa de paz.

Da paz dos que pouco têm e, mesmo assim, partilham. Dos que sabem que os bens materiais ajudam, mas não constituem a essência de existir. Da paz dos que muito têm e, tendo, agem como se não tivessem. E, agindo assim, são desapegados e generosos, e não guardam arrogância nenhuma em seus sentimentos. Senhor! O mundo precisa de paz. Da paz das famílias que se fazem Igreja. Das famílias que, cientes da missão de educar, conduzem os filhos pelo legado do amor, da ética, da fé. Das famílias que conseguem viver sem máscaras. Mãe e pai. Mulher e homem. Não há superioridade, mas respeito. Não há violência, mas ternura. Filhos. Filhos nascidos e crescidos em espaço seguro, desde a gestação.

Senhor!
O mundo precisa de paz.

Da paz das escolas. Escolas que são espaços de luz e que têm a natural vocação de iluminar os que, iluminados, iluminarão o mundo. Das escolas em que professores, e funcionários, e alunos, e diretores vão construindo, juntos, um espetáculo de amor. Das escolas que, acolhedoras, abrigam os que hão de, no futuro, também saber acolher. Personagens que distinguem o acidental do essencial no aprendizado. Das escolas que ensinam a brincar e a respeitar. De professores que não confundem sisudez com competência. E que aceitam que o sorriso está na moda, e estará sempre.

Senhor!
O mundo precisa de paz.

Da paz da comunidade. Do bairro que tem de voltar a conversar. Dos vizinhos que, calados pelo medo, ou pelo tédio, ou pelo ritmo de uma vida acelerada, deixaram de lado o lindo costume de conversar e contar histórias. Das crianças que podiam brincar livres pelas calçadas, enquanto os pais se divertiam ao ver quanto todos podiam ser felizes. De comunidades que se organizam para vencer a violência e a destruição. Das que sofrem quando sofre um de seus membros. Das que têm a capacidade de se reconstruir a cada vendaval e de contemplar com êxtase a calmaria.

Senhor!
O mundo precisa de paz. 

Da paz que habita o coração das mulheres e dos homens. Só será possível reconstruir o mundo se reconstruirmos primeiro as pessoas. É de dentro para fora. E como essa paz é fundamental. A paz da serenidade, da sabedoria, da simplicidade. A paz do equilíbrio. A paz do amor. Esse sentimento que faz com que toda nossa ação tenha um sentido. Esse sentimento que faz com que o outro seja tão importante quanto eu mesmo. E que eu, Senhor, consiga agir na minha vida como se Tua fosse a ação. Pensar os Teus pensamentos. Amar o Teu amor.

Senhor!
O mundo precisa de paz.

Faz de mim um instrumento da Tua paz, como disse certa feita o santo que revolucionou o conceito de amor e de simplicidade: São Francisco de Assis. Faz de mim um instrumento da Tua paz comigo mesmo, com os outros com os quais convivo, com o mundo e com aqueles que nem conheço, mas que são também meus irmãos.

Assim seja!

Oração de final de Ano

Por Gabriel Chalita

Mais uma etapa se encerra, Senhor. O convívio valeu a pena. O aprendizado abriu novos horizontes. Viajamos em tantas áreas da Ciência. Conhecemos tantos períodos da História. Viramos cientistas. Atletas. Malabaristas na arte de viver. Desvendamos segredos das Exatas. Tornamo-nos mais sensíveis. E chegamos vivos até aqui. 

Alguns se despedem e partem para uma nova seara. Cresceram. Amadureceram. Mudaram de tamanho e de estatura política. Vão navegar em outros mares. Outros voltarão no ano que vem. Virão com novas histórias pra contar. Virão carregados de expectativas. E tudo retornará ao seu curso. E tudo será diferente. Nada se repete.

O fim de ano é um momento de reflexão. É um corte no tempo para que se possa rever tudo que se viveu. É uma pausa. No turbilhão da vida, às vezes, é preciso parar. Parar e pensar. E há muito para pensar. O ano passa muito rapidamente, mas passa carregado de acontecimentos, que ora surpreendem e ora alimentam a rotina. Parar e até mesmo lamentar pelo que ficou faltando. Lamentar pelos projetos não executados, pelas promessas não cumpridas.

É tempo de novas promessas. É tempo de renovar aquelas que parecem ter sido prometidas tantas vezes e que ainda não alcançaram a realização. Não importa. O pior é deixar de planejar. É deixar de sonhar. E o novo ano não pode recomeçar sem sonho. Senão, nasce velho. Nasce embotado.

Senhor. Vivemos juntos mais um ano. E como isso foi bom. Tivemos, sim, problemas. Algumas separações. Algumas quedas. Mas estamos aqui. E temos de agradecer por estarmos vivos, e juntos, e dispostos a recomeçar. Não queremos o desânimo dos que acham que tudo será como tudo sempre foi e que novidade é coisa de romântico. Se for, queremos ser românticos. Queremos um coração capaz de vibrar. Queremos a fortaleza dos que não se abatem e a sabedoria dos que experimentam o novo sempre com um singelo sorriso.

Senhor! Obrigado por todos os meses deste ano que passou. Obrigado pelos dias mais quentes do verão. Obrigado pelo frio do inverno. Obrigado pela poesia da primavera, pela luz do outono. Obrigado pelos finais de semana e pelos dias de semana. Obrigado pelo amanhecer e pelo entardecer. Obrigado pelos problemas todos e pela disposição de superá-los. Obrigado pelas feridas e pelas cicatrizes. Obrigado, Senhor!

Sei que o novo ano virá e trará suas novas e próprias preocupações. Há muito a se fazer para que o mundo seja melhor. Quem sabe, no ano que virá, não se convertam em realidade as utopias que nos alimentam. Quem sabe, com forças renovadas, sejamos capazes de lutar com mais galhardia pelos ideais que temos. Quem sabe tenhamos mais fé, mais força e mais amor. Quem sabe o céu esteja mais estrelado nas noites de lua cheia. Obrigado, Senhor! E graças ao milagre que é viver, no ano que vem prosseguiremos sonhando e realizando.

Amém!

Formação continuada

Por Gabriel Chalita

Poucos têm coragem de investir em ações que demandam tempo e paciência para que as sementes lançadas frutifiquem, mesmo sabendo que educação é processo. O governador Geraldo Alckmin é um desses visionários. De 2001 a 2005, o governo estadual empregou R$ 470 milhões em programas de formação continuada de professores. Acreditamos que quem não estuda envelhece em sua habilidade cognitiva – independentemente da área de atuação.

Médicos, advogados, engenheiros, artistas, dentistas, físicos, etc. Não há quem possa se dizer atualizado apenas com o curso universitário ou até mesmo com uma pós-graduação concluída. O conhecimento não pode ficar estacionado. O professor tem de se atualizar sempre. Nossa política de formação continuada de professores contempla as modalidades presencial e a distância. O que se pretende é utilizar o que há de mais atual e eficaz em termos de videoconferência, teleconferência, intranet, internet e outras tecnologias. Além disso, há cursos oferecidos em sistema de parceria. Uma delas, formada com o Santander Banespa, proporciona aos professores uma experiência inédita na Universidade de Salamanca, na Espanha. Graças a esse acordo, cerca de 100 educadores da rede estudaram durante um mês em uma das mais respeitadas universidades do mundo. No último mês de novembro, um grupo de 50 professores iniciou curso de mestrado na Universidade de Londres. No Brasil, quase 2 mil educadores da rede pública estadual paulista estão cursando mestrado. Alguns optam por uma diminuição da carga horária, mantendo o mesmo salário. Outros escolhem fazer o curso preservando o número de horas trabalhadas e recebem um acréscimo de R$ 720 mensais aos vencimentos – destinados ao pagamento do curso. Essa é a primeira experiência no Brasil em que um governo estadual financia cursos de pós-graduação stricto senso para seus professores. Já o Programa Letra e Vida capacitou aproximadamente 33 mil professores alfabetizadores. Seu objetivo é qualificá-los para que possibilitem aos seus alunos uma educação de maior qualidade nas fases iniciais do ensino fundamental. O Lien ch’i e meditação – técnica proveniente da medicina tradicional chinesa – capacitou cerca de 11 mil professores de educação física, de modo que transmitam aos alunos práticas que visam à diminuição do estresse e ao aumento da serenidade e da auto-estima. Capacitação em filosofia foi aplicada para 1.300 professores. A Formação de Magistério Superior Indígena foi propiciada a 81 professores indígenas de 5 etnias. O Programa Caminho das Artes beneficiou em torno de 86 mil docentes e o Programa São Paulo Educando pela Diferença para a Igualdade já foi ministrado a cerca de 7 mil professores. Projeto também pioneiro e bem-sucedido foi o da Inclusão Digital dos docentes. E, além de equiparmos nossas escolas com laboratórios de informática, garantimos ao professor a aquisição do próprio computador, de modo que tivesse o equipamento em casa. O Estado arcou com metade dos custos e a outra parte foi financiada pela Nossa Caixa. Cremos que esse investimento maciço no que é essencial – o professor – vai fazer com que nossos alunos, frutos colhidos dessa semeadura, tenham envergadura suficiente para viver plenamente, exercitar a cidadania e entrar com dignidade para o mercado de trabalho.

A avaliação necessária

Por Gabriel Chalita

Os processos de avaliação contínua são relativamente novos nas políticas públicas do Brasil. Entretanto, já se notam os resultados positivos da eficiência desses mecanismos nos últimos anos. Graças a eles, muitos governos corrigiram programas e modificaram os rumos de suas ações. Atitudes advindas do acesso a informações que consolidam propostas e mensuram avanços de maneira mais precisa -eliminando o peso incômodo que paira sobre a esfera dos “achismos”.

Em São Paulo, por exemplo, os alunos da rede pública acabaram de ser avaliados pelo Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo). Mais de cinco milhões de estudantes foram avaliados. É a maior avaliação já feita no Brasil. Só neste ano, tivemos a adesão de quase 400 dos 645 municípios do Estado. Consideramos essencial que esse levantamento tenha o apoio de todos, de maneira que possamos mensurar recursos e programas destinados à educação. É importante destacar que o Saresp não tem nenhum aspecto punitivo. Sua função é realizar um diagnóstico anual das escolas para que o gestor público e a equipe de professores conheçam sua rede de ensino, analisem as deficiências e multipliquem experiências positivas. A metodologia de ensino e a verificação da apreensão de conteúdos passam, hoje, pela solução de problemas, elaboração de projetos, apresentação de seminários, análises de provas, redações, textos. Nesse contexto, o professor tem de abandonar o papel de facilitador para assumir a função de problematizador. A ele cabe instigar a curiosidade dos aprendizes, lançar dúvidas, estimular questionamentos. E, para isso, é fundamental conhecer o resultado de uma avaliação externa como a do Saresp. O governo federal, desde a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, investiu nessa política de avaliação. O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) constituem importantes instrumentos de avaliação externa que contribuem para a compreensão dos indicadores de qualidade da educação brasileira. O Saeb é feito por amostragem, o que é o correto, porque o governo federal não tem rede pública e, portanto, não precisa conhecer aluno por aluno em um sistema de avaliação. Já no Enem, a avaliação é universal, é um caminho inteligente para substituir o vestibular -hoje, o único sistema de ingresso nas universidades nacionais. O Saresp também é universal. Desde o início do mandato do governador Geraldo Alckmin, seu resultado é estudado em âmbito estadual, depois nas diretorias de ensino e, em seguida, nas escolas, com os pais. Os indicadores municipais são encaminhados para as prefeituras, e as escolas da rede particular que aderem à avaliação também recebem o resultado, para que trabalhem suas deficiências. Não há objetivo de comparação entre alunos, entre escolas, entre regiões. Não há um ranking. O trabalho com os resultados é pedagógico. Até porque, as escolas têm públicos singulares, alguns mais complexos, outros menos. Públicos que exigem cuidados diferenciados, focados em áreas específicas. E a autocomparação é mais eficiente do que a classificação no ranking, pois é importante saber como estava uma escola em determinado ano e como foi seu desempenho no ano seguinte. Outro dado relevante para a educação e que está diretamente ligado à qualidade do ensino é a taxa de evasão escolar. Uma vez detectada com altos índices, indica que a escola não é acolhedora e que o aluno não se sente motivado para a participação e para a aprendizagem. São Paulo tem a menor taxa de evasão escolar do Brasil, embora tenha a maior rede pública nacional. Apenas 0,7% das crianças de 1ª a 4ª série abandonam nossas escolas. Já entre 5ª e 8ª séries, o índice é de 2,8%, e, no ensino médio, de 7,2%. Números muito baixos em relação aos dos demais Estados -e também em relação aos países do Primeiro Mundo. Estamos certos de que essas avaliações e percepções podem nos ajudar a planejar uma educação de qualidade, sem improvisações, típicas de programas eleitoreiros. Temos o respaldo de pesquisas e estudos fundamentados na observação de experiências realizadas em países que deram um salto de qualidade na educação. Países que só conseguiram resultados favoráveis devido às políticas educativas de continuidade. O Brasil, infelizmente, tem a marca dos personalismos. Cada administrador quer deixar sua bandeira. Sua insígnia. Para tanto, acaba destruindo o que fizeram seus antecessores políticos. Insistimos na idéia de trabalhar para que a bandeira da educação tenha mais peso e tremule mais alta que as partidárias ou individualistas. É essa a nossa filosofia. É esse nosso desejo mais sincero.

Oração da Ética

Por Gabriel Chalita

Senhor! Recebemos este mundo de presente. E, com ele, tantas possibilidades. Recebemos a inteligência. A capacidade de viver e conviver. Recebemos o poder. O poder de servir. O poder de fazer o bem. Eis a nossa vocação, fazer o bem. Há pessoas que correm de um lado a outro na tentativa de vencer. Lutam e até vencem. Mas, na batalha, usam pessoas como tábuas. Gente como atalho. E pisam. E agridem. E maltratam. E seguem adiante, na certeza de que estarão impunes. Não estarão. Não estão. Ninguém mata o outro impunemente. Ninguém mata os sentimentos, os sonhos dos outros, e segue sem rugas. 

Nossa vocação é a felicidade. Mas ela tem mãe. A felicidade é filha do bem. Ninguém consegue fazer nascer a felicidade sem antes viver o bem. O precioso bem. E isso é ética. Esse código de conduta que visa ao bem. Essa arte da convivência que faz com que, no palco da vida, os papéis se respeitem e cada protagonista entenda que há outros protagonistas também, porque todos, todos são protagonistas. Não há papéis secundários. Ninguém é degrau de ninguém. E ninguém merece ser tratado com consideração menor.

Nossa vocação é a felicidade. E, para isso, é preciso que não haja barreiras na relação com o outro. Cor, raça, etnia, credo, gênero. Detalhes de algo maior. O ser humano é muito maior do que isso. O ser humano foi criado à Tua imagem e semelhança. E isso significa que todas as pessoas, apesar das suas diferenças, são capazes de encontrar a felicidade. E de viver o amor. E, portanto, de estar perto de Ti.

Os talentos são presentes abundantes para que cada um encontre o melhor caminho de servir. Servir a uma grande causa. Servir à humanidade. E assim nasce a ética.

Queremos pedir, Senhor, que nosso umbigo não seja mais importante que a multidão. Queremos pedir, Senhor, que nosso egoísmo esteja de partida, para que um novo sentimento tome conta de nós. Que nossa arrogância dê lugar à ternura da simplicidade. E que todos, todos encontrem em nós um sinal de Teu amor.

Senhor, toca nossa alma e mostra-nos a beleza da ética. No momento da criação, Tu decidiste que, apesar de nossa inteligência, seria impossível alcançar solitários nosso pleno desenvolvimento. Nós precisamos um do outro. Ninguém sobrevive sem o outro, sem o grupo. Nascemos para a convivência. Nascemos para a ética. Mas, de repente, foram surgindo as comparações, as competições, e o que era naturalmente bom foi ficando estranho. E a destruição conheceu a natureza humana, que conheceu a destruição, e assim o mundo foi se distanciando da ética. E a convivência ficando cada vez mais tumultuada. Guerras. Algumas até em Teu nome. Conflitos. Preconceito. Discriminação. Corrupção. Humilhação.

Ora, o que aconteceu com a semente do bem? Ficou escondida em algum pântano? Ficou mergulhada oceano adentro, sem estímulo para vir à tona? Reside em algum rincão distante? Porque por certo ela existe. A semente existe e existirá sempre. Ela busca apenas terra fértil para virar planta, e virar flor, e virar fruto. E alimentar.

Senhor. Não permite que a humanidade passe fome de ética. Não permite que o mundo, com todos os sentimentos que nele habitam, seja destruído pela fome, pela fome de quem não permitiu que a semente que alimenta florescesse. E tenho a certeza, Senhor, de que nós erramos muito mais por ignorância do que por maldade. E é por isso que Te peço: derrama Tua luz para que possamos ver essa semente. Derrama Teu amor para que possamos senti-la e, assim sentindo-a, possamos permitir que exista. E, existindo, que o bem faça morada, e o mundo siga a vocação para a qual foi criado.

Somos tantos e tão diferentes. Somos bilhões e somos um. E esse sentimento de felicidade, que nasce do bem, nos une. E essa força, a quem, com ternura e carinho deram o nome de amor, é a razão de estarmos aqui. Viemos do amor. Voltaremos para o amor. Por que, então, não viver no dia-a-dia a intensidade desse amor? Basta experimentar, e o milagre acontece. E o mundo se agiganta. E a poesia toma forma. E um gosto de estrelas na boca nos mostrará que estamos no caminho certo. A manjedoura continua lá, à espera de novos reis e rainhas que sintam o sabor desse sabor. E tudo isso é o amor. E é por isso que eu Te amo, meu Senhor.

Amém! 

Assessoria – Gabriel Chalita

A Escola Possível

Por Gabriel Chalita

Vivemos um tempo em que a educação verdadeiramente significativa tornou-se uma exigência, não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida. Uma educação que responde aos anseios de uma sociedade complexa, porque influenciada pela rapidez dos processos de comunicação decorrentes dos avanços tecnológicos e científicos. Vinda de uma instituição aberta para receber crianças, jovens e adultos necessitados de apoio e de autoconfiança para descobrir seus talentos, a escola que estamos construindo não é mera transmissora de informações.

O Programa Escola da Família – que abre a unidade escolar todos os fins de semana para a comunidade e que completou dois anos – surgiu para mostrar que isso é possível. Já se podem verificar alterações expressivas na comunidade escolar e, por extensão, na sociedade. Dentre elas, a redução da evasão escolar no estado de São Paulo: da 1 à 4 série – Ciclo I do Ensino Fundamental – 0,7%, o índice mais baixo do Brasil; o número de adolescentes e adultos que freqüenta o Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que, no Ensino Médio, passou de 30 mil alunos, em 1995, para 481 mil, em 2005. A qualidade da educação, como um todo, tem recebido pareceres muito favoráveis. É o que mostram os resultados do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) e do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Para além da educação, os índices de violência registrados nas escolas e vizinhanças caíram em até 81%. Acreditamos que devemos tudo isso à apreensão do conceito de pertencimento por parte da população. Em outras palavras: a escola é da comunidade e a comunidade tem de se apropriar dela. E é essencial que todos caminhem nessa direção: pais, professores, diretores, funcionários, voluntários, jovens universitários que têm a possibilidade de estudar, como bolsistas, e trabalhar como monitores do programa. É desse modo que a educação dá a sua resposta à crise de valores que enfrentamos. Não pode ser diferente quando há o respaldo de um governante que elege a educação como prioridade – o que exige muito mais recursos do que discursos.