Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!
(Florbela Espanca)
São Paulo, a cidade que não para, precisa enfrentar os seus problemas e buscar soluções. O sonho de viver em uma cidade de paz não pode ser abortado. Quantos de nós não viemos de outras paragens para “fazer a vida” na cidade grande! Trouxemos no coração um misto de saudade da partida e de esperança na chegada, alimentados pelo desejo de encontrar, na metrópole, um canto que realizasse o nosso “sonho feliz de cidade”, traduzido na música Sampa, de Caetano Veloso. Confessa, ainda o artista, que é sempre um difícil começo e que, rapidamente, aprendemos a chamá-la de realidade. É assim a nossa cidade. De todos. De cada um. Muitos cantos. Muitas dificuldades. Mas muitos encantos. Acolhedora, gigante e desafiadora. Nessa mistura de gentes, vaivéns coloridos de passos apressados, na “dura poesia concreta” dos cantos e esquinas, convivemos. Conviver é mandatório para os cidadãos. E aprender a conviver é um dos desafios da educação.
Convictos de que a formação musical desenvolve habilidades fundamentais na formação de nossos jovens e crianças, lançamos, nesta semana, o “Canta São Paulo”, um projeto de parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Cultura, juntamente com o Theatro Municipal de São Paulo. O intuito é fazer com que todas as escolas de ensino fundamental tenham pelo menos um coral. Para isso, serão disponibilizadas 500 vagas aos professores da Rede Municipal de Ensino interessados em participar do curso de formação de orientadores musicais com prática coral de conjunto. Esses 500 orientadores musicais constituirão grupos corais nas escolas, formados por alunos de diferentes faixas etárias, pelas famílias, pela comunidade, por educadores. No final do próximo ano, um grande concerto com a participação de todos os alunos, professores, orientadores e tutores envolvidos será apresentado à cidade. Além disso, os concertos do Coral Paulistano que já fazem parte da programação cultural dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) vão agregar os novos grupos Corais, que passarão a integrar os concertos como forma de treinamento e aproximação das famílias e comunidades.
Heitor Villa-Lobos, nosso genial musicista, dizia que “É preciso fazer o mundo inteiro cantar. A música é tão útil quanto o pão e a água.” Era um de seus sonhos ensinar as crianças a cantar. Incomodado com o descaso da educação com a formação musical, apresentou um revolucionário projeto de Educação Musical ao grande educador Anísio Teixeira, na época secretário de Educação do Rio de Janeiro. O maestro foi convidado a executar seu projeto que incluía, exatamente, a criação do Canto Coral nas escolas. “A música é um fenômeno vivo da criação de um povo”, ensinava o maestro, magistralmente. Nem é preciso dizer que Villa-Lobos executou o projeto com enorme mestria. Chegou a organizar grandes encontros orfeônicos com até 40 mil alunos!

“A música é um elemento básico e insubstituível na formação espiritual de um povo. A sua função não se limita à importância da formação estética, mas a de assumir um caráter eminentemente socializador. Dentro desse conceito é que foi implantado o ensino da música e do canto orfeônico nas escolas brasileiras. Entretanto, para corresponder à sua verdadeira finalidade educacional, o canto orfeônico não deve limitar-se a uma simples exibição pública das qualidades musicais mais ou menos acentuadas da infância. Mas deve participar da vida cotidiana da escola, conferindo ao ambiente escolar uma impressão de sentimento cívico, de solidariedade e de disciplina”. (Villa-Lobos)
Resgatamos o sonho e o conceito do notável compositor e vamos torná-lo, mais uma vez, realidade. O Canta São Paulo quer despertar crianças e jovens para a autoria e para o sentimento de coletividade. Fazer da música um pretexto para encontros entre família, escola e comunidade. Integrados. Juntos. Uma só voz, entoada por tantas vozes. Afinados. Parceiros. A música ajuda a conviver, desenvolve a sensibilidade e as múltiplas inteligências que cada um possui. A música acalma a alma. Semeia paz.
Canto Orfeônico dirigido por Villa-Lobos, em 1942.
Fonte: Instituto de Educação Caetano de Campos
Site: http://www.boamusicaricardinho.com/villalobos_83.html
Canta São Paulo nasce oferecendo, pelo menos, 500 corais para esta cidade. Vozes de negros e brancos, mulheres e homens, irmãos de longe ou de perto, com gostos, palpites, opiniões diferentes que hão de cantar a vida. Somos educadores. Não acreditamos na violência combatendo a violência. Acreditamos na inteligência realizando o seu papel: convivendo em paz, cantando o canto do respeito, da vida, valor inegociável em qualquer canção, ação.
Em pouco tempo, essas vozes serão ouvidas. Preparamos, hoje, o futuro. Em nossas escolas. Em nossas esquinas. Em cada canto, um canto bom. Canta São Paulo.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/06/2015

Certa vez, uma jovem estudante enviou uma questão para um dos mais famosos cientistas de todos os tempos, Albert Einstein. A pergunta era direta: “Cientistas rezam”? E ela explicava que se tratava de uma curiosidade que os instigava, ela e o grupo de estudantes do qual fazia parte. Queriam saber se é possível, ao mesmo tempo, acreditar na ciência e na religião.
Histórias da nossa infância ajudam a compor o que somos. Revisitar o passado é abrir as portas de emoções que permaneceram e tentar compreendê-las. Tentar, porque as emoções são tinhosas, arredias até. Controlar as emoções é tarefa quase impossível. Talvez consigamos conviver com elas e decidir o que fazer depois que elas vêm. Mas impedi-las de vir, não sei se temos esse poder. O medo, a tristeza, a euforia, a paixão, a raiva, a alegria, esses e outros convivas do nosso sentir vêm. O depois depende da nossa razão, das nossas escolhas, da nossa maturidade. Sentir raiva independe de mim. Não permitir que a raiva faça com que eu destrua o outro depende de mim. Sentir medo não depende de mim. Permitir que o medo me paralise depende. A paixão surge como surge a capacidade de refletir sobre o outro, sobre o amanhã com o outro que agora me toma. Somos assim, frágeis e, ao mesmo tempo, detentores de algum poder que nos leva a não nos deixar dominar por uma parte do que somos. Se não podemos negar nossas emoções, talvez o melhor a fazer seja conviver com elas. Aproveitarmo-nos delas para construir relações saudáveis e abandonar as doentias.
No domingo passado, fui à festa de São Vito. A festa, já tradicional no calendário da cidade de São Paulo, acontece no bairro do Brás.
Estreou, no Theatro Net São Paulo, “Chaplin, o musical”. Só essa notícia já mereceria uma comemoração. Musicais ajudam a cidade a solidificar, cada vez mais, sua vocação como Capital da Cultura. São Paulo, que já foi considerada a locomotiva do Brasil pela sua indústria, vai se firmando, hoje, em outras áreas. A cultura é uma delas. Peças de teatro, cinemas, museus, exposições, saraus literários em todos os cantos da cidade, e tantas outras manifestações culturais, agradam os paulistanos e atraem turistas de dentro e fora do Brasil. Mas a estreia de “Chaplin” tem outros ingredientes que merecem ser degustados com prazer.