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Qual será a medida certa de cobrança na educação infantil? Um estudo recente da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, provocou um intenso debate entre especialistas ao apontar que os professores vêm transformando o jardim de infância na nova 1ª série, uma vez que eles têm adiantado os conteúdos tradicionalmente ensinados no ano seguinte. Para engrossar o coro de que as crianças têm sido pouco estimuladas na educação infantil, pesquisadores das universidades de Chicago e Vanderbilt afirmam também em estudo recente que o jardim de infância é normalmente muito fácil para os pequenos.
O estudo Academic Content, Student Learning and the Persistence of Preschool Effects (Conteúdo acadêmico, aprendizado do aluno e persistência dos efeitos pré-escolares, em tradução livre), publicado no American Education Research Journal, mostra que crianças aprendem mais quando são apresentadas a conteúdos mais avançados, tais como a adição de números e letras aos sons correspondentes. Apesar disso, os professores gastam grande parte das aulas em princípios básicos, como o reconhecimento do alfabeto e fazendo os alunos contarem em voz alta.
Para os autores do estudo, Amy Claessens, Mimi Engel e Chris Curran, a pesquisa revelou que grande parte das crianças que iniciam o jardim de infância já reconhecem algumas letras, têm noções de soma e estão prontas para avançar. Os que, por algum motivo, ainda não dominam esses conceitos, conseguem aprendê-los enquanto avançam com o resto da turma. “Se ensinarmos as crianças o que eles já sabem, elas não vão aprender tudo que podem”, afirmou Amy Claessens à Edweek, revista norte-americana especializada em educação.
Com o tempo, a pesquisadora acredita que os professores da educação infantil vão poder sentir uma diferença significativa no avanço da aprendizagem das crianças. E, para isso, bastam mudanças relativamente pequenas e sem grandes custos, que não afetarão o tempo destinado a outras atividades, como aprendizagem de habilidades socioemocionais e educação física.
Também foi ressaltado no estudo que os professores do jardim de infância passam mais tempo alfabetizando os alunos do que ensinando matemática. Em média, os professores ensinam habilidades básicas de leitura 18 dias por mês, ou quase todos os dias letivos, e alfabetização avançada durante 11 dias por mês. Por outro lado, eles passaram 10 dias por mês em matemática básica e seis dias em matemática mais avançada.
“Professores da primeira infância e do jardim de infância não são tão confiantes sobre o ensino de matemática no início da vida escolar”, disse Claessens. “Estamos há muito tempo estimulando e fazendo um bom trabalho de concentrar o ensino na leitura e em habilidades básicas de leitura. Mas acho que nós não sabemos tanto assim sobre a matemática na primeira infância”, completa.
O estudo foi realizado com base em uma amostragem grande, representando mais de 15 mil alunos de diversos estados norte-americanos que iniciaram o jardim de infância entre 1998 e 1999.
Fonte: Revista Profissão Mestre e portal Porvir
Entrevistei para o meu programa de TV, “Mundo Melhor”, na Rede Vida, o médico e cientista Paulo Saldiva. Falamos sobre diversos assuntos, ele é um dos maiores especialistas do mundo em meio ambiente e em doenças advindas da poluição.
Falamos sobre o amor pela cidade de São Paulo e pelas veias de dor que percorrem essa cidade. Da violência à ausência de calçadas. Do pouco verde ao abandono do centro. Da saúde precária. Dos invisíveis. Mas falamos também de esperança.
Quando perguntei a ele quais eram as principais qualidades que um médico deveria ter para realizar com dignidade o seu ofício, ele foi preciso. Um médico precisa ter compaixão e generosidade.
Compaixão é se colocar no lugar do outro. É sofrer o sofrimento do outro. Paixão é sofrimento. Compaixão é compreender, compartir esse sofrimento. Um médico não pode ser insensível. Não pode se tornar distante de seu paciente. Cada paciente é único. Tem uma história, uma família, medos, sonhos, aspirações. E, aí, vem a segunda qualidade, a generosidade. Se um médico tem a compaixão de compreender o que passa o seu paciente, ele deve ter a generosidade de dar o melhor de si para aliviar essa dor. De se fazer inteiro em cada consulta, em cada cirurgia, a cada momento em que tenha o poder de acalmar as angústias de quem sofre.
Dar o melhor de si significa ser competente na ciência e humano na vida. O paciente precisa do remédio certo, da intervenção correta. Mas precisa, também, de afeto, de consolo, de presença. Como é bom ir a um médico que nos olhe nos olhos, que nos ouça com atenção, que nos explique nossos problemas e que nos apresente alternativas. Que gaste tempo conosco. Como é um bom ir a um médico que goste de ser médico e que compreenda a responsabilidade e o poder da sua profissão.
Compaixão e generosidade. Essencial para os médicos. E, também, para os professores. Para os juízes. Para os taxistas. Para os artistas. Para os jornalistas. Para todos nós, os viventes.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 14/3/2014
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