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Mais um santo. O que isso significa? Mais alguém para nos inspirar a fazer o correto, a viver uma vida digna, baseada no amor – valor maior do cristianismo.
Padre José de Anchieta, canonizado pelo papa Francisco, é um exemplo que merece ser mais conhecido. É um santo que marcou a cidade de São Paulo e o nosso país.
Espanhol, veio para o Brasil, aos 19 anos, para ser missionário no “novo mundo”. Esteve com padre Manuel da Nóbrega na celebração da missa que deu origem à fundação da cidade de São Paulo.
Ensinou os indígenas e aprendeu com eles. Escreveu a primeira gramática da língua tupi, consagrando o idioma dos nativos. Foi educador, literato, pregador, amigo fiel. Ao lado do padre Nóbrega, lutou pela paz entre os portugueses e os indígenas. Chegou a se entregar como refém vivendo durante meses entre os índios. Nessa ocasião, sem pena e sem papel, escreveu cerca de 5000 versos na areia – uma oração de louvor à Virgem Maria. Decorou um a um.
Tinha alma de poeta, usava seus versos para encantar e educar o povo indígena. Com amor. Com respeito. Defendia os índios dos exageros dos colonizadores. Ensinava-os de todas as formas para envolvê-los. Mestre de muitas artes, despertava nos índios a beleza da pintura, do teatro, da música, da poesia, da fé.
Gostava da natureza. Foi considerado um dos primeiros antropólogos e naturalistas do Brasil. E gostava, sobretudo, das pessoas. Iniciou, dentre tantas outras iniciativas de amor ao próximo, a construção da Santa Casa de Misericórdia, do Rio de Janeiro, preocupado com os doentes, principalmente os mais pobres. Percorria distâncias enormes para visitar os enfermos. Era esta a sua missão, amenizar a dor, o sofrimento, com uma palavra, um gesto de amor.
São José de Anchieta, “o apóstolo dos índios e do Brasil”, é um sinal de bondade, um exemplo para nos iluminar. Um obreiro do amor e da fé. Venerar um santo é inspirar-se em sua vida para ser melhor. Rezar, conversando com um santo, é pedir sua intercessão junto a Deus, Autor da Vida, Essência Primeira do Amor.
Mais um santo? Isso significa que, apesar das perversidades tantas a que assistimos, devemos continuar a ter esperanças e a fazer o bem. Esse é o caminho
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 4/4/2014
Em missão oficial na Itália, o deputado Gabriel Chalita esteve em Florença para dar início a discussões e tratativas sobre um possível acordo internacional entre o Brasil e o Instituto Universitário Europeu (EUI), uma das principais instituições de educação da Comunidade Europeia. No encontro, representantes do EUI propuseram a elaboração de um programa de formação de professores, o que vem ao encontro de uma das principais bandeiras defendidas pelo deputado e educador Gabriel Chalita.
Esse instituto é internacionalmente reconhecido pela qualidade de seus estudos acadêmicos, desenvolvidos inclusive por brasileiros. Na visita, Chalita encontrou-se com pesquisadores do Brasil que atuam nas áreas de direito comparado, regulação de serviços públicos e constitucionalismo, assuntos que contribuem fortemente para o desenvolvimento do nosso país e do Mercosul.
Ainda no EUI, o deputado Chalita conheceu a sede dos Arquivos Históricos da União Europeia (HAEU), responsável pela gestão de todo o acervo de documentos oficiais, desde os acordos iniciais da UE até os registros de negociações com outros países, inclusive com o Brasil.
O interesse em expandir o diálogo entre a educação brasileira e italiana foi ressaltado, também, por Simone Tani, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Relações Internacionais de Florença. Em encontro com o professor Chalita, o secretário expressou a intenção da prefeitura de Florença de estabelecer parceria com instituições educacionais brasileiras. Recentemente, foi inaugurada uma universidade chinesa na região, que oferece cursos de arquitetura e moda.
Na capital italiana, em visita à Sapienza Università di Roma, Gabriel Chalita acompanhou o progresso conquistado pelos 200 estudantes brasileiros que fazem parte do programa Ciência sem fronteiras, que busca promover a consolidação, a expansão e a internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O vice-reitor dessa instituição, Antonello Biagini, e o brasilianista prof. Finazzi-Agrò, apresentaram a ótima avaliação que o programa brasileiro tem recebido da instituição e dos alunos. Por isso, a Sapienza, uma das mais tradicionais universidades europeias, espera para o segundo semestre de 2014 cerca de 400 estudantes brasileiros em seus cursos universitários.
Fonte: assessoria de imprensa | 1/4/2014
Há alguns dias, o Brasil se despediu, com dor, de um de seus mais notáveis atores e homens de bem, Paulo Goulart. Por todo lado, a tristeza de não se poder mais desfrutar de sua presença nos palcos e na televisão. Foi como se perdêssemos alguém de nossa própria família. E Paulo não deixava de nos ser tão familiar. Sempre. Ele partiu, mas ficaram seus exemplos de simplicidade, de amor, de humanidade e a arte de seus personagens memoráveis.
Paulo nos deu grande lição de amor. Até o último instante. E foram 62 anos de muito amor. Paulo e Nicete. Que difícil a missão da despedida! Cada um sabe o quanto é penoso o momento de dizer adeus a um ente querido. E ter de dizer adeus por amor. Nicete o fez. Com força. Despediu-se, serenamente, das emoções terrenas, prometendo a Paulo a perenidade do reencontro: “Vá em paz! Nosso amor é eterno”.
Conheceram-se muito jovens. Vieram ambos, de diferentes caminhos, com muita paixão. Pelo teatro. Pela arte de representar. Estrearam juntos. Nasciam para o palco. Nasciam para viver um grande amor. Companheirismo, cumplicidade, respeito, admiração, os mesmos valores, o mesmo momento de vida. Ingredientes presentes e bem dosados ao longo de seis décadas de convívio. “Estou te namorando”, Paulo dizia sempre a Nicete. E ela só pensava em agradá-lo: “Nunca apareci desarrumada para ele. Nenhum bobe no cabelo. Nenhum creme na cara”. Mantiveram o encantamento da estreia. Uma flor inesperada, um bilhete escondido, um sorriso apaixonado. Souberam cultivar e fortalecer os laços. Semearam os afetos e tiveram o cuidado de esperar o tempo da colheita. E os frutos: Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho. A família era a grande paixão de Paulo. No momento de ir, todos estavam juntos. Tristes, mas serenos. Exatamente como ele gostaria que fosse, confessa a atriz. Uma lição de amor. De vida.
Nesses tempos de banalização da vida, de relações descartáveis, de fragilidade dos vínculos humanos, um amor assim, intenso, verdadeiro, que transcende o mundo físico, chama-nos a atenção. Tempos de amores líquidos, nas palavras do sociólogo Bauman. Aprendemos, certamente, com essa lição de amor. Com a história de Paulo e Nicete. Uma história que cada vez mais nos falta.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 28/3/2014
O ilustrador brasileiro Roger Mello venceu o prêmio Hans Christian Andersen, atribuído pelo Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY). Esse prêmio, considerado o “Nobel” da literatura infantil e juvenil, foi anunciado na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália.
Roger Mello, que já tinha estado entre os finalistas em 2010, atua há 25 anos de carreira literária como autor e ilustrador de cerca de uma centena de livros para os mais novos. Segundo o júri, a ilustração de Roger Mello possui algumas características peculiares: explora a história e a cultura do Brasil, demonstra a admiração pelos nossos costumes, é inovadora, inclusiva e dá às crianças a oportunidade de entrar nas histórias pela sua própria imaginação.
Considerado um prêmio de carreira para autores e ilustradores, o Hans Christian Andersen já foi atribuído às brasileiras Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000. Em sua última edição, em 2012, os vencedores foram a escritora argentina Maria Teresa Andruetto e o ilustrador checo Peter Sís.
Fonte: adaptado do Jornal Público, de Portugal | ilustração: Roger Mello | Data: 25/3/2014
Tudo se constrói na interação.
Não acreditamos em aprendizagem que não passa pela interação. Não apenas de ideias, mas do corpo, da percepção, da experiência, das relações. Eu só consigo perceber a minha própria identidade a partir da identidade do outro. O outro na minha vida é constituição de mim também. Por isso, “a vida não pode ficar fora da escola”, dizia Freinet.
As crianças têm de perceber que as coisas não estão separadas e quando “eu conheço” é, inclusive, para poder viver mais. Wallon mostra que é preciso valorizar não apenas o intelecto das crianças, mas também o meio social e a afetividade (emoção): “Só podemos entender as atitudes da criança se entendermos a trama do ambiente no qual está inserida”.
O valor que atribuímos a tudo na vida é constituído na relação. “Ahhh, as crianças destruíram tudo”. Tal indagação mostra que não foi realizada uma reflexão com os pequenos sobre o significado que possuía o que estava em volta deles. Caso contrário, teriam criado vínculos, teriam uma história de pertencimento.
Por que hoje temos tantos espaços públicos completamente sujos e desorganizados? As pessoas não se sentem pertencentes a esse universo. “O que é público não me pertence”. Será? A rua, a cidade, o bairro, tudo é nosso.
Essa postura precisa estar muito presente na escola. Quando trabalhamos com um grupo e decidimos, por exemplo, trocar objetos de lugar sem pedir anuência ao próprio grupo, estamos contribuindo para que as pessoas não se sintam pertencentes ao mesmo, uma vez que não foram respeitadas na ocupação do seu espaço.
Um dos momentos significativos em relação à interação é o ato de cuidar. Quando cuido de alguém, cuido também de mim. É quando percebo a importância que tem o outro na minha vida e eu na vida dele. Quem cuida do outro também cuida do planeta. É uma dimensão muito maior de formação humana e de pertencimento.
Para Leonardo Boff, cada ser humano compõe a totalidade que é o planeta. Assim, não é apenas atentar-se ao cuidado específico de uma área, é ao ser humano. O ato educativo é um dos mais bonitos do mundo. Pois, na relação com outras pessoas, faz-se um círculo de interações, de teia e conectividade, promovendo a qualidade de vida.
Portanto, quais são as suas verdades?
No processo de construção de significados não há como não enfrentar contradições e conflitos. Quem trabalha com a educação da infância enfrenta conflitos porque não existem fórmulas prontas. Retomamos, reconstituímos e ressignificamos, continuamente, descobertas, costumes e ações.
Daí a importância de formar grupos de discussão intra e extramuros escolares. Para que possamos nos retroalimentar. Nós mesmos adotávamos práticas como educadores da infância as quais percebemos que, além de descontextualizadas hoje, tinham valor e significado com “aquele grupo e aquelas crianças”. Redimensionamos nossa ação, permitindonos fazer essas descobertas. Só que isso gera contradição, conflito e muitas ambiguidades.
Não possuímos todas as verdades. Não temos as respostas definitivas. Entretanto, quando o educador assume suas verdades, com a consciência de que não são absolutas, seu fazer assume outro sentido. Olhe para suas crenças. Em que, de verdade, você acredita? Quando não existe essa internalização, estamos apenas discursando. Se é tão importante a história de vida da criança, a do educador também tem de ser.
O educador da infância é uma referência fortíssima para as crianças. O tempo todo as crianças estão lendo o seu jeito, seu tom de voz, expressão, afetividade… Uma marca que chama muito a atenção na Educação Infantil é que os educadores são seres humanos que trazem consigo uma alegria muito grande. Tememos que um dia a percamos. Quem trabalha com infância só envelhece mentalmente se desejar. O educador, no contato com as crianças, pode ser eternamente jovem e alegre.
Não defendemos aqui simplesmente alguns princípios educacionais. Defendemos um modo de constituir uma vida que é minha identidade, minha crença.
As crianças nunca ficam desinteressadas. Muitas vezes, nós é que não sabemos despertar seu interesse.
Ampliamos o acesso à informação, mas, nem sempre conseguimos fazer a leitura de certas situações. Ler a subjetividade, com profundidade, é relacionar todos os momentos à realidade vivida.
Nossa visão de educação é humanizadora. Não acreditamos em educação que não humaniza. É um princípio. Podemos ser extremamente competentes, mas se nosso projeto não considerar a dimensão de humanização, excluímos a possibilidade de transformação que estamos vivenciando, nós e as crianças.
Temos nos permitidos interagir e identificar nossas verdades na relação com as crianças?
Fonte: Revista Educacional Escolas ( Por Emília Cipriano)
O educador Paulo Freire, em seu exílio no Chile, em 1964, escreveu: Cheguei ao Chile de corpo inteiro. Paixão, saudade, tristeza, esperança, desejo, sonhos rasgados, mas não desfeitos, […] vontade de viver e de amar. Esperança, sobretudo.
Freire tinha o sonho de uma educação para a libertação dos oprimidos, que tornasse a realidade mais humana e permitisse aos homens que fossem protagonistas de sua própria história. Visto como subversivo pelo regime militar, foi preso e forçado a deixar o país. Lutou a vida toda pela causa da educação, mesmo quando as circunstâncias tentaram lhe roubar o sonho. Sonho rasgado, mas não desfeito.
Inspira-nos saber de tantos grandes homens que escolheram não desistir jamais de seus sonhos. Buscaram, alcançaram e nos presentearam com suas obras. Muitos deles foram desestimulados no meio do caminho. Mas persistiram. O poeta Drummond chegou a ser expulso da escola por “insubordinação mental”. Villa Lobos estudava piano escondido da mãe, que tencionava vê-lo médico e não músico, até que ele decidiu fugir em busca da arte musical. Monteiro Lobato, leitor contumaz desde menino, foi reprovado no exame de língua portuguesa, quando tentava a admissão no Instituto de Ciências e Letras. Homens que sonharam. Homens que fizeram suas escolhas. Homens que não se abandonaram frente aos desestímulos. Surpreendentemente, alguns vindos da escola.
A mesma escola que ilumina e desenvolve o pensamento, despertando no outro o prazer do conhecimento, é capaz, muitas vezes, de desencorajar a semeadura dos sonhos de seus alunos. Faz mal. Não pode ser incauto o olhar da escola e do professor sobre seu aluno. Professores são gerenciadores dos sonhos das crianças que passam por suas mãos. Precisam tocar, envolver, mover a alma de jovens ávidos por um futuro ainda em gestação. A semente do pensamento é o sonho. Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos – ensinam as palavras do sonhador Rubem Alves.
Sonhar é inerente à essência humana. É a mola que impulsiona o homem à experiência da vida. Não vive aquele que não tem um sonho. E torna-se inacabado o homem que não o persegue, pois realizá-lo é condição de uma vida plena e feliz.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 21/3/2014
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