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Antônio Ermírio, uma face humana da generosidade

Quando Antônio Ermírio de Moraes completou 80 anos, tive a honra de, ao lado do grande pensador José Pastore, organizar um livro sobre a sua vida. Foram 80 depoimentos de artistas, intelectuais, empresários, políticos, escritores e familiares sobre a trajetória de um gigante do mundo empresarial, de um homem cuja capacidade de trabalho era impressionante. Antônio Ermírio era um líder comprometido com a geração de empregos e com o desenvolvimento do país. Era um brasileiro apaixonado pelo Brasil. Mas não era só isso.

No seu velório, fiquei atento à quantidade de pessoas de todos os cantos que vinha para lhe render homenagem. Ouvi histórias comoventes de gratidão. Entre elas, a de uma ex- funcionária que viajou de sua cidade para agradecer ao homem que salvou sua vida pagando a cirurgia e todo o tratamento do coração. Ele era um homem de coração. Uma trabalhadora do Hospital Beneficência Portuguesa, com os olhos marejados, dizia de sua simplicidade. Ele era, decididamente, um homem simples. Convivi com Antônio Ermírio durante um bom tempo. Fui seu confrade na Academia Paulista de Letras. Desfrutei de muitos momentos de prosa em que sua sabedoria deixava marcas de entusiasmo. E testemunhei muitas ações de generosidade que ele fazia com a intenção nobre de ajudar o próximo. Sem alardes. Pelo contrário, insistia que não fizéssemos divulgação, que não era essa a intenção, que o valor do ato generoso estava no silêncio, no saber-se útil ao irmão. Eu insistia em homenageá-lo pelas doações. Ele, delicadamente, agradecia e dizia ter aprendido com o pai que ajudar ao próximo é um dever de consciência, é um exercício de cidadania. Vi seus olhos emocionados na apresentação musical de jovens da antiga FEBEM. Ele havia doado os instrumentos. Eu lhe dizia que precisávamos dar uma segunda chance àqueles jovens e que o desenvolvimento da sensibilidade, proporcionado pela música, era essencial. Ele concordava e insistia que deveríamos nos preocupar também em dar emprego a eles. O trabalho dignifica o homem – era essa sua oração. Foi ele o mecenas de muitas igrejas. Construções, restaurações, espaços de encontro com Deus. Que belo encontro com Deus está experimentando Antônio. Deus, a essência do Amor. Antônio, um homem que se permitiu ser uma face humana da generosidade. Do amor em ação. Sabia ele do poder da educação. Repetia quase que um mantra: “Educação, pelo amor de Deus”. Heliópolis é uma das testemunhas de seu fazer pelo outro. Pelos que estão distantes das possibilidades. Talentos todos têm, mas, infelizmente, alguns futuros se perdem porque não há quem os tome pelas mãos e os conduza nos primeiros acordes. O resto eles fazem. Orquestras de canções tantas, vidas em afinação. Peças de teatro. Artistas em cena revelando o talento do autor Antônio Ermírio e de sua inquietude no mover as pessoas pelas lágrimas ou pelo riso na construção de um país melhor. Seu intento era esse. Fazer! Aproveitar o dia, aproveitar a vida para deixar um perfume novo em ambientes malcheirosos pelo egoísmo, ausência de amor. Amou os seus. Sua mulher, Maria Regina, seus nove filhos, seus netos e bisnetos. Que linda família! Soube educá-los para a vida e para o exercício do respeito. Nada de exibicionismos. Nada de exageros. Deu certo. Apesar da dor de enterrar dois filhos, a imagem dos seus familiares atesta uma educação correta. Ouvi de sua mulher no velório: “Agora, ele está com os dois filhos, e eu, com os outros. Um dia, estaremos todos juntos”. Essa é a fé que nos alimenta. A saudade é parte de nossa condição humana. Somos caminhantes. E não sabemos o dia da despedida. A experiência do mistério nos desafia. Por isso, pensar na morte é um alimento para a vida. Fortalecemos a nossa jornada quando tomamos consciência de nossa finitude. Somos pó e ao pó voltaremos. Assim nos ensinaram. Mas somos mais do que pó. Somos amor. E é o amor que nos identifica. E é o amar que justifica nossa existência. Precisamos de referenciais. Os exemplos nos elevam. Antônio Ermírio de Moraes é um referencial. Aprendamos com ele esses valores tão estranhamente escassos: a decência, o respeito, a honestidade, o trabalho, a simplicidade, a generosidade. É isso. A saudade é amenizada pela certeza de uma vida que modificou e que deu significado a milhares e milhares de vidas. De um incansável trabalhador na arte de produzir riquezas e de edificar gentes. Um homem bom!

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 27/08/2014

Aprendendo com os aprendizes

Construir vínculos não é fácil. Somos seres humanos e, como tais, incompletos: sujeitos de erros e acertos, esperanças e temores, amores e frustrações. Apesar disso, desejamos e buscamos alcançar a plenitude do ser.

Contraditórios, é no reconhecimento dessa imperfeição que podemos construir uma relação saudável entre professores e alunos. Afinal, em nossa jornada, somos livres para caminhar com alegria, com amizade, fazendo o possível para transformar nossas escolas em um espaço de esperança.

Família e educação são temas de lançamentos de Gabriel Chalita na Bienal do Livro de São Paulo

Convivência, vínculo, aprendizagem e relações. Assuntos recorrentes tanto no ambiente familiar como em salas de aula, entre pais e filhos ou entre professores e seus alunos, dão o tom para a série de lançamentos de Gabriel Chalita na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que chegam às livrarias pela Cortez Editora. 

Em “Famílias que educam”, o autor propõe uma reflexão acerca da importância da boa convivência em família, onde o diálogo, o respeito e a amabilidade possam dar lugar aos conflitos de gerações e à violência, seja ela verbal ou física. Um dos exemplos citados na obra é o caso de um dos maiores escritores do século XX, Franz Kafka (1883-1924). A falta de comunicação com seu pai, que não aprovava a vocação literária do filho, resultou em um medo escuso e infindável.

Incentivar as crianças a despertar a curiosidade e a imaginação é um dos caminhos que sempre devem ser considerados pelos mestres da educação. É o que defende Chalita em “Semeadores da esperança”. Dedicado aos eternos e universais educadores brasileiros, o livro aborda a construção da ética, os desafios do conhecimento e os medos e os sonhos contemporâneos de quem dedica a vida ao ensino.

Já em “A escola dos nossos sonhos”, Chalita faz um panorama sobre a transformação da prática pedagógica ao longo da história. O autor lança mão de sua experiência como Secretário da Educação do Estado de São Paulo (2002-2006) para traçar um comparativo entre os métodos educacionais dos tempos do teocentrismo medieval e do antropocentrismo renascentista e as configurações contemporâneas, com programas pedagógicos mais amplos e completos. 

A convivência é assunto que comumente causa discussão em diversas áreas da vida. E não é diferente nas relações entre docentes e alunos. Esta é a temática de “Aprendendo com aprendizes”, livro que completa a série de lançamentos de Gabriel Chalita. Compromisso, partilha, renúncia, diálogo, consenso e respeito mútuo são algumas das considerações apontadas pelo volume para que se estabeleça um ambiente escolar harmonioso. 

Lançamento dos livros: 

Dia: 30 de agosto

Horário: 14h30

Local: Estande da Cortez Editora, na Bienal do Livro de São Paulo 

 

Fonte: Assessoria de imprensa | Cortez Editora

Entre livros e sonhos

Escrever é um ofício que me realiza. Não consigo imaginar um mundo sem palavras. São elas que se lançam para dar significado ao que sentimos. Pontes encantadas. E, quando necessário, muros. Sem agressividade. Mas com palavras certas.

Poetizamos pela palavra. Criamos personagens, inventamos situações, tecemos argumentos pela palavra. Gosto de escrever. E escrevo como profissão de fé na pessoa humana. Reescrever dá um pouco mais de trabalho. As rasuras nos lembram de que vamos corrigindo. De que a palavra talvez possa ser outra. De que os tempos fugidios exigem novos olhares.

Revisei quatro livros que serão lançados na Bienal: “Famílias que educam”, “A escola dos nossos sonhos”, “Semeadores da esperança” e “Aprendendo com os aprendizes”. Já faz algum tempo que os escrevi. Tratam da minha outra paixão, além da escrita: o nobre exercício do educar. Os livros falam de família, de escola, de professores e de alunos. Dos espaços sagrados em que nos deparamos com o exercício diário da generosidade. A convivência ganha significado na troca. Aprendemos, ensinamos, tornamo-nos cúmplices da boa nova, que é a educação. Formamos para o hoje e para todos os outros dias. Com exemplos e com textos. Mas, acima de tudo, com a convicção de que o que fazemos tem uma razão de ser.

Na Bienal, muitas outras palavras estarão aguardando os visitantes. Conversas com autores, autógrafos. Aproveito para convidar todos os leitores deste jornal para o lançamento dos meus livros no sábado, dia 30 de agosto, às 14h30, no estande da Editora Cortez, e para se deixarem seduzir por este universo de letras, de palavras, de pessoas.

Ao terminar a revisão desses livros, fiquei refletindo sobre quantas revisões devemos fazer sobre nossas escolhas. Que bom que a vida nos dá outras oportunidades.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 22/08/2014

Gabriel Chalita participa de solenidade de posse dos conselheiros do Conselho Consultivo Interinstitucional do TJSP

Com a presença do presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, do governador Geraldo Alckmin, do deputado federal Gabriel Chalita, que representou a Câmara dos Deputados, de diversas autoridades, renomados juristas e integrantes da sociedade civil, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, deu posse aos integrantes do Conselho Consultivo Interinstitucional (CCI) da Corte, em solenidade que aconteceu no Palácio da Justiça.

O CCI, criado em março deste ano por ato pioneiro da atual gestão da Presidência do TJSP, tem a missão de implantar um novo patamar de interação com a sociedade: uma verdadeira “democracia participativa”. Seus integrantes, representantes de diversas instituições ligadas aos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo e da sociedade civil, opinarão sobre temas de impacto institucional e social. Na primeira pauta estão três assuntos: Judiciário sustentável, alternativas de obtenção de novos recursos e valorização da primeira instância, este último indicado pela população por mensagens via redes sociais.

“Os conselheiros são vitoriosos. Venceram em suas atividades, são referências brasileiras em seus setores. Aqui se reúne um PIB de inteligência muito superior àquele com que sonhamos para o Brasil. A missão do erudito é restituir à sociedade o que ela fez por ele. O mais qualificado é também consciente disso e se torna um empreendedor. Continuará a marcha de aperfeiçoamento das instituições, para reduzir desigualdades e permitir que todos os seres humanos se realizem, fazendo suas potencialidades atingirem a plenitude possível”, disse Nalini ao enaltecer os profissionais que compõem o CCI.

Ao encerrar a cerimônia, o presidente agradeceu a colaboração de todos e informou os três primeiros temas que serão esmiuçados. No prazo de 30 dias, haverá nova reunião do Conselho, dessa vez virtual, para a discussão dos assuntos.

Sobre o CCI

O TJSP, em um esforço de ampliar canais de diálogo entre a Corte e os diversos atores sociais, criou o Conselho Consultivo Interinstitucional. O objetivo do conselho é servir de espaço de comunicação com as organizações responsáveis pela movimentação judiciária. O conselho será presidido pelo presidente do TJSP e composto por outros 25 participantes (entre membros efetivos e suplentes). O mandato terá duração até 31 de dezembro de 2015, e os componentes não serão remunerados pela participação no CCI. As reuniões ordinárias ocorrerão trimestralmente, e as extraordinárias serão convocadas quando o presidente reputar conveniente. 

O CCI já é exemplo para outros estados. Inspirados na iniciativa paulista, advogados mineiros levaram ao presidente do TJMG, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, a proposta para a criação de um Conselho Consultivo Interinstitucional na instituição. A proposta será estudada pelos integrantes da Corte.

Fonte: assessoria de imprensa TJSP | texto adaptado do site http://www.tjsp.jus.br/