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Gabriel Chalita ministra palestra para presidentes de Tribunais de Justiça de todo o país

O educador e deputado federal Gabriel Chalita será um dos palestrantes do 101º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil, que acontece no Palácio do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. No encontro, Chalita aborda o tema “Escolhas e aspiração: da utopia à Justiça” aos presidentes dos Tribunais de Justiça do país. 

Dentre os objetivos do evento, está a integração e o intercâmbio de experiências funcionais e administrativas entre os Tribunais de Justiça do território nacional, a fim de otimizar o gerenciamento da justiça brasileira. Gabriel Chalita, que juntamente com Ricardo Lewandowski, Paulo Dias de Moura Ribeiro e Déborah Ciocci será palestrante do evento, é doutor em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica; mestre em Direito e em Ciências Sociais, além de ser graduado em Direito e em Filosofia. É professor da Pontifícia Universidade Católica – SP e da Universidade Presbiteriana Mackenzie – SP.

Fonte: assessoria de imprensa

O que a Finlândia tem a ensinar

País que é referência em educação também se destaca em direitos sociais, política e inovações, como um chiclete que, em vez de provocar, evita cáries.

Na terra do Papai Noel, o presente é a educação: gratuita e de qualidade, independentemente de classe social. É no ensino que a Finlândia estabeleceu o alicerce para erigir, em um rincão de inverno gélido ao norte da Europa, uma das sociedades mais desenvolvidas do mundo.

Bem colocado em rankings de educação, qualidade de vida e combate à corrupção, o país nórdico arquitetou seu sucesso. Com um quarto do território acima do Círculo Polar Ártico e um histórico de séculos de dominação dos vizinhos suecos e russos, a Finlândia (independente desde 1917)apostou em uma rede de proteção social, no planejamento e na educação para assegurar o bem-estar de 5,4 milhões de habitantes, menos da metade da população gaúcha e apenas 2,6% da brasileira.

– Éramos um país paupérrimo, dominado pela Suécia e depois pela Rússia, que enfrentou uma Guerra Civil, sofreu até o pós-guerra e conseguiu se tornar um lugar próspero – orgulha-se IIkka Taipale, médico, professor universitário e ex-membro do Parlamento Nacional, editor do livro 100 Inovações Sociais da Finlândia.

Um simpático senhor de barbas e cabelos brancos, Taipale apresentou a coletânea de inovações em um seminário realizado pela embaixada do país em Brasília: licença maternidade de 11 meses, chiclete que ajuda a prevenir cáries, primeiro parlamento a aceitar mulheres, bebês que dormem em uma caixa de papelão…

O pilar desta sociedade de bem-estar é a educação, sem relação com métodos pedagógicos revolucionários. Pelo contrário, a Finlândia indica um caminho que pode ser seguido em qualquer país: um sistema uniforme e gratuito dos anos iniciais à universidade, o que inclui merenda, material e bolsas de estudo, além de professores qualificados e bem remunerados. Meio de alcançar avanços sociais e tecnológicos, como o pioneirismo da Nokia na telefonia móvel.

– Os melhores alunos da escola querem ser professores, é uma profissão de destaque na sociedade. A educação é encarada como forma de resolver problemas. Não adotamos o modelo de passar 10 horas por dia lendo e decorando assuntos. Há tempo para o lazer, música, esporte – explica a ex-ministra de Assuntos Sociais e Saúde do país, Vappu Taipale.

Ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) elogia o modelo de ensino finlandês, em especial pela valorização aos professores, a maior parte com qualificação equivalente ao mestrado. Situação oposta à vivenciada no Brasil na educação básica.

– Temos de aprender a valorizar o professor em três lugares: na cabeça, no coração e no bolso. Cabeça é formação, coração é respeito, e bolso é um salário digno – defende.

Chalita também chama atenção para o incentivo que os finlandeses dão à permanência dos pais em casa – para o deputado, por melhor que seja uma escola, ela não supre a carência deixada por uma família ausente.

Já na sala de aula, as crianças compreendem a importância de uma sociedade com baixa desigualdade, em um país onde os bairros são planejados para que ricos e pobres sejam vizinhos. Infraestrutura, investimentos em mobilidade urbana e sustentabilidade também são prioridades ensinadas e materializadas pelos governos de coalizão, que asseguram a Executivo e Legislativo tranquilidade para desenvolver políticas públicas mantidas independentemente dos resultados eleitorais.

Não à toa, a Finlândia tem um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta: 0,879, ante 0,744 do Brasil. O IDH leva em conta três fatores: renda per capita, escolaridade e expectativa de vida. Quanto mais próximo de 1, melhor a avaliação. Tanta prosperidade exige uma das taxas de impostos mais altas do mundo. Tributos pagos sem resmungos.

– Somos contribuintes felizes – diz Ilkka Taipale.

Por: Guilherme Mazui – colaborou Mônica Bidese (especial) | Zero Hora | 30/11/2014

O amor em qualquer idade

Está em cartaz nos cinemas brasileiros um filme delicado, bem dirigido e com uma temática atualíssima: o amor. O amor na maturidade. O amor capaz de tudo para surpreender e alimentar os sonhos de uma vida inteira. Elsa e Fred.

Elsa, interpretada por Shirley MacLaine, é uma mulher romântica que mistura ficção com realidade (é mais elegante dizer assim do que falar que, não poucas vezes, ela mente) e que sonha em recriar a clássica cena de “A Doce Vida”, de Frederico Fellini, na Fontana di Trevi. É mãe protetora. É mulher apaixonada. Entrega-se à vida e aos seus encantamentos. Fred, interpretado por Christopher Plummer, é um homem ainda de luto pela recente viuvez. Pacato. Hipocondríaco. Para Elsa, cada dia, é uma oportunidade de viver. Para ele, é só mais um dia. Essa história de amor começa com a mudança de Fred, a contragosto, para um apartamento arranjado pela filha que gostaria de tomar conta do pai. Estão os dois no mesmo prédio, Elsa e Fred. E, depois de um pequeno acidente, acabam se encontrando. Totalmente diferentes, vão se completando pelas surpresas que a vida oferece e pela capacidade de reinventar a própria história.

Elsa está doente, com gravidade. Fred quer dar a ela a oportunidade de realizar seu sonho de entrar na Fontana di Trevi, em Roma, revivendo Anita Ekberg e Marcello Mastroianni, no filme de Fellini, que marcou a história do cinema.

Além de estar em cartaz nos cinemas, essa refilmagem do longa argentino de 2005, dirigido e roteirizado por Marcos Carnevale, está também no teatro com dois atores geniais: Suely Franco e Umberto Magnani. A história é a mesma. Há momentos muito divertidos. Suely leva a plateia às gargalhadas. E há momentos profundamente emocionantes e educativos. A relação da mãe com os filhos e a do pai com a filha rendem boas reflexões.

É interessante como vêm fazendo sucesso essas histórias de amor que quebram os clichês do mocinho e da mocinha jovens, lindos, perfeitos. Talvez isso aconteça porque o público se identifica com essas histórias, tão próximas da vida real. Todos queremos alimentar a esperança de que não deixaremos de amar quando os tempos da juventude já tiverem se despedido.

Palavras de amor

As palavras contagiam. E os sentimentos vividos por personagens do cinema e da literatura permanecem conosco. Nos minutos seguintes e pelo resto dos nossos dias. Mesmo que inconscientemente. E a literatura, assim como a dramaturgia, nos presenteia com histórias de amor vividas durante a melhor idade. Em “Carta a D.”, André Gorz, autor de tratados sobre filosofia e sociologia, escreveu sobre o amor pela sua esposa, Dorine. Em suas páginas, vemos o amor de uma vida inteira transformar-se em palavras tão belas quanto o sentimento que as inspira. “Eu gostava da sua fragilidade superada, admirava sua força frágil. Nós éramos, eu e você, filhos da precariedade e do conflito. Fomos feitos para nos proteger mutuamente contra ambos, e precisávamos criar juntos, um pelo outro, o lugar no mundo que originalmente nos tinha sido negado. Para isso, no entanto, seria necessário que o nosso amor fosse também um pacto para a vida inteira.”

Depois de quase sessenta anos juntos, Gorz reconstrói a história dos dois nesta carta, endereçada a D. e a todos os que amam. Este livro não é mais uma história bonita entre duas pessoas que se amam. É um verdadeiro tratado sobre o mais nobre e transformador dos sentimentos humanos. As páginas avançam permeadas de afeto, de reflexões, de cumplicidade, de magnetismo. De amor de verdade. E como tudo o que é verdadeiro, o amor de André Gorz e de Dorine desafia o tempo, suas destemperanças, e nos contagia mostrando uma nova face desse sentimento. A sua beleza na maturidade.

As cartas também exerceram um papel importante na união de um casal clássico da literatura universal. Em “O amor nos tempos de cólera”, do mestre do realismo mágico, Gabriel García Márquez, Florentino apaixona-se por Fermina e, após um longo período de troca de correspondências, declara seu amor por ela. A vida não permitiu que essa união fosse selada durante a juventude. Mas o amor venceu o tempo, e Florentino esperou sua “deusa coroada” por 51 anos. O tempo é sempre generoso com quem o respeita. Com quem reconhece que não existe hora certa para viver uma história de amor. Com quem descobre que o amor é ainda mais belo na maturidade e que sempre é tempo para findar o tempo das ausências.

 

“Elsa & Fred” nos cinemas:

Dirigido por Michael Radford. Com Shirley MacLaine e Christopher Plummer, interpretando Elsa e Fred, respectivamente.

 

“Elza & Fred” no teatro:

Direção: Elias Andreato

Com: Suely Franco e Umberto Magnani, Mayara Magri e outros

Texto: Marcos Carnevale, Lily Ann Martín e Marcela Geraghty

Tradução: Rodrigo Paz

Em cartaz até 21/12, no Teatro Folha

Teatro Folha: Av. Higienópolis, 618, terraço – Consolação.

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 30/11/2014

Tempo de delicadeza x Tempo de horror

De tempos em tempos, surgem pesquisas mostrando dados alarmantes sobre a violência contra a mulher. E, de tempos em tempos, crio a expectativa de que o tempo da delicadeza vença o tempo do horror, da covardia, mas não é isso o que vem ocorrendo. Infelizmente.

Dados recentes da ONU mostram que uma a cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual. Mais de 100 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital. No Brasil, segundo dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres, a cada 12 segundos, uma mulher sofre violência sexual. Há outro dado, também assustador, que aponta que mais de 70% das agressões contra a mulher ocorrem no domicílio da vítima: pelos pais, irmãos, tios, padrastos etc. Não raro, os abusos desses homens são de conhecimento até mesmo de outra mulher da família que, por medo ou por vergonha, encobre o agressor. Muitos desses homens violentos justificam sua ação perversa e covarde como ato de amor. Amor? Quem ama respeita. Quem ama cuida. 

Quem decide partilhar a vida com alguém precisa compreender que momentos de instabilidade surgirão, mas que não serão resolvidos pela violência. Somos seres inteligentes, capazes de dialogar, aptos a compreender as nossas diferenças. É preciso acabar com essa história de maldade, de dor, de desrespeito. E as mulheres também têm um papel fundamental nessa batalha. Tolerar qualquer gesto de violência, por menor que ele pareça ser, é abrir as portas para agressões mais sérias. Brincadeiras em que o outro se torna o brinquedo não devem frequentar o convívio humano. É bom ver ONGs se mobilizando, a mídia alertando, a sociedade compreendendo e agindo.

Toda atitude machista é vergonhosa. Uma atitude violenta, além de criminosa, é horrenda. Mostremos a nossa melhor face. A face dos que caminham de mãos dadas, sem tempo nem disposição para atirar pedras.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 28/11/2014