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Chalita responde ao Estadão

Concedi entrevista à jornalista Eugênia Lopes, do respeitado jornal O Estado de S.Paulo, na terça-feira, 1º de março, versando sobre os rumos da política partidária e sobre meu posicionamento no cenário. No entanto, jamais afirmei: “Vendi a alma para o PSB”.

Esse tipo de postura não condiz com minha prática política, e essa concepção e esse vocabulário não se coadunam com minha formação.

Solicito, portanto, a devida correção.

Atenciosamente,

Gabriel Chalita, deputado federal (PSB-SP)

Gabriel Chalita realiza aula inaugural na UMC

(Site da Universidade de Mogi das Cruzes – UMC)

No dia 03 de março (quinta-feira), o Deputado Federal Gabriel Chalita ministrará a aula inaugural com o tema “A ética como essência para a felicidade humana”, para os alunos da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), no campus Villa-Lobos/Lapa.

A expectativa da universidade é reunir cerca de 400 alunos, novatos e veteranos. “O objetivo desse evento é promover um debate filosófico sobre a essência da felicidade. Para tanto, contaremos com a ilustre presença do Prof. Gabriel Chalita, que possui vasto conhecimento sobre o assunto e foi escolhido, mais uma vez, com unanimidade para ministrar a aula inaugural”, afirma Regina Coeli Bezerra de Melo, reitora da UMC.

Gabriel Chalita assume Comissão de Contas da APL

Gabriel Chalita assumiu a Comissão de Contas da Academia Paulista de Letras (APL), em cerimônia que empossou a nova diretoria da entidade, para o biênio 2011/2012. O evento ocorreu no dia 24 de fevereiro, no teatro da APL.

O novo presidente – o articulista, cronista e radialista Antonio Penteado Mendonça – sucede o desembargador e professor José Renato Nalini, agora secretário-geral. Outros cargos importantes são o de Dom Fernando Antonio Figueiredo (primeiro-secretário), o de Ana Maria Martins (segunda-secretária), o de Paulo Nathanael Pereira de Souza (primeiro-tesoureiro), o de José Pastore (segundo-tesoureiro), o de Hernani Donato (da Comissão de Bibliografia e Publicações) e o de Francisco Marins (da Comissão de Lexicografia).

A solenidade contou com um recital da Filarmônica Vera Cruz, regida pelo maestro Júlio Medaglia.

Incontinência verbal

Por Gabriel Chalita (Revista Canção Nova)

Você conhece alguém que fala mais do que deve? Você fala mais do que deve? Já se arrependeu de ter dito alguma coisa? Pois é, sofremos de incontinência verbal. É antigo o ditado que nos lembra de que temos uma boca e dois ouvidos. Que devemos ouvir mais e falar menos. Mas isso não é fácil.

Dia desses, uma amiga da minha mãe ligou para ela e, ao ouvir as reclamações de que a mão estava formigando e avermelhada, disse que era urgente que fosse ao hospital, que poderia ser algo muito grave, que o pai teve que amputar a mão em situação semelhante. A mesma amiga, em outra ocasião, ao perceber que minha mãe estava esquecida, não se conteve em dizer que provavelmente ela estava com Alzheimer. A amiga não é médica. Errou nos dois diagnósticos, mas conseguiu deixar minha mãe profundamente preocupada. Fez por mal? Certamente não. Incontinência verbal.

Tenho um amigo que não perde o costume de estragar surpresas. “Estão preparando uma festa de aniversário para você.” E prossegue: “Finja que não sabe de nada, só falei para não te deixar preocupado”. Preocupado? Com o quê?

Há aqueles que fazem “fofocas cristãs”. “Eu preciso lhe contar uma coisa muita séria (e aí vem a fofoca), só contei para que você reze por ela.”

Em momentos de briga, fala-se muita coisa desnecessariamente. Lembranças ruins do passado. Acusações bobas. “Nunca me esqueço! Faz 40 anos, mas eu nunca me esqueço de quando você me chamou de burra. Estávamos casados há um ano.” Ou ainda: “Eu o avisei, mais uma namorada que abandona você. Eu disse que as mulheres que o conhecem acabam indo embora. Só falo isso porque sou seu amigo”.

Em uma mesa de conversa, sempre há aquele que ouviu alguma história e sem a menor preocupação com a verdade fala: “Eu ouvi dizer que fulano é caloteiro. Não quero ser injusto, não gosto de fofoca, mas me parece que ele não paga ninguém”.

É atribuído a Sócrates um diálogo em que os seus discípulos vieram falar sobre a vida dos outros e ele perguntou, ensinando: “Vocês já passaram pelos três crivos antes de me contar?” Os crivos são verdade, bondade e necessidade. “É verdade? Vocês têm provas? É bom? Não vão magoar ninguém? É necessário? Tem alguma coisa a ver com a vida de vocês ou com o bem público?” E os discípulos se calaram, e Sócrates voltou a falar de filosofia.

A palavra tem poder. Que esse poder seja usado para fazer o bem. Palavras ditas sem amor podem ferir.

Que tal pensarmos antes de falar? Que tal fazermos a experiência do ouvir mais, para aprender, e falar apenas o necessário, para ensinar?

Em seu primeiro discurso na Câmara, Chalita destaca a educação

“É a primeira vez que ocupo esta tribuna. Agradeço a Deus o privilégio de estar aqui e  a generosidade do povo de São Paulo. Quero aproveitar esta reflexão,  no que estamos discutindo, falando da Olimpíada, de esporte,  da geração de uma juventude mais saudável, para  tratar de um tema que é essencial para que, de fato, consigamos cumprir o que diz o  polo nuclear da Constituição de 1988, referente ao princípio da dignidade da pessoa. Nenhum país consegue ser digno se não educar com excelência e qualidade seus filhos.

Fiquei profundamente feliz ao assistir ao pronunciamento da presidente Dilma nesta Casa, chamando os professores de ‘autoridades da educação’. O caminho para se construir um país  saudável, democrático, é valorizar esses professores e essas professoras. É fazer com que, de fato, realize-se um sonho antigo nosso; se nós relembrarmos a nossa história, lá na Bahia, em 1940, um jovem, chamado Anísio Teixeira, construiu a primeira escola de tempo integral do Brasil. O sonho daquele educador impulsionou a educação de países como o Chile, a  Coreia. E nós ainda nos envergonhamos da educação que temos. Nós ainda não conseguimos formar o ser humano na escola com sua integralidade, racional, emocional, social.

É por isso que  o tema da educação precisa empolgar a sociedade brasileira, o Congresso Nacional. Neste ano, vamos discutir o Plano Nacional de Educação e temos  a triste notícia de que há milhares de crianças esperando vagas em creches, de que há professores que não têm uma formação adequada, de que há um distanciamento dos pais na relação educacional de seus filhos. Se nós quisermos um país, de fato, justo, precisaremos construir  uma educação muito mais saudável, muito mais responsável. Acho que este é o nosso sonho.

Esporte, diminuição da violência, tecnologia, geração de empregos, saúde, tudo isso nasce na educação. A utopia está ligada à educação. Há um pensador chamado Francis Bacon, um dos pensadores chamados utópicos, que, em sua obra Nova Atlântida, descrevia uma casa, chamada Casa de Salomão, no centro da Ilha da Utopia. Dizia Francis Bacon que aquela ilha só seria saudável, só seria  livre, quando todas as pessoas tivessem acesso ao conhecimento daquela casa. Somos  um país que conseguiu diminuir a pobreza, mas a nossa autonomia e a nossa liberdade só serão  realmente alcançadas com a educação, e a alma dessa liberdade e dessa autonomia está no professor.”

Gabriel Chalita integra Frentes Parlamentares a favor da vida

O deputado federal Gabriel Chalita (PSB/SP) aderiu, nesta semana, a três Frentes Parlamentares, na Câmara dos Deputados. Elas têm como objetivo a defesa da vida. As Frentes Parlamentares  são associações suprapartidárias, que reúnem deputados e senadores, para debater e aprimorar a legislação de um tema específico.

A Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas na Área de Saúde visa estimular, defender e proteger os interesses sociais e econômicos dessas entidades. A Frente Parlamentar contra a Legalização do Aborto pretende trabalhar pela não descriminalização do aborto, valorizando e respeitando a vida. A de Combate ao Crack vai trabalhar para incentivar, promover e fomentar mecanismos de divulgação maciça de informações dos efeitos danosos da droga.

“Meu trabalho como deputado federal priorizará a valorização da vida. Todas as iniciativas que tenham como objetivo o ser humano devem ser valorizadas e ter destaque na Câmara dos Deputados”, afirmou Chalita.

Estudo associa bullying na adolescência a status social

Cientistas confirmaram um axioma da vida adolescente: rapazes ou moças decididos a subir na escada social na escola são mais propensos a molestar seus colegas estudantes.

A descoberta, relatada na edição mais recente da revista American Sociological Review, sugere que os esforços para combater o bullying em escolas devem se concentrar mais nas hierarquias sociais. “Em geral, o status faz aumentar a agressão”, disse o sociólogo Robert Faris, da Universidade da Califórnia em Davis, que chefiou o estudo.

Faris e um colega estudaram os relacionamentos entre 3.722 alunos do ensino médio e superior ao longo de um ano letivo e descobriram que a propensão de adolescentes à agressão aumentou junto com seu status social.

O auge do comportamento agressivo foi atingido quando alunos chegaram ao 98.º percentil de popularidade, sugerindo que eles estavam se esforçando ao máximo para chegar ao topo.

Os pesquisadores quantificaram isso realizando pesquisas com alunos de 8.ª, 9.ª e 10.ª séries em 19 escolas da Carolina do Norte, no outono de 2004 e de novo na primavera de 2005. Pediu-se para os alunos nomearem até cinco melhores amigos. Pediu-se também que eles nomeassem até cinco alunos que haviam molestado nos três meses anteriores e até cinco alunos que os haviam molestado.

Nos casos em que houvera agressão, os alunos classificaram os fatos como ataques físicos, bullying verbal direto ou ofensas indiretas – como espalhar rumores ou colocar colegas no ostracismo.

As pesquisas também perguntaram sobre as notas dos alunos, participação em equipes esportivas, histórico de encontros amorosos, raça e renda familiar.

Os resultados permitiram a Faris criar “mapas sociais” de cada escola, traçando todas as relações positivas e negativas entre alunos.

Embora o estudo reforce estereótipos populares sobre “panelinhas” sociais em escolas, ele contradiz noções acadêmicas sobre agressão, disse Faris.

“Durante muito tempo houve uma ênfase em ver a agressão como produto do ambiente doméstico”, disse ele. “Aqui estamos obtendo um quadro diferente.”

As descobertas sugerem que os programas contra o bullying precisam focar no papel da maioria não violenta de alunos, disse a psicóloga da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Jaana Juvonen, que estuda o bullying em escolas.

“É realmente decisivo que os espectadores falem”, disse Juvonen, que não esteve envolvida no estudo. “Se há um jovem agressivo a quem todos se dobram, isso envia um sinal ao molestador de que o que ele está fazendo está funcionando.”

Rosalind Wiseman, que tem 17 anos de experiência em educação, disse que o estudo refletia a experiência de muitos educadores. Foi precisamente esse comportamento que a levou a escrever Queen Bees and Wannabes (o livro que inspirou o filme Meninas Malvadas), em que a garota bonita e meio nerd interpretada por Lindsay Lohan vai ficando maldosa à medida que sua popularidade cresce. “É sempre bom ter um reforço”, disse Rosalind.

Fonte: O Estado de S. Paulo/Los Angeles Times

Coração novo

Por Gabriel Chalita (Revista Canção Nova)

Estamos acostumados aos rituais, às comemorações, às celebrações. Quando um ano se encerra e outro se inicia, celebramos o dia da paz, a confraternização entre os povos. Quando um novo ciclo se inicia, somos convidados a renovar algo em nós. Quem sabe, neste novo ano, possamos ter um coração novo.

O coração é a metáfora dos sentimentos, das intenções. Um coração envelhecido é aquele que desistiu de amar, que não acredita na humanidade e que, consequentemente, se fecha. E é, por isso, solitário. A solidão pela ausência do amor envelhece o coração.

As desculpas para um coração envelhecido recaem nas decepções com as pessoas que amamos. Reclamamos dos erros dos outros, lamentamos as atitudes incorretas dos nossos irmãos e, assim, optamos pelo fechamento. Vivemos condenando nossa triste situação. Pais, filhos, amigos, parece que não há ninguém de valor ao nosso lado. Pensamos como seria bom se eles mudassem, se eles melhorassem.

No ano que passou, vivi momentos de muita emoção. Um deles ao lado do meu querido irmão Dunga. Eu fazia uma pregação em um grupo de oração em Presidente Prudente. Enquanto isso, ele compunha o refrão de uma música. A reflexão era sobre as mudanças que temos de fazer para que nosso irmão seja mais feliz.

E o refrão diz exatamente isso: Quem tem que mudar sou eu para que você seja mais feliz.

Eu escrevi o restante da música que fala em aprendizado, em perdão, em saber ouvir, em lembrar que não há ninguém perfeito. E que, talvez, precisemos do tempo da boa ingenuidade de volta, do sorriso leve, dos sonhos dos primeiros encontros.

O tempo pode ser uma boa escola. A tolerância, o respeito às limitações do outro e às nossas próprias limitações, a bondade no julgar. É uma lição de vida a reflexão de Madre Teresa de Calcutá:

Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.

Às vezes, os pais exigem dos filhos algo que não podem dar. O inverso é verdadeiro. E na relação entre o casal também. Cada ser é único. E talvez grande parte dos erros, dos equívocos, não sejam intencionais.

Meu irmão, não espere que o outro mude. Mude você. Diga à pessoa que você ama:

Quem tem que mudar sou eu para que você seja mais feliz.

E se precisar, complete com Madre Teresa: não vou perder tempo te julgando, quero gastar esse tempo te amando.

E é esse o convite para o novo ano. A consciência de que a sua família será melhor se você for melhor. Que o seu trabalho será melhor se você for melhor. Que o mundo, esse grande coração que pulsa, será renovado se o seu coração for renovado. Feliz ano novo, feliz coração novo.

Pedagogia do Amor

Num tempo em que a aparência vale mais do que a essência e a competição impera nos relacionamentos, é imprescindível falar com nossas crianças sobre companheirismo, amizade, amor. Num tempo em que a esperança parece cada vez mais escassa, é fundamental reavivar nossa confiança em dias melhores. Num tempo em que os valores que devem nortear a vida em sociedade são progressivamente esquecidos, é um estímulo encontrar obras como Pedagogia do Amor, de Gabriel Chalita, escritor e professor.

Em seu livro, Chalita buscou mostrar aos pais e professores a contribuição das histórias universais para a formação de valores da nova geração, tão carente de princípios como respeito, solidariedade e idealismo. O autor tenta fazer isso de forma lúdica, querendo, em um primeiro momento, resgatar no leitor adulto esses valores, para que, na seqüência, ele passe isso para seus alunos, seus filhos.

São dez histórias da literatura universal es colhidas por Gabriel pela relevância de seus ensinamentos. O autor diz que pretende resgatar em nós, adultos, a criança que um dia já existiu. Segundo ele, “uma criança que com o passar dos anos – e de todas as exigências que vêm no seu encalço –, vai se tornando cada vez mais reclusa e esquecida dos valores nobres que dão a ela dignidade e fidelidade aos seus princípios mais básicos: ser feliz e fazer o outro feliz.”

Para o escritor, as obras de arte têm como uma de suas características a capacidade de romper a barreira do tempo e do espaço, preservando sua atualidade. Os grandes clássicos da literatura, por exemplo, retratam em suas narrativas as grandes questões universais. Gabriel escolheu, entre esses textos mundialmente conhecidos, histórias como a do Patinho Feio, da Cinderela, de Dom Quixote, de Hércules, e textos da Bíblia, como Davi e o gigante Golias e a história do rei Salomão.


O rei Salomão e o valor da sabedoria

Salomão foi filho de Davi, o grande rei de Israel. Após sua morte, foi Salomão quem o sucedeu. A Bíblia conta que, certa noite, Salomão teve um sonho. Sonhou que Deus dizia: “Pede o que queres que Eu te dê.” Salomão, ainda jovem, com prudência admirável, pediu a Deus que lhe desse sabedoria para governar. Diz a Bíblia que Deus agradou-se tanto do pedido que, além de sabedoria, deu a Salomão tudo mais que um homem pode querer: poder, riqueza, inteligência, glória e muitos anos de vida para poder aproveitar tudo isso.

É bastante conhecida a história que versa sobre a sabedoria de Salomão – a de duas prostitutas que vieram até ele exigindo, ambas, a guarda de uma criança. Uma delas disse que a outra havia dormido em cima de seu verdadeiro filho, matando-o sufocado. Ela então trocou as crianças enquanto a outra dormia com seu bebê saudável. Entretanto as duas diziam ser a mãe do bebê. Salomão mandou que troux essem uma espada para cortar ao meio a criança viva e dar uma metade para cada mulher. A falsa mãe deu de ombros, mas a verdadeira desesperou-se. Salomão então deu o bebê à mulher que nutria verdadeiro amor pelo filho.

“Saber é poder”, diz o dito popular. Isso faz com que pensemos a respeito da importância da sabedoria em nossas vidas e de como ela pode abrir portas para as mais variadas conquistas. O saber é o instrumento que nos garantirá uma vida mais digna e nos proverá o bem-estar essencial para nossa felicidade. E é necessário muita dedicação para conquistá-lo e para torná-lo nosso aliado nas batalhas do dia-a-dia.

Aliás, o que será que pediriam os moços e as moças de nossa geração se lhes fosse dada a mesma oportunidade oferecida ao rei Salomão? O que desejariam receber? O que considerariam mais importante na vida? Felizmente começamos a ver jovens presentes em campanhas fraternas, trabalhos voluntários, projetos v oltados às comunidades carentes. Um indício de sabedoria.

É nosso dever incentivar essa mudança e prosseguir incutindo em nossas crianças e adolescentes lições e exemplos que contribuam à formação de seu caráter para que possamos moldar seres humanos mais sábios, empreendedores e competentes. Seres que tragam em si a prudência e a sensatez do rei.


O Patinho Feio e o valor do respeito

Quem não conhece a história do Patinho Feio? Quem nunca sofreu ou ao menos se comoveu com sua trajetória de sofrimento apenas por ser considerado feio e estranho aos seus? A riqueza da história de Hans Christian Andersen reside na capacidade de nos tocar profundamente, de despertar em nós o sentimento de amor ao próximo, de solidariedade e de respeito às diferenças.

Na história, como na vida real, o preconceito de cor, gênero, credo ou classe social prescinde de lógica e de racionalidade para se estabelecer. Não h á alegação plausível, nem por parte dos intolerantes, a capacidade de refletir sobre a importância do outro como peça fundamental no jogo social. Um jogo que necessita das relações de troca, de amizade e de aprendizado que vêm da convivência pacífica entre todos – independentemente da origem ou da história de cada um.

Seja em casa ou na escola, temos o dever de orientar nossas crianças para a aceitação do outro, para a compreensão de que condutas preconceituosas só colaboram para a degradação das relações e da sociedade com um todo. A mensagem de Andersen é clara: a despeito das experiências dolorosas, temos de continuar acreditando em nós mesmos e também nos outros – mesmo que, a princípio, pareçam tão diferentes. Temos de acordar para o fato de que todos podemos ser como cisnes belíssimos, prontos para aproveitar a primavera e para viver uma vida pacífica e digna.

A responsabilidade é nossa

Diz Gabriel Chalita: “Devemos estar conscientes da importância de nosso papel e amparar, reerguer, reavivar os sentimentos, valores e atitudes que poderão renovar a confiança em dias melhores. Que essa consciência seja uma realidade e um estímulo a vocês, companheiros de jornada, colegas de cena neste teatro fabuloso que é a escola da vida.”

Façamos com amor, sabedoria e respeito a nossa parte!

Para saber mais: Pedagogia do Amor, Gabriel Chalita. Editora Gente.

www.editoragente.com.br

Onde encontrar: www.livrariascuritiba.com.br

Fonte: revista Profissão Mestre (por Valéria Poletti)

Caminho da flexibilidade

Miguel Zabalza, professor da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Santiago de Compostela, é hoje um dos autores espanhóis influentes na educação brasileira. Também doutor em psicologia pela Universidade Complutense de Madri, Zabalza tem dedicado grande parte de seus estudos à questão do currículo escolar.

Com reflexões relevantes sobre diversas etapas da educação, algumas delas materializadas em livros publicados no Brasil – como é o caso de O ensino universitário e seus cenários (2003), Diários de aula (2004) e Qualidade em educação infantil (1998), todos lançados pela Artmed, os dois últimos esgotados -, Zabalza acredita que, face a demandas multivariadas, caminhamos na direção de um currículo mais flexível, de modo a atender mais ao interesse de sujeitos diversos. Leia, a seguir, a entrevista concedida via e-mail ao repórter Paulo de Camargo.

Dentro das preocupações principais da educação contemporânea, que lugar ocupa a discussão sobre o tema do currículo?

Sem dúvida, é um dos temas centrais. A escolha dos conteúdos culturais está se mostrando chave na abordagem das questões educacionais relativas à multiculturalidade, à língua, às culturas indígenas, à incorporação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) como conteúdo de aprendizagem, à aparição das aprendizagens transversais etc. Isso inclui os debates mais recentes sobre os modelos formativos, como no caso da educação por competências. Os debates sobre currículos referem-se também a questões que afetam a própria liberdade dos indivíduos com respeito à sua formação contra a imposição dos governos de um currículo rígido que todos têm de cursar. Vamos, hoje, no sentido de um currículo flexível, que respeite a diversidade de capacidades e interesses dos sujeitos e responda mais às suas demandas.

Quais são os fatores que exercem maior poder de pressão na definição dos currículos? A avaliação está entre eles?

Sim, o ditado “diz-me como avalias e te direi como ensinas” segue sendo válido. Com muita frequência, confundimos as avaliações com o currículo, ou, para dizer de outra maneira, outorgamos tanta importância às avaliações que acabam se apropriando do currículo, modificando-o, acomodando-o ao objetivo da avaliação. É, portanto, verdade que o vestibular brasileiro, ou o selectividad da Espanha pervertem o currículo do ensino médio. Do mesmo modo, os exames posteriores para as carreiras universitárias pervertem o sentido formativo destas. Ao final, os cursos se convertem em dispositivos para superar as provas, contaminam-se de sua ideia de aprendizagem, quase sempre de forma a enfatizar as operações de memorização e um conhecimento enciclopédico. Para os professores que atendem cursos anteriores a esses exames, a que stão se torna um dilema profissional básico: devem ensinar para que seus alunos se formem ou devem ensiná-los para que superem o exame?

Como deve ser então uma proposta curricular preocupada com a formação?

Deve ser um projeto para durar vários anos, deve ser progressiva e abarcar todas as dimensões dos sujeitos: seus conhecimentos, suas habilidades para o estudo e para a vida, suas atitudes, seus comportamentos. É evidente que esse enfoque é muito mais amplo e poliédrico do que apenas superar um exame. Por isso, falar de currículo tem importantes implicações para a vida escolar: significa trabalhar em equipe (os docentes), pois ninguém pode desenvolver um projeto de ssa natureza por si só; significa enfrentar as disciplinas, mas também as outras dimensões do desenvolvimento pessoal e social dos estudantes (sobretudo na escola secundária, onde estão se elaborando os projetos de vida); significa oferecer aos alunos elemento s que enriqueçam esses projetos de formação e os aproximem da cultura local, que os habilitem a uma vida intelectual, social, de lazer e, inclusive, espiritual adequada a nossos tempos e à sociedade na qual vamos inserir cidadãos competentes. Significa orientar o trabalho educativo para uma aprendizagem a mais personalizada possível, de forma que os estudantes assumam responsabilidade na sua própria formação e se preparem para continuar seu processo de formação ao longo da vida.

Quem decide o que é ou não é relevante que os alunos aprendam? Como é essa discussão hoje no âmbito da Comunidade Europeia?

Pouco a pouco se vai consolidando a ideia de que essa é uma atribuição das federações ou dos estados autônomos que têm competência sobre isso. Nos modelos curriculares centralizados, de origem napoleônica, esta foi sempre uma verdade incontestável. O mesmo ocorre nos antigos países comunistas. Nos países anglo-saxões , com modelos curriculares descentralizados, essa era uma competência que se atribuía aos professores e professoras das escolas. Cada escola possuía sua própria proposta curricular. Mas mesmo em países como a Inglaterra, onde era essa a tônica geral, o modelo desapareceu porque se geravam muitas diferenças entre umas escolas e outras.

Isso é feito por medidas legais obrigatórias?

Hoje em dia se generalizou a ideia de que os conteúdos básicos do ensino são decididos pelo Estado, mediante leis de cumprimento obrigatório. As escolas e mesmo os governos regionais devem obede cer a essas leis. Bom exemplo disso é o que sucedeu nestes anos na Espanha, com a disciplina de educação para a cidadania, estabelecida por lei e contra a qual se opunham os partidos de direita e a própria igreja católica, porque diziam que a educação entrava em valores da vida social (por exemplo, explicava-se o matrimônio entre homossexuais, igualdade de gênero etc.) e isso colidia com valores familiares. A situação mais geral hoje em dia é que o Estado nacional define os conteúdos básicos do ensino que depois são completados e adaptados a cada situação pelos professores. Desta maneira, ambos, governo e escola, se convertem em agentes curriculares. Mais complicado é o papel das famílias, a quem se dá pouca chance de seleção dos conteúdos, salvo os mais sensíveis aos valores pessoais. Por exemplo, os pais podem escolher se seus filhos vão ou não às aulas de religião.

Fonte: revista Educação (por Paulo de Camargo)