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Chalita discursa em cerimonia de posse de Mauricio de Sousa

Mauricio de Sousa, o mais renomado quadrinista do País, é, agora, membro da Academia Paulista de Letras (APL). Na cerimônia de posse, que aconteceu na sede da instituição, em 12 de maio, Gabriel Chalita falou aos presentes, depois de escolhido pelo próprio homenageado para a saudação oficial.

Em seu discurso, Chalita traçou um paralelo entre “a infância e o infante”. Além de agradecer a indicação de Mauricio de Sousa, o escritor e deputado federal rememorou aspectos biográficos do quadrinista e apresentou textos de escritores como Casimiro de Abreu e Fernando Pessoa.

Confira, abaixo, o discurso de Chalita, na íntegra.


DISCURSO DE SAUDAÇÃO – MAURICIO DE SOUSA

Excelentíssimo Dr. Antônio Penteado Mendonça

Presidente da Academia Paulista de Letras

Excelentíssimas autoridades

Confreiras e confrades

Amigas e amigos

 

A INFÂNCIA E O INFANTE

A infância é o início de tudo. É o desabrochar primeiro das imagens que haverão de contracenar com outras imagens nas cenas da vida. Com Casimiro de Abreu:

“Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfumes a flor;
(…)
Oh, que saudades que tenho…”

O infante é o filho do rei. Faz parte da coroa. Tem privilégios. É cuidado, de forma toda especial, para o exercício digno da liderança.

A infância dispensa, até por falta de existência, os filtros – tão comuns em tempos adultos. As imagens adentram, sem autorização, e permanecem. As boas, as ruins. É de pequeno que se percebe o continuar do arvoredo. As entortaduras ficam difíceis de serem resolvidas. Se se cresce ereto, ereto será o que virá depois.

Cuidar da infância é ter a consciência de que infantes são todos. Todos têm sangue azul. Todos, em nossa República e nas outras, merecem tratamento especial. É a utopia do escritor que invade o universo infantil e o desenha mais colorido, mais saboroso, mais real.

Mauricio de Sousa, o Infante das histórias e dos desenhos mágicos da infância, está chegando à Academia Paulista de Letras para ocupar o seu merecido lugar. O Largo do Arouche está em festa.

Nasceu em Santa Isabel. Foi criado em Mogi das Cruzes, onde nadou em um Tietê convidativo.

O avô paterno, Adelino Toledo, era motorista de caminhão e ia para a Serra do Mar e trazia animais de todos os tipos para despertar o poder de êxtase das crianças.

A avó, Benedita Rodrigues, era uma contadora de histórias. Falava de assombrações. O fato de ser analfabeta não a impediu de um rico aprendizado da cultura oral.

Sua avó contava histórias, e seu avô contava causos. Seu humor acalentava tantas tardes ensolaradas ou nubladas – por que não? – na pequena Mogi.

“Oh, dias de minha infância,
Oh, meu céu de primavera!
Que doce a vida não era…
(…)
Oh, que saudades que tenho…”

(Casimiro de Abreu)

Tristes famílias de dias atuais, com pouco diálogo. Nas telas dos televisores e dos computadores, tão necessários, a imagem está pronta. Na contação de histórias, não. A imaginação sem a imagem desenvolve outra parte da inteligência criativa. Os contadores de história foram se rarefazendo. Os pais ou os avós pouco narram do que leram ou viveram. Tristes cenas hodiernas em que máquinas ocupam cenários reservados para almas. Machado de Assis também teve uma contadora de histórias. E também Guimarães. Lygia, no memorável conto Biruta, fala da dor de um menino que amava o seu cachorro, arrazoando em poesia sobre a insensibilidade dos que nos oferecem uma orfandade incômoda. A mesma orfandade do pequenino dinossauro filósofo, Horácio, nascido de um ovo abandonado,  que nos emociona com sua gentileza, com sua grandeza de caráter, com seus gestos de amizade, com seus nobres valores morais. É a criatura espelhando o criador.

É clássica a cena em que Horácio, com senso de ética apurado, não ri de uma queda de seu fiel amigo Tecodonte. O amigo estranha a ausência da já esperada  gozação, dizendo ser hábito da civilização “rir da desgraça alheia”. Surpreso, o filhote de dinossauro questiona: “Não seria mais lógico chorar com a desgraça alheia… como choramos com a nossa?” É o princípio da ética, é o princípio dos bons corações, com os quais o artista reveste suas personagens.

Fernando Pessoa, em seu poema ao Infante de Portugal, versa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.

Mauricio é o nosso infante sonhador. Senhor dos quadrinhos de uma infância recheada de temas. Temas para viver. Paulo Bonfim, nosso príncipe, em seus versos, diz que é de um tema para viver que precisam as nossas moças e os nossos moços. E os temas não nascem prematuros, precisam ser gestados em famílias, em escolas e em outros lugares de paz.

O pai de Mauricio era um artista. Poeta e barbeiro, Antonio Mauricio de Sousa, desde adolescente, manifestava seus pendores artísticos. A mãe, inconformada e com medo de um futuro sem futuro, com sonetos e pinturas, decidiu que era preciso uma profissão decente, a de barbeiro. E era no salão, entre as pausas de um corte e outro, que o prazer se manifestava em poemas encomendados por homens apaixonados que queriam seduzir suas amadas. Além dos Quixotes em busca de Dulcineias, dos Romeus em busca de Julietas, fazia discursos políticos. Chegou a criar dois jornais críticos: A caveira e A vespa.

Em sua não longa vida, teve tempo, ainda, de ser compositor, trabalhar em rádio e ajudar o filho no início de sua trajetória, vendendo tiras de histórias em quadrinhos por jornais do interior.

Em muitas noites, era em uma funerária que o pai organizava saraus, com música e poesia. A casa era pequena – a casa da avó, que era maior, não dava para ser utilizada até tarde; o avô, caminhoneiro, acordava cedo. Na funerária, ninguém se incomodava e, sentado sobre um caixão, o pequeno Mauricio se embriagava com a espontaneidade daquela arte.

A mãe, Petronilha Araújo de Sousa, também era  poeta  e descerrou ao filho o mundo da sensibilidade. Conta-nos o infante: “Apresentou-me casas e ruas, rios e montanhas, piqueniques, procissões e carnavais”.

“Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
(…)
Oh, que saudades que tenho…”

(Casimiro de Abreu)

Ah, a sensibilidade do olhar. Que tristeza ver e não ver. Ouvir e não ouvir. Viver e não viver. É no cotidiano que as emoções vão nos convidando para a necessária viagem ao nosso próprio universo e aos universos alheios.

A mãe ralhava com o pai, que o levava para ver filmes de adulto no cinema. Mas não ralhava por conta dos gibis em que todas as quartas, todas as sextas e todos os domingos à noite o pai dava ao filho. Nascia ali o ofício, a vocação do infante que haveria de interferir na infância de milhões e milhões de crianças nos cinco continentes.

A mãe de Mauricio corou de vergonha quando, em uma quermesse, viu os filhos, Mauricio e Marisa, dançando, e as pessoas jogando dinheiro como incentivo ao talento dos rebentos. O dinheiro era também para comprar gibi. Mauricio imitava Oscarito e, às vezes, Charles Chaplin. Aquele que disse que, muito mais do que máquinas, precisamos de humanidade.

Mauricio foi repórter policial antes das tiras encantadas. As primeiras foram os quadrinhos com um cãozinho e seu dono, Bidu e Franjinha. Quem diria que daqueles rabiscos um império seria criado… Mais de 1 bilhão de gibis espalhados pelo mundo, prêmios pela genialidade criativa e pelo profissionalismo, capazes de criar uma marca, um conceito, uma equipe.

Monica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Magali, Horácio. E de Mogi para a Itália ou para os Estados Unidos ou para a China, passando por quarteirões e arranha-céus, difundindo valores e estimulando a convivência cidadã. É esse o nosso novo imortal.

Tive a oportunidade de lançar livros com ele. O infante é fidalgo com as crianças, infantes também. Merecem respeito. A cada criança, uma ilustração. Tentou ensinar-me. Atento, percebi que era melhor olhar e aplaudir. Quem sabe um dia… Não! Contento-me em saudá-lo, em desfrutar a amizade de alguém que ficará para sempre em nossa história e em nossa imaginação. A cadeira 24 já está ocupada. A saudade de Geraldo Vidigal permanecerá. É assim esse milagre da imortal presença. Partimos e permanecemos. Convivemos com o passado e nos lançamos ao futuro.

Prezado Mauricio de Sousa, agradeço o privilégio do convite para esta modesta saudação. Sou, aqui, um aprendiz. Mas sou um aprendiz ousado. Tenho sonhos, amigo. E quero vivê-los com estas mulheres e estes homens de valor.

Voltemos à infância. É preciso cuidar de nossas crianças. Envergonhamo-nos com as ausências. São desprotegidas. Vitimadas pela violência e pela pouca educação. Sem educação, nunca seremos uma nação de infantes. Ficaremos divididos entre aqueles que sabem, porque tiveram oportunidade, e aqueles que não sabem. Permitirmos esse apartamento não é nobre nem conveniente. É preciso cuidar de nossas crianças, repito. Covardia nos acomodarmos diante do desleixo. Omissão nos trancafiarmos em nosso conforto e não abrirmos a janela com medo da paisagem. Mudemos a paisagem, ora! Que nossa literatura seja libertária. Seu pai não errou ao panfletar um mundo novo. Sua mãe não errou ao apresentar as ruelas da imaginação na cidade dos sonhos. Errar é não prestar atenção. Errar é não enxergar.

Que nossa prosa nos ajude a, sem prejuízo da contemplação, transformarmos o mundo. Desenhe, Mauricio, faces ou expressões. Desenhe, amigo, a infância está aí. O castelo precisa ser aberto. Para todos. Só assim os filhos do rei, todos, poderão entrar.

“Oh, que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais”

(Casimiro de Abreu)

Ao infante, menino de eterna infância, Mauricio de Sousa, nossa homenagem. Seja bem-vindo.

Preparação para a Crisma

Assim como o catecismo, a Crisma é uma experiência essencial para os católicos. Com ela, o fiel confirma sua devoção a Deus e à Igreja, a partir da unção pelo óleo de mesmo nome – não é à toa que esse sacramento também é chamado de “confirmação”.

Nesta obra, Gabriel Chalita apresenta elementos fundamentais para aqueles que desejam preparar-se para a Crisma, reforçando, assim, o compromisso que têm com a religião.

Editora Santuário, 1990.

Equidade no desempenho escolar (2)

No último artigo, mostrei que os sistemas educacionais com desempenho elevado no Pisa 2009 oferecem educação de qualidade para todos. Estudos recentes mostram que uma combinação específica de ações pode elevar de forma expressiva o aprendizado de crianças e jovens criados em condições socioeconômicas desfavorecidas.

Essa abordagem, conhecida como “No Excuses” (sem desculpas), caracteriza-se por uma maior duração do dia e do ano letivo, avaliações frequentes de professores e alunos e uma preocupação em estimular certas características de comportamento.

Uma carga horária mais elevada é importante para compensar o efeito negativo sobre a aprendizagem decorrente de um ambiente familiar pouco estimulante.

Por sua vez, as avaliações de professores e alunos permitem a identificação dos obstáculos à melhoria do ensino e a criação de mecanismos de responsabilização.

Além disso, vários estudos mostram que determinados atributos de personalidade e comportamento, como disciplina, persistência, motivação e autoestima, contribuem para a melhoria do desempenho educacional e reduzem a probabilidade de envolvimento com drogas e atividades criminosas.

Nos EUA, o modelo “No Excuses” tem sido utilizado principalmente em escolas “charter”, que são escolas públicas com gestão privada. Um exemplo é o Knowledge is Power Program (Kipp), rede que atende predominantemente alunos de famílias pobres e minorias étnicas.

Essa abordagem também é empregada pela maioria das escolas “charter” de Boston, de Nova York e do Harlem Children’s Zone, experimento que combina ações na área de educação com programas sociais e comunitários.

Pesquisas mostram que essas intervenções educacionais tiveram grande impacto no desempenho dos alunos em testes padronizados de leitura e matemática.

No Brasil, existem algumas experiências recentes que utilizam um modelo semelhante ao “No Excuses”. As Escolas de Referência em Ensino Médio de Pernambuco, por exemplo, são escolas públicas de tempo integral que possuem um currículo estruturado e estabelecem metas de aprendizagem.

Nelas, os professores são avaliados em função do cumprimento de tais metas acadêmicas. Também existe grande ênfase em transmitir valores e características de comportamento que estimulem os alunos a concretizar seus objetivos.

O que caracteriza o modelo “No Excuses” é a combinação específica de ações, e não a forma de gestão. Portanto, trata-se de uma intervenção educacional que pode ser replicada em diferentes contextos e oferecer contribuição importante para o aumento da equidade no desempenho escolar.

Fonte: jornal Folha de S.Paulo (por Fernando Veloso)

Iniciação à leitura

Criança pode adorar livros e histórias, desde que os adultos não atrapalhem. E como temos atrapalhado o que poderia ser uma verdadeira paixão pelos livros! Ler é bom, precisamos formar leitores, a vida sem a literatura não teria graça, temos de incentivar o hábito da leitura nas crianças e nos jovens etc. Afirmações como essas brotam da boca de pais e de professores assim, sem mais nem menos.

Temos gosto em pegar frases e repeti-las muito, até que elas percam seu sentido, não é verdade? Assim aconteceu com essas e outras afirmações que tratam da importância da leitura na vida dos mais novos: tanto fizemos que conseguimos esvaziar o que elas dizem.

Primeiramente quero falar dessa expressão horrorosa: “Criar o hábito da leitura”. Ah! Vamos aproveitar e lembrar outra semelhante: “Criar hábito de estudo”.

Nós queremos que as crianças tenham prazer com livros e histórias ou queremos que adquiram um hábito?

Leitura, tanto quanto estudo, não deve ser tratada assim. Um hábito se instala e pouco -quase nada- acrescenta à vida de uma pessoa.

Já o amor, o prazer, o gosto verdadeiro pela leitura ou pelo estudo são capazes de mudar a nossa vida. Ler e estudar devem ser uma escolha, uma vontade, uma busca por algo que não se tem.

O bebê já pode ser introduzido ao mundo dos livros e da leitura. Pais e professores podem começar contando histórias e oferecendo livros para que ele manuseie, explore, se entretenha com esse objeto. E não precisa ser livro de plástico, que produza som ou coisa semelhante. Livro de verdade mesmo, de papel, com figuras bonitas e letras, encanta o bebê.

O escritor Ilan Brenman, apaixonado pela literatura, afirma que um requisito importante para iniciar as crianças no universo da leitura é a beleza do livro. Sim: uma capa bonita já chama a atenção da criança, tanto quanto as ilustrações. Aliás, muitos livros sem palavras são lidos pel as crianças com a maior atenção.

Ainda falando de bebês e crianças muito pequenas: o papel do livro, suas diferentes texturas, odores e cores também já são alvo da curiosidade delas e objeto de pesquisa concentrada.

E o que dizer de livros de histórias que crianças já conhecem e adoram -”Peter Pan” e “Alice no País das Maravilhas”, por exemplo- com adaptação em “pop-up”? Imperdíveis, já que encantam crianças e adultos.

Não devemos menosprezar as crianças quando o assunto é história: elas não gostam apenas daquelas que foram escritas para as crianças. Toda a literatura, principalmente a clássica, pode ser oferecida, sem censura.

Tornar a leitura um ato obrigatório é uma dessas manias que nós adotamos com as crianças que prejudicam a descoberta que elas poderiam fazer do prazer da leitura. Tudo bem: isso pode ser feito como tarefa escolar, mas depois, bem depois de oferecer a elas a oportunidade de ler por gosto e não por obriga ção, no fim do ensino fundamental, por exemplo.

Finalmente: a literatura não deve servir para moralizar a vida dos mais novos.

Nada de contar histórias que só servem para tentar “ensinar” a criança a ter bons modos, escovar os dentes etc. A educação moral e para a higiene, por exemplo, deve usar outros recursos.

Que tal um programa com seu filho? Visitar uma biblioteca ou uma livraria para procurar um livro bonito e gostoso de ler e de ouvir?

Certamente você e seus filhos irão aprender muito sobre a vida e sobre vocês mesmos nesse programa. E boa viagem!

Fonte: jornal Folha de S.Paulo (por Rosely Sayão)

Caminhando com Jesus – 1º ano

Donec dignissim auctor quam placerat rutrum

Este foi um dos primeiros livros escritos por Gabriel Chalita. Inaugura uma série composta por quatro volumes, complementares, para aulas de catequese.

Inicialmente utilizado em dioceses do Vale do Paraíba, conquistou outras, Brasil afora, por oferecer à crainça e ao adolescente uma preparação adequada para a Primeira Eucaristia e para a Crisma. O conteúdo une doutrina e realidade comunitária.

Editora Santuário, 1989.

Caminhando com Jesus – 2º ano

Donec dignissim auctor quam placerat rutrum
Segundo volume da série voltada a crianças e adolescentes, destina-se à leitura e à reflexão em aulas de cataquese.
Ao reunir doutrina e realidade comunitária, colabora na formação espiritual dos jovens, preparando-os para duas importantes alianças com Jesus e com a Igreja: a Primeira Eucaristia e a Crisma. Foi adotado por dioceses de todo o País.
Editora Santuário, 1989.

Caminhando com Jesus – 3º ano

Donec dignissim auctor quam placerat rutrum

Parte da série, composta por quatro livros, direcionada a católicos em idade de Primeira Eucaristia e de Crisma, apresenta, de forma clara, preceitos religiosos fundamentais.

Do Vale do Paraíba, região onde nasceu Gabriel Chalita, para todo o Brasil, a obra contempla questões práticas e teóricas, como os demais volumes.

Editora Santuário, 1989.

Caminhando com Jesus – 4º ano

Último livro da série Caminhando com Jesus, que tem o objetivo de preparar crianças e adolescentes para a Primeira Eucaristia e para a Crisma.

Aprovado e adotado por diferentes dioceses brasileiras, mostra-se, ao lado dos outros volumes, uma obra de fácil entendimento, ideal para o público e para as situações a que se destina.

Editora Santuário, 1989.

O sonho de Tiradentes

Muitos estudos já foram feitos sobre o mártir da independência. Alguns afirmam que Joaquim José da Silva Xavier, por ser o mais frágil dos inconfidentes, foi vítima de um governo que queria apenas demonstrar seu poder. A Inconfidência Mineira, um dos principais movimentos sociais do Brasil, reuniu muita gente que, insatisfeita por conta da opressão colonizadora, decidiu lutar a favor da liberdade. Mortes descabidas, perseguições desumanas, capturas injustificadas, pela causa libérrima. Ânsia de um povo forte. Liberdade, ainda que tardia. 

Mas o que queria essa brava gente? O que queria o mártir, Tiradentes? O que queria o jovem que não tinha pai nem mãe e que foi tropeiro, mascate e, depois, dentista? O que queria o rapaz influenciado pelo Iluminismo? Queria iluminar. E não se ilumina sem liberdade. E não se tem liberdade sem conhecimento. Desejava ver a pátria não apenas livre de Portugal; desejava, como todos os inconfidentes, um país igualitário, justo. Para todos. O sonho do abolicionismo ocupava ideias e pensamentos desse grupo. Escravidão, nunca mais. Nem social, nem cultural, nem econômica. E com poesia. O grupo inconfidente contava com três grandes poetas: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto.

O sonho de Tiradentes, herói nacional e condutor da conjuração independentista, era o sonho de fazer do Brasil uma nação. “Nação” vem do latim natio. Tem como conceito pessoas nascidas no mesmo local, ou com as mesmas tradições, ou como frutos de uma mesma cultura. O Brasil precisava ser independente para se constituir nação. E essa independência foi conquistada, oficialmente, alguns anos mais tarde. As Gerais, centro das riquezas coloniais do século XVIII, deram o primeiro passo. O Brasil seguiu a determinação de Tiradentes e de outros bravos líderes.

Uma nação dá oportunidade aos “nascidos”. Uma nação não se acomoda diante da dor daqueles que estão à margem. Porque a nação é como um corpo em que cada membro tem importância única.

O Brasil tornou-se uma nação respeitada no mundo. Um país que cresce e que gera empregos. Mas é preciso mais. O sonho ainda não acabou; há muito a ser aspirado e realizado, com fé e coragem. Temos de olhar, em especial, para aqueles que não têm condições de desenvolver seu potencial porque são excluídos, ignorados pela sociedade da qual fazem parte. Pessoas que possuem, constitucionalmente, direitos garantidos, mas que, na prática, não os veem respeitados.

Tiradentes lutou pela liberdade, palavra tantas vezes banalizada, dita em vão. Mas também utilizada, em certas ocasiões, de forma poética, com a força que lhe é de direito. Cecília Meireles homenageou-a. Tomou o líder inconfidente como personagem primeiro e traduziu o sentimento que aquele termo traz em seu bojo. Encantou as palavras, reverenciando o sonho humano, o sonho brasileiro, o sonho do mártir. Seu Romanceiro da Inconfidência é fonte de grandeza e ternura:

“(…) 
Correm avisos nos ares.
Há mistério, em cada encontro.
O Visconde, em seu palácio,
a fazer ouvidos moucos.
Quem sabe o que andam planeando,
pelas Minas, os mazombos?
A palavra Liberdade
vive na boca de todos:
quem não a proclama aos gritos,
murmura-a em tímido sopro.
(…)”

Ao lado dos demais “rebeldes”, Tiradentes foi condenado de forma cruel, covarde. Mas nos deixou a lição de que a liberdade é fundamental para o país que quer ser, de fato, nação. Cabe a nós dar a ela, na prática cotidiana, o sentido transformador que inspirou os inconfidentes. Que as iluminuras daquele tempo continuem a nos incomodar e que, incomodados, saibamos lutar, nos dias de hoje, por esta nação vocacionada a ser gigante. Liberdade. Para todos.

Fonte: site Brasil 247 por Gabriel Chalita

Temer quer Chalita candidato a prefeito pelo PMDB

(Portal UOL)

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), convidou o deputado Gabriel Chalita (PSB-SP) a disputar a prefeitura de São Paulo pelo PMDB no ano que vem. Presidente licenciado do partido, Temer também convidou para ingressar na legenda o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, candidato derrotado ao Senado pelo PSB no ano passado.

Chalita se filiou ao PSB em 2009, depois de ser lançado na política pelo PSDB. Aliado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem foi secretário estadual da Educação, ele foi o segundo deputado mais votado da bancada paulista. Recebeu 560 mil votos e ficou atrás apenas do fenômeno eleitoral Tiririca (PR-SP).

De acordo com a assessoria de Temer, o vice-presidente espera uma resposta de Chalita até maio. Em seu microblog na internet, o deputado disse que “seria uma honra” concorrer à prefeitura paulistana. No ano passado, ele tentou sem sucesso se candidatar a senador pelo partido. Mas o PSB decidiu não lançar candidatura ao Senado, o que o levou a concorrer à Câmara.