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Correção da redação será mais criteriosa neste ano, diz Inep

No Enem, a redação é um capítulo à parte da prova – tanto pela característica da proposta quanto pelas polêmicas em torno das notas. E, a partir deste ano, o Inep, que organiza o exame, promete ser mais criterioso.

O órgão diminuiu o limite de discrepância entre as notas dos dois corretores da redação. Se a diferença for maior que 300, numa escala que vai a 1 mil, o texto vai para um terceiro corretor – antes, o limite era de 500 pontos.

Na prática, a nova regra vai ampliar o número de redações que terão a terceira leitura, o que confere uma correção mais justa – o Inep não informa quantos tiveram esse benefício em 2010.

Em edições anteriores, houve uma série de reclamações em relação às notas da redação. Alunos pediram à Justiça a revisão da nota. O colégio Objetivo, por exemplo, recorreu à Justiça pela revisão da nota de uma aluna porque a avaliação estaria muito abaixo do perfil dela.

O diretor do Objetivo, João Carlos Di Gênio, entende que a novo padrão é positiva. “Agora foi para um valor bom. Mas o problema no Enem é que são muitos corretores. É difícil que todos tenham a mesma competência.”

Em 2011, serão 3.190 corretores e 160 supervisores, que fazem a terceira leitura. Cada corretor deve ler, em média, 3,3 mil redações em um período médio de um mês. Comparado com outros vestibulares, é um índice alto – na Unicamp, considerada uma das instituições mais cuidadosas com a redação, essa média fica em torno de 2,6 mil.

Ainda há diferenças no preparo dos profissionais. Na Unicamp, são três fases de treino ao longo do ano. “E antes de começar o trabalho, há mais uma semana de preparo”, explica o coordenador do vestibular da Unicamp, Maurício Kleinke. O Inep afirma que todos os corretores passam por treinamento presencial, mas não detalhou como ele é realizado.

No Enem, serão aceitas redações de no mínimo oito linhas. Diferentemente de outros vestibulares, o candidato precisa escrever uma intervenção à problemática do tema.

Fonte: jornal O Estado de S. Paulo

 

Chalita participa em Beirute da inauguração do Centro Cultural Brasil-Líbano

Instalado em imóvel do século XIX, inteiramente renovado, o Centro tem a missão de ser a vitrine da cultura brasileira no país dos cedros

O deputado federal Gabriel Chalita (PMDB/SP) viajou ao Líbano em missão oficial, com outros parlamentares brasileiros e com o vice-presidente da República, Michel Temer. Entre as solenidades de que participou nos últimos dias, está a de inauguração do Centro Cultural Brasil–Líbano, que ocorreu na sexta-feira, 18 de novembro, em Beirute, capital do país.

O Líbano é a nação de onde provém a maioria dos imigrantes árabes estabelecidos no Brasil. Também abriga a maior comunidade brasileira do Oriente Médio. No entanto, apesar dos estreitos laços históricos e culturais entre os dois povos, o Brasil não dispunha – além do setor cultural da embaixada brasileira – de uma instituição oficial com a missão específica de difundir a língua portuguesa e a cultura do País no Líbano.

O Centro oferece cursos variados, para públicos de diversas idades, ministrados por professores e por instrutores brasileiros – ou com vasto conhecimento do País. Há aulas de língua portuguesa e de cultura brasileira; de dança (samba, forró, lambada); de artes marciais, como capoeira e jiu-jítsu; de gastronomia; de piano e de canto coral; de língua árabe coloquial (para não falantes do idioma). As crianças também contam com atividades exclusivas. O endereço do espaço cultural é Rua Mar Mitr, 176, Achrafieh (imóvel Sami Fouad Trad).

Fonte: assessoria de imprensa (com informações da Embaixada do Brasil no Líbano)

O preconceito está em nós

A escola não é uma ilha, e entre alunos e professores estão presentes as mesmas relações de uma sociedade que estimula o individualismo e vê a solidariedade como se fosse um favor e a tolerância como covardia. A nós, educadores, usualmente defensivos, cabe uma posição mais consciente e deliberada contra essa cultura de agressividade, começando por identificar e combater atitudes que comprometem o convívio escolar e envenenam a vida social.

O preconceito não é só coisa de grupos sectários, como skinheads, pois surge, às vezes, da tola pretensão de valorizar a si mesmo ao depreciar diferentes escolhas religiosas, estéticas, desportivas ou musicais. Ele pode se manifestar, às vezes, disfarçado de humor, como na humilhação – ou bullying – de um estudante por seu sotaque regional ou pela forma como se veste. Uma escola que admite posturas como essas, por não reconhecer seu potencial destrutivo, abre caminho para discriminações de etnia, idade, origem, gênero e classe.

Muitas formas de intolerância resultam de visões e superstições presentes nas relações familiares e afetivas e de valores disseminados na sociedade. Em oposição a isso, a escola deve estimular crianças e jovens a identificá-las em piadas, notícias, torcidas esportivas, filmes de ação e novelas e discutir suas origens sociais e históricas. A atividade é adequada a diferentes disciplinas.

As práticas de segregação por condições de vida, preferências ou deficiências também podem ser identificadas e debatidas por meio da dramatização de reações possíveis de jovens e de educadores diante da imagem de um trabalhador urbano saindo imundo de um bueiro ou do sorriso bondoso de uma criança com síndrome de Down. Ao mostrar como os preconceitos são usualmente reforçados por constrangimentos ou revelados pela intolerância, em situações que demandariam compreensão e solidariedade, questionam-se atitudes de professores na sala de aula, por exemplo, ao tratar com alunos que têm diferentes ritmos de aprendizagem.

É difícil não discriminar, pois, ao generalizar experiências pessoais, já prejulgamos. Mais complicado ainda é reconhecer como desfiguramos traços de caráter e sentimentos pessoais ao descrever quem estranhamos. Ao nos referirmos a jovens da escola privada como patricinhas e aos da escola pública como pivetes, por exemplo, estamos revelando nossa própria grosseria e insensibilidade pelo simples uso desses termos – e é bom ter consciência disso.

Os julgamentos preconceituosos, no entanto, nem sempre são definitivos, assim como as afirmações científicas. O que parecia bem compreendido há alguns anos, como a constituição e a expansão do Universo, hoje apresenta vários pontos obscuros. Por isso, valorizar a variedade de culturas, o questionamento dos saberes e a necessidade do contraditório é o que devemos fazer sem propagar outro mito, o da neutralidade absoluta. A escola é um espaço de diversidade privilegiado para aprender a resolver conflitos e saborear a graça do convívio com a diferença. É assim que ela combate os preconceitos.

A atualidade de Anísio Teixeira

Por Gabriel Chalita

“Com efeito, todo o presente modo de pensar do homem é modo de pensar em termos de mudança. […] Tudo que fazemos se funda em hipóteses, sujeitas obviamente a mudanças. Tais mudanças decorrem de novos conhecimentos, os novos conhecimentos decorrem de novas experiências e tais novas experiências do fluxo ininterrupto de mudanças…” Eram essas as palavras manuscritas no documento que Anísio Teixeira carregava nos braços, quando a morte , subitamente, negou-lhe a continuidade da vida, em 1971.

Há muitos fatos que abrem as portas da história para receber o legado de Anísio Teixeira, mas esse conceito da dúvida, das novas experiências, da quebra de paradigmas precisa ser considerado. A educação é um processo que requer ousadia. Os acomodados pouco contribuem para ampliar as possibilidades e enxergar além.

Anísio Teixeira marcou sua biografia com a luta renhida pela causa da educação, defendendo o processo democrático de um ensino para todos, permeado pelo intenso desejo de mudança. E a mudança é parceira inseparável da esperança. A mesma esperança espargida pelos ensinamentos do também grande educador, Paulo Freire: “Não posso continuar sendo humano se faço desaparecer em mim a esperança”. O ser humano é impelido pela esperança. Sempre. Historicamente. Atemporal. Daí a atualidade do pensamento de Anísio Teixeira, de Fernando de Azevedo, de Paulo Freire e de tantos outros incansáveis guerreiros na batalha pela educação transformadora, para todos.
Tiveram visão e não permitiram que o comodismo do laissez faire os acovardasse.

Notoriamente incomodado pelo caráter dual da educação que ora privilegia, ora desprivilegia, Anísio repudiava o elitismo e a pouca significância de uma educação, cujo currículo e estrutura remetiam a um distanciamento, cada vez mais acentuado, de sua principal finalidade: educar. Educar para a cidadania, intentando a formação de homens plenos e livres. E felizes. Não bastava a avaliação que aferia aprendizagem míope, focada em uma determinada cobrança arbitrária, mutável. Era preciso mais. Mais do que decorar – o que seria exigido por quem, por vezes, nem sabia “o quê” e “o porquê” exigir -, era intento do educador formar para a vida, para a convivência entre os diferentes. E diferentes, somos todos.

Nos seus setenta e um anos de vida, o educador caetitense empenhou-se na reconstrução da educação brasileira, fadada a perpetuar das desigualdades sociais. O maniqueísmo dos detentores de inteligência e dos outros precisava ser superado. E Anísio não teve dúvidas nem medo em fazê-lo. Inteligência não é privilégio de alguns. É potência – embora, às vezes, adormecida – de todos. Como político, ganhou reconhecimento nacional e internacional no pioneirismo de duas ousadas iniciativas, a Escola Nova e a Escola em Tempo Integral, respectivamente. Seu sonho era acordar os que adormeciam e mostrar que o Brasil precisava ser um país para todos.

A devoção persistente por uma educação que não fosse privilégio e a indignação apaixonada de Anísio são, para sempre, admiráveis. A luz de suas ideias ainda resplandece no caminho daqueles que acreditam no poder da educação como força motriz na transformação positiva de uma nação. Daqueles que se lançam, esperançosos, nos exercícios de ressignificação da educação. Educação não é privilégio. Privilégio é palavra que remete a um direito privado, particular e não democrático, como nos ensina sua etimologia. A educação é direito de todos. Foi esse seu tema na vida.

Passa o tempo. Mudam os cenários. Permanecem as dificuldades. O avanço, no campo educacional, a que nosso educador não assistiu, aconteceu. É inegável. Está universalizado o acesso, mas descuidada a qualidade. E descuidar da qualidade implica dar pouco a muitos. E era exatamente isso que Anísio repudiava. O amplo acesso à educação era parte de seu sonho de mudança, mas defendia uma escola voltada às necessidades, à realidade, à formação integral do aluno. Um currículo que contemplasse conteúdos de real significância no universo social e cultural, principalmente, dos menos favorecidos. Esse princípio tem igual validade nas escolas destinadas às classes sociais elevadas. Uma breve análise dos projetos pedagógicos que orientam nossas escolas, sejam públicas, sejam privadas, nos revela o quão distante estamos desse sonho. Sua luta é atual. A mudança que defendia aguarda para ser engendrada. A esperança de fortalecimento da escola pública como caminho primeiro para a edificação de uma nação é viva.

Esse ‘amigo das crianças’, como merecidamente o homenageou Jorge Amado, dedicando-lhe a obra Capitães de Areia, nos apresentou o desafio da escola em tempo integral, voltada ao atendimento de crianças do povo, com a fundação da primeira escola desse modelo no Brasil, a Escola Parque, em Salvador. As instalações contavam com espaços diferenciados como biblioteca, auditório, refeitório, hortas, ambulatório médico, salas para o ensino de artes, quadra esportiva, todos eles voltados para a formação cultural dos alunos.

Além das aulas de conteúdo básico, havia atividades complementares que iam dos trabalhos manuais a aulas de artes plásticas, muitas vezes conduzidas por artistas reconhecidos. Recrutou professores experientes e lhes deu todas as condições justas de trabalho e de execução plena do projeto. “Um funcionário para cada vinte alunos”, discursou seu idealizador na inauguração desse centro destinado a atender 4 mil alunos. A Escola Parque educava, formava, socializava, capacitava, humanizava. A escola de tempo integral era a vida de crianças e jovens que se reencantava por entre as sendas da educação. Era o sonho arquitetado por Anísio que se edificava. Era a escola transformada para e pelo aluno. A escola democratizada. O direito pela educação.

Em que momento, no entanto, o sonho se diluiu? O pioneirismo do projeto da Escola Parque, na América Latina, não se espalhou nem mesmo pelo Brasil. Inequivocamente de alto custo, o projeto de inclusão social pela educação foi esquecido.

“É custoso e caro por que são custosos e caros os objetivos a que visa. Não pode fazer educação barata – como não se pode fazer guerra barata. Sabemos que sem educação não há sobrevivência possível. […] O brasileiro não acredita que a escola eduque. E não acredita porque a escola, que possui até hoje, efetivamente não educou (…). Como acreditar em escolas? Tem razão o povo brasileiro. E para que não tenha razão seria preciso que construíssemos escolas”, provocava Anísio, em 1959, em resposta às críticas que recebia pelo alto investimento em seu projeto. Para ele, a escola deveria ser um local bonito, acolhedor, humano, solidário, com professores felizes e apaixonados pelo ofício de ensinar e por seus alunos.

Não há como passar pela história desse grande educador sem que brote, em cada um de nós, o desejo de mudança, a esperança de uma educação igualitária, humanizadora e integral.

Imaginem se tivéssemos dado continuidade ao sonho e ao trabalho de Anísio Teixeira. Imaginem se nossos políticos do passado tivessem se convencido de que a educação é o passaporte para a liberdade, para o exercício da cidadania. Imaginem, ainda, se as pessoas tivessem se unido para exigir que a escola, centro de luz, fosse o canteiro das obras vivas desta nação. Perdemos muito tempo. Mas é preciso ir além. Aprender com o passado desperdiçado para que o futuro seja real. Nada de discursos dissociados de responsabilidade e compromisso. Que o Brasil possa, depois de ter superado tantos outros desafios – somos um país melhor, hoje, uma potência econômica, tiramos milhões de cidadão da linha da pobreza – ser uma nação que não segregue, não abandone, não exclua nenhum de seus filhos. E essa política pública, cidadã e universal, chama-se educação. Aos mestres de ontem o respeito pela ousadia; aos de hoje, a cumplicidade pela resistência; e, aos de amanhã, a esperança de que construirão um país com todos e para todos.

As mudanças no Pisa

A próxima edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que será realizada em 2012, acontecerá sob novos moldes. Isso porque está prevista a aplicação de uma prova eletrônica, diferente daquela em papel, para uma subamostra de 256 escolas brasileiras (a amostragem total da avaliação é de 25 mil alunos, o que envolve 902 escolas). A notícia foi anunciada em setembro pelo gerente nacional do Pisa, João Galvão Bacchetto, em palestra para alunos do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp). Em entrevista a seguir, o funcionário do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta, entre outros assuntos, as dificuldades na aplicação da prova eletrônica, como a incompatibilidade de sistemas – o Pisa foi concebido para Windows, enquanto muitas escolas usam o Linux.

 

Pelo que o senhor apurou, quais serão as principais dificuldades na aplicação da prova eletrônica?

O Pisa tem algumas necessidades de equipamento e software que nem sempre são atendidas pelos laboratórios da escola. Claro, ainda há escolas sem laboratórios, mas a grande maioria já está equipada. Mesmo essas não estão com equipamentos de que o Pisa necessita para aplicar prova. Na verdade, nesse caso, é o Pisa que tem de se adaptar à escola brasileira. Então, já acionamos  a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para que os itens da prova eletrônica sejam feitos em Linux, que é o sistema mais utilizado no Brasil, enquanto nos outros países quase todos usam sistema Windows. Esperamos que na edição de 2015 tenhamos uma prova que “rode” nas necessidades das escolas.

As escolas usam mais Linux?

Existem escolas que usam Linux e escolas que usam Windows no Brasil. Só que a política nacional de distribuição de computadores é baseada em Linux, que é um sistema mais barato em termos de garantir que se expanda mais rapidamente a nossa rede de computadores. Muitas vezes esse computador é doado à escola e ela não pode remover o sistema, que é bom. A questão é que não faz sentido um país enorme como o Brasil ter de se desdobrar para aplicar uma prova porque o sistema eletrônico não é o adequado.

O que muda para o aluno com a prova eletrônica?

Ainda não coletamos o pré-teste da prova, mas há questões, por exemplo, que são de leitura de e-mail. Ele tem de procurar uma informação, voltar com essa informação e responder o e-mail. Não é nada que um aluno de 15 anos não faça às vezes, nem que não seja na escola, mas na lan-house. Acredito que muitos recursos de letramento digital já estão nos alunos de 15 anos, mesmo em pequenas cidades do Brasil.

Haverá mudanças na matriz de avaliação do Pisa? 

Quando você vai compor uma prova, tem de escolher quais tipos de itens você vai usar. Um item de uma prova eletrônica pode usar, por exemplo, uma tabela, um texto e mais um e-mail. Isso causa uma alteração na composição do exame e você tem de mudar a matriz. Se o aluno acerta a questão do e-mail, na hora em que você for fazer a interpretação pedagógica com a escala, você vai precisar ter um item dizendo que ele é capaz de dominar tal e tal habilidade do letramento digital. Como ainda não aplicamos a prova eletrônica, não sei dizer como as escalas (da prova em papel e da eletrônica) vão conversar. Que eu saiba, a escala eletrônica é independente da escala de papel.

Os aplicadores externos passarão por treinamento para aplicar a prova eletrônica?

Sim. A prova é um pen-drive que vem criptografado e só roda em determinadas condições. O aplicador precisa ter a senha de administrador, e o computador não pode ter vírus. Ele precisa passar um antivírus que vai no pen-drive junto com a prova. Só depois dessa verificação é que ele chama os alunos.

A intenção dos senhores é aplicar a prova eletrônica em toda a amostra de escolas em 2015?

Vamos aplicá-la em uma sub-amostra de 256 escolas justamente por conta da condição dos laboratórios. Não teria sentido aplicar a prova em todas as escolas neste momento. Vamos aprender muito para, eventualmente, se a OCDE mudar o sistema de prova para ser compatível com o Linux, em 2015, aplicarmos em todas as escolas da amostra.

Como a amostra de escolas é definida? 

A primeira coisa que definimos são os estratos pelos quais queremos resultados. No nosso caso, definimos ‘por estado’ e ‘por dependência administrativa’. Outro aspecto são os estratos implícitos, aqueles que você não precisa ter resultado, mas precisa que sejam considerados. Exemplos: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o tamanho das escolas (variável que a OCDE solicita), o nível ofertado pelas escolas (médio, fundamental,ou os dois).

Como os senhores garantem que a amostra não contempla mais escolas particulares do que públicas? 

É possível ter uma amostra dessa maneira, sim. Mas você põe um peso na nota final de cada aluno, ou seja, equaliza-se o resultado pelo peso que você dá à nota daquele aluno. Você abaixa ou aumenta o peso da nota. A nota do aluno será equivalente à participação dele na população.

Desde que o país começou a aplicar o Pisa, o que se conseguiu de informações sobre nossos alunos?

Os alunos estão progredindo dentro das séries. Na faixa etária avaliada pelo Pisa (15 anos), o aluno pode estar da 7ª série até o 3º colegial. O que você observa ao longo dos anos é que houve uma progressão desses estudantes para os níveis mais altos: 1º, 2º e 3ºos anos do ensino médio. Observamos que houve crescimento significativo não só do resultado, mas também dos indicadores de fluxo dos estudantes.

O que não significa que estamos em um patamar considerado adequado, apesar de o país ter sido um dos que mais cresceram na última edição da prova. 

Há países que regrediram, pioraram seu desempenho. Acredito que obtivemos uma melhora. O ideal é continuar assim, porque temos uma dívida educacional muito grande.

Fonte: Revista Educação (por Beatriz Rey)

Ler é inventar problemas

A leitura é ato criativo, o que significa pensar nos diferentes modos de ler e nos mais surpreendentes objetivos por parte do leitor. Posso praticar a leitura como distração ou como tarefa vinculada a uma pesquisa acadêmica, como forma de aprender a escrever, como busca de soluções profissionais ou existenciais, ou como inspiração para conhecer a mim mesmo, ou como forma de preencher a solidão, ou como caminho de solidariedade.

Uma outra maneira de ler é a filosófica. Ler filosoficamente é ler para pensar. Não um pensar qualquer, exercício mental apenas. Filosofar é um pensar responsável, em busca de tudo aquilo que nos torne mais humanos.

A leitura com espírito filosófico não teme inventar problemas. Tudo o que não inventamos é falso, repetindo o poeta Manoel de Barros. O encontro com as verdades humanas depende de nossa abertura para o inesperado. Ir ao encontro dessas verdades é um modo radical de estudar.

Leitura como encontro

A leitura inventiva não inventa do nada. O encontro filosófico com as palavras requer o cumprimento de algumas exigências. Uma delas é deixar que o texto de um autor entre pelos olhos e ouvidos. O trecho de um texto maior será saboreado sem desgastar-se. Vejamos, por exemplo, o primeiro parágrafo de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, do escritor moçambicano Mia Couto:

A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existência. A bordo do barco que me leva à Ilha de Luar-do-Chão não é senão a morte que me vai ditando suas ordens. Por motivo de falecimento, abandono a cidade e faço a viagem: vou ao enterro de meu Avô Dito Mariano.

Primeiramente, deixar-se impregnar pelas palavras – sonoridade, sentidos, as imagens que evocam. O parágrafo a ser contemplado possui três períodos.

No primeiro período, a imagem do umbigo. O umbigo é uma cicatriz. Nasce de um corte. Antes do corte, o parto. Associando parto e morte, Mia Couto inicia sua história, uma viagem ao centro da vida. A morte, como o umbigo, lembra uma existência anterior. Na cicatriz, a ausência de algo diz tudo, nas entrelinhas. A morte, mais do que ausência de vida, é sinal de que houve vida. Estamos diante de uma permanência disfarçada de ausência.

Ler e reler o primeiro período faz a comparação cada vez mais nítida. A morte é como o umbigo. A cicatriz é lembrança da vida. Filosofar, como diziam os antigos, é aprender a morrer, o que nos ensina a viver melhor. A lembrança de uma existência anterior ao parto, associada à de uma existência anterior à morte, insinua um pós-morte em equivalência a um pós-parto.

Aprender a morrer é, então, um aprender a nascer? Eis um problema inventado pela leitura filosófica.

O segundo período fala da morte como algo que atua e direciona os vivos. A morte vai ditando suas ordens. É um capitão – ou melhor, é capitã comandando o barco dos vivos. O narrador está a bordo do barco. Seu destino é uma ilha. A ilha, um lugar à parte, leva a pensar no além. Para além da terra firme, uma outra terra firme. Mas é preciso fazer a travessia, sob o comando da morte.

Para onde, então, a morte nos leva? Este é mais um problema inventado.

A morte volta a ser mencionada no terceiro período. O que não incomoda o espírito filosófico. Filosofar é abandonar a cidade, fazer a viagem, sair de si. O que há de habitual na cidade deve ser abandonado. O que há de conhecido e seguro na cidade deve ser substituído pela viagem. O enterro do avô é o motivo da viagem. O corpo ainda não foi enterrado. A viagem tem um destino. O viajante vai em direção ao morto, ao encontro do mistério. Se o enterro é ato sagrado, a viagem também.

Outro problema inventado – quando começarei a fazer a viagem decisiva?

Leitura como jogo

Outra exigência da leitura filosófica é entrar no jogo, e jogar até o fim. O poeta brasileiro Felipe Fortuna escreveu um poema intitulado “Tetris”:

A vida aparece aos poucos:

sua construção de acaso

não decifra o dia seguinte.

Bloco sobre bloco se executa

a obra que corrói o corpo.

Nós somos pouco.

Um dos mais antigos (e até hoje um dos mais viciantes) jogos eletrônicos, o Tetris nasceu em 1984, na União Soviética. Na tela, tetraminós (blocos formados por quatro quadrados iguais) vão descendo sem parar. O objetivo é empilhá-los de modo a formar linhas horizontais perfeitas. Cada linha que se forma, desintegra-se, e as camadas superiores descem um pouco mais. Ganham-se pontos. O jogador que em dado momento já não consegue criar linhas horizontais é vencido pelos tetraminós.

A vida é como os tetraminós: fatos, pessoas, formas variadas vão surgindo sem parar. Cada vez que conseguimos completar uma obra, construir alguma coisa, essa coisa deixa de existir como desafio. E novos fatos, outras pessoas, outras formas continuam surgindo.

Mas há um momento em que não conseguimos dar conta do recado. E o jogo termina. Somos incapazes de vencer o tempo todo. O que não impede que inventemos um novo problema: seria possível jogar para sempre? Em tese, sim, seria possível. Contudo, por mais entusiasmante que seja o jogo da vida, a evidência é que “somos pouco”.

Ler é jogo viciante. Cada linha horizontal que construímos como leitores dissolve-se diante de nossos olhos. E outras linhas vão sendo criadas. E somos sempre pouco. Dentro em pouco, seremos superados. Somos pouco para tantos livros, tantos autores. Somos pouco para tanta vida.

O poeta afirma que ele é pouco, e que somos pouco. A leitura filosófica admite essa verdade. No entanto, o paradoxo persiste. Ao mesmo tempo que afirmamos sermos pouco, algo em nós resiste. O poema se refere ao “dia seguinte” não decifrado. Hoje, somos limitados. Hoje, perdemos o jogo. Mas (outro problema  inventado) quem disse que o dia seguinte não virá?

Fonte: Revista Educação (por Gabriel Perissé)

Temer confirma candidatura de Chalita pelo PMDB à prefeitura

Fonte: revista Época (por Rafael Barifouse)

Na manhã desta sexta-feira (11/11), o Vice-Presidente da República Michel Temer endossou definitivamente a candidatura do deputado federal Gabriel Chalita (SP) à prefeitura de São Paulo pelo PMDB.

Durante o primeiro encontro municipal do partido com pré-candidatos a vereadores do pleito paulistano, Temer afastou qualquer possibilidade de seu partido abrir mão de um nome próprio para as eleições municipais do próximo ano. “Já conversei com o Lula sobre o assunto e está resolvido. Vamos ter dois candidatos e isso é importante para a composição política nacional”, afirmou Temer. “Depois conversaremos sobre possíveis alianças no segundo turno.”

Ainda pré-candidato (a candidatura só deve ser confirmada em março), Chalita foi o mestre de cerimônias do encontro, que lançou um curso de capacitação para quem pretende concorrer por uma vaga na Câmara Municipal paulistana. Aulas e palestras tratarão de temas como legislação, comunicação e problemas da capital. “Estamos nos aproximando de uma candidatura municipal e queremos mostrar que temos um projeto, não de poder, mas de cidadania”, afirmou o deputado. Sobre sua candidatura, Chalita disse “ter certeza que Lula irá respeitar essa decisão e que está em conversas com todos os partidos para firmar apoios”.

As intenções de Chalita ainda contam com a chancela do presidente do partido no estado de São Paulo, o deputado estadual Baleia Rossi, que já se referiu ao pré-candidato do PMDB como “nosso futuro prefeito da capital”. “Voltar a disputar a prefeitura de São Paulo é muito importante para o partido”, afirmou Rossi. “Essa foi uma decisão do partido feita com democracia”.

Também presente no evento, o presidente nacional da sigla, o senador Valdir Raupp (RO), reconheceu que Chalita terá uma tarefa dura pela frente. “Vamos enfrentar três máquinas no primeiro turno, a federal, a estadual e a municipal. Mas acredito que já no segundo turno duas dessas tenham ficado pelo caminho e ido para o nosso lado”, disse Raupp, que reinterou o nome de Chalita como o candidato do partido. “Não existe acordo possível para nos retirarmos da eleição. Essa candidatura não tem mais volta.”

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Confira as fotos do evento no site http://www.flickr.com/photos/imprensa_chalita/sets/72157628106426106/

Presos no mundo, soltos na rede

Uma pesquisa apontou, em 2005, as crianças brasileiras como as que mais assistiam à televisão. Será que a situação mudou de lá para cá? Ou nossas crianças continuam campeãs nessa modalidade?

Pode ser que tenham trocado a televisão pelo computador, porque uma pesquisa atual revelou que nossas crianças são as que acessam as redes sociais mais cedo. Ou será que somaram as horas em frente à TV com as horas diante do computador?

Muitas crianças, aos nove anos, já tinham telefone celular e o usavam com intimidade. Agora, com essa mesma idade, muitas já possuem vários outros aparelhos, com funções variadas. O tablet é apenas mais um deles que permite acesso à internet.

Criar páginas e perfis em sites de relacionamento é uma entre as várias atividades que os mais novos podem realizar na internet.

O curioso fica por conta de um detalhe: esses sites não são indicados para crianças. Pelo menos, não para as que têm menos de 13 anos.

Muitos insistem que nossas crianças se mostram cada vez mais precoces. Apostam que elas sabem o que querem, que usam todos os recursos da informática de forma até melhor que os próprios pais e outros adultos da família, que têm vida social intensa etc.

Por outro lado, com a violência urbana, as crianças têm sido cada vez mais tuteladas em sua relação com o mundo real.

Os pais temem que seus filhos transitem pelo mundo público desacompanhados. Desse modo, crianças e adolescentes vão de casa para a escola sempre levados pelos pais ou por seus substitutos, assim como para festas e outros locais que frequentam. Mas, nesses locais, ficam sozinhos ou com seus grupos.

É comum vermos grupos de crianças entre nove e 12 anos nos shoppings sem a companhia de adultos, não é?

O mais provável é que seus pais as levem até lá e marquem uma hora para buscá-las depois que a programação planejada terminar.

Mas, nesse intervalo de tempo, as crianças ficam sozinhas. Como o local é fechado, os pais consideram a situação segura.

Da mesma maneira, consideram segura a relação dos filhos com a internet.

Mesmo com todos os alertas que têm sido dados, o mundo virtual parece bem menos ameaçador do que o real, para os pais.

Agora, vamos juntar algumas informações que temos.

Escolas têm tido dificuldade para contribuir positivamente com a socialização de seus alunos no espaço público. A explosão de pequenas violências entre eles no espaço escolar -fenômeno que tem sido chamado de bullying indiscriminadamente- é uma prova disso.

Além disso, a própria competição escolar por boas colocações, classificação etc. em nada ajuda na socialização dos mais novos.

Quanto aos pais, esses socializam seus filhos para o convívio no espaço privado, que é marcado pela afetividade. E, nas cidades, não há outro espaço além da escola que tenha a função de contribuir de maneira educativa com o processo de socialização dos mais novos.

Isso significa que eles têm crescido sem aprender, no conceito e na experiência, a conviver respeitosamente com o outro com quem não tenha vínculos afetivos.

E tem mais: também não aprendem a proteger a sua intimidade e a sua privacidade. Aliás, talvez nem aprendam o sentido disso.

E, quem não aprende a ter habilidade social no mundo real, como poderá ter habilidade no mundo virtual?

Precisamos pensar nisso antes de considerar os inúmeros e reais benefícios que as crianças podem colher no mundo da internet.

Fonte: Folha de S. Paulo (por Rosely Sayão)

Opinião: choque de realidade

Para mudar a condição das coisas é preciso uma dose de coragem e outra de humildade. Na questão da Educação no Brasil, ter coragem de encarar a má qualidade da formação inicial de nossos professores e valorizar a carreira docente são passos fundamentais para realizar a mudança estrutural de que o País precisa.

A sofrível qualidade da nossa Educação é um fato indiscutível. Inúmeros estudos e pesquisas identificam as causas da baixa qualidade de nossas escolas e indicam o que pode ser feito para que no futuro possamos figurar entre os 20 melhores países em Educação no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Não existe receita única, mas os melhores sistemas de Educação do mundo, como o da Finlândia e o da Coreia do Sul, apontam caminhos. Um deles merece destaque: professores bem preparados, com foco no aprendizado dos alunos e com carreira atraente,à altura de sua importante missão.

O Brasil ainda enfrenta um problema específico que demanda soluções urgentes: a falta de professores. Se não abrirmos os olhos, não teremos professores suficientes para suportar a quantidade de alunos que entram nas escolas a cada ano. Esse déficit de professores já é uma realidade, pois faltam educadores generalistas na pré-escola e no ensino fundamental I.

O déficit de especialistas do segundo ciclo do ensino fundamental em diante é ainda maior. O censo escolar de 2009 mostra que somente 23% dos professores que dão aula de Física são formados em Física. A situação não é diferente em Química, Matemática e Biologia.

Para completar esse quadro, a qualidade de ensino das faculdades de Pedagogia, em geral, deixa a desejar.Temos dois fatores que contribuem para essa situação:a formação inicial dos professores está impregnada de um conteúdo acadêmico mais preocupado com a filosofia e a história da Educação e com as diferenças teóricas entre as metodologias pedagógicas do que com as práticas em sala de aula.

Um professor sai da faculdade sem a menor ideia de como lidar com os alunos numa situação real de classe. Tampouco entende como sua disciplina dialoga com o contexto das outras matérias. Infelizmente, as universidades estão mais preocupadas com produção de trabalhos acadêmicos e com disputas de poder interno do que com uma formação que ajude os alunos na sala de aula, onde a Educação de fato se dá.

Outro fator preocupante é a baixa atratividade da carreira. Apenas 2% dos vestibulandos aspiram a uma vaga nas faculdades de Pedagogia.

Precisamos transformar esse círculo vicioso em virtuoso: formar professores focados e comprometidos; criar padrões de formação, exigir das faculdades que coloquem o aprendizado e a sala de aula no centro do debate, incluindo no currículo questões como gestão de sala de aula, diversidade, uso de resultados de avaliações para melhorar o aprendizado, estratégia de sucesso escolar, entre outros.

É preciso criar espaço para que os estudantes de Pedagogia e licenciatura possam interagir com alunos de forma monitorada para que o futuro professor possa progredir e se profissionalizar. Esses mesmos padrões devem servir também para avaliar o progresso na carreira docente, e o bom professor deve receber incentivos, de acordo com os padrões determinados e com o desempenho dos seus alunos.

Para que essas mudanças ocorram,é preciso vontade política e apoio da sociedade. É impossível mudar a qualidade da Educação de um país sem mexer radicalmente na qualidade da carreira de professores, tornando-a mais valorizada e atrativa.

Devemos ter como uma das grandes metas do País fazer da profissão de professor uma das cinco mais admiradas pela sociedade civil nos próximos cinco anos.Isso,sim,pode provocar a mudança necessária para alcançarmos a Educação que desejamos para o Brasil.

Fonte: O Estado de S. Paulo (por Ana Maria Diniz)