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Sócrates e Thomas More – correspondências imaginárias

Dois amigos, um camponês e um professor, Sócrates e Thomas More, questionam a vida cotidiana, seus desdobramentos, sua imprevisibilidade; enfim, todo o universo de fatos e de emoções que invade a alma humana e que desperta a inquietude nos homens.

More mostra-se desiludido e cético das relações humanas, mas Sócrates, com simplicidade e com impressionante competência discursiva, tenta convencê-lo – e convencer o leitor – de que a travessia é longa, tortuosa, mas sempre vale a pena. Cada um de nós é responsável por trilhar uma parte desse caminho, com coragem e com dignidade, sem titubear, sem desistir, sem se desesperançar.

Editora Planeta, 2011.

Qual é a melhor escola para o meu filho?

Por Gabriel Chalita

A educação é o grande legado que os pais deixam para os seus filhos. Foi o que disse, com grande perspicácia, a autora dos sublimes “Poemas dos Becos de Goiás”, Cora Coralina, numa frase inspiradora que diz: Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Quando disse isso, a poeta já tinha o rosto enrugado, o corpo alquebrado e maltratado pela vida, mas a alma lisa e pura. Cora sabia, ao conceber essa frase, que a primeira etapa da educação se dá em casa, e não importa a idade de quem assume a tarefa de educar. E é em casa que os filhos começam a absorver as virtudes e os vícios dos pais ou avós. Porque, mais do que as palavras, as atitudes falam alto na história das crianças.

Depois vem a escola. E nesse momento surgem numerosas dúvidas para que se consiga escolher a melhor escola. Alguns pais não se interessam tanto e relegam essa tarefa para terceiros. Outros até exageram, perguntando a diversos especialistas, em que escola devem matricular os seus filhos.

Hoje, é comum a mídia oferecer, com base em alguma pesquisa ou avaliação, um ranking com as melhores e as piores escolas. Não acho que esse seja um critério interessante para se basear no momento da escolha, até porque esses critérios são, muitas vezes, duvidosos e nem sempre conseguem mostrar o que é uma escola de qualidade.

Entretanto, há alguns aspectos que podem ser observados e que ajudam na escolha:

1 – Os pais devem visitar a escola com os filhos e observar o ambiente. É fundamental que a criança goste da escola em que estuda;

2- A infraestrutura é importante. Salas de aula agradáveis, biblioteca, espaço de cultura, lazer, esporte. Não é necessário que o prédio seja luxuoso, mas que seja limpo e digno de um espaço em que se educa;

3 – É importante avaliar o quanto a escola investe na formação de seus professores, que são a alma da escola. Se o espaço físico for suntuoso, mas o corpo docente engessado e desmotivado, é preferível procurar outra escola;

4 – Mesmo que os pais não sejam especialistas em educação, é recomendável saber a linha pedagógica da escola, o seu projeto de ensino-aprendizagem e formas de avaliação;

5 – Deve-se analisar o currículo da escola, cuidadosamente, para verificar se há preocupação com temas do cotidiano como ética, cidadania, respeito ao meio ambiente, diversidade cultural, entre outros. Os pais não devem ter vergonha de perguntar tudo o que lhes suscita dúvida. É bom avaliar o preparo de quem o atende ao dar as respostas;

6 – Os pais devem observar os funcionários e, se possível, o diretor da escola. Uma regra básica é que todo educador deve ser educado. Uma escola que preza por esse valor investe na capacitação de todas as pessoas que nela trabalham;

7 – Outra questão essencial é se a escola prepara para a cooperação ou apenas para a competição. Cuidado. Pode ser que os pais queiram apenas que o filho ingresse em uma faculdade, sendo aprovado no exame vestibular. Isso é importante, mas a escola tem que preparar para a vida toda, e não apenas para um exame;

8 – Uma alternativa interessante é questionar alguns pais que freqüentam a escola para ver se o discurso dos educadores é condizente com a prática;

9 – Os pais devem avaliar se o preço é compatível com o seu salário. A mesma avaliação deve ser feita em relação à localização, para que não vire um transtorno a rotina de ir e vir;

10 – Os pais devem decidir junto com o seu filho, não importa qual seja a idade dele. É importante que ele sinta que ajudou a escolher a escola em que estuda;


O mais importante é que o pai, a mãe, ou responsável, leve a sério a educação da criança. Em casa, na escola, na vida. Importante lembrar que por melhor que seja uma escola, ela nunca vai suprir a carência de uma família ausente. Portanto, a família deve participar de verdade do processo educativo de seus filhos.

Gabriel Chalita é entrevistado pelo portal Yahoo! Brasil

Fonte: assessoria de imprensa

Em entrevista a programa do Yahoo! Brasil apresentado por Michel Blanco, editor do portal, o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB/SP) falou sobre a atuação da polícia em São Paulo, especialmente em locais como a Cracolândia e a USP. Também analisou a pesquisa que indica a satisfação dos paulistanos em relação à cidade e apontou a necessidade de melhorias na infraestrutura paulistana, com a criação de espaços públicos de lazer e de cultura e com o investimento na iluminação urbana, entre outras iniciativas.

Confira a entrevista completa: http://migre.me/7HrvJ.

PMDB promove encontros regionais para ouvir a população

Fonte: assessoria de imprensa

O deputado federal Gabriel Chalita, presidente municipal do PMDB, participou, na manhã deste sábado (21/1), de dois encontros regionais promovidos pelo partido: um no Jabaquara, na zona sul de São Paulo, e o outro no Rio Pequeno, na zona oeste da capital. Os eventos têm como objetivo discutir os principais problemas da cidade, em busca de soluções.

“Os encontros regionais do PMDB são reuniões para as quais convidamos associações de bairro, ONGs, clubes de serviço, igrejas”, explica Chalita. Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, ele destaca a importância dos encontros. “Esta é uma parte fundamental da pré-campanha: ter um diagnóstico de sensibilidade da população com relação à cidade. Além disso, estamos reunindo especialistas de várias áreas, para analisarmos os problemas de uma forma macro.”

Segundo Chalita, o projeto do partido é ter um programa real para São Paulo, analisando a cidade desde já. “Assim, julgamos o que pode ser feito e vamos mostrando como será aplicado o orçamento para solucionar os problemas”, afirma.

Já foram realizados encontros nos bairros de São Miguel, de São Mateus, do Itaim Paulista, de Itaquera, de Santana, do Tucuruvi, da Casa Verde e de Lauzane Paulista.

Programa “Código de Honra” recebe Gabriel Chalita

Fonte: assessoria de imprensa

O deputado federal, professor e escritor Gabriel Chalita participará, amanhã (21/1), do programa “Código de Honra”, transmitido pela TV Justiça, às 7h30. A atração é uma realização conjunta do curso de Direito do Complexo Educacional FMU e do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP).

Na entrevista, conduzida pelo coordenador do Programa de Mestrado em Direito da Sociedade da Informação do Complexo, Prof. Dr. Celso Antonio Pacheco Fiorillo, Chalita abordará a questão do bullying – com foco nos aspectos jurídicos que o tema envolve e nas consequências dessa prática no campo educacional. O deputado também falará de sua trajetória política, assim como de sua experiência acadêmica.

O programa será reprisado  no dia 23/1, às 18h30, na TV Aberta São Paulo.

Os valores da educação

Por Gabriel Chalita

A educação é o bem maior de uma sociedade. Quando os cidadãos são alfabetizados e o conhecimento, universalizado, um país desenvolvido e justo – em que a democracia seja, de fato, praticada por todos e para todos – faz-se possível. O valor da educação é inestimável; dizemos, assim, que sua importância é tamanha que se torna impossível medi-la. Entretanto, quando se fala em educação, há outra acepção do termo “valor” que não pode ser ignorada. Trata-se do valor medível, contável, que se traduz em investimentos financeiros na área.

De acordo com o Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o investimento público total em educação no Brasil cresceu de 4,7%, em 2000, para 5,7% do PIB em 2009. Espera-se cumprir a meta 20 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2011– 2020, que estipula 7% do PIB a ser investido nesse campo; é o mínimo aceitável em um país onde a educação tem se mostrado deficiente.

Do valor inestimável da educação aos valores orçamentários aplicados nos diferentes níveis de ensino, é preciso notar que, apesar de melhorias, há muito a ser feito. Os mesmos números do Inep apontam que, na educação infantil, de 2000 a 2009, não houve evolução nos investimentos – sempre correspondentes a 0,4% do PIB. Já os anos finais do ensino fundamental (de 5ª a 8ª séries) foram os que receberam mais recursos: de 1,2%, passaram a 1,8% do PIB. É necessário o estabelecimento de políticas que considerem a significância de todas as etapas educacionais, de modo a conquistar-se a excelência no ensino e o interesse dos brasileiros por uma formação completa e contínua. O próprio Anísio Teixeira revoltava-se ao saber, depois da análise de estatísticas, que muitos dos alunos matriculados na rede pública não conseguiam dar continuidade a seus estudos, ficando frustrados mentalmente e incapacitados para alcançarem um padrão de vida de simples decência humana”.

Sabemos que investir nos professores é fundamental para que se alcance o objetivo de formar cidadãos conscientes, tanto para a vida quanto para o mercado de trabalho. Aos docentes, formação continuada, planos de carreira, revisão de salários, incentivo à participação em debates e na tomada de decisões que envolvam a educação no País; quem é educador sabe que profissionais capacitados e satisfeitos transmitem com muito mais paixão e assertividade seus conhecimentos.

Merece nossa atenção, ainda, o conceito de escola de tempo integral, sonho alimentado, primeiramente, por Anísio Teixeira. Sua implantação na educação básica é a melhor solução para o desenvolvimento de crianças e de adolescentes. Ao passar mais tempo na escola, o aluno dedica-se com afinco aos estudos (e, por conseguinte, aprende melhor), socializa-se, pratica atividades lúdicas e esportivas, alimenta-se adequadamente, sente-se capaz e acolhido. Nesse processo, a participação dos pais ou dos responsáveis é essencial. Todos os envolvidos devem vislumbrar a escola como um espaço de luz, de pertencimento.

Quando valores financeiros são aplicados, de forma ética e planejada, no bem maior da sociedade, dá-se o valor – nesse caso, “reconhecimento, de um ponto de vista afetivo, da importância ou da necessidade (de algo ou alguém)”, como traz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa – devido a alunos, a professores e a todo o País. Como afirmou Paulo Freire, “se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental a educação pode”. Assim, valorizá-la é ajudar a edificar o Brasil pelo qual trabalhamos – e no qual, entre percalços e vitórias, acreditamos.

Pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo participam de debate

Fonte: SPTV (2ª edição)

A Rede Nossa São Paulo promoveu o primeiro encontro de pré-candidatos à Prefeitura da capital. Eles discutiram os principais problemas apontados em uma pesquisa de opinião feita pelo Ibope.

A pesquisa mostra que a avaliação do paulistano sobre a cidade ficou praticamente estável em relação aos anos anteriores; a média de satisfação é de 4,9. “Se fosse uma escola, a cidade de São Paulo não teria passado” (Márcia Cavallari, diretora do Ibope).

Os pré-candidatos Soninha Francine, do PPS, Netinho de Paula, do PC do B, e Gabriel Chalita, do PMDB, acham que podem aumentar o grau de satisfação de quem mora em São Paulo, a começar pela segurança. Quase 90% dos entrevistados dizem que se sentem pouco ou nada seguros na cidade. “Uma cidade mal iluminada, mal sinalizada, mal cuidada, tem a tendência de ser uma cidade mais violenta. Os governos federal, estadual e municipal poderiam desenvolver um plano conjunto de melhoria real da segurança na cidade de São Paulo” (Gabriel Chalita).

Na saúde, o tempo médio de espera para uma consulta é de 52 dias. Em 2010, era de 61. No transporte público, o ônibus demora pra chegar: em média, 22 minutos. “Não mudou absolutamente nada nos últimos 20, 30 anos. A demora continua a mesma. Isso  foi o que mais me chocou” (Netinho de Paula).

O levantamento mostra, também, que a confiança dos paulistanos nas instituições públicas da cidade anda em baixa. A Câmara Municipal, a Prefeitura e o Tribunal de Contas do Município tiveram os piores desempenhos nessa questão. “É obvio que a percepção das pessoas sobre a qualidade dos serviços públicos, sobre a honestidade dos políticos, sobre a qualidade de vida da cidade, de um modo geral, é muito ruim. Então, é uma reflexão que a gente precisa renovar. Não é uma novidade” (Soninha Francine).

Os pré-candidatos do PV, do PSOL e do PT foram convidados, mas não apareceram. Eles mandaram representantes para o debate.

Confira a entrevista de Chalita para a Época Online

ENTREVISTA COM O CANDIDATO: Gabriel Chalita (PMDB)

Fonte: Época Online (por Teresa Perosa)

Queridinho do vice-presidente Michel Temer, o deputado Gabriel Chalita é a esperança do PMDB de conquistar a prefeitura de São Paulo. Aos 42 anos, Chalita é professor universitário, já foi Secretário de Educação do estado e publicou 63 livros. Apesar de ser católico devoto, Chalita garante que conseguirá contemplar o eleitorado não identificado com a religião. “Quem assume um cargo da importância do cargo do prefeito de São Paulo não pode governar para uma ou para outra religião, tem que governar para o povo todo”, disse à jornalista Teresa Perosa.

O senhor continua sendo assediado para que desista da candidatura em favor de Fernando Haddad, do PT. Um ministério lhe foi oferecido. Ainda existe alguma possibilidade de o senhor deixar o páreo? Minha candidatura não pertence a mim apenas. Pertence ao PMDB e a São Paulo. Realizamos uma grande quantidade de filiações na capital de pré-candidatos a vereador. Estamos fazendo reuniões nos diretórios do PMDB desde dezembro. Para nós, essa discussão de desistência é coisa do passado. Ninguém nem do PMDB nacional ou municipal imagina que haja qualquer possibilidade de abrir mão da candidatura.

A primeira pesquisa de intenção de votos coloca a maioria dos pré-candidatos com números iguais, ao redor dos 6%. Como o senhor avalia suas chances de vencer as eleições? Eu sou bem conhecido por 10 % da população, segundo o Datafolha, e tenho 6% de intenções de voto. Isso é fantástico. Mostra que as pessoas que me conhecem acham que eu tenho condições de ser um bom prefeito para São Paulo. Tenho uma rejeição muito baixa. O grande desafio é ir crescendo aos poucos, quando começa mesmo a campanha eleitoral. Temos um bom projeto, temos um partido grande e tenho experiência como gestor. Então, as chances são muito grandes.

Sua principal bandeira política é a educação. Quais são suas propostas? Eu chamo atenção para três projetos básicos. O primeiro é uma ampla revitalização do centro de São Paulo, que vai desde o Brás até a Barra Funda, copiando um pouco do que o mundo fez com as suas capitais. O segundo é a construção de uma cidade virtual. São Paulo tem na área privada uma gestão muito eficiente, mas na área pública isso está engatinhando ainda. Temos que construir uma cidade virtual, tecnológica, na qual a população possa reclamar dos problemas por torpedo, agilizar processos de alvará, numa ação conjunta para que as empresas tenham uma facilidade maior de ocupação aqui. Um terceiro ponto seria o cuidado com as áreas sociais. São Paulo tem uma saúde caótica, ela vai muito mal e a parte da informatização vale para essa área também. Quanto à educação, você não pode ser a cidade mais rica da América Latina com 160 mil crianças em fila de espera para creche. É claro que entrarão outras coisas, como a mobilidade urbana, que é um grande problema para cidade. Não é só uma questão de trânsito e transporte, mas também de desenho da cidade. O plano-diretor deveria atuar intensamente nisso. Quanto menos as pessoas tiverem que se deslocar, melhor qualidade de vida elas terão. A área da educação vai entrar, mas não será a única bandeira.

Como você avalia a gestão do prefeito Gilberto Kassab? Eu acho que o povo vem avaliando mal. Ele começou bem, no seu primeiro mandato, imaginávamos que seria um prefeito cuidadoso com a cidade. Num primeiro momento, toda cidade se uniu no “Cidade Limpa”. Houve uma mobilização popular para ajudar a cidade a ser mais bem cuidada. Depois, Kassab mudou os objetivos e acabou abandonando um pouco a cidade. A prefeitura está sem projeto.

Como a prefeitura pode atuar em termos de segurança? A violência se propagada no caos. Não é só um problema de responsabilidade do Estado. A organização da cidade cabe ao município. Iluminação por exemplo é um problema seríssimo em São Paulo. Numa cidade bem iluminada, com poucos terrenos baldios e espaços de desocupação, há tendência de ela ser mais segura. No caso específico da Cracolândia, por exemplo, eu acho que o equívoco é a inexistência real de leitos para internação de viciados. A prefeitura poderia estabelecer convênios com comunidades terapêuticas. Em Minas Gerais, a Aliança Pró Vida, por exemplo, é um projeto em que você dá para mãe um cartão para que ela busque um local de internação para seu filho viciado em crack. Espalhar viciado não resolve. Precisa ter uma medida policial para coibir a ação do traficante com certeza, mas também de recuperação dessas pessoas, e isso não vem acontecendo. Nem com moradores de rua. São Paulo é uma cidade com 11,5 milhões de habitantes e tem 12 mil moradores de rua, o que não é um número tão elevado. Mas existem poucas alternativas de inclusão social desse morador. É o abandono da cidade que se reverte em vários aspectos.

Sua imagem está bastante associada ao catolicismo. Como pretende ganhar o eleitorado que não se identifica com a Igreja Católica? Nunca fui um católico fundamentalista. Sou católico praticante, mas nunca fui sectário, nunca tive preconceito com nenhuma religião. Quando fui secretário da educação, mantive um amplo diálogo com outras religiões para construir um projeto de ensino religioso que priorizasse valores. Então todas as religiões se sentiram contempladas. Eu tenho um diálogo muito tranquilo com as outras religiões. Não misturo as coisas. Tenho absoluta consciência que o Estado é laico, a Constituição determina isso, e alguém que assume um cargo da importância do cargo de prefeito de São Paulo, não pode governar para uma ou para outra religião, tem que governar para o povo todo.

Quem é especialista na sua criança?

“As crianças estão mais agressivas hoje em dia”, me afirmou com convicção uma jovem mãe. Ela acabara de ter uma reunião com a coordenadora da escola que a filha frequenta justamente por esse motivo: a menina andava agredindo os colegas de classe com regularidade, tanto física quanto verbalmente. A idade? Cinco anos.

Segundo as palavras dessa mãe, ela não sabe como a garota desenvolveu essa estratégia na convivência com os colegas. “Em casa não costumamos ser agressivos uns com os outros e sempre ensinamos as crianças a fazerem o mesmo. E ainda assim ela briga com os irmãos, os primos e os colegas de classe.”

Ah! E a garotinha também não é uma filha que essa mãe possa chamar de obediente ou educada em relação aos pais e a outros adultos.

Essa mãe disse que não sabia o que deveria fazer para ensinar a filha a ser mais obediente e educada. Ela terminou nossa conversa dizendo que iria insistir na estratégia que sempre usara com sua filha: conversar.

Qualquer pessoa que já ouviu pais com atenção sabe que a queixa da indisciplina tem sido bem frequente.

Pais com filhos de todas as idades reclamam de desobediência, de falta de limites, de agressividade exagerada da parte dos seus filhos.

Para começo de conversa, vamos lembrar da estratégia que a mãe de nosso exemplo de hoje usa para educar a filha para a boa convivência: conversar. Essa tem sido uma solução encontrada por muitos pais, não é verdade?

Pois aí temos uma contradição digna de ser refletida: por que, justamente quando a estratégia educativa usada é mais democrática, a agressividade e a desobediência andam tão em alta? Vamos levantar algumas hipóteses.

Conversando o tanto que converso com pais, fui tendo cada vez mais clareza a respeito de como eles se veem no exercício de sua tarefa educativa com os filhos.

E constatei uma questão que considero importante: muitos pais, hoje, duvidam de sua própria capacidade de educar os filhos para uma boa convivência.

A fala que eu mais costumo ouvir em conversas desse tipo foi dita pela mãe de nosso exemplo de hoje: “Eu não sei o que fazer”.

E é por causa dessa impotência que muitos pais buscam fora do contexto familiar e da relação com a criança soluções quase mágicas para resolver aquilo que consideram um problema.

Diversos especialistas têm sido convocados a tratar de “crianças agressivas”. A internet tem sido muito usada, também, na busca de orientações ou conselhos.

Aliás, recebi dias atrás uma mensagem de uma mãe que, nessa pesquisa na internet, encontrou um texto meu. Disse ela: “Gostei de seu texto, mas eu preciso de orientações mais claras sobre como fazer e você não escreveu nada disso”.

A esses pais, vou repetir duas frases que vi em uma peça promocional feita por e dirigida a mães. A primeira: “Você é a especialista em seu filho”. A segunda, uma advertência bem-humorada, eu adorei: “O Google não tem filhos”. Ambas sintetizam a ideia de que os pais devem se sentir potentes para buscar e encontrar melhores soluções para dificuldades que enfrentam na educação dos filhos.

Outro fator que não podemos ignorar é o quanto as crianças estão expostas aos meios de comunicação.

Programas infantis -dos chamados educativos aos considerados violentos- mostram conflitos de todos os tipos e tratados com agressividade longamente. Já a solução do conflito ganha bem menos tempo, não é verdade?

E o que dizer dos programas para adultos aos quais os pequenos assistem? Isso só ensina a criança a refinar o uso de sua agressividade.

Precisamos de mais pais que não duvidem de seu potencial educativo nas situações difíceis e de mais civilidade na convivência adulta, já que esta serve de padrão aos mais novos.

Fonte: Folha de S.Paulo (por Rosely Sayão)