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Uma cidade mais humana

São Paulo, que hoje completa 459 anos, convida-nos a uma reflexão: o que queremos e o que temos feito pela maior e mais rica cidade do país? É preciso lembrar sempre que cuidar da metrópole é cuidar também de seus moradores.

O grande desafio de São Paulo é que ela não é uma, mas muitas cidades. Cidades que se complementam, opõem-se, confundem-se e que fascinam. Seus habitantes vão, aos poucos, traçando, nesta sedutora complexidade urbana, a parte que lhes cabe, a sua cidade, a desejada, a que lhes pertence, a que os acolhe. São travessias interiores de um povo que constrói cidades ocultas dentro de São Paulo, megalópole inesgotável de caminhos e de possibilidades que se cruzam e se interligam, revelando o aqui e o ali que sempre surpreendem. Cidades invisíveis, como as de Italo Calvino. “É uma cidade igual a um sonho: tudo o que pode ser imaginado pode ser sonhado, mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é um quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então o seu oposto, um medo.”

E, assim, convivem, lado a lado, a cidade tranquila e a caótica. A segura e a violenta. A central e a periférica. A que acelera rumo ao futuro e a que trava nos congestionamentos. 

São Paulo vive, sonha, respira e aspira a ser mais humana. Um esforço que cabe a nós, paulistanos, realizar. E isso começa com detalhes que afetam o dia a dia de cada um de nós. Arrumar as calçadas, iluminar as vias, enterrar os fios que confundem a beleza, retirar o lixo das ruas e impedir as depredações são alguns dos desafios que governantes e população devem enfrentar juntos. Cuidar das pessoas, renovar o olhar, revelar o oculto, derrubar muros.

Trata-se de um sonho possível. Que, em 2014, nos 460 anos de São Paulo, possamos celebrar uma cidade mais justa, mais humana e mais feliz, com a satisfação de termos colaborado também. Lembrando Fernando Pessoa, “e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero”. Parabéns, São Paulo!

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)

Gabriel Chalita comparece a eventos no dia do aniversário de São Paulo

O deputado federal Gabriel Chalita participou na manhã desta sexta-feira (25/1) da comemoração do aniversário da cidade de São Paulo, na Catedral da Sé. A missa foi conduzida pelo cardeal arcebispo metropolitano de São Paulo, dom Odilo Scherer, e contou com a presença do prefeito Fernando Haddad e do governador Geraldo Alckmin, entre outras autoridades. O público estimado foi de mil pessoas.

No começo da tarde, Chalita compareceu ao lançamento do projeto do Centro Nacional de Treinamento Paralímpico, com a presidenta da República, Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer, o governador e o prefeito, no Palácio dos Bandeirantes. O centro, que apresentará 94 mil m² de área total, vai ter capacidade para 240 atletas em treinamento. O local escolhido para sua construção foi o Parque Fontes do Ipiranga. Dotado de alta tecnologia, o espaço será um dos quatro centros de referência existentes no mundo. 

O projeto é fruto de uma parceria entre o Ministério dos Esportes e a Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência e tem o apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro. A união de forças entre as esferas municipal, estadual e federal marcou, inclusive, o tom dos discursos em ambos os eventos.

Fonte: assessoria de imprensa

Minicurrículo

Nascido em 30 de abril de 1969, em Cachoeira Paulista (SP), Gabriel Chalita revelou-se escritor já aos 12 anos, quando publicou seu primeiro livro. Hoje, tem uma obra composta por mais de 70 títulos.

Doutor em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica, deu início à carreira política aos 19 anos, como vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista. Exerceu os cargos de secretário da Juventude, Esporte e Lazer e de secretário da Educação do Estado de São Paulo; neste último, instituiu os Programas Escola da Família, Escola de Tempo Integral e Caminho das Artes. Foi também presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), por dois mandatos, vereador da cidade de São Paulo e deputado federal pelo PMDB – SP – eleito com mais de meio milhão de votos.

Atualmente, é secretário municipal de Educação de São Paulo, professor da PUC–SP, da Universidade Presbiteriana Mackenzie; membro da Academia Brasileira de Educação e da Academia Paulista de Letras e palestrante.

Biografia

Nascido em 30 de abril de 1969, em Cachoeira Paulista (SP), Gabriel Chalita revelou-se escritor já aos 12 anos, quando publicou seu primeiro livro. Aos 15, criou uma coleção destinada a crianças em idade de catequese. Sua obra compõe-se de mais de 70 títulos. Dos livros publicados, dois já foram lançados no exterior: “Os dez mandamentos da ética” (em 2004, na Argentina, no Chile e na Espanha, pela Editora Aguillar/Santillana) e “Pedagogia do amor” (em 2006, na Espanha, pela Editora PPC/SM).

Chalita é doutor em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica; mestre em Direito e em Ciências Sociais e graduado em Direito e em Filosofia. Atuou em diversas ONGs – entre elas, a Juventude Latino-Americana pela Democracia (Julad) – e deu início à carreira política aos 19 anos, como vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista. Foi secretário da Juventude, Esporte e Lazer e, posteriormente, secretário da Educação do Estado de São Paulo, além de presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), por dois mandatos. Em 2008, elegeu-se vereador da cidade de São Paulo, destacando-se como o mais votado do Brasil. Em 2010, foi eleito deputado federal (PMDB–SP) com mais de meio milhão de votos. Atualmente, é secretário municipal de Educação de São Paulo. 

Toda a trajetória de Chalita é dedicada à causa da educação. Na administração pública, destacou-se pela busca de iniciativas que permitissem a consolidação de uma educação de excelência. Dentre várias ações exitosas, instituiu o Programa Escola da Família, um conceito de envolvimento familiar e comunitário nas escolas estaduais, abertas nos fins de semana com atividades de recreação, de saúde, de esporte, de arte e de geração de renda. Também implantou a Escola de Tempo Integral, iniciativa do Governo do Estado para aumentar a carga horária de aulas na rede pública, mantendo os alunos nove horas por dia na escola. Do mesmo modo, o Caminho das Artes, para levar professores e alunos a teatros, cinemas e museus. Dos títulos e das condecorações recebidos, destacam-se o Prêmio Personalidade do Ano 2005 – Educação, conferido pela revista “ISTOÉ Gente”; o Prêmio O Educador que Queremos 2005, do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE); o Troféu Raça Negra 2005; o Prêmio Educação Visconde de Porto Seguro 2004 e o Prêmio Fernando de Azevedo – Educador do Ano 2004, outorgado pela Academia Brasileira de Educação.

Chalita é também professor dos cursos de graduação e de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC–SP), da Universidade Presbiteriana Mackenzie; palestrante nas áreas de educação, de filosofia, de ética e de relações interpessoais e membro da Academia Brasileira de Educação e da Academia Paulista de Letras.

 

Dor de mãe

Mais um crime. Mais uma dor. Mais uma ação incompreensível. Uma mãe e o seu filho morto.
O fato aconteceu em Guarulhos, no Parque Alvorada. Um jovem de 26 anos saiu do carro e foi abordado por dois adolescentes que, segundo a mãe, aparentavam menos de 15 anos.

O jovem levou um tiro no rosto. E correu. A mãe, ouvindo o barulho, saiu de casa e foi ao encontro do filho. O jovem ensanguentado aproximou-se da mãe, quando foi atingido por mais um tiro, dessa vez, nas costas. É esse o fato. 

É possível imaginar o sofrimento dessa mulher? E de tantas outras que passaram por situações semelhantes? Mais do que buscar culpados pela onda de violência, é preciso agir. Evidentemente, o papel das polícias é fundamental, mas não o bastante. Estamos falando de adolescentes que deveriam estar na escola, que deveriam estar se preparando para o mercado de trabalho e que ingressaram na criminalidade como um caminho aparentemente fácil para obter dinheiro e status.

Governo federal, governos estaduais e municipais precisam agir em duas frentes. Uma, no combate à marginalidade, com uma polícia bem treinada, bem equipada. Com centrais de inteligência, monitoramento das cidades etc. A outra frente é a da prevenção. Não é possível que um país com a força de 6ª economia mundial não invista pesadamente nas escolas em tempo integral, no cuidado integral da criança e do adolescente. O país do amanhã depende da educação de hoje, do cuidado de hoje, das ações de hoje. 

Ou isso ou continuaremos “enxugando gelo”. Ou isso ou agiremos pelo impulso desses trágicos acontecimentos. Combater a violência vai além de medidas midiáticas. Precisamos de medidas estruturais. E a educação, com ações integradas de esporte e cultura, é que dará às nossas crianças e adolescentes o direito a ter dinheiro, status, bons valores e oportunidade, bem longe da criminalidade. 

Quem sabe um dia esses exemplos frequentem apenas os livros de história.

Por Gabriel Chalita (Fonte: Diário de S. Paulo)

Nenhum cidadão é invisível

A invisibilidade humana é um dos mais severos crimes da sociedade. Omitir-se da triste condição alheia, negar um gesto solidário, abandonar o próximo à própria sorte são atitudes causadoras de injustiça.

Temos, hoje, uma cidade dividida: a rica e a pobre. A cuidada e a abandonada. De acordo com o último Censo, de 2011, realizado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a cidade tinha quase 15 mil pessoas vivendo nas ruas. No entanto, uma mudança positiva desponta na relação entre a Prefeitura de São Paulo e essas pessoas.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, responsável pela Guarda Civil Metropolitana, anunciou a intenção de criar um novo protocolo de abordagem aos moradores de rua. O objetivo da medida, que inclui a participação de assistentes sociais, é diminuir drasticamente a truculência que marcou essa ação na gestão anterior.

Em julho do ano passado, o Ministério Público do Estado ingressou na Justiça contra a Prefeitura, questionando a constitucionalidade da lei que dá à GCM o poder de interpelar e lidar com essas pessoas. Vale lembrar que 70% dos moradores de rua apresentam problemas mentais, de drogadição ou de alcoolismo. Sem uma política municipal de acolhimento, a ação do poder público se limitava à apreensão de seus poucos pertences e documentos e à dispersão desmedida dessa população.  

São Paulo não pode mais admitir que esses cidadãos vivam em condições de vulnerabilidade. Como disse o prefeito Haddad, este é o início de um novo tempo, que derrubará o “muro da vergonha” que separa ricos e pobres, com a implementação de uma política de respeito e de diálogo.

Há muito a ser feito para que a maior e mais rica cidade da América Latina tenha um olhar de esperança para tantos que, por alguma razão, já a perderam. 

E isso vale para outras cidades do nosso país. Grandes ou pequenas. Nenhum cidadão pode ser tratado como invisível.

Por Gabriel Chalita (Fonte: Diário de S. Paulo)