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Mulheres: poesia cotidiana

“Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou./Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos./Acreditar nos valores humanos e ser otimista.”

Cora Coralina, autora desses versos, foi uma mulher de força e coragem. Doceira de profissão, teve pouco estudo, mas muita sabedoria. Publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade e tornou-se um dos principais nomes da literatura brasileira.

Tal qual a escritora, muitas e muitas mulheres são merecedoras de reconhecimento, no Dia Internacional da Mulher e em todos os outros. Afinal, cada uma delas, à sua maneira, extrai do cotidiano a poesia que lhe cabe – e como viveríamos sem o encanto de suas estrofes?

Mas temas dolorosos também permeiam parte do dia a dia de mulheres de todo o mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), sete em cada dez mulheres serão vítimas de agressões ao longo da vida. No Brasil, uma mulher é agredida a cada cinco minutos, segundo o Ministério da Justiça. Em 70% dos casos, o agressor é o próprio marido, o ex-companheiro ou o namorado. Uma violência silenciosa, invariavelmente, dentro de casa. 

A Lei Maria da Penha, que aumentou o rigor das penas contra os que praticam a violência doméstica no País, fez com que o número de denúncias e de punições aos agressores crescesse. Esse fato já é uma vitória, mas ainda há muito a ser feito. O poder público precisa oferecer serviços cada vez mais bem estruturados para a identificação dos abusos e as punições respectivas, ao mesmo tempo que protege as vítimas.

O Dia Internacional da Mulher, uma das tantas conquistas do público feminino, lembra-nos de que é preciso lutar, ainda mais, pela igualdade, sem violência. Mesmo com as adversidades que permeiam as relações, não se deve esmorecer na busca de uma sociedade mais justa e na crença dos “valores humanos”.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)

Chalita é eleito presidente da Comissão de Educação da Câmara

Gabriel Chalita foi eleito nesta quarta-feira, 6/3, presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Foram 24 votos a favor e 2 brancos.

“A educação é a bandeira da minha vida”, disse o deputado federal. “Sou professor desde os 15 anos de idade e tenho muito orgulho desse ofício”, completou.

Dentre os temas a serem tratados por Chalita, estão o financiamento da educação e a valorização dos professores. Segundo ele, embora o Brasil seja hoje uma das maiores potências mundiais, o País tem alguns gargalos de desenvolvimento humano, dos quais o mais importante é a educação.

O parlamentar agradeceu os votos dos demais deputados e fortaleceu seu compromisso com a função para a qual foi eleito. “Presidir a comissão aumenta a responsabilidade de fazer da educação a principal política pública do nosso país”, disse.

A Comissão de Educação foi criada neste ano, quando se desmembrou a Comissão de Educação e Cultura em dois colegiados. Chalita é o primeiro deputado a presidi-la.

Fonte: assessoria de imprensa

 

Do sonho à tragédia

Realizar um sonho é singrar os mares do possível. É atestar a veracidade da esperança, sentimento tão complexo quanto nobre. É dar-se de si para si, em nome de uma existência venturosa.

O boliviano Kevin Espada tinha um sonho: o de assistir a um jogo de seu time do coração, o San José, ao vivo. E, aos 14 anos, pôde realizá-lo. Em Oruro, no interior de seu país, entrou pela primeira vez em um estádio.

A partida era contra o Corinthians, atual campeão do mundo, o que só aumentou a expectativa do adolescente. No entanto, seu sonho terminou cinco minutos após o apito inicial. Um sinalizador disparado da torcida do clube visitante atingiu o olho de Kevin. O garoto morreu ainda no estádio. Mais uma vida perdida em um cenário que deveria ser marcado pelo esporte e pela alegria. 

A polícia logo agiu. Durante a partida, 12 torcedores do Corinthians foram detidos. O grupo permanece preso em Oruro, e diplomatas brasileiros dirigiram-se para lá, a fim de garantir que todos tenham seus direitos preservados. As investigações estão em andamento. 

Paralelamente, a Justiça Desportiva determinou que o Corinthians jogue com portões fechados quando mandante e que, como visitante, não tenha torcedores presentes nas partidas. Embora muitos não estejam satisfeitos com essa decisão, é mister que se faça algo para coibir ações como a que levou à morte do jovem boliviano. A medida, ainda que impopular, vale ao menos para que se reflita sobre a irresponsabilidade que culminou em tamanha tragédia.

A violência nos estádios deve ser combatida, independentemente de sua natureza. Não se pode deixar que ela faça novas vítimas. Kevin Espada – recém-saído de uma infância feliz, com pais que, hoje, sentem na alma a amarga dor da perda de um filho – entrou no estádio de Oruro com um sonho, mas deixou-o sem a chance de cumprir um futuro pleno de possibilidades. Não há justificativa que se equipare ao valor de uma vida.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)