Pessoas com deficiência: respeito

Não há vida sem adversidade. Todos enfrentamos obstáculos ao longo da jornada. O que nos diferencia é como reagimos aos percalços do caminho. Alguns desanimam antes de sequer tentar uma solução; muitos, porém, veem na dificuldade uma oportunidade de superação. “Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e às tempestades”, já dizia o filósofo grego Epicuro.

Em recente passagem pelo Rio de Janeiro, visitei o Parque da Catacumba. No grupo que me acompanhava, estava uma deficiente visual. Enquanto todos se extasiavam ao olhar a paisagem, ela se mostrava maravilhada com suas impressões sobre o lugar: “Que sensação, que delícia, que vento bom, que local mágico!”. Ao final do passeio, ficamos ali, conversando sobre a vida. Quanto aprendi naquela tarde! 

O respeito às pessoas com deficiência é uma das premissas para que se construa um país mais justo. Não podemos fechar os olhos para as necessidades desses indivíduos, tantas vezes esquecidos pela sociedade. É obrigação dos governos acolhê-los, criando políticas públicas que os amparem mais digna e humanamente. Nesta semana, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, um projeto que concede a essas pessoas aposentadoria com redução do tempo de contribuição à Previdência Social.

Nas situações de deficiência grave, o tempo de contribuição para a aposentadoria integral de homens passa de 35 para 25 anos; no caso das mulheres, de 30 para 20. Quando moderada, são 29 anos para homens e 24 para mulheres. Caso seja leve, o tempo é de 33 e de 28 anos, respectivamente. Já a aposentadoria por idade muda de 65 para 60 anos aos homens e de 60 para 55 às mulheres. A condição é o cumprimento de, no mínimo, 15 anos de contribuição, com comprovação da deficiência pelo mesmo período.

Esse projeto representa um significativo avanço. É preciso respeitar todas as pessoas, dando atenção especial às que mais necessitam. Eis o caminho. Eis nossa convicção.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)

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