Albertinho luta pela vida. Internado no Hospital e Maternidade Albert Sabin, em Salvador, ele contraiu uma infecção e seu quadro de saúde é grave. Albertinho é o apelido dado pela equipe médica ao recém-nascido abandonado na semana passada dentro de uma caixa de sapato, ainda com o cordão umbilical, em um ponto de ônibus da capital baiana.
Sem o amor da família, ele enfrenta essa triste batalha com a ajuda de profissionais para os quais a vida se faz prioridade. Pequeno ainda, já é um vencedor. Lamentavelmente, muitos outros bebês não são encontrados a tempo de, mesmo debilitados, terem a chance de descortinar um novo mundo, repleto de possibilidades.
Milhares de crianças como Albertinho vivem em abrigos espalhados por todo o país. São, além de vítimas do abandono, fugitivas de maus tratos. Atualmente, cerca de 4,5 mil delas estão na fila de espera da adoção. Paradoxalmente, o número de famílias que, cadastradas, aguardam a possibilidade de adotar uma criança soma mais de 27 mil.
Para combater essa dura realidade, fui o proponente, em 2011, da Frente Parlamentar Mista Intersetorial em Defesa das Políticas de Adoção e da Convivência Familiar e Comunitária. Formada por deputados e por senadores de diferentes partidos, ela elaborou e debateu projetos que, hoje, tramitam nas duas Casas. Além de abordar os aspectos da adoção, a Frente tratou de um tema muito importante dentro dessa problemática: a questão do apadrinhamento afetivo. Por meio dele, as crianças passam a ter modelos de convivência social fundamentais para seu desenvolvimento e para a formação de seus valores.
É preciso conscientizar as pessoas acerca das condições de apoio garantidas às mães e aos pais que desejam entregar seus filhos para adoção – o que poderia evitar o abandono ao qual são submetidas tantas crianças. Essa, entre outras ações, mostra-se fundamental para que todos tenham respeitado seu direito à vida e à cidadania.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)
