O poder, a coragem e a humildade

Há uma tentativa de buscar explicações para a atitude do Papa Bento XVI, única, nos nossos tempos. Por que um Papa renunciaria? Por que alguém que tem o poder vitalício abriria mão desse poder? Por que se o poder é tão sedutor, tão envolvente?

E aí surgem analistas dizendo das disputas internas do Vaticano, outros falando que o Papa usa marca-passo ou que descobriu uma nova doença ou dos problemas do banco do Vaticano ou outro “achismo” qualquer.

O fato é que a busca pelo poder é tão desesperada que a coragem de ser humilde parece não convencer. É o imponderável. Sair dos holofotes para viver da oração, da reflexão, dos estudos. E fazer isso com sinceridade. Reconhecer que a idade avançada e os problemas de saúde são obstáculos para o vigor que o cargo exige. Apenas isso. O Papa Bento XVI entrará para a história por várias razões. E uma delas é esse ato de coragem, de desprendimento, de humildade.

Sua primeira Encíclica foi sobre o Amor. O amor é inspirador. É a maior virtude, porque do amor surgem as demais. É o amor pela sua Igreja, pelo seu rebanho, pela humanidade sedenta de uma ação intensa em favor da própria humanidade que moveu o Santo Padre. 

E é isso. O resto é especulação. É a incompreensão diante da compreensão de que há algo mais nobre e belo do que o poder. É a sabedoria que, aliás, faz com que o poder seja um serviço e não um objetivo em si mesmo.

Que essa atitude inspire outros governantes. O apego ao poder faz mal a quem governa e a quem é governado. Seja na Igreja, na política ou nas organizações e empresas. A humildade é o antídoto contra o que corrói o homem, a humanidade. Parabéns, Papa Bento XVI. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)

Leave a comment