“O caminho não é transformar a escola numa fortaleza.” Ao falar a Mílton Jung, apresentador do Jornal da CBN, sobre a tragédia que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira – em Realengo, no Rio de Janeiro –, Gabriel Chalita afirmou que ideias como a de colocar detetores de metal e policiais armados dentro das escolas não são soluções adequadas para combater ações violentas.
“É uma tragédia, uma tristeza, que a escola – um espaço para onde os pais deveriam mandar seus filhos com muita tranquilidade, um espaço de educação, de paz, de convivência – tenha se transformado no que nós vimos”, lamentou o deputado. “Isso nos ajuda a refletir sobre como a escola está formando seus alunos.”
Chalita também tratou da questão do bullying, “humilhação continuada”, “destruição das emoções que o aluno sofre na escola”. Ele disse que essa prática sempre existiu, mas que, hoje, é agravada pelo cyberbullying e pela falta de diálogo em casa. “O pai e a mãe mandam o filho para a escola e delegam a ela todo o processo de educação”, apontou. “É um problema quando o jovem está sofrendo na escola, volta para casa e fica trancado no quarto; se ele conta para o pai e para a mãe, já começam a diminuir os efeitos do bullying.”
Embora, em muitos casos, a família deixe de cumprir seu papel, não se deve atribuir a ela toda a responsabilidade. Segundo Chalita, é necessário que o professor conduza a sala de aula de acordo com o novo papel da escola, que não é mais o de apenas auxiliar os jovens a memorizar informações. O deputado sugere que se multipliquem as formas de avaliar e de educar, com dinâmicas de grupo, por exemplo – de modo a desenvolver, além da habilidade cognitiva, as habilidades social e emocional. Ele defende que as escolas se abram para a comunidade, de modo, inclusive, a fazer com que os pais participem mais da vida dos filhos.
“O processo educativo, hoje, precisa ajudar as pessoas a conviver, a cooperar, a solucionar problemas, a resolver questões.” Chalita também fez um alerta: “Não é que, agora, você vai achar que todo aluno tímido será um futuro atirador”.
Para Chalita, o importante é identificar os estudantes que sofrem bullying e ajudar os outros, inclusive os agressores, a perceber que não se trata de uma brincadeira. “Parece um bom momento para as escolas discutirem isso.”
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