O meu nome é Gabriel Chalita

(Revista Inside)

Gabriel Chalita nasceu no dia 30 de abril de 1969, em Cachoeira Paulista. Desde muito cedo, direcionou sua formação para sua verdadeira vocação, a carreira de educador. Ele possui Doutorados em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica; mestrados em Direito e em Ciências Sociais; bacharelados em Direito e em Filosofia.

Sua paixão pelas letras o levou a escrever muito, tendo lançado seu primeiro livro aos 12 anos de idade. Chalita possui hoje 45 títulos publicados, entre eles, Os Dez Mandamentos da Ética, Vivendo a Filosofia, Mulheres que Mudaram  o Mundo e este Cartas Entre Amigos, escrito em conjunto com Padre Fabio de Melo. Ele é membro da Academia Paulista  de Letras, na cadeira numero cinco e também da União Brasileira de Escritores. A exemplo da educação ele também começou cedo em sua outra área de atuação, a política, ao ser eleito vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista aos dezenove anos de idade. Foi Secretario de Estado da Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer do Governo do Estado de São Paulo; Secretario de Estado da Educação de São Paulo e Presidente do Consed – Conselho Nacional de Secretários do Estado da Educação do Brasil por dois mandatos. Foi também conselheiro do Fundo Social de Solidariedade. Alem de professor universitário e palestrante, Gabriel Chalita é hoje vereador da cidade de São Paulo.

Cachoeira Paulista e Taubaté são duas cidades importantes na sua biografia. Que boas lembranças estão sempre presentes quando essas cidades ou mesmo a região vem à mente?

Cachoeira Paulista é a cidade onde nasci e vivi ate os 21 anos. Na infância, a lembrança forte é a dos meus avós. Eu dava aulas em um quadro negro para os dois, que tinham que prestar atenção em min. Depois vieram as incursões no asilo, onde , com uma professora aposentada, eu aprendia colocar emoção na escrita. Minha experiência na igreja, os primeiros programas de radio na Canção Nova (quando a radio só pegava em uma parte de Cachoeira Paulista), a catequese, as missas que eu animava – tudo isso me ajudou a aprender a conviver com a dor do outro e com a minha própria. A eleição para vereador e presidente da Câmara aos 19 anos de idade. Enfim, um tempo bonito em que eu andava de bicicleta por todo o lado e bebia o encantamento das Serras da Mantiqueira e do Mar. Taubaté foi a terra em que meus pais se conheceram. Meu pai, que morava em Cachoeira, foi a Taubaté assistir um jogo do Corinthians. Viu minha mãe na calçada e seis meses depois estavam casados. Eu ia muito a Taubaté quando meu irmão estudava engenharia na UNITAU. No livro eu conto sobre sua partida.

Qual livro seu, lançado no período em que estava na região do Vale do Paraíba, pode ser considerado um prenuncio ou um primeiro passo na direção da atual obra Cartas entre Amigos?

Meus primeiros livros foram feitos nos Vale do Paraíba. Acho que Mulheres que Mudaram o Mundo ia na direção das homenagens ao ser humano. Falar de mulheres como Madre Tereza, Madame Curie, Anne Sullivan e Hellen keller era uma forma de homenagear a sensibilidade. No livro Cartas entre Amigos falamos sobre a vida, as perdas, os medos, a dor e também o sonho, a superação, a inquietação boa frente ao mundo, que é grande demais e que fica melhor de ser vivido quando vamos de mãos dadas – isso é de Drummond.

Acostumado a freqüenta a lista do best-seller, como esta sendo para você conciliar valores como “Fama” e  “Humildade” ?

Graças a Deus, não tenho o vicio do deslumbramento. Evidentemente é muito bom estar na lista dos mais vendidos. Isso aumenta a responsabilidade pela confiança que as pessoas tem naquilo que agente escreve. Saber que as pessoas saem de casa e vão as livrarias para encontrar um livro, saber que um professor busca uma teoria que eu escrevi para ser melhor na relação com os alunos, tudo isso me faz humilde. Até porque não temos a bússola da verdade. É uma questão de busca constante por valores corretos e pelo desvendar da alma humana. Nos meus livros de ficção eu também tento mostrar personagens que possam ser identificáveis no cotidiano. Acredito na literatura que amplia horizontes pelo fascínio que o conhecimento de outras vidas, outras historias, outras épocas, exercem.

Te incomoda o fato de ser seguido por fãs ou abordado por pessoas que, por acompanharem seus trabalhos, passam a se sentir “íntimos” de alguma forma ?

Geralmente não. As pessoas são muito carinhosas. E não custa dar um autógrafo, tirar uma fotografia, ouvir uma historia. Faz parte de nossa trajetória. O que incomoda é a mentira, as invenções absurdas de pessoa que tem inveja, a maldade. Sempre há alguém querendo jogar lama. Nessas horas é que agente precisa de maturidade. Eu escrevo sobre isso também em uma das cartas. Se ficarmos preocupados demais com os invejosos, nós nos paralisamos e não fazemos mais nada.

De todos os trabalhos lançados por você, qual aquele que pode ser considerado o preferido, que sempre que possível é relido como se acabasse de ser “gerado” ?

Algum motivo especial por essa preferência ?

Eu não tenho isso, não. Acho que cada livro é um filho. É pensado, gerado, oferecido para as pessoas. Como eu escrevo em áreas muito diferentes (filosofia, direito, educação, religião, ficção-romance, literatura infanto-juvenil, contos, etc ) é difícil dizer qual é o preferido. Em geral, depois que o livro fica pronto, eu não o leio mais. Se não fico querendo mudar. Só Leio quando mudo a obra de editora ou faço alguma edição revisada. Quando o livro fica pronto, ele não pertence mais ao escritor, vai para o mundo cumprir a sua história.

As cartas trocadas entre você e o Padre Fabio de Melo, no livro Cartas entre Amigos abordam medos e angustias atuais, a complexidade das relações humanas e respostas para duvidas dos homens contemporâneos. Que assuntos você abordaria caso fosse possível trocar correspondência com personalidades como Fernando Pessoa, Cecília Meirelles, Jean-Paul Sartre, Papa João XXIII, Juscelino Kubitschek de Oliveira e o Cantor Francisco Alves ?

Acho que, com Cecília Meirelles, eu gostaria de trocar palavras sobre a poética literária, as historias cotidianas engrandecidas pelas letras. Com Sartre, sobre a angustia humana. É fascinaste sua aventura pelo existencialismo. O significado de existir, assumindo erros e acertos das escolhas sem jogar a culpa no outro. E com Fernando Pessoa, sobre a complexidade de ser muitos em um. Essas três personalidades geniais, nós utilizamos no livro. Fizemos isso com naturalidade. O trato foi que não pesquisaríamos autores para escrever as cartas. Apenas usaríamos aqueles que fazem parte de nossas leituras. Tanto o padre quanto eu lemos diariamente. E isso nos ajuda a ampliar um repertório e a dialogar com as verdades que acreditamos.

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