(Diário do Comércio)
Uma solução capaz de resolver o problema dos moradores de rua que vivem no Centro tornou-se ponto decisivo para o sucesso do projeto que prevê uma São Paulo ideal no “Triângulo Histórico”. O projeto Aliança pelo Centro Histórico é uma iniciativa da Associação Viva o Centro e prevê uma ilha de excelência, um Centro de Primeiro Mundo, com vértices na Sé, no Largo São Bento e no Largo São Francisco.
A área do “Triângulo Histórico” equivale à São Paulo de 1810. Ele é delimitado pela Praça da Sé, pelo Largo São Bento e pelo Largo São Francisco. No seu interior estão o Pátio do Colégio, a Praça do Patriarca e a Prefeitura.
Entre os problemas a serem superados para o início do projeto – como o vandalismo que destrói as lixeiras – os sociais são os mais complexos. Estimativas indicam existir de 13 mil a 19 mil moradores de rua na cidade e boa parte deles ocupa áreas do Centro, como a Sé e o Pátio do Colégio. Eles dormem ao relento e utilizam as ruas como banheiro.
Celebração
Na última sexta-feira (29), missa celebrada na Catedral da Sé para moradores de rua revelou a disposição de líderes religiosos e políticos de chegar a um entendimento sobre o problema. A poucos metros do cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, estavam a
vice-prefeita e secretária da Assistência e Desenvolvimento Social, Alda Marco Antonio, e o vereador Gabriel Chalita (PSDB), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania. “Cada um de vocês é uma pessoa humana que tem todo o direito de ser respeitada e acolhida. A cidade de São Paulo precisa crescer em solidariedade”, disse Dom Odilo, em sua homilia, quando anunciou a presença da secretária na catedral. Pouco depois, ele recebeu e agitou uma bandeira azul do Movimento da População de Rua.
Convivência
Uma proposta da secretária Alda Marco Antonio para resolver a questão do morador de rua já está sendo debatida por setores da Igreja. Ela sugere que as entidades que servem comida aos sem-teto nas ruas levem os alimentos para o Espaço de Convivência a ser inaugurado este mês no Parque Dom Pedro II, na altura da avenida Rangel Pestana. Lá haverá banheiros e educadores para conversar com os sem-teto. Além das entidades católicas, como a Toca de Assis, integram essa ação o Centro Espírita Irmão Augusto e a Academia da Polícia Militar do Barro Branco.
“Estamos procurando as entidades para conversar, mas sabemos que muitos moradores de rua não querem sair do espaço público”, disse o subprefeito da Sé, Amauri Luiz Pastorello, encarregado de alguns pontos do projeto de revitalização do “Triângulo Histórico”. Na falta de um acordo sobre a distribuição da comida, ele não descarta a possibilidade de ser baixada uma norma para evitar a ação irrestrita das entidades assistencialistas.
Otimista
O comerciante Adriano Diniz dos Santos, de 70 anos, um dos sócios do tradicional restaurante Itamarati, na rua José Bonifácio, é um dos que esperam que o projeto dê certo. “Se o Centro recuperar o seu movimento e atrair de volta as empresas, o faturamento do comércio deverá aumentar em mais de 10%, o que vai gerar novos empregos”, disse Santos, que já recebeu no estabelecimento gente famosa como Ulysses Guimarães e Jânio Quadros.
