Conhecer para aprender

Neste sábado, 17 de março, Gabriel Chalita vai a Belo Horizonte para uma palestra, no Minascentro, para 1.500 pessoas. A palestra será às 14 horas. O encontro dá prosseguimento à série de eventos promovida pela Rede Pitágoras em várias capitais, dentro do congresso de educação cujo tema é cognição e metacognição. Em outras palavras, o aprender e o aprender a aprender.

O conceito de metacognição, uma novidade na pedagogia, é derivado da psicologia. Identifica dificuldades, barreiras e bloqueios dos aprendizes, tornando possível ao professor levar cada aluno a discutir e a pensar sobre como faz as coisas, sobre como aprende. Em sintonia com essa técnica educacional, desde o lançamento do seu livro “Educação: a solução está no afeto”, Gabriel Chalita vem defendendo a bandeira de que o processo ensino-aprendizado se dá em melhor grau em situações em que o educador está disposto a ouvir, entender e perceber a visão de mundo e o pensamento dos aprendizes.

Com esse entendimento, pode aplicar a melhor técnica de aulas para resolver dificuldades de aprendizado. Muitas vezes, as chamadas dificuldades de alunos considerados “fracos” se originam em um bloqueio. Que podem ter raízes até muito simples. Por exemplo: posto diante de um problema um pouco mais difícil, como a solução de um desafio de matemática ou a elaboração de uma frase, o aluno não consegue fazer porque pode estar dizendo a si mesmo: “não sei nada de matemática” ou “nunca vou conseguir escrever direito”.

Segundo a pedagogia, esse pensamento configura um metarraciocínio que bloqueia seu progresso intelectual. O educador preparado pode mudar a situação desse aprendiz, ajudando-o a mudar as sentenças internas para estas, por exemplo: “vou tentar de outra maneira e aí conseguirei”, “não estou conseguindo agora, mas vou me concentrar e descobrir a resposta”. Isto porque, quase sempre, a dificuldade escolar está mais relacionada a questões de auto-estima e de motivação do que à competência intelectual propriamente.

Valores

O conceito se aplica perfeitamente a valores. Valores são idéias adquiridas, depois de análise crítica, avaliação e fixação. Para a aquisição de valores, como o respeito, a solidariedade, o afeto, o aprendiz precisa estar despojado de barreiras. E aí entra o papel do educador. Chalita considera que é necessário um retorno aos grandes valores da sociedade, na relação ensino-aprendizagem. Segundo ele, o primeiro e mais desprestigiado dos valores – e que parece estar afetando o ambiente educacional hoje – é a falta do respeito pelo outro. Um desvio que o aluno leva de casa, em razão de uma série de circunstâncias: formação deficiente, subemprego, bebida, violência e desesperança dos pais. Qualquer pessoa endurece ao viver situações desse nível, mas com as crianças o endurecimento é mais marcante e mais duradouro. Por isto mesmo é que os valores se aplicam a essas pessoas, na idade de pleno processo de crescimento emocional, moral e social. Se a criança for tratada com respeito e com amor, responderá na mesma medida.

Mário Quintana, o grande poeta gaúcho, dizia: “E no dia em que tratardes um dragão por Joli ele te seguirá por toda parte como se fosse um cachorrinho.” Na singeleza do poeta, se até um dragão tratado com carinho muda, quanto mais o ser humano.

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