Por Gabriel Chalita (Revista Profissão Mestre)
Uma polêmica se deu em torno do ensino religioso nas escolas públicas com a visita do papa Bento XVI ao Brasil. A vinda do papa teve o objetivo de abrir a Conferência dos Bispos da América Latina e Caribe, na cidade de Aparecida.
Além disso, canonizou o primeiro santo nascido em terras brasileiras: Santo Antonio de Sant’Anna Galvão. Quis o papa encontrar-se com os jovens. Assim falou, no estádio do Pacaembu:
“Diante dos olhos, meus queridos jovens, tendes uma vida que desejamos seja longa; mas é uma só, é única: não a deixeis passar em vão, não a desperdiceis.”
Talvez tenha sido sua extrema preocupação com jovens que o levou a insistir no assunto do ensino religioso. O presidente da República teria respondido ou dito à imprensa que o Estado brasileiro é laico. Parece que o sumo pontífice é suficientemente bem informado para saber que o Estado brasileiro é laico. O que queria o papa, entretanto, era que os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais fossem cumpridos.
Reza a Constituição, em seu artigo 210, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no artigo 33, que o ensino religioso deverá ser ministrado nas escolas públicas do ensino fundamental. Evidentemente respeitando-se o pluralismo de conceitos e reflexões religiosas.
Não quis o papa impor o ensino da religião católica nas escolas. Não tratou de aulas de catequese, mas de valores.
Em uma sociedade que clama por valores, parece que o ensino religioso ajudaria e muito a trazer temas universais para o cotidiano dos alunos. Temas como amor, respeito, ética, relações humanas com base na vivência plural, livre de preconceitos e discriminações – tudo isso com a sustentação que o ensino da religião proporciona.
Alguns estados já regulamentaram o ensino religioso a partir de discussões que envolveram líderes das mais diversas religiões. Aliás, o próprio papa fez questão de se encontrar com os líderes das outras religiões.
Há também algumas escolas particulares desenvolvendo um extraordinário trabalho a partir da proposta do ensino religioso. Outras trabalham esses conceitos em disciplinas como ética e cidadania e até mesmo em filosofia.
Enfim, a polêmica é desnecessária. O Estado é laico mas se preocupa com valores humanos que podem ser mais bem desenvolvidos por meio da educação. E cabe à educação uma visão mais ampla sobre o conhecimento. Além das matérias que se julgam imprescindíveis ao conhecimento, há aquelas que são imprescindíveis para a vida.
Em tempo: de que vale o conhecimento, se não se preparou para a vida?
