Você já leu Paulo Bomfim?

Neste dia 30 de setembro, Paulo Bomfim completa 80 anos, 59 deles dedicados à poesia. É considerado um dos pioneiros do neotrovadorismo brasileiro. O primeiro livro de Paulo Bomfim, Antonio Triste, foi publicado em 1947. 

“Lembrava-me um balão que, multicor,
Se vê no firmamento:
Não se sabe donde veio.
Não se sabe aonde vai.
Não era velho.
Não era moço,
Não tinha idade
Antônio Triste.”

Aos 80 anos, cumpre religiosa rotina na Academia Paulista de Letras, para onde vai toda semana, dentro da sua elegância clássica de paulista descendente de bandeirantes. Cumpre o seu destino de desbravar, com palavras e rimas, o sentimentos das coisas, como o grego Píndaro.

Um exemplo é essa beleza de soneto, do livro Transfiguração:

Soneto XIII

Pastor já fui desse rebanho alado

Pastor já fui desse rebanho alado,
Que pelos céus caminha, pensativo, 
A ruminar a grama azul do prado 
E a desmanchar-se em pensamento vivo.

Pastor já fui de olhar perdido e calmo, 
Guardando as reses pelo campo etéreo, 
Entoei sobre a campina cada salmo 
De um livro que perdi sobre o mistério.

Já fui pastor fora de certo espaço, 
Das loucas dimensões em que me banho, 
Não sei se é no futuro em que me abraço

Ou no passado desse meu rebanho! 
Pastor já fui, hoje arrebanho a mágoa 
Do meu rebanho a desfazer-se em água.


Foi o principal responsável pela inclusão, no calendário cívico, do Dia dos Bandeirantes, celebrado pela primeira vez em 14 de novembro de 1961.

Tem história importante no jornalismo. Levado por Assis Chateaubriand para o jornal Diário de São Paulo, manteve durante dez anos a coluna “Luz e Sombra”. Ao mesmo tempo, escrevia a coluna “Notas Paulistas” para o jornal Diário de Notícias do Rio de Janeiro. Na televisão, produziu o programa Universidade na TV.

Paulo Bomfim recebeu o título de Príncipe dos Poetas Brasileiros, em 1991, outorgado pela Revista Brasília. Um título que já pertencera a Guilherme de Almeida

Não recebeu a homenagem sem razão. O poema a seguir dá uma mostra de sua alma de poeta:

“Algo me veste
O existir
Algo cobre com um sorriso
A idéia de sorrir
Algo inventa palavras
Em lavras de vento
Algo arde
Nos passos em que sou tarde
Algo ama em meu amor
Algo alga em praia além
Algo alma
Em meu ninguém.”

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