“O professor precisa aprender a ser um pouco Sherazade, aprender a seduzir o aluno.” A partir desta idéia, o especialista em educação, escritor e ex-secretário de educação do estado de São Paulo, Gabriel Chalita, fascinou a platéia na primeira conferência do fórum de leitura.
Querido entre as professoras de todo o país, Chalita foi estudante de seminário e vereador aos 18 anos, e hoje comanda um programa de entrevistas e gincanas culturais na emissora católica Canção Nova. Para ele, o segredo de fazer alunos gostarem de ler é o afeto. Em suas palavras, “a violência é vencida com a sedução”.
Um dos exemplos citados pelo educador foi o conhecido “aluno-problema”, muitas vezes reduzido pelo professor a alguém incapaz de aprender ou gerar coisas boas. “É muito difícil que um aluno tratado com carinho não responda a isso”. Do outro lado, Chalita apresenta os professores-problema, que em geral não se reconhecem como tal.
Numa pequena história que provocou risadas, algumas constrangidas, na platéia, ele lembrou os mestres que, no primeiro dia de aula, deixam claro que em sua classe não há perguntas, idas ao banheiro, conversas paralelas (mesmo sobre o tema da aula), e que não são amigos nem tios dos alunos. Em suma, o retrato do professor que não sabe “seduzir” o aluno para o mundo do conhecimento. “Professor tem medo de mudar porque tem medo de errar. O que é que tem voltar atrás? O ser humano que não sonha é um perigo”. (Fonte: Correio da Bahia – 27/07/06 – Ana Carolina Araújo)
