A Embraer é exemplo de planejamento bem concebido e melhor executado. As políticas públicas adotadas nos países vencedores, isto é, aqueles que desenvolveram culturas e produtos distribuídos por todo o mundo, mostram que todos os que adotaram ações necessárias para melhorar os índices educacionais de suas populações conseguiram resultados realmente excepcionais.
Segundo levantamento da OCDE, para avaliar o rendimento escolar em 40 países, mostrou que a maioria dessas nações tem coletado resultados sensíveis, tanto no campo social como no material. O Brasil está relacionado nos últimos lugares entre as comparações realizadas. Segundo dados do Ministério da Fazenda, do total arrecadado em impostos pelo governo federal, no período de janeiro de 2003 até setembro de 2006, a União gastou em educação apenas 1,29%. Se tomarmos apenas um exemplo, o da Coréia, constata-se que os coreanos não só investem bem mais em educação do que o Brasil, como também continuam a fazer uso mais eficiente do dinheiro, conseguindo resultados excepcionais no seu desempenho econômico e social.
De acordo com o Ministério da Educação, mais de 90% dos estudantes brasileiros terminam o ensino fundamental abaixo do nível adequado, apresentando dificuldades para reter ou compreender textos básicos. O resultado constatado é que grande parte dos trabalhadores brasileiros carregam consigo não mais do que quatro anos de escolaridade, contra 12 dos construtores de riquezas, como os coreanos.
Na busca de exemplos, não há necessidade de ir ao outro lado do mundo para conseguir comparações válidas e demonstrativas. Aqui mesmo, no nosso País, temos muito a comemorar a partir de empreendimentos brasileiros que funcionaram, os quais tiveram como ponto de partida a educação. Eles mostram vigorosas taxas de expansão e estão vencendo não somente no nosso mercado interno como saltaram com êxito para o comércio internacional. Por exemplo, quando se examina o que a Embraer conseguiu, muitos ainda se mostram surpresos. Todavia, se olharmos para trás – há cerca de 60 anos – vamos encontrar um pequeno grupo de oficiais da Aeronáutica, visionários, simplesmente afirmando que o Brasil somente fabricaria aviões se antes produzissem engenheiros e técnicos. Em outras palavras, se começasse pela educação.
Foi o que fizeram. Conseguiram convencer o Ministério da Aeronáutica a criar o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e, posteriormente, o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos. Desde a materialização da idéia, em 1950, mais de 4.500 engenheiros foram formados, além de vários outros milhares de pós-graduados. Foi do esforço a partir da formação dos primeiros técnicos e engenheiros que começaram a florescer as empresas, bases da construção aeronáutica nacional de hoje.
Em novembro, dois livros foram publicados procurando contar a história de lutas daqueles que acreditaram no futuro, em meados da década de 40, focalizando a vida e obra do líder do grupo, o brigadeiro Casimiro Montenegro Filho, um grande brasileiro do Ceará. Aquele time foi capaz de criar diferenças, mudando a realidade de um país ainda no estágio de subdesenvolvimento. Esses livros contam como e por que a iniciativa da Força Aérea Brasileira de investir em educação, criando o ITA deu certo e funciona ainda hoje. Uma real vitória da educação!
Nenhum milagre. Ou melhor, os resultados mostram um planejamento bem concebido e melhor executado. Na atualidade os números impressionam. Aviões brasileiros exportados voam nos mais diferentes sistemas de transporte aéreo em mais de 60 países. As vendas de 2006 superaram os R$ 10 bilhões. Milhares de empregos de alto nível foram criados. Uma nova geração de tipos e modelos de aviões capazes de transportar de 70 a 120 lugares foi projetada, desenvolvida e fabricada.
Os novos produtos competem com competência e qualidade, mostrando um exuberante número de US$ 14 bilhões em encomendas firmes para unidades a serem entregues nos próximos anos para todo o mundo. Tudo isto só no setor aeronáutico. O mesmo ocorre em outros campos das atividades industriais e de serviços nacionais, mostrando o poder transformador da educação.
Fica difícil hoje para o povo deste País, criativo e com uma inequívoca aspiração pelo progresso e desenvolvimento, compreender as razões que impedem investimentos em educação e treinamento e, após tantas constatações, sejam tão reduzidos. Não é fácil compreender que limitações permaneçam segurando o potencial de realizações e de riquezas que podem emergir da cabeça e da criatividade dos brasileiros.
O presidente Lula, no seu discurso de posse para o segundo mandato, anunciou um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Boa notícia, mas foram mencionados somente os investimentos em infra-estrutura material, nada se colocando para o aperfeiçoamento humano dos brasileiros, estes os reais criadores de riqueza por força de seus esforços criativos. O que se espera é que esta área não seja esquecida. A cultura, a legislação e os regulamentos estabelecidos no passado mostraram até agora, resultados insuficientes. Um esforço conjunto entre os poderes públicos e os empreendimentos privados precisa ser implementado para modificar as ações nesse vital campo da Educação. É também difícil compreender quais os benefícios que a tributação sobre o setor educacional dos cidadãos pode trazer para a arrecadação pública de impostos e taxas. Urge um real esforço, e mesmo uma pressão da sociedade, para mudar e consagrar o grande diferencial que pode levar a nação a patamares significativamente diferentes daqueles do passado. É justo aspirar que os brasileiros sejam crescentemente vitoriosos nos desafios que o mundo global de hoje oferece a todos os qualificados para explorar as oportunidades de progresso e desenvolvimento.
